Terça, 25 de Março de 2014 - 00:00

João Leão

por Evilásio Júnior/ Rodrigo Aguiar | Fotos: Francis Juliano/ Bahia Notícias

João Leão
Recém-escolhido candidato a vice-governador na chapa liderada pelo chefe da Casa Civil Rui Costa (PT), o deputado federal João Leão (PP) disse não ter mágoas do principal adversário na disputa pela indicação, Marcelo Nilo (PDT). Em entrevista ao Bahia Notícias, o pepista minimizou os ataques do presidente da Assembleia Legislativa. "Essa questão com Marcelo Nilo é uma página virada. O que passou, passou. Marcelo para mim está perdoado. Tudo o que ele falou de mim, para mim não existiu", contemporizou. O parlamentar disse não acreditar no uso eleitoral das críticas que já recebeu por promessas não cumpridas, quando foi secretário do ex-prefeito de Salvador João Henrique – como o aeromóvel – e de Infraestrutura do Estado – na época do bordão "buraco zero" –, bem como por se autodeclarar pai do PAC. "Tinha ministro que dizia que o FMI [Fundo Monetário Internacional] não ia concordar com isso. Na reunião com o presidente Lula estávamos todos nós lá e aí eu disse: 'mas o FMI não manda nesse país não'. Lula deu um tapa na mesa e disse: 'Leão tem razão. O FMI não manda nisso aqui, não. Quem manda sou eu. Bota isso aí'. E botou e está aí", gabou-se. Inicialmente defensor da candidatura do senador Walter Pinheiro (PT) ao Palácio de Ondina, integrante da chapa, Leão decreta: "Eu conheço Walter e estou conhecendo Rui agora. Conheci Rui como deputado, como secretário, agora estou conhecendo a figura humana de Rui Costa, e te digo com honestidade: estou gostando, e muito".

Bahia Notícias – Quando o deputado federal João Leão foi comunicado de que teria a missão de ser vice na chapa de Rui Costa na campanha deste ano?

João Leão – O governador [Jaques Wagner] nem comunicou a mim. Comunicou a Cacá Leão [deputado estadual], meu filho. Ligou para Cacá porque eu estava, por acaso, com o telefone desligado. Depois Cacá me ligou e disse que o governador queria falar comigo. Liguei para o governador e ele me comunicou. Cacá soube primeiro que eu.

BN – Isso foi na quinta-feira (20)?

JL – Na quinta-feira. Na sexta-feira tivemos uma reunião com Rui Costa, no sábado já me agreguei à equipe de governo, fui para a reunião com a equipe, passamos praticamente o dia inteiro discutindo as questões do plano de governo e, no domingo, fui a Irecê, em uma festa maravilhosa. Mais de 2,5 mil pessoas em um auditório. Realmente, comecei com todo o gás.

BN – Ainda durante o carnaval, a executiva nacional do PP já falava que o governador tinha escolhido o partido e que, internamente, tinha indicado o seu nome. O deputado estava ciente da negociação?

JL – A maioria dessas negociações foram feitas pelo meu companheiro, o deputado Mário Negromonte. Tivemos algumas conversas com o governador juntos, mas eu te digo com honestidade: a minha preferência era indicar o deputado Mário Negromonte. E lá, em conversações com Mário, Ronaldo Carletto, Cacá Leão, Mário [Negromonte] Junior, Aderbal Caldas, Luiz Augusto, enfim, todos os deputados decidiram pelo meu nome. Eu acho que a minha herança era regular, era razoável. Estava todo mundo querendo um pedacinho da minha herança [risos]. Os estaduais querendo que Cacá fosse para federal e os federais querendo que sobrasse alguma coisa para eles. Foi unanimidade na executiva. Quando Mário disse 'vai ser Leão', aí acabou [risos].

BN – Mas há outros fatores, pelo que se comenta, como que o senhor seria um cabo eleitoral mais eficiente para Rui Costa. Essa conta foi feita?

JL – Não sei. Quem deve ter feito a conta foi o governador, o próprio Rui, o companheiro Otto Alencar. Otto me dizia: 'você é meu preferido'. Era o único que me dizia, desde o início: 'eu acho que você compõe a chapa' e eu fiquei na minha. Não saí dizendo na imprensa que eu seria candidato a vice, que eu queria ser, que queria isso, que queria aquilo. Deixei acontecer.

BN – Agora, dentro dessa conta eleitoral, se diz que João Leão no oeste baiano é quase um Deus, porque tem muito voto lá. Mas tem uma situação dentro da própria base do governo, em que o grupo de Jusmari (PSD) e Oziel Oliveira (PDT) [ex-prefeitos de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, respectivamente] é adversário do senhor na região. Como será feito para equacionar a questão e a base toda ficar unida, já que o nome de Leão pode em vez de agregar causar discórdia no oeste?

JL – Olha, primeiro, eu não sou um Deus. Eu tenho muito trabalho no oeste da Bahia. Isso aí eu reconheço que tenho. Ali, cada município, começando por Barra, eu tenho uma história. Aí vem Casa Nova, Remanso, Pilão Arcado, todas aquelas rodovias e o programa Luz Para Todos, quando eu fui secretário de Infraestrutura, nós resolvemos aquelas situações. Eram rodovias que estavam há 20 anos intrafegáveis e nós consertamos tudo, arrumamos tudo, deixamos rodovias de primeiro mundo ali naquela área. Chega em Cotegipe, a água da cidade fui eu que coloquei. Chega em Riachão das Neves, a água fui eu que coloquei. Chega em Mansidão, a água da cidade fui eu que coloquei... então, eu tenho uma história com aquela população do oeste. A questão de [disputa com] Jusmari, não acredito, porque eu não tenho inimigos, não tenho adversários políticos. Eu duvido que qualquer adversário meu diga que 'Leão me maltratou', que 'Leão me xingou', que Leão fez isso, que Leão fez aquilo. Eu procuro respeitar o meu adversário. Agora, na hora da divisão de águas, eu vou de cabeça apoiar os meus candidatos a prefeito. Lá no oeste nós fizemos a maioria absoluta: Antônio Henrique, em Barreiras; Humberto Santa Cruz, em Luís Eduardo; Antônio Pereira, em Cristópolis; Popô, em Angical; Dr. Alex, em Cocos; prefeito de Correntina [Ezequiel Barbosa]...  Também perdemos em alguns [municípios]: Santa Rita, Formosa do Rio Preto... Mas na composição nós temos uma banda A fortíssima e uma banda B fortíssima também. O oeste da Bahia é interessante porque tem toda a classe política apoiando Rui Costa. Toda.

BN – E o seu parceiro Mário Negromonte vai mesmo para o Tribunal de Contas? Do Estado ou Municípios?

JL – Não sei. Estamos conversando isso. Mário ainda não decidiu essa questão, se vai, se não vai. Ele está decidindo. Foi oferecido ao nosso partido, até porque a primeira vaga foi do PT, a segunda e a terceira do PSD, a última vaga foi do PDT e agora caberia ao PP. Nós não fomos para a anterior porque nós queríamos o Tribunal de Contas dos Municípios, porque o nosso partido é muito municipalista.

BN – Então, na verdade, Mário Negromonte é candidato a preencher a vaga de Paulo Maracajá no TCM. O PP não está interessado no TCE?

JL – Não sei ainda. Mário ainda não definiu. Ele está prestes a definir porque o processo eleitoral está chegando. Mário Negromonte tem uma musculatura política muito forte. Se ele decidir 'vou ser candidato a deputado federal' dá para eleger ele e o filho.

BN – Mas está decidido que Mário Negromonte Júnior e Cacá Leão vão tentar vaga na Câmara Federal este ano?

JL – Não. Cacá Leão vai continuar estadual...

BN – Roberto Muniz é quem vai para a sua vaga...

JL – Roberto Muniz entra na minha vaga 'vírgula' porque a gordura ainda vai dar para ajudar alguns outros companheiros, até o próprio Mário, se decidir ir para federal também.

BN – O senhor se licenciou ou vai se licenciar do mandato?

JL – Não estou licenciado não. Hoje [segunda, 24], às 15h, estou indo para Brasília. Vou correr atrás. Cumprir o meu mandato.

BN – Vai continuar o ano todo...

JL – Vou continuar o ano todo cumprindo o meu mandato. Teve sessão, estou lá. Eu sou um dos poucos deputados que têm o menor índice de faltas. Quando eu tenho um problema de falta, pode ter certeza que ou é doença ou teve alguma atividade muito importante nas minhas bases que eu teria que estar presente.

BN – Antes da definição da candidatura a vice, o senhor já tinha confirmado que o PP manteria o major Maurício Botelho à frente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), mais ainda não havia solução quanto à CAR [Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional]. O diretor é Vivaldo Mendonça, indicado pelo deputado federal Luiz Argôlo, que trocou o PP pelo Solidariedade. Como está essa situação?

JL – Eu não sei porque Luiz Argôlo saiu [do PP]. Ele era muito querido, nós tínhamos um relacionamento excepcional e, de repente, ele resolve sair do partido. No bom português, nos deixou na mão. Luiz é uma figura que nós continuamos gostando dele, mas o cargo é do partido. Na divisão geral, o cargo não foi [distribuído] em função de Luiz Argôlo. O cargo foi em função da força política do partido e,  quando nós nos reunimos, a direção do partido deixou a cargo de Luiz Argôlo fazer a indicação. Agora Luiz Argôlo saiu...

BN – ... o partido quer o cargo de volta. Tem um nome já para ser indicado?

JL – Rapaz, nós vamos discutir isso. Já conversamos com o governador, o governador já pediu um nome e estamos discutindo.

BN – Depois que o seu nome foi confirmado, o senhor já conversou com Marcelo Nilo?

JL – Essa questão com Marcelo Nilo é uma página virada. O que passou, passou. Marcelo para mim está perdoado. Tudo o que ele falou de mim, para mim não existiu. Ele está perdoado. Agora é uma nova página, um novo momento. No mesmo lugar não cabem três pessoas, não cabem duas pessoas, só cabe uma pessoa: o candidato a governador. Eu gostaria de ser também. Eu gostaria de estar no lugar de Rui Costa. Não vou mentir para a sociedade baiana, mas eu não tenho a força política que tem o Partido dos Trabalhadores de indicar o candidato a governador. Se eu tivesse o apoio que Rui está tendo, obviamente eu também ia ser cabeça da chapa. Todos os partidos têm que entender que é uma questão de soma. Que nós todos juntos vamos chegar lá. O presidente da Assembleia Legislativa era meu amigo, é meu amigo e vai continuar meu amigo. Eu não levo nenhuma mágoa de Marcelo Nilo e vamos dar boas risadas na campanha por aí.

BN – Amizades à parte, prestes ao senhor ser oficialmente anunciado como vice na chapa do PT, o deputado Marcelo Nilo, em entrevista – muito insatisfeito por ter perdido a disputa –, disse que o senhor era 'vendedor de fumaça', se dizia 'pai do PAC' e falava em 'buraco zero'. O que achou das declarações do presidente da Assembleia Legislativa?

JL – Eu acho que Marcelo foi um pouco infeliz com essas declarações porque a vida política nos ensina que, quando você vai disputar um determinado cargo, tem que contar com a possibilidade de abdicar em nome de um projeto. Por exemplo, eu fui disputar a prefeitura de Salvador. Eu fui pré-candidato a prefeito de Salvador e os partidos da base se reuniram e não acharam que a minha candidatura era interessante naquele momento. Eu poderia atrapalhar uma candidatura que era nata. Nelson Pelegrino já tinha sido candidato três vezes e era, nas pesquisas, o nome que tinha melhores condições. Eu abdiquei. Meu partido abdicou da candidatura. Agora, o nosso partido é escolhido, pela sua musculatura, pela sua força política e de cada um dos seus membros. Não estou levando essa candidatura por minha causa exclusivamente, não. Estou ganhando essa candidatura, essa cadeira de vice na disputa eleitoral, em função do meu partido e dos meus companheiros de partido. Você tem um leque de parlamentares, de prefeitos, de vereadores e são eles que estão me dando essa condição de representá-los.

BN – E sobre a história do 'pai do PAC'?

JL – Por que é que dizem que sou o pai do PAC? Porque eu fui relator da LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] de 2007 e o dispositivo da criação do PAC nasceu nessa época, na LDO, a partir de uma criação minha. Se você pegar o Orçamento da União, não existe PAC. O que existe é PPI: Projeto Piloto de Investimentos. A nomenclatura do PAC no Orçamento da União é essa. Fui eu que criei isso. Com que objetivo? Naquela época, as rodovias federais estavam muito acabadas e nós botávamos recursos [emendas parlamentares] e o governo federal ia lá e contingenciava. A mesma coisa com os portos. Então, não se faziam aquelas obras. O PAC não pode ser contingenciado e, ainda mais, o governo federal tem a obrigação de ele pagar, em qualquer obra do PAC, em até 15 dias da data da fatura apresentada ao órgão correspondente. Foi uma discussão árdua. O [ex] presidente Lula teve que bater na mesa e dizer: 'não, eu gostei da ideia do deputado João Leão. Bote. Pode botar. Se não houver consenso depois, eu veto'. Aí eu disse: 'não cabe veto, presidente'. Porque ele não poderia vetar uma matéria que era específica e que você não podia botar para outro tipo de obra. Ou era ou não era. Tinha ministro que dizia que o FMI [Fundo Monetário Internacional] não ia concordar com isso. Na reunião com o presidente Lula estávamos todos nós lá e aí eu disse: 'mas o FMI não manda nesse país não'. Lula deu um tapa na mesa e disse: 'Leão tem razão. O FMI não manda nisso aqui, não. Quem manda sou eu. Bota isso aí'. E botou e está aí. O primeiro PAC foi no valor de R$ 1,76 bilhão, o segundo já foi para R$ 5 bilhões, depois R$ 10 bilhões, R$ 15 bilhões e está em quase R$ 70 bilhões.

BN – O senhor não acha que isso pode ser explorado de forma distorcida na campanha? Por exemplo, a promessa de 'buraco zero', quando era secretário de Infraestrutura, e principalmente o anúncio de diversas obras não concretizadas em Salvador quando foi chefe da Casa Civil de João Henrique?

JL – Vamos lá. O buraco zero, o que é que aconteceu? No dia da minha posse como secretário de Infraestrutura, mais de 5 mil pessoas vieram da Bahia inteira para o evento e todo mundo batia nas minhas costas: 'Leão, vamos acabar com os buracos da Bahia'. Porque todas as estradas estavam acabadas. E no meu discurso eu disse: 'olha, gente, eu vou decretar a partir de hoje buraco zero na Bahia'. E olha que, me desculpem aqueles que não gostam de mim, eu construí 4 mil quilômetros de novas rodovias e eu tapei buracos de 10 mil quilômetros de rodovias. Eu levei só sete meses na secretaria. Fiz 626 licitações. Você veja que o nosso secretário Otto está fazendo obra ainda de licitações que eu fiz naquela época. Otto já fez 3,5 mil quilômetros. A secretaria está arrumada. Está rodando redonda, como se diz. Então são essas coisas. As pessoas ficam me olhando, não sei se é por ciúme, mas o Centro Industrial de Aratu (CIA) era um mar de buraco. O Polo Petroquímico [de Camaçari] era um mar de buraco. Quando eu saí, em sete meses, estava tudo tapadozinho, tudo buraco zero.
BN – E quando foi chefe da Casa Civil de João Henrique? Não acha que, se por um lado o senhor tem uma base muito grande no oeste, por outro pode ser desgastado pelo trabalho em Salvador?

JL – Ao contrário. Quando eu começar a explicar à população aquilo que nós fizemos na Casa Civil... Quantas vezes eu me reuni com os técnicos da prefeitura, fui  ao Exército em Brasília para resolver cortar aquilo lá no 19 BC [Quartel do Batalhão de Caçadores, no Cabula], de um lado a outro, sem pagar nada? O Estado ali não pagou nada. Ainda consegui da Chesf a retirada de linha para fazer a Linha Viva, que não aconteceu ainda. Vocês estão vendo agora uma série de intervenções que o Estado está fazendo na Paralela. Sabe quem fez aqueles projetos todos?

BN – Hum...

JL – João Leão. Modéstia à parte, dessa área de infraestrutura eu entendo. Fui empresário e construí as grandes obras do Brasil: Ferrovia Carajás, Ferrovia Norte-Sul... Eu tinha uma empresa que se chamava Terraplac, que até hoje é nome de um bairro em Lauro de Freitas.

BN – E o aeromóvel?

JL – Ô rapaz, quem dera que Salvador pudesse ter um aeromóvel. Eu quero que vocês depois coloquem na internet a palavra 'aeromóvel' e olhem o que está acontecendo no Rio Grande do Sul, na ligação entre o aeroporto e o metrô [de Porto Alegre]. É um sistema com o que existe de mais moderno no mundo, criado por um engenheiro brasileiro, gaúcho. É aquela velha história: nós precisamos dar valor à nossa praia, à nossa terra. O aeromóvel é movido a vento. Ele tem uns ventiladores grandes, que puxam o vento, jogam em uma canaleta e movem ele para lá e para cá. Custa 30% do preço de implantação do metrô e tem a mesma capacidade de transporte do VLT. O VLT custa 70% do preço do metrô e é excepcional. Eu negócio que eu até hoje sou encantado. Eu gostaria muito que o governador Rui Costa tivesse a oportunidade de conhecer. Eu vou pegar Rui e vou levar ele lá ao Rio Grande do Sul. Gostaria que a imprensa baiana fosse ver isso, porque o pessoal fica: 'Leão, e o aeromóvel?'. Mário Kertész é que é mestre nisso. Eu não sei que ciúme ele tem de mim, rapaz.

BN – E por que não saiu? Teve várias datas, várias promessas...

JL – Não saiu pelo seguinte: nós começamos a estudar, inclusive eu trouxe o pessoal do Rio Grande do Sul aqui... O que é que nós queríamos? Fazer a ligação dos trens do Subúrbio com a estação da Rótula do Abacaxi e outra da Rótula até o Centro de Salvador, aproveitando aquela linha de ferro existente, que [ACM] Neto está estudando isso para botar o VLT. Eu gostaria que Neto fosse lá no Rio Grande do Sul para ver. Qual é o melhor? VLT ou aeromóvel? Vá lá. Faça um estudo. Vale a pena ver. O custo de manutenção é 5% do valor do metrô. É 20% do valor do VLT. É uma ideia e lá no Rio Grande do Sul está maravilhoso. Está dando certo. Por que pode dar certo no Rio Grande do Sul e não pode dar certo na Bahia?

BN – Agora, outra declaração sua que deve ser muito usada na campanha é uma opinião sobre Rui Costa. O senhor preferia que o senador Walter Pinheiro fosse o candidato e disse que Rui era um nome que não agregava... Teria feito ainda uma comparação pejorativa com o nome do candidato do PT...

JL – Nunca aconteceu isso. Nunca. A minha preferência, naquele momento, era o meu amigo Walter Pinheiro. Eu fui a todos os atos da pré-campanha, na convenção da escolha, participei de tudo. Eu conheço Walter e estou conhecendo Rui agora. Conheci Rui como deputado, como secretário, agora estou conhecendo a figura humana de Rui Costa, e te digo com honestidade: estou gostando, e muito.

BN – Mas o senhor disse que Rui não alavancava...

JL – Eu achava melhor a candidatura de Walter Pinheiro e é lógico. Walter foi deputado, foi candidato a prefeito, é senador, então Walter é muito mais conhecido na Bahia do que Rui. Se você fizer uma pesquisa, ele tem um lastro político maior. Mas o governador me convenceu do seguinte: 'rapaz, Walter já ganhou o quinhão dele. Nós precisamos de outro agora. Você não pode ficar na Bahia, Leão, com duas lideranças exclusivamente do meu partido: eu e Walter Pinheiro. Tem que botar novas lideranças e pessoas com capacidade de administrar'. Então é isso aí, me convenceu.

BN – Mas daria menos trabalho uma campanha com Walter Pinheiro, não é?

JL – Pelo grau de conhecimento dele, daria. Mas se você tivesse ido a Irecê essa semana, você teria visto que Rui, meu amigo, me encantou, viu?

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