Segunda, 12 de Novembro de 2018 - 11:00

Geraldo Júnior

por João Brandão / Jade Coelho

Geraldo Júnior
Fotos: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

O presidente eleito da Câmara Municipal de Salvador (CMS), Geraldo Júnior (Solidariedade), considera como uma “tendência natural” que o vice-prefeito da capital baiana, Bruno Reis, seja o candidato à sucessão de ACM Neto na chefia do Executivo da cidade em 2020. No entanto, Geraldo acredita que para alcançar êxito Reis terá que construir uma relação com a cidade através da Câmara.

 

“Um processo como esse você não chega vitorioso se não tiver um processo de construção. Bruno precisa estar apto com o prefeito ACM Neto, precisa estar apto com a cidade, e precisa estar apto com a CMS. Ele vai ter que sentar com a Câmara, com o presidente Geraldo Júnior, com a mesa diretora e com a cidade”, defendeu.

 

A respeito do papel do Solidariedade na gestão municipal junto com o prefeito de Salvador, o ex-secretário de Trabalho, Emprego, Renda, Esporte e Lazer da cidade, que deixou o cargo para se candidatar à presidência da CMS, garantiu que o partido irá continuar pleiteando a pasta.

 

Quanto à presidência do Legislativo Municipal, o vereador afirmou que a gestão terá como principal objetivo a aproximação da Casa com a cidade e os cidadãos. “Abrir a Câmara Municipal, abrir a casa do povo realmente”, assegurou.

Quais são suas principais propostas para a Câmara Municipal de Salvador?

A gente tem um senso de responsabilidade muito grande. Eu estou sucedendo Paulo Câmara, ex-presidente da Casa, eleito deputado estadual, vou suceder o atual presidente ainda em exercício Léo Prates, também eleito para deputado estadual na última eleição. Eles foram testados e aprovados, tanto é que nas últimas eleições, não só na cidade de Salvador, como no estado da Bahia, o êxito foi esperado. A campanha e o projeto político nasceram do seio da Câmara Municipal de Salvador, nasceu dos vereadores. Eu faço esse registro, que não houve interferência do Executivo municipal ou estadual no processo. A nossa ideia é aproximar mais a cada dia que passa, abrir a Câmara Municipal, abrir a casa do povo realmente. Tirando do discurso, indo para a prática, para a sociedade. Mas aí você me pergunta: "Mas como fazer isso? Tornar isso realidade?". Eu tenho dois instrumentos na Câmara que vão facilitar esse processo, de sugestão de participação, questionamento e críticas, que são a TV Câmara e a Rádio Câmara. Vou intensificar o trabalho da TV Câmara e da Rádio Câmara. Elas vão ter principalmente o espectro das transmissões ao vivo, não só em relação às sessões ordinárias e extraordinárias, mas principalmente de um trabalho que às vezes fica nos bastidores, mas que é de extrema importância, que é o trabalho das comissões, principalmente as comissões temáticas, comissões de admissibilidade. Tenho a ideia de a cada dia que passa dar uma melhoria no processo legislativo. A gente precisa qualificar os técnicos que ficam no entorno dessas comissões, os técnicos que acompanham os vereadores dentro do plenários. Eu vou colocar como situação primaz aí, e vou tentar no colégio de líderes estabelecer isso, que os vereadores se preocupem mais com a qualidade do que com a quantidade das proposições efetivadas e encaminhadas para avaliação. Eu acho que essa qualidade vai fazer com que as leis passem a ser respeitadas, passem a ser cumpridas. Então é eficiência e eficácia. Não adianta a gente aprovar 100 números de leis, que vivam no mundo das nuvens e dos sonhos, a gente precisa de leis que deem o efeito da praticidade. Tem um entendimento que a gente precisa trazer, independentemente da participação popular para dentro da casa. A gente precisa  trazer a participação setorial, empresarial e sindical dentro desse processo. A discussão que paira sobre a Câmara de maior importância é a regularização e regulamentação dos aplicativos de transporte. E aí me perguntaram como deve ser minha relação com o Executivo municipal. Eu tenho mesmo na expectativa, ainda lá atrás, na eleição, que já se consagrava como aclamada pelos vereadores internamente na Câmara Municipal e o prefeito... nós já abordávamos e discutíamos, mesmo por telefone, alguns aspectos importantes para a cidade, e várias investidas foram dadas ao prefeito para que ele tirasse a urgência do [projeto do] Uber na Casa. No próximo dia 7 de novembro ia sobrestar a pauta, então a gente não votaria mais nada. E ia terminar numa fogadilha, a gente tomando uma decisão que envolve um processo extremamente importante para a sociedade. As grandes capitais já adotaram a regulamentação do Uber, mas a gente não pode adotar a regulamentação dos aplicativos esquecendo de uma atividade de profissionais que tem uma história na nossa cidade, que tem uma respeitabilidade na nossa cidade, que são os taxistas. Então a gente não pode pensar nesse projeto apenas na regularização e regulamentação dos aplicativos. A gente tem que pensar o que, historicamente, essa camada profissional deu e dá de contribuição para a sociedade e o que a gente pode, por simetria, trazer de benefícios aos requisitos que são dados aos aplicativos, trazendo a mesma sorte para os taxistas. Eu já deixei isso bem claro para o Sindicato dos Taxistas, Associação de Taxistas. Eu fiz um apelo ao prefeito e ele tirou a urgência do projeto. É preciso deixar aqui registrado um trabalho de excelência feito pelos vereadores Paulo Magalhães, presidente da CCJ [Comissão de Constituição e Justiça], Lorena Brandão, relatora desse projeto, e duas contribuições extremamente importantes nesse processo que são as do vereador Maurício Trindade e do vereador Alexandre aleluia. Minha equipe de transição entra na próxima semana na Câmara para que a gente possa entender o contexto operacional, administrativo, financeiro e orçamentário, mas acima de tudo já deleguei a essa comissão que faça uma visitação a duas grandes capitais, Rio de Janeiro e São Paulo, para conhecer o processo do legislativo municipal lá, como funcionam essas comissões, como funciona esse processo de evolução dessas comissões.

 

O senhor já está tomando pé da situação?

Já sim. Léo Prates tem sido muito correto comigo nesse sentido, ele tem aberto o processo pra mim. Determinou que todos os representantes dos departamentos, das estruturas, sejam administrativas, do jurídico, da controladoria, nos conceda informações, mesmo que ainda de cunho informal. E na próxima semana oficialmente a gente entra no processo, na transição.

 

Qual é a situação hoje dos prédios da CMS?

A partir de uma emenda do deputado Cacá Leão existem R$ 8 milhões destinados ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A minha expectativa é que na primeira quinzena de janeiro eu dê o start da licitação da requalificação dos prédios da Câmara Municipal de Salvador.

O senhor vai montar a Procuradoria da Mulher. Eu queria que o senhor explicasse um pouco mais sobre isso.

Hoje tem crescido, apesar do processo ainda não ter uma evolução natural, mas a gente pode observar claramente o  empoderamento da mulher. A mulher hoje está em todos os setores da sociedade, seja setorial, empresarial, familiar, e não é diferente no mundo político. Eu entrevistei a tesoureira da Seccional Bahia da Ordem dos Advogados do Brasil, e ela me deu uma informação que eu desconhecia. No cenário nacional, na OAB Nacional, 48,5% dos advogados cadastrados na OAB são mulheres.  Aqui na Bahia, da seccional Bahia, mais de 50% fazem esse número. Então você vê que o crescimento da mulher nos processos de extrema importância, sejam eles institucionais, sejam eles de ordem privada, sejam eles dentro do critério da razoabilidade, tem crescido muito. Antes mesmo de eu retornar para a Câmara eu estava à frente da pasta do Trabalho, Emprego, Renda, Esporte e Lazer. Há de se observar que mais de 50% dos microempreendedores da cidade são mulheres.  Essas informações ainda estão nos bastidores, não vieram à tona. Então a Procuradoria da Mulher serve para que a sociedade possa dar luz a esse processo, vida, entendimento do porquê desse empoderamento, o motivo desse espaço, o porquê das dificuldades que as mulheres ainda encontram. Eu conversava com a tesoureira da OAB e ela dizia que as mulheres, ainda nesse processo, sofrem um assédio muito grande, então a Justiça tem que estar atenta a isso, assim como os órgãos de controle. Marcelle Moraes será minha Procuradora da Mulher, porque além da defesa dos animais e meio ambiente, vai buscar dentre as outras capitais, dentro do universo do Legislativo, contribuições para que esse processo saia dos sonhos e venha para uma realidade.

 

O senhor tem dito que vai adotar redução de custo na Câmara. De que maneira pretende fazer isso?

A gente tem acompanhado. Esse é um processo que se iniciou lá atrás, com o presidente Paulo Câmara, Leo Prates navegou na mesma esteira. A gente precisa manter o equilíbrio nessas contas, é fundamental manter esse equilíbrio. E dentro dessa política de austeridade, todo ano teve devolução, o índice de pessoal é uma questão importante de ser observada, mas acima de tudo eu estou orientando minha equipe de transição e será dessa mesma sorte na Procuradoria da Câmara, como na Controladoria, nas Diretorias, seja ela administrativa ou financeira, a observância aos critérios relacionados e à norma concernente à Lei de Responsabilidade Fiscal. Eu acho que isso é de extrema importância. Farei uma visita ao presidente do Tribunal de Contas do Município, já agendei uma visita à Indústria, de Representantes do Parquet do Ministério Público, doutora Rita Tourinho, mas acima de tudo quero fazer uma visita ao Tribunal de Contas do Estado, para a gente intensificar a parceria com o TCE que é o Sistema Permanente de Auditoria, o chamado Sistema Mirante. É um sistema que tem austeridade, transparência, mas busca acima de tudo em tempo real... existe um profissional na Câmara e nós vamos intensificar com equipe, para que em relação às ações dos vereadores, às práticas dos vereadores, a gente tenha em tempo real a habilidade de entender isso dentro do processo legislativo.

 

O que o senhor vai cortar logo de início?

É muito prematuro dizer o que vou cortar. Eu vou aguardar, por prudência, o levantamento, o processo de auditoria e os estudos dessa equipe minha de transição.

O senhor afirmou em uma entrevista que tem o desejo de comandar a cidade de Salvador, ser prefeito da cidade. Para viabilizar essa candidatura, o senhor trocaria de partido?

Todo mundo sabe que na minha vida, pessoal, profissional e política, eu sempre pratiquei com desafios e foco. Tudo na vida você tem que ter um foco, e eu dizia que eu tinha um sonho, e era um sonho que todo vereador tinha, de um dia presidir e liderar o processo do legislativo municipal. Hoje eu sou o presidente eleito da Câmara Municipal de Salvador, mas acredito que não há uma fruta ou folha que caia da árvore sem o consentimento de Deus. Eu ainda vou governar essa cidade, é um desejo que eu tenho. Não sei se em data próxima ou em data longínqua. Uma coisa eu posso assegurar a você: todo e qualquer passo que eu dei na minha vida pública, assim como fiz lá atrás, eu fiz sempre com aconselhamento político que eu tenho, chamado ACM Neto, prefeito da cidade de Salvador. Não tomarei qualquer decisão para 2020 sem orientação, irei seguir a orientação que ele me dê para esse processo.

 

O senhor acredita que esse seu mandato como presidente da Câmara ajuda a viabilizar a concretização desse objetivo?

Com certeza. Na última semana um blog político colocou que era mais um player no processo para 2020. Uma coisa eu quero deixar registrada: eu falei que a relação com o Executivo vai ser respeitosa. O prefeito tem dado ares de que as eleições de 2020 não vão ser levadas a reboque. Até pelo histórico político dele, até pela sensibilidade que tem, porque ele já foi do parlamento, já foi deputado federal, hoje está no Executivo... eu pude ter essa experiência no aval que ele me deu de 22 meses como secretário da pasta. Independente de posição política e partidária, a eleição de 2020 vai passar pela Câmara Municipal de Salvador. A gente pode até não ser o timoneiro do processo, quando eu digo a gente é a Casa, qualquer um dos vereadores, e eu tô conduzindo esse processo. Mas nós vamos ter que ser instados nesse processo. A CMS não vai ser levada na esteira do processo, ela vai participar ativamente dessa decisão.

 

Agora falando de eleições de 2020, o senhor acredita que Bruno Reis é o candidato natural a sucessão de ACM Neto?

Com certeza. É uma tendência natural, é uma vontade do prefeito ACM Neto, [mas] Bruno Reis precisa continuar se viabilizando nesse processo. Em um processo como esse você não chega vitorioso se não tiver um processo de construção. Bruno precisa estar apto com o prefeito ACM Neto, precisa estar apto com a cidade, e precisa estar apto com a CMS. Ele vai ter que sentar com a Câmara, com o presidente Geraldo Júnior, com a mesa diretora e com a cidade.

O senhor deixou a secretaria municipal, e era o único do Solidariedade na gestão. O partido vai pleitear a continuação nesta pasta e a participação da legenda no governo ACM Neto? Ou vai abrir para outro partido?

O Solidariedade é um marinheiro de primeira hora. Hoje o partido tem o presidente da Câmara Municipal de Salvador, um vereador que foi extremamente fiel à gestão municipal. Hoje o partido entrega uma secretaria que pode ser considerada de excelência. Nós tiramos Salvador na penúltima capital de empregabilidade, e hoje ela é a primeira capital do Norte e Nordeste em ocupações formais e informais e a terceira do país. Trouxemos um dos maiores equipamentos esportivos do país, que é uma das piscinas olímpicas das Olimpíadas de 2016. A piscina está pronta, ela só não foi entregue ainda à cidade em função do entorno que precisa ser finalizado, está tendo requalificação e revitalização na área, uma série de mudanças. Nós entregamos 137 campos de futebol revitalizados e reformados na cidade, só faltam agora 92 campos a serem entregues. Em dezembro o prefeito entrega, ainda da minha gestão, dois ginásios, que não são nem poliesportivos, são multiusos, em São Marcos e Itapuã, para atividades olímpicas, não-olímpicas e paraolímpicas. Entregamos equipamentos de ordem social, que é a praça da juventude, que muita gente pensa na intitulação "praça", mas que nada mais é do que um equipamento da área de esportes onde você pratica e lá tem pista de skate, ginásio poliesportivo, atividades de introdução ao estudo e aperfeiçoamento e técnica ao esporte. Nós temos esses equipamentos que fazem parte do contexto do processo, então nada mais justo do que aquilo que fizemos na gestão ser adotado. O partido irá com certeza continuar pleiteando a manutenção desse espaço. À frente da secretaria está o meu subsecretário à época, Adriano Montagalo, que hoje é o secretário em exercício.

 

Queria que o senhor avaliasse o desempenho do Solidariedade nessa eleição.

O partido ultrapassou a cláusula de barreira, conseguiu ter grandes resultados com grandes exponenciais no país, a exemplo do presidente nacional do partido, deputado Paulinho da Força. Infelizmente não tivemos o mesmo êxito aqui na Bahia. Meu amigo, presidente estadual no meu partido, Luciano Araújo, presidente nacional da agremiação, não conseguiu obter o quociente eleitoral para isso. O partido não conseguiu na mesma sorte um deputado estadual. Nós temos aqui o êxito das eleições para presidência, então isso aí é um reflexo, um desdobramento da própria eleição, e fica a expectativa de nos próximos dias, quem sabe, nós trazermos aí de volta ao mandato na Câmara de Salvador o vereador Jota Carlos.

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