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Entrevista

Rogério Da Luz vai para a segunda candidatura a prefeito com um discurso focado em educação - 15/08/2016

Por Rebeca Menezes / Luana Ribeiro

Rogério Da Luz vai para a segunda candidatura a prefeito com um discurso focado em educação - 15/08/2016
Fotos: Luiz Fernando Teixeira/ Bahia Notícias

O Bahia Notícias inicia a série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Salvador apresentando as propostas de Rogério Da Luz (PRTB). Com debute pouco usual numa candidatura à governador, quando aparecia no programa eleitoral de costas e enfeitado com luzes, até 2016, Da Luz vai para a segunda candidatura a prefeito com um discurso focado em educação: “o principal [desafio] é creche para todas as crianças”. “Nós temos um projeto que é militarizar todas as escolas municipais. Para que em cada escola se tenha ao menos 10 militares por turno, e com isso evitando a violência, criando a questão da disciplina, do respeito ao mais velho; e com isso voltar os valores da pátria, de você jurar a bandeira, de cantar o hino nacional”, defendeu. De acordo com o candidato, a qualidade necessária para o próximo prefeito de Salvador é gerir bem a cidade. “Tem que ser gestor. Ele tem que ter realmente uma visão administrativa muito acima de uma visão política. Ele tem que ser um administrador”, aponta Da Luz. Leia a entrevista completa!
 
Quais são os principais desafios para o próximo prefeito de Salvador?
O principal é creche para todas as crianças, isso aí não tem como fugir. Pré-escola de qualidade, para que as crianças possam estar nas escolas, e não nas ruas. E escolas de tempo integral. Para mim esse é a principal função que o prefeito deve exercer, além de saúde de qualidade para toda a população.
 
Em 2012, a pauta da eleição foi centrada na avaliação da gestão do ex-prefeito João Henrique, com candidatos negando qualquer relação mais próxima com ele. Houve alteração nesse cenário em relação à nova administração?
Hoje o cenário é outro e qual é o principal problema hoje? A indústria das multas. Por isso, vamos cancelar todas as multas dadas por aparelhos eletrônicos tipo chupa-cabra, ou esses senhores, porque não vemos as multas como instrumento de arrecadação e sim de educação do trânsito. Ou seja, se for pra ser multado, tem que ter um diálogo com a gente que for multar, explicar porque está sendo multado, assinar sua multa. E não simplesmente ser multado do nada, se transformando em uma indústria de multas onde nós vimos, carros a 368 km/h, e até carros parados multados por excesso de velocidade. Não dá para confiar nesses sensores, por isso é importante, imperativo, que se cancelem todas as multas. Vamos rever o IPTU, porque ele está engessando a cidade de forma que diminui a quantidade de investimentos, porque ficou muito alto. Então não é só a questão de deixar gratuito para quem tem imóvel de até R$ 90 mil, mas aqueles grandes terrenos onde poderiam estar sendo feitos empreendimentos, pelo valor do IPTU estão sendo inviabilizados, ou seja, atrapalha todo o sistema na questão de emprego e renda, e outras funções que são importantes para a cidade.
 
Um município é responsável por serviços básicos ao cidadão, especialmente nas áreas de saúde e educação. Quais são os entraves a serem vencidos nessas áreas prioritárias?
Em relação à educação, nós temos um projeto que é militarizar todas as escolas municipais. Para que isso? Para que em cada escola se tenha ao menos 10 militares por turno, e com isso evitando a violência, criando a questão da disciplina, do respeito ao mais velho; e com isso voltar os valores da pátria, de você jurar a bandeira, de cantar o hino nacional. E você respeitar a família, que muitas vezes está desestruturada, e com isso o jovem ter a possibilidade de ter uma educação diferenciada, e não ser influenciado por tráfico de drogas, facções e outras coisas que a gente vê que está acontecendo nas escolas. Tendo essa influência positiva dos militares, como tem o Colégio Militar, esse sim totalmente militar. Eu quero fazer um híbrido, em que cada turno tenha pelo menos 10 militares, ou dependendo, mais, e participando. Porque o militar tem 24 horas e folga 72. Em vez de fazer bico por aí, nada melhor do que os militares graduados possam também passar seus conhecimentos e a disciplina para as crianças e os jovens, porque assim nós teremos um futuro melhor e sem violência.
 
E na saúde?
Na saúde nós começaremos com a saúde na escola, fazendo a identificação tanto na saúde bucal quanto na questão de outros temas como diabetes e outros levantamentos; pressão alta, que hoje tem criança sofrendo de pressão alta. A gente pode identificar nas escolas, incentivar a questão dos agentes de saúde, para poder identificar a saúde antes de precisar ir ao posto. Agora, uma coisa que não dá para ficar sem funcionar são as UPAs e os PSFs de maneira correta. Não adianta ter equipamento se você não tem médico, não tem medicamento, não tem exames. Se você não funciona 24 horas em alguns bairros. E depende de todo mundo procurar o hospital público, um hospital maior, onde deveria ter sido feita uma triagem antes e que poderia simplesmente ser solucionado antes, em um PSF no bairro. Então vamos fazer com que pelo menos funcione a estrutura que está aí posta. E vamos fazer o Hospital Municipal, ganhando a eleição, que o Neto prometeu para a eleição anterior, disse que ia fazer, por enquanto só fez a licitação, e nós vamos construir.

 

As transferências diretas da União via o Fundo de Participação dos Municípios e outras fontes sofreram quedas nos últimos anos. Como administrar a máquina com essa escassez de recursos? A arrecadação do município não acompanha o aumento das despesas, principalmente com a crise econômica. Como resolver esse problema?
Primeiramente enxugando a máquina. Nós vamos cortar esses cargos que o prefeito colocou, assessores especiais de R$ 18 mil, R$ 17 mil, R$ 16 mil. Isso tem que acabar. Segundo, eu sou a favor de acabar com todos os cargos comissionados, ou seja, os cargos de indicação política, e vamos trabalhar com o funcionário público. E dar valorização ao servidor público, para que ele possa prestar um serviço público de qualidade. E por que eu digo valorização? Porque o topo da cadeia, o topo dos espaços que tem diretorias, todas as autarquias, pertencem a pessoas indicadas politicamente. Nós temos que fazer com que aquele funcionário público tenha acesso a essas opções de crescimento da carreira. Porque se ele não tem desenvolvimento na carreira, qual o estímulo que vai ter um funcionário desses? Qual o serviço que ele pode prestar se ele nunca vai ascender, nunca vai aspirar a chegar a posições superiores de comando? Então nós vamos trabalhar sim com funcionários públicos, a máquina pública tem funcionários de qualidade. Então nós vamos enxugar essa máquina, baratear o custo de administração e com isso poder driblar essa queda. Mas também não vamos deixar, por exemplo, o Fundeb. O Fundeb e o Brasil Carinhoso, que é para as creches, para onde vai esse dinheiro? Então a gente tem que fazer com que esse dinheiro vá para que a gente possa ter 100% de creches para as crianças. Esse é o objetivo. Nós não podemos ter 99% de creche, eu vou me sentir um incompetente se acabar o meu mandato de quatro anos e não tiver 100% das crianças que necessitam de creches colocadas nas salas de aula, em uma creche ou em uma pré-escola.
 
O relacionamento com outros entes federativos é essencial para a administração pública. Como trabalhar de maneira harmônica em prol dos interesses da cidade, ainda que grupos políticos distintos administrem tais entes?
Eu vejo tranquilidade nisso aí, porque se o objetivo é o mesmo, é cuidar de pessoas –lembrando que as pessoas são exatamente os patrões dos políticos, e não o contrário. As pessoas não tem que prestar homenagens aos políticos. Porque nada mais é o politico do que o empregado, do maior nível, que é o prefeito de uma cidade, como é o governador, empregado de todos no estado, e o presidente da República, empregado de todos no país. Então nós temos que voltar, a população entender que esse político que chega lá é empregado do povo. E como empregado do povo, os outros políticos também chegaram através do voto, participar junto para resolver os problemas da sociedade. Que não é um problema criado pela sociedade. É um problema criado pela administração pública, por esses políticos que não souberam valorizar da maneira adequada o serviço público. Porque quem paga a conta? São as pessoas. E se as pessoas pagam a conta, elas têm o direito de ter um serviço público de qualidade. Por isso tem que fazer a máquina funcionar, para que as pessoas realmente possam usufruir de um serviço público de qualidade, não importa que partido, se A, B ou C. Não pretendo fazer base governista, não vou fazer nada disso porque custa muito caro: custam esses cargos que eu pretendo cortar. Então o que vai existir é: o que for bom para a cidade, se você é vereadora, você vai votar a favor. O que você achar que não for bom para a cidade, você vai votar contra. E vai ter que explicar isso: se for uma coisa boa, e você votou contra, [vai ter que explicar] para os eleitores, para a população. Então como a gente pretende aprovar projetos que sejam excelentes para a população, quem é que vai ficar contra? Por isso não quero montar uma base governista, também não vou ter oposição; vou me relacionar com todos os vereadores, com todos os partidos, da mesma maneira, sem distinção.
 
Salvador tem uma taxa de desemprego acima da média nacional. Como minimizar esse índice? Quais as ações prioritárias para gerar emprego e renda?
Primeiro turismo, que a gente tem já uma base importante. Mas além do turismo, tem as coisas agregadas. Por exemplo: as camisetas vendidas em Salvador. A maioria vem de fora. Elas teriam que ter um selo de Salvador, de que aqui foram confeccionadas. O artesanato, tem muito artesanato que vem de fora. Por que não incentivar oficinas de artesanato para que esse artesanato também seja 100% de Salvador? Por que não atrair empresas na área de alta tecnologia? Como fez Ilhéus. Essa é minha área, sou analista de sistemas. Trazer um atrativo, como por exemplo, curso de desenvolvimento de jogos, eletrônicos, que as pessoas às vezes têm que ir para o Canadá, tem que ir para Amsterdam. Por que não criamos esse polo aqui? Atrair para Salvador esse novo segmento do mercado que está surgindo e que não tem espaço para o Brasil. Porque não fazer um hospital que tenha uma especialidade como oncologia, como o hospital de Barretos, aonde vai gente do país inteiro para ser tratado nesse hospital. Então nós vamos ver aqui o melhor hospital do Brasil em alguma referência e trazer gente do mundo todo, do Brasil todo, que vem às vezes, como o do câncer, e fica aqui, se hospeda, e passa a morar seis meses a depender do tratamento. Então nós vamos ter todos esses tipos de atração de pessoas, porque as pessoas circulando aqui, o dinheiro também está sendo gasto aqui. Além disso, um centro de convenções que vai ser reformado, e porque não também fazer mais um centro de convenções municipal, que não tem. Então, a gente tem que ter opções para atrair a população, atrair turistas, e também atrair o turista da própria cidade. Tem muita gente que mora em Cajazeiras e que vai à praia uma vez a cada dois anos. Então quando ele vai à praia, ele também é turista. Ele é turista da própria cidade. Então a gente tem que saber atender o turista que mora aqui, o da cidade vizinha, da Bahia, de outros estados e de outros países. Ter uma Salvador para todos.
 
O próximo prefeito de Salvador precisa de quais qualidades para chegar ao cargo?
Tem que ser gestor. Ele tem que ter realmente uma visão administrativa muito acima de uma visão política. Ele tem que ser um administrador. E para isso não adianta, não dá para se inventar um administrador. Ou a pessoa tem o conhecimento ou ela não tem. Então vamos aplicar o conhecimento que adquirimos na iniciativa privada, trabalhando em algumas das maiores empresas do mundo que estão atuando no Brasil, como também nos maiores bancos do mundo em atividade no Brasil, como outros que já se incorporaram a outros bancos. Vamos utilizar esse conhecimento na máquina pública, com informatização dos sistemas, para que a gente possa prestar um serviço de qualidade à população. Ao mesmo tempo em que a gente barateia o custo da máquina, para que se sobre dinheiro, e para que não precisemos fazer o que o atual gestor está fazendo: ele está seguindo a risca o programa dele de governo, que era “fazer Salvador andar com as próprias pernas”. Mas Salvador não tem perna. A perna que tem em Salvador é a minha, a sua, é da população. Que por sinal está quebrando a perna de todo mundo. Salvador está andando com que perna? Com perna quebrada. Porque tem a indústria das multas, simplesmente fazendo um arrastão de arrecadação, quando multa era para ser educação, como eu falei anteriormente. Tem a questão do IPTU, que cresceu tanto o valor que hoje já está ficando o IPTU na dívida ativa, e não virando dinheiro. Já está tendo muita inadimplência por causa do alto valor do IPTU. Outra coisa absurda: zona azul. Outro dia, fui ali no Imbuí em um lugar ermo e tinha lá já zona azul, cobrando das pessoas. Aí eu te pergunto: aquele talão da zona azul tem CNPJ? É uma nota fiscal? Não é. Então como você vai arrecadar? Qual o CNPJ que está arrecadando? Cadê a nota fiscal? Existe nota fiscal de zona azul? Então é um dinheiro de caixa 2. Essa zona azul nós vamos cortar também de vez, porque não entendemos isso como um direito. Qualquer carro roubado nas ruas de Salvador nas áreas de zona azul tem que ser ressarcido pela prefeitura. Porque se você cobra para alguém estacionar, você segue o mesmo padrão do estacionamento: onde foi roubado seu carro, tem que ressarcir. Então que a população saiba que esse tipo de cobrança, primeiro, é ilegal. Na minha opinião, é ilegal. Segundo que qualquer carro roubado em Salvador, você entra com um processo e pode reaver o seu dinheiro, porque você tem dinheiro, você pagou para estacionar, te cobraram e agora? Cadê o CNPJ? Qual foi a empresa que cobrou? Aonde está sendo gasto esse dinheiro? Como é que eu sei que ele está sendo arrecadado? R$ 1 milhão ou R$ 500 mil? Então nós temos que rever essa situação, porque quando você tira dinheiro da mão das pessoas... O comércio, o shopping, a loja, bares, restaurantes, barracas de praia – que aliás, não se tem mais – todo tipo de comércio informal, de camelôs, e outros, se você tira o dinheiro da população, reflete diretamente no emprego e renda, reflete diretamente no bolso das pessoas. Então nós temos que fazer essa mudança não é só por causa de Salvador não. Temos que fazer Salvador andar com suas próprias pernas administrando corretamente; cortando os cargos de R$ 18 mil, R$ 17 mil; cortando os cargos de confiança, os cargos nomeados politicamente. Temos que fazer andar com as próprias pernas administrando com o funcionalismo público de uma maneira eficiente, informatizada, e cortando esses gastos, para assim desenvolver o trabalho para aquele que paga conta. Eu digo novamente que quem paga a conta é a população.

 

E você acha que só a qualidade de gestor é suficiente para gerir Salvador ou você acredita que há outras qualidades?
Não. Primeiro, você tem que ser um escravo do trabalho. Eu, em todos os lugares que trabalhei, nunca tive medo do trabalho. Então eu vou trabalhar incansavelmente, de segunda a segunda, pensando em melhorar a vida da população da cidade de Salvador, pensando em melhorar a cidade de Salvador, pensando em colocar 100% de creches para todas as crianças. Porque não adianta você criar programas paliativos que são até ilegais. Por exemplo, esse programa que foi criado, o Primeiro Passo, onde você dá R$ 50 na mão de uma pessoa, da mãe, para poder colocar em uma creche. Primeiro: qual é a creche que tem por R$ 50? Segundo, essa mãe vai pegar esse dinheiro ela vai botar em creche? Ou por não conseguir botar creche ela vai botar comida – menos mal – mas pode comprar bebida, pode comprar em droga, gastar com coisas supérfluas. A gente não sabe onde vai esse dinheiro. E se o dinheiro é do Fundeb, é do Brasil Carinhoso, esse repasse na mão de uma pessoa sem uma instituição de ensino já é ilegal. É um crime, se chama desvio de finalidade. Eu não sei nem porque é, porque quem fez isso, desvio de finalidade, cabe sim um processo onde o gestor perderia até o mandato. Porque você não pode desviar a finalidade do dinheiro. Se o dinheiro vem do Fundeb ou do Brasil Carinhoso, ele tem que ser gasto com instituições de ensino. Eu fui visitar creches lá em Sussuarana, nós vimos lá 67 crianças, só uma recebe o tal do Primeiro Passo, e as crianças estão lá jogadas, e a dona da creche descobriu que o nome dela estava lá recebendo o dinheiro do Fundeb e o dinheiro não chegou para ela. Sequer merenda ela tem. Eu quero saber quem é que está ficando com esse dinheiro. Onde está esse desvio de finalidade? Onde se cadastra um monte de criança, como se tivesse creche para todas elas, e não dá sequer a merenda escolar para que as crianças possam ir e se alimentar naquela creche. Então nós vamos também fazer uma auditoria em tudo isso. Para descobrir também porque foram gastos R$ 70 milhões de reais para aquela reforma lá do Rio Vermelho. Onde tem R$ 70 milhões ali? Tem até o governador falando que a Orlando Gomes, com 8 pistas, dois complexos de viadutos, custou R$ 157 milhões. Como é que o Rio Vermelho custou esse valor? E como é que custou e a empresa que fez o serviço, o proprietário está preso? Então nós temos sim que fazer uma auditoria para ver aonde foi o dinheiro. Porque quem está pagando a conta é a indústria das multas, é o preço abusivo de IPTU, são essas zonas azuis absurdas, quem está pagando a conta são essas crianças que estão sem creche. Eu quero saber onde está esse dinheiro das crianças que foram cadastradas e das creches que não estão recebendo esses repasses.