Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Entrevistas

Entrevista

Pastor Sargento Isidório acredita que nem tudo da administração de ACM Neto é ruim, apenas pode ter sido mal aproveitado - 12/09/2016

Por Fernando Duarte / Rebeca Menezes

Pastor Sargento Isidório acredita que nem tudo da administração de ACM Neto é ruim, apenas pode ter sido mal aproveitado - 12/09/2016
Foto: Caio Lírio/ Bahia Notícias
Sargento Isidório (PDT) tem muitas críticas à gestão do atual prefeito ACM Neto (DEM). Porém, como candidato, o parlamentar acredita que nem tudo da administração do democrata é ruim, apenas pode ter sido mal aproveitado. É o caso da vice-prefeita Célia Sacramento (PPL), que também concorre à prefeitura da capital baiana. Para Isidório, Célia é uma “mulher importante”, mas que foi “o tempo todo sendo forçada a ficar parecendo um papagaio de pirata” de Neto. “Possivelmente ela será a secretária de Educação. Qual é o problema? Negra, mulher, professora, formada na USP, entende de controladoria muito bem e foi abusada. Pergunte em que secretaria ela, que serviu pra eleger o atual prefeito, trabalhou. Onde foi que ela pôde comprovar a sua competência?”, lamentou. Na série de entrevistas do Bahia Notícias com os candidatos à vaga no Palácio Thomé de Souza, o deputado sugere eleições diretas para definir os gestores das prefeituras-bairro e os ocupantes de cargos técnicos na saúde e defende a equiparação dos colégios municipais com os militares. Isidório conta, ainda, que quase desistiu da política e que só insistiu por causa do governador Rui Costa (PT).
 

Quais são os principais desafios para o próximo prefeito de Salvador?
Eu diria que um dos primeiros passos da nossa administração é tolerância zero à corrupção. Ou seja, corruptos na política precisam ser presos e ter seus patrimônios tomados imediatamente. Aí nós vamos fazendo mais com menos, que a gente sabe que está vindo a crise e a gente precisa usar o máximo a criatividade. A gente precisa descentralizar a prefeitura, a exemplo daquilo que a gente vê que está bom, que está dando certo, que a gente vai fazer manutenção, como o SAC [Serviço de Atendimento ao Consumidor], que Paulo Souto criou e o governador Jaques Wagner ampliou, manteve, e Rui Costa ampliou ainda mais. Aí eu estou falando das prefeituras de bairro, que é uma coisa antiga minha. Eu já pensava nessas prefeituras. Não como está aí, para ser cabide de emprego para os paquitos, para os pupilos. É uma prefeitura que inclusive ali mesmo você faça o sufrágio para ali aparecer um novo líder, uma pessoa com responsabilidade, que possa ser o representante do prefeito e que, sobretudo, o prefeito possa atender lá. Sair do gabinete do Thomé de Souza e fazer escala: o prefeito essa semana vai estar atendendo em Cajazeiras, em  São Tomé de Paripe, em Periperi, atendendo de Plataforma até Lobato. O prefeito e a sua equipe principal, que é o pessoal de saúde, de obra, os técnicos. Então isso melhora muito o modelo administrativo. Outra coisa que a gente fala muito é educação. Porque do jeito que Salvador vai, a gente não tem segurança que dê certo. Porque, na verdade, o modelo da família tá sendo destruído, não existe um estímulo aos laços familiares. E não são os professores que educam, educação é uma coisa de berço, é pai e mãe. Tanto é que as escolas estão recebendo alunos que às vezes já chegam tomando cerveja, lamentavelmente se drogando. Tem escola com traficante atuando dentro. E os filhos chegam em casa, às vezes são espancados, agredidos, e a gente nunca sabe de verdade o final do nosso filho quando sai da sala de aula. O professor apanhando. Esse modelo eu desejo acabar com a implantação, já está no Diário Oficial que pede a implantação de colégios similares aos militares, em que a gente melhore a excelência da educação.
 
Em 2012, a pauta da eleição foi centrada na administração do ex-prefeito João Henrique, com candidatos negando qualquer relação com o ex-gestor e muitas críticas. Houve alteração no cenário em relação à atual administração?
Eu não acho. Eu sempre fui crítico ao sistema oligárquico não dele, porque ele é apenas "cria". Eu enfrento essa oligarquia criminosa há muito tempo. Já fui vitimado, já fui ameaçado de morte por eles. Ele é apenas a "cria". Aí quando alguém já passou pro outro lado a gente respeita essa parte, porque os mortos não falam, não voltam. Então hoje a gente continua enfrentando isso. Eu cheguei a ser jogado no CIA, dentro do matagal, com produtos químicos, em 2001. Saí de lá gorfando sangue direto pra UTI do Jaar Andrade, onde passei mais oito dias na UTI. Então esse sistema quase tirano a gente vem sofrendo há muito tempo, esses modelos perversos de administração. Modelos de perseguição. Parece mais que eles querem ser chamados de monarcas, de soberanos, o faraó da atualidade. Isso aí, Salvador não vai querer voltar pra chicote de forma nenhuma. Os jovens estão chegando, a mente das pessoas está se abrindo, e a cada dia que passa as pessoas vão se encontrando. Principalmente aqueles que buscam no estudo a sua melhoria de vida. Tudo que eu critico é verdadeiro. Alguém pode dizer que o chupa cabra não é uma perversidade? Alguém pode dizer que sair do culto, da missa, do terreiro de candomblé, sair do espiritismo, sair do trabalho e não ver seu carro... o carro tomou Doril, tomou sumiu, de uma hora pra outra. E quando vai ver está no pátio da prefeitura pagando diárias caras e ainda tem pagar um guincho. Vai me dizer que isso não é tirania? Alguém pode me dizer que nesses estacionamentos caros de Salvador a prefeitura não age com tirania? Claro! Quer que diga o quê? Que ela está agindo com democracia, com dignidade? Não pode. Agora é só perceber quem são os donos desses estacionamentos, quem está por trás. Inclusive, com João Henrique, não se cobrava. Foi uma coisa que ele combateu o tempo todo, foi não cobrar a taxa. E exatamente depois que terminou a campanha, diga quem liberou a cobrança, tendo que pagar zona azul em tudo quanto é canto, senão o carro é guinchado? Diga quem é que foi financiado com dinheiro. A gente não pode dizer que a fórmula que está fazendo, desrespeitando os motoristas... Aí tem pessoas que já estão tendo que vender seus veículos para pagar multa. Não pode. A lei de trânsito tem a conduta educativa. Ela é pra orientar, não é só pra extorquir.
 

O município é responsável por serviços básicos ao cidadão, especialmente na área de Saúde e Educação. Quais os entraves a serem vencidos nessas áreas prioritárias?
Na educação, eu diria que é incluir as crianças das áreas mais carentes nas creches. O dinheiro some, ninguém teve interesse. Só quando chega na eleição é que vem anunciando, fazendo, maquiando. Do outro lado o ensino integral. Colocar a juventude no ensino integral, dando uma escola em que ele possa ter esporte, lazer e, quem sabe, já o início do curso profissionalizante. Isso é muito importante. Na saúde, a gente precisa, além de construir de verdade mais postos, colocar um médico lá dentro. Profissionais de saúde, inclusive, especializados, que peguem nas pessoas. Porque o posto de mentirinha, que chega lá e está com o cadeado batido, ou quando a pessoa chega 1h da manhã na fila, quando chega 11h ainda não tem ninguém. Pra você ter uma ideia, Salvador é a capital que menos investe em saúde no Brasil. Eu pretendo fazer um SUS nas unidades de saúde que vai até o povo, com consultas, com exames, com um bocado de coisas. Você pode colocar os gabinetes nessas prefeituras-bairro mesmo, pra otimizá-las. Eu pretendo inclusive, com a parceria do governador... A cidade já tem dez SACs, além de dez prefeituras-bairro. Além de ampliar as prefeituras-bairro, eu pretendo estender SACs pra dentro delas para que valha a pena o dinheiro que foi gasto lá só pra dar emprego a político. Então vamos otimizar e ampliar. O que muda é que vai ser eleição lá. Nós vamos, junto com o povo, ver uma maneira de eleger as pessoas que vão tomar conta de cada unidade.
 
As transferências diretas da União, via FPM e outras fontes, sofreram quedas nos últimos anos. Como administrar a máquina com escassez de recursos? O aumento da arrecadação do município não acompanha o aumento das despesas, como resolver esse problema?
É chamar os economistas e dizer que tem dona de casa e pai de família que, lamentavelmente, nem sequer estudou, mas que quando você chega na casa deles você vê tudo no lugar, tudo limpinho. Você não tem coisas luxuosas, mas parece que está em um lugar equilibrado. Eu faço o que eu posso. É acabando a corrupção. Hoje tudo é terceirizado, nem precisa eleger prefeito. Eleger prefeito pra quê se ele vai terceirizar tudo? Aí você pergunta: o que está por trás disso? Aí é que está o problema. Porque é o terceirizado que depois financia as campanhas por dentro ou por fora, é ele que está envolvido em crescimento de patrimônio de determinados políticos. A perversidade recebe R$ 6 mil por um ajudante e dá a ele R$ 900, sem direito a nada, extorquindo os trabalhadores. Então a gente tem como parar com isso. Na nossa prefeitura, o nosso setor de contratos, licitações e convênios vai ter assento garantido para o Ministério Público, representante da Polícia Federal, da imprensa e do Tribunal de Contas. Então, possivelmente, toda vez que a prefeitura estiver liberando recurso para fazer tal coisa, autorizando um contrato ou uma licitação, o povo vai saber primeiro do que o prefeito. Porque eu não vou ter lado. O meu lado vai ser a decência, a ética, a seriedade e a vontade de ver Salvador dar um passo para a verdade, um passo para quem mais precisa realmente, sem maquiagem.
 

 
O relacionamento com outros entes federativos é essencial para a administração pública. Como trabalhar de maneira harmônica em prol dos interesses da cidade – ainda que grupos políticos distintos administrem tais entes?
Eu sou militar e pastor e tudo que eu tenho abaixo de Deus eu adquiri na Polícia Militar. Tirando o tempo que eu estava no alcoolismo, fui puxado pelas drogas, cheguei a fazer coisas erradas... Mas há 23 anos eu conheci Jesus pela Bíblia e a minha vida mudou. A partir daí eu fui abençoado pelas orientações da PM e os meus superiores. Então eu sou acostumado com hierarquia. Se eu sou prefeito, eu preciso me dar bem com o governador, respeita-lo, continência. Se eu sou prefeito ou governador, eu preciso me dar bem com o presidente da República, então minha continência. É projeto, papel, porque palavra o vento leva. Você precisa botar no papel as aflições do povo de Salvador e levar às suas excelências, o governador do estado, independente do partido. Ainda bem que, graças a Deus, aqui na Bahia nós já temos um excelente governador. Eu sou prova disso, até porque só sou deputado hoje por causa dele, porque eu não queria mais ficar na política. Foi o ainda chefe da Casa Civil Rui Costa, que eu vi ali trabalhando tanto para tirar o metrô do papel, daquela molequeira de 14 anos. Quando eu vi esse rapaz trabalhando foi que eu voltei de novo a ficar na política e, depois, ele me chama no gabinete e me convence a vir disputar em Salvador essa eleição. Claro, ele já sabia pela sua casa militar que eu tinha sido o mais votado, que eu sou filho do Subúrbio, já sabia que eu vendi picolé, geladinho, que estudei o primário e o ginásio em Salvador, depois dei aula em Salvador, fui cobrador de ônibus... Eu tenho calo nas mãos. Eu mostro sempre que as minhas mãos são de quem pega na colher de pedreiro e senta bloco. Faço contra piso, faço reboco, ensino...  Não é mão de marketing, que aparece pegando uma colher de pedreiro sem nunca ter pegado. Ou então estar ali em um grupo de capoeira, dançando sem saber.
 
Salvador apresenta índices de desemprego acima da média nacional. Como minimizar tal número? Quais áreas devem ser consideradas prioritárias para geração de emprego e renda?
O desemprego está em todo canto, isso não é surpresa pra ninguém. Eu não vou, pra ganhar eleição, dizer que quando eu for prefeito eu vou gerar emprego. Primeiro porque prefeitura não pode ser cabine de emprego, porque o dinheiro público precisa ser gasto para todo mundo, não é para um grupo. E o funcionário público que lá dentro já está é quem deverá assumir os cargos de confiança, porque isso já é um modelo pra eu conseguir recurso para aplicar na educação, na saúde, nas creches. Então ninguém pense... Eu prefiro perder a eleição do que ser eleito e socar a prefeitura de político, de cabo eleitoral... Comigo não é assim, eu sou militar. Então eu tenho que valorizar quem está lá dentro para ascender profissionalmente. Qual é o problema? Por que não pode? Tem que ser combinado, vá pra lá comigo? Eu não vou precisar ter ninguém combinado. Malmente (sic) um ou outro técnico que vai ter que se nomear, pra colocar um técnico de qualidade para a saúde. Na saúde, inclusive, eu tô pensando em botar eleição, pra lá dentro mesmo eles descobrirem quem são os melhores quadros que eles têm, tipo uns cinco, e a gente com uma comissão julgadora escolher. Eu penso que a educação também pode ser assim. Tem muita coisa. Se tem exemplo, eu quero até que Célia Sacramento (vice-prefeita) me passe. Possivelmente ela será a secretária de Educação. Qual é o problema? Negra, mulher, professora, formada na USP, entende de controladoria muito bem e foi abusada. Pergunte em que secretaria ela, que serviu pra eleger o atual prefeito, trabalhou. Onde foi que ela pôde comprovar a sua competência? Ficou o tempo todo sendo forçada a ficar parecendo um papagaio de pirata. Uma mulher tão importante. Então nós temos as mãos-de-obra em tudo quanto é canto. Eu desejo até que ela me passe, mas se porventura não ganhar, não é surpresa. Qual é o problema? Eu não tenho esse problema político. Então você vai criando emprego no turismo, vai ampliando, faz capacitação profissional dessas pessoas... Esses empregos informais tendem a avolumar. Não tem jeito. Você vai ter de ter calma e cautela para lidar com os camelôs, porque está aumentando. Não vai deixar as pessoas irem roubar. O que eu não posso é dizer "vou fazer isso", "vou fazer aquilo". Eu tenho muito medo disso. Eu não vou chegar como herói, eu sou humano como todo mundo. Eu tenho vontade de acertar, mas eu posso errar também. Então é melhor que eu diga o justo. É minha vontade lutar para capacitar, é minha vontade criar microempresas, inclusive jogando para as áreas carentes. Todo empresário que quiser fazer um investimento em Salvador que fizer nas áreas periféricas, Subúrbio, Cajazeiras... Porque hoje todo mundo só quer vir para essa área de Pituba, Iguatemi, só quer vir pras áreas do centro. Mas se algum empreendedor resolver se instalar no Subúrbio, os impostos vão ser diminuídos e isso ajuda a gerar emprego. Eu estou dizendo que todo investimento que for feito pro lado do Subúrbio ou Cajazeiras, nós vamos diminuir o ISS [Imposto Sobre Serviço] para chamar esses empresários para ampliar o emprego e renda, além da sabedoria que Deus vais nos dar durante a gestão.
 
O próximo prefeito de Salvador precisa de quais qualidades ao chegar ao cargo?
Humildade, humildade, fé em Deus, respeito aos cidadãos e ouvir, inclusive as pessoas mais carentes. Ouvir, ir para o meio do povo e continuar ouvindo. Porque as pequenas ideias fazem os grandes projetos. Senão eu não estaria aqui.