Prefeitura de Feira está atenta para amenizar 'males do desenvolvimento', diz Zé Ronaldo - 25/02/2008
Foto: Rafael Albuquerque
“A Prefeitura está atenta à nova realidade de nossa cidade e estamos preparados para amenizar os males do desenvolvimento”
Por Daniel Pinto
Bahia Notícias - Podemos dizer que a Prefeitura de Feira de Santana tem uma administração de sucesso?
José Ronaldo – Com toda segurança. Vários fatores nos dão subsídios para fazer essa afirmação. Tanto os resultados dos programas como os convênios firmados, mas, sobretudo, a recuperação da auto-estima do feirense. Essa foi a nossa maior conquista.
BN - Como isso foi possível?
José Ronaldo – O principal fator foi montar uma boa equipe de trabalho. Temos uma equipe determinada, que trabalha com união e coloca os interesses do município em primeiro lugar. Outro fator é a austeridade fiscal no trato com o dinheiro público aliado aos bons preços pago pela Prefeitura pela obras e serviços, o que atrai cada vez mais investidores.
BN - Mas, sua equipe de trabalho permanece a mesma nos dois mandatos?
José Ronaldo – Quase que completamente. Só pra você ter uma idéia, em sete anos foram duas alterações no secretariado. O secretário de Educação foi candidato a vereador e na secretaria de Serviços Públicos o antigo titular era um militar, que preferiu assumir o comando de um batalhão.
BN - Agora, porque o Sr. criou mais duas secretarias? E as pastas possuem o mesmo modelo de gestão?
José Ronaldo – Nós criamos as secretarias de Habitação e Transportes. As duas nasceram da necessidade do município. Feira cresceu muito e não havia outra forma de ordenar o crescimento da cidade sem duas pastas que criassem políticas públicas para essas duas áreas estratégicas. Mas, todas as secretarias funcionam ri-go-ro-sa-men -te sob o mesmo modelo de gestão. Todas elas são peças de um mesmo governo. Somos uma família unida.
BN - Existe um planejamento específico para cada ação da Prefeitura?
José Ronaldo – Claro que sim! A orientação para cada secretário, funcionário ou colaborador é para que ele trabalhe como se estivesse em sua própria casa. Na administração pública tem que ser assim: só gasta o que tem. Olha Daniel, quem participa de uma licitação em Feira de Santana sabe que receberá o dinheiro sem atraso no pagamento. Isso nos dá mais segurança e garantia de que os serviços vão ser bem prestados. Tudo isso por conta do planejamento.
BN - Por falar em planejamento, o Sr. pode falar um pouco sobre o Hospital da Criança?
José Ronaldo – O Hospital da Criança tem funcionado perfeitamente. Ele é um exemplo de saúde pública. As pessoas que lá se internam saem bastante satisfeitas. O Hospital da Criança de Feira de Santana não deve nada as clínicas e hospitais da rede particular. Também temos atendimento especial para as mulheres, inclusive, com UTI neonatal. Não é só isso. Na área da saúde nós ampliamos os postos de atendimento ao público e alguns funcionam 24h. Sem falar nas campanhas educativas contra o câncer e outros males e também os Centros de Educação Complementar, que – como o próprio nome diz - funcionam como um complemento a atividade escolar, onde as crianças ficam depois que saem da escola e têm aulas de dança, computação, cursos profissionalizante, enfim, uma variedade de atividades que dão maior qualidade de vida aos jovens.

BN - Prefeito, dado o crescimento da cidade, não são necessárias obras de infra-estrutura para adequar o município ao novo perfil urbano?
José Ronaldo – Estamos atentos à isso. Tanto que já iniciamos a construção de sete viadutos. Tudo isso com recursos próprios. Hoje, FSA não tem mais como crescer, pelo menos dentro do anel de contorno da cidade. O crescimento pode se dá pela verticalização, o que vem acontecendo com mais intensidade a cada dia. A Prefeitura está atenta a nova realidade de nossa cidade e estamos preparados para amenizar os males do desenvolvimento (risos).
BN - Que história é essa de Plano Diretor de Trânsito?
José Ronaldo – A concepção desta ferramenta foi necessária pelo próprio crescimento da cidade. Hoje, já existem congestionamentos e um número significativo de acidentes de trânsito. Colocamos uma licitação na rua e uma empresa foi vitoriosa. Agora, ela tem seis meses para nos dar esse Plano Diretor de Trânsito completamente pronto. Só pra você ter uma idéia, de janeiro de 2001 até janeiro de 2008, o número de veículos em circulação na cidade duplicou e o de motos triplicou. Hoje, FSA também é a 31° cidade do Brasil em termos de população.
BN - Nós sabemos que é difícil para um município, ainda mais do porte de FSA, implementar políticas públicas e executar grandes obras sem parcerias. Por conta disso, como é a relação da Prefeitura de FSA com os governos Estadual e Federal?
José Ronaldo – Posso te assegurar que com o governo do Estado não há relacionamento. Tenho até ouvido de grandes empresários que os incentivos e vantagens para instalar suas empresas em nossa cidade não são mais como antes. O governo do Estado parece que entrou em letargia. Já com o governo federal, temos conseguido liberação de recursos e parcerias em alguns projetos, mas nada que extrapole o que a constitucionalmente assegurado para o município.
BN - Mas, a relação com a Câmara Municipal de Feira é bem diferente não é?
José Ronaldo – É verdade. Nos dois mandatos sempre tivemos um bom relacionamento com o Legislativo. Sempre tivemos a maioria na Casa. Mas, como se sabe, a maioria é fruto do comprometimento da Prefeitura com a cidade. Temos um relacionamento fértil, saudável e respeitoso entre os dois poderes.
BN - Agora, com a “proximidade” do final do seu mandato, qual o principal legado deixado pela sua administração e qual a maior frustração do governo José Ronaldo?
José Ronaldo – Além das grandes realizações na área de Saúde, Educação, Transporte e Infra-estrutura, o principal legado da minha administração foi devolver a auto-estima do povo feirense. Antes, o povo andava cabisbaixo, triste e infeliz com os rumos de sua cidade. Hoje, a história é completamente diferente. Fico satisfeito em andar pelas ruas e ouvir que o povo faz questão de pagar seus impostos porque sabe que há um retorno. Todas as pesquisas mostram que o povo de FSA recuperou a confiança e a auto-estima. Isso não tem preço! Acho que não há uma frustração maior. Mas, todo o gestor público sempre tem vontade de realizar mais. Entrei na vida pública pelo ódio que tinha dos políticos que mentiam e faziam promessas impossíveis. Ao invés de fazer promessas, eu faço compromissos.
BN - E quanto à sucessão municipal, sabe-se que o apoio do Sr. pode ser determinante nas eleições, mas o Democratas já tem candidato?
José Ronaldo – Estamos intensificando as conversações. Logo após o carnaval nós iniciamos o processo que vai definir o nosso candidato. Nossa maior intenção é a unidade. Se permanecermos unidos, temos ótimas chances de ganhar a eleição. A discórdia é a pior coisa que pode acontecer. Luto pela união e tenho esperanças de que tudo vai dar certo.
BN - Mas, pessoalmente, o Sr. prefere Fernando de Fabinho ou Tarcísio Pimenta?
José Ronaldo – Ainda não há nada definido.
BN - Mas, dizem que o Sr. vê com “bons olhos” a candidatura de Fernando de Fabinho.
José Ronaldo – Não desejo impor um nome. Isso só será necessário se não houver entendimento entre ninguém.
BN - A Executiva do partido participa do processo de escolha?
José Ronaldo – Estamos ouvindo todo mundo. Às vezes, quem está mais distante desta ebulição tem a cabeça mais tranqüila para ajudar. Paulo Souto e ACM Neto têm ajudado bastante.
BN - E o Sr. não vai arriscar um palpite?
José Ronaldo – Aí você me complica! Se eu arriscar um palpite, não vamos encontrar uma unidade nunca (risos).