Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Entrevistas

Entrevista

Ivanilson Gomes admite que chance do PV apoiar o PT em 2014 é remota - 28/10/2013

Por Evilásio Júnior / David Mendes / Alexandre Galvão

Ivanilson Gomes admite que chance do PV apoiar o PT em 2014 é remota - 28/10/2013
Fotos: Cláudia Cardozo/ Bahia Notícias
O presidente licenciado do Partido Verde (PV) e secretário municipal da Cidade Sustentável, Ivanilson Gomes, declarou que a possibilidade de a legenda apoiar o PT na Bahia, em 2014, é remota. Em entrevista ao Bahia Notícias, ele praticamente cravou a participação do PV no campos das oposições, sobretudo em virtude de o acordo com o prefeito ACM Neto estar "de vento em popa". "O PV passou um tempo sendo satélite do PT, mas agora compreendemos que o projeto deles não é o nosso. [...] Tivemos dificuldades com o PT, não havia discussão e algumas outras atitudes foram nos afastando deles", declarou. O verde falou também da ambição do grupo para as eleições de 2014. “Nessa última eleição tivemos um bom resultado eleitoral. Somos um partido jovem e tivemos um crescimento. Agora estamos trabalhando no sentido de ocupar um espaço maior não só no sentido de deputados estaduais e federais, mas também com governadores”, apostou. A possibilidade de ter o nome da vice-prefeita de Salvador na disputa pela Presidência da República também foi abordada. Segundo ele, Célia Sacramento se colocou à disposição da legenda e espera uma resolução dos dirigentes. O secretário criticou a saída da vereadora Ana Rita Tavares do PV, ao considerar a atitude como uma "traição". “Quando você muda de partido, você trai a confiança de quem votou em você. As pessoas votam também no partido. Elas se sentem traídas e isso é muito ruim”, avaliou. Gomes falou ainda das futuras ações da sua pasta e se colocou como pré-candidato a deputado federal.
 

Bahia Notícias: O senhor pode falar do ônibus elétrico? Quando chega, qual o custo e a previsão de Salvador ter uma frota com esses veículos?
 
Ivanilson Gomes: A secretaria [Cidade Sustentável] foi criada para colocar Salvador no hall das cidades modernas. Nossa secretaria tem vários projetos em andamento. O primeiro deles foi a recuperação da Praça do Campo Grande e depois o Parque da Cidade – que é uma reivindicação histórica. Nós procuramos a iniciativa privada, já que a prefeitura não tinha recursos, e dividimos o parque em três etapas em uma parceria com a Petrobras. A primeira etapa deve começar este ano e está orçada entre R$ 7 a 9 milhões, porque envolve além das questões estruturais, a questão da segurança. Vamos dar mais tranquilidade às pessoas que frequentam o espaço. Vamos melhorar o projeto cultural do parque também. Queremos a apresentações de orquestras e bandas. Essa parte deve ser concluída em maio ou começo de julho. Temos ainda o projeto do Jardim Botânico, porque pouca gente sabe que a cidade tem um, que fica ali na região da Avenida São Rafael. Queremos requalificá-lo para ter visitação. O investimento está entre R$ 3 a 4 milhões e o prefeito se mostrou muito sensível a esse aspecto. Temos também a questão da coleta seletiva, que agora, com o dinheiro do BNDES, que está na ordem de R$ 19 milhões, mais a contrapartida de mais R$ 19 milhões, ou seja, cerca de R$ 40 milhões, vamos implantar. O processo já está em andamento. O recurso já existe e pretendemos entregar até a Copa do Mundo.
 
BN: A coleta seletiva faz parte do projeto da licitação do lixo que a prefeitura pretende mandar para a Câmara? 
 
IG: Não, não faz. Esse é um projeto que ganhou o recurso do BNDES e, antes de o prefeito assumir, a gente já discutia. Isso tudo vai ser feito em parceria com a Limpurb, com a presidente Kátia Alves, porque você pode implantar a coleta, mas a manutenção tem que ser feita pela Limpurb. Nosso papel é fazer a educação ambiental. O projeto não vai funcionar se as pessoas não estiveram esclarecidas sobre o processo. A sua manutenção, daí por diante, depende da gerência da Limpurb. Fizemos parceria com a Secopa [Secretaria Estadual para Assuntos da Copa do Mundo] e daí surgiu o 'Salvador Vai de Bike'. Falar de mobilidade sem falar de bicicleta não funciona. Para isso, no entanto, precisamos criar as condições. Quais são essas condições? As ciclovias, as ciclofaixas e, claro, a consciência do motorista que tem que dar o espaço para o ciclista. Além disso, temos a questão dos ônibus elétricos. Dentro desse processo, o prefeito, junto com a presidente Dilma, conseguiu os recursos para implantar os BRTs [Bus Rapid Transit], o metrô… então, quando falamos de corredores, dizemos que o ônibus vai andar ali e vai ter agilidade, mas vai gerar mais poluição. Não só quem está no entorno dos corredores, mas quem está dentro do ônibus, vai receber uma carga de poluentes muito grande. É preciso que a gente qualifique a frota, e como isso vai acontecer? Introduzindo os ônibus elétricos que não poluem. É um ônibus silencioso e moderno. O sentido disso tudo é sensibilizar os empresários para que se possa trocar essa frota ou introduzir os elétricos de forma gradativa. Nas metas estabelecidas pelo prefeito, ele mostrou que pretende introduzir meios não poluentes além da bicicleta. O custo desse ônibus é mais caro, porém ele se paga em um período muito curto. Você não vai ter gasto com combustível, vai ter com energia, que no final é menor. Então isso, com o tempo, vai deixar o ônibus quase de graça. Para nós, trazer Salvador para uma realidade mais moderna, é um passo importante.
 
BN: Esses ônibus conseguirão atender a toda a cidade? Já está definida a empresa que vai operar?
 
IG: A maioria dos ônibus convencionais, em um trânsito tranquilo, atinge 60 km/h. O elétrico tem como velocidade máxima 70 km/h. Ele é um ônibus baixo, ou seja, os passageiros que precisam de acessibilidade, os mais idosos, terão mais facilidade. Eles terão abertura de dois lados, para que não haja problemas com mão-inglesa. A ideia é que, na medida em que a empresa for adquirindo o ônibus, ela vá definindo a rota, mas ele não tem problema de subir ladeira, nada disso. Ele anda como qualquer outro. A operadora desse teste vai ser a empresa Rio Vermelho, mas com toda orientação da prefeitura. O trajeto inicial é Aeroporto-Lapa e ele está sendo testado em vários lugares, mas somos a primeira capital do Nordeste [a implantar o veículo]. Nós pretendemos usar táxis também, porque é sistema wi-fi [de abastecimento], não tem fio. A bateria tem autonomia de 200 km. Ainda não temos os pontos [de recarga], mas se for incorporado, colocaremos eles nos pontos de ônibus. Ele [o ônibus] é automático, vai ser mais confortável até para o motorista. Cabem, dentro dele, duas bicicletas e aí dá para fazer uma boa integração do sistema. 
 
BN: Se der certo o ônibus elétrico, o fim da catraca ficará mais próximo?
 
IG: Essa questão independe do ônibus. Precisamos avançar no sentido da modernidade. O bilhete do ônibus pode ser comprado na banca de revista. A pessoa não pode ficar confinada atrás de uma catraca e sendo vítima de roubo e outras coisas. A gente precisa avançar. Salvador não pode mais viver nesse sistema antigo. Temos que pensar no fim da catraca independentemente dos ônibus.
 
BN: Qual o tempo que o ônibus leva para carregar a bateria?
 
IG: Em 6h ou 8h a carga está total. Na saída, essa carga deve ser feita na garagem, mas terão pontos na rua. Independentemente da prefeitura, já existem os carros elétricos e a própria administração vai ter que colocar os pontos mais cedo ou mais tarde.
 

 
BN: O senhor está afastado da presidência do PV, mas participa das discussões internas. Como o partido tem se organizado para as eleições de 2014?
 
IG: Nessa última eleição tivemos um bom resultado eleitoral. Somos um partido jovem e tivemos um crescimento. Agora estamos trabalhando no sentido de ocupar um espaço maior, não só no sentido de deputados estaduais e federais, mas também com governadores. Estamos organizando a nossa lista de candidatos e, a partir de então, podemos visualizar quais são as possibilidades de candidatura própria, as alianças…
 
BN: Já foi falado sobre uma aliança com Lídice da Mata, que deve sair candidata a governadora da Bahia. Já aconteceu alguma conversa com o PSB?
 
IG: Não, nós não conversamos. Eu entendo que no campo da oposição nós temos nomes postos ou pelo menos comentados, como o nome de Geddel, o de Paulo Souto e temos, com esse processo novo do PSB, uma nova conjuntura. Lídice, com o PSB, é o nome mais comentado para sair governadora pelo partido e, claro que se ela se apresentar como candidata, é um nome a ser considerado. Eu não acredito que ela seja a candidata do governador, porque todo mundo sabe que vai ser do PT. O governador falou que não vai ter dois palanques, então ela vai estar no campo da oposição. Lídice é um nome sempre a ser lembrado. 
 
BN: Alguns nomes no PV já pintam em evidência. Para federal tem o seu nome e Edson Duarte, para estadual tem Uziel Bueno, Marcell Moraes. O que o PV pensa para a eleição proporcional?
 
IG: Eu queria terminar as obrigações no meu cargo, mas como Edson Duarte não vai sair candidato, o partido me chamou e pediu para eu colocar o meu nome e estou como pré-candidato. Do ponto de vista do possíveis candidatos a deputado estadual nós temos Marcell, que conseguiu ganhar visibilidade com seu mandato de vereador, é jovem e luta no que acredita. Temos Uziel Bueno, que das nossas filiações recentes é um bom nome e no seu período como deputado foi um destaque na Casa. Claro que temos outros nomes como o ex-prefeito Sergio Ramalho que vai ter o apoio do prefeito de Bom Jesus da Lapa [Eures Ribeiro], temos o deputado Marcos Viana, entre tantos outros nomes que têm musculatura política e terão uma grande votação e podem até se eleger. 
 
BN: No início da gestão do prefeito ACM Neto foi decretado que os presidentes de partidos teriam que deixar os cargos para assumir os postos de secretários. Já houve alguma orientação em relação à eleição? Quando o senhor vai deixar o cargo para concorrer a deputado?
 
IG: Como nós estamos no processo pré-eleitoral, estamos ajustando as coisas e no momento certo vamos conversar com o prefeito. Não sei qual o período que ele vai determinar para a saída. Pode ser esse ano, ano que vem. Mas a ideia é fazer o melhor para a gestão. 
 
BN: Existe a possibilidade de Fernando Gabeira ser candidato a presidente pelo PV, mas ele tem contrato com a Globo, e aí surge o nome da vice-prefeita de Salvador. Hoje, Célia Sacramento está mais para candidata a presidente, senadora, deputada federal ou vice-presidente?
 
IG: Célia está disponível para o partido. Ela tem visitado vários estados, tem se colocado como uma opção e o partido vai tomar uma decisão. O Gabeira sempre foi o nosso candidato preferido, só que nessa condição de jornalista na Globo News, ele não fala em possibilidade de candidatura, mas não está descartado. Não sendo ele, é claro que Célia surge com força, mas aí o partido vai decidir se vai ter candidatura própria, se vai sair como vice. 
 
BN: Ela então está mais para ser candidata a presidente?
 
IG: Ela mesma disse que só não sairia deputada estadual e, daí para frente, o que o partido determinar ela empresta o nome dela...
 

 
BN: Recentemente tivemos a briga entre os vereadores Ana Rita Tavares, que deixou o partido, e Marcell Moraes. Como está a situação interna do PV?
 
IG: A saída de Ana Rita obedece a uma deformação da política. Enquanto você criar partidos sem identidade, partidos cartoriais no sentido de abrigar parlamentares, vai ser ruim para a democracia. Acho, entretanto, que é ruim porque, quando você muda de partido, você trai a confiança de quem votou em você. As pessoas votam também no partido. Elas se sentem traídas e isso é muito ruim. Sempre respeitei ela, mas, evidentemente, meu parceiro é Marcell. A única coisa que sempre achei estranho é que, se você defende uma causa, você tem que aplaudir e gostar de quem defende também. Não tem que dizer que a causa é só sua. Se Ana Rita defende a causa animal e tem outro vereador com esse perfil, que bom! Se vários outros vereadores quiserem defender essa causa, vai ser bom para Ana Rita e bom para Marcell. Então, para mim, essa sempre foi a falsa polêmica de Ana Rita com Marcell.
 
BN: Antigamente se dizia que o PV era um partido 'melancia' – verde por fora e vermelho por dentro – em alusão à aliança com o PT. Depois, em 2012, a sigla se aliou ao DEM em Salvador e perdeu vários quadros históricos. Para 2014, aqui na Bahia, não há chance de o PV voltar a apoiar o PT?
 
IG: O PV passou um tempo sendo satélite do PT, mas agora compreendemos que o projeto deles não é o nosso. Em 2012 fizemos aliança com uma pessoa que botou um projeto claro para nós, que foi [ACM] Neto. Com relação a apoiar ou não o PT, isso faz parte do processo político. Não vejo muita facilidade nisso. Toda vez que fizemos alianças, fizemos dentro de um programa. Neto tem sido para nós mais do que uma surpresa agradável. Por exemplo, o IPTU Verde: levamos para ele, ele pensou e já mandou para a Câmara. Nesse aspecto, tivemos dificuldade com o PT, não havia discussão e algumas outras atitudes foram nos afastando deles.