Ney Campello admite que Salvador não está totalmente pronta para receber Copa do Mundo - 17/06/2013
Fotos: Tiago Melo/ Bahia Notícias
Na semana em que Salvador recebe os primeiros jogos da Copa das Confederações, o secretário estadual da Copa do Mundo de 2014, Ney Campello, admite, em entrevista ao Bahia Notícias, que a cidade não está totalmente pronta para receber o campeonato. “Acho que há uma distância daquilo que nós desejamos, do que nós projetávamos, que se deu, principalmente, em função da dificuldade do acordo institucional entre o governo do Estado e a prefeitura”, avalia. Mesmo assim, ele diz que tem sentimento de “dever cumprido” e elenca a herança dos eventos esportivos para o estado, como as reformas do Porto e do Aeroporto de Salvador e implantação de um sistema de videomonitoramento de segurança, o Centro Integrado de Comando Regional. Com os recentes transtornos no trânsito sentidos pelos soteropolitanos, o titular da pasta acredita que as mudanças pedidas pela Fifa são necessárias para dar suporte à realização dos jogos. “Não há como não ocorrer nenhum transtorno. O que faltou foi uma política de comunicação com a cidade sobre essa interdição”, sugere. Além disso, apesar da restrição de venda de acarajé dentro e no entorno da Arena Fonte Nova, Campello opina que as vendedoras do quitute “têm que comemorar muito o resultado”. Ele defende que a competição viabilizou geração de trabalho e renda para a população baiana, principalmente porque cerca de 600 ambulantes foram cadastrados para vender no raio de 2 km do entorno do estádio.
Bahia Notícias – Salvador começa a ter jogos na próxima quinta-feira (20). A cidade está preparada para receber o torneio?
Qual o sentimento que você tem?
Ney Campello – Sentimento de dever cumprido e de esforço concentrado de trabalho que permanece até os dias de jogos, durante e após os jogos. Ou seja, esse é um evento que está começando e é a primeira competição das duas que conformam este projeto do Mundial no Brasil e na Bahia. Nós estamos caminhando com esse espírito de fazer o melhor para que a Copa das Confederações seja uma referência de excelência no atendimento àqueles requerimentos da Fifa e ao mesmo tempo de excelência na hospitalidade, no que tange à recepção dos visitantes, sejam eles visitantes ou delegações que estarão conosco. Todos os planos operacionais já estão em curso, alguns já sendo executados, outros a serem executados durante a Copa das Confederações, mas dentro daquilo que foi planejado. A nossa capacidade de resposta tem sido, no nosso entendimento, positiva.
BN – A gente está realizando uma enquete que questiona o legado efetivo da Copa das Confederações para a cidade. Até agora, a maioria dos leitores do Bahia Notícias votou na opção: “Arena Fonte Nova e nada mais”. O senhor concorda com isso?
NC – O legado é a participação da cidade e do estado na Copa do Mundo, que inclui a Copa das Confederações como a primeira competição. Não dá para a gente fazer uma segregação, dizendo que os legados da Copa das Confederações e do Mundo são tais, até porque muitos [da Copa do Mundo] perpassam a Copa das Confederações. A arena, por exemplo, é um legado de ambas as copas e do pós-Copa, pelo que resulta para a cidade com a construção desse equipamento. Mas o Porto de Salvador, que vai ser entregue em agosto, não ficou pronto para a Copa das Confederações e é um legado da Copa, um importante legado – novo terminal de passageiros, novo terminal turístico e ampliação da receptividade turística para Copa de 2014. Houve um artigo de um consultor de um jornal aqui da cidade que fala que foi um engodo essa história do porto. Como um “engodo”? Se nós já temos um transatlântico fechado com o México para receber os mexicanos, para pegar um exemplo, para a Copa 2014? Então, tem o legado do porto, tem o do aeroporto, para a Copa 2014. No caso da Copa das Confederações, além da arena, nós temos a alavancagem, ou melhor, a ocupação da rede hoteleira, que era uma reclamação do trade, e que hoje eles [empresários] celebram o fato de que o jogo Brasil e Itália está quase 100% e que os demais jogos estão chegando a 70% de ocupação da rede hoteleira, que geralmente é 45% nesse período. Nós estamos no período de São João, em que a população se desloca para o interior. Então, você tem um legado efetivo da ocupação hoteleira. Outro legado da Copa das Confederações, já em funcionamento, é o nosso Centro Integrado de Comando Regional, entregue na quinta-feira (13), instalado no Parque Tecnológico de Salvador, que já funciona para Copa, e representa 215 câmeras para videomonitoramento aplicadas neste evento. Serão 600 em 2014. Está aí um legado de equipamentos antibomba, novo helicóptero e uma série de equipamentos e armamentos que serão utilizados para a Copa das Confederações. São quatro mil homens que trabalharão e foram qualificados para a competição. O Plano Operacional de Saúde é anunciado na segunda-feira (17), pelo secretário Jorge Solla. É um plano também que vai indicar ganhos no reforço dos nossos hospitais de atendimento de emergência e também de média complexidade, para qualquer eventualidade durante esse período. O turismo vai entrar com os monitores que são do carnaval, oferecendo uma coisa inédita nas outras sedes do Brasil, que não têm esse programa, como a Bahia tem, com monitores falando mais de um idioma. Não é um programa de voluntariado, mas de monitores remunerados que atuarão no sentido de facilitar o entendimento e orientação dos torcedores e dos visitantes. Tem o legado dos nossos ex-atletas de futebol. São 30 ex-atletas, qualificados em idiomas, hospitalidade, turismo e desenvolvimento sustentável que estão contratados pela Secopa para trabalhar na Copa das Confederações. Aporta-se esse investimento nestes que são a razão de ser da paixão pelo futebol. Tem o legado dos Campos Oficiais de Treinamento, os COTs, que estão recebendo equipamentos novos, tecnologia de corte, que pode parecer para a gente uma coisa secundária, mas não é. Porque o corte para 1,25 cm, que é recomendado pela Fifa, vai permitir um melhor uso desses equipamentos, do ponto de vista de rolar a bola mesmo, de ter campos adequados. E junto com isso têm máquinas de gelo, traves novas, móveis, para você não precisar usar os campos, um conjunto de utilidades que foram disponibilizadas nos COTs, que são Barradão e Pituaçu. São legados que eu posso, à primeira vista, elencar, que mostram que tanto Copa das Confederações quanto Copa do Mundo vão deixar coisas efetivas para nossa população.
BN – O senhor não acha que ficou meio frustrada a expectativa? Por exemplo, saiu um balanço em que apenas 1,5 mil turistas estrangeiros estarão em Salvador. Mais que isso, a questão da mobilidade urbana. A gente viu intervenções no trânsito exigidas pela Fifa. A cidade já sabia que teria, mas o que era a contrapartida da cidade, de ter outras alternativas de mobilidade, não ficou pronta a tempo para a Copa das Confederações e boa parte não vai ficar até a Copa do Mundo. O senhor não acha que se frustrou a expectativa nesses dois aspectos?
NC – Não. Acho que, quanto aos turistas, absolutamente nenhuma frustração, porque a característica de Copa das Confederações não é de público estrangeiro. Isso foi assim na África do Sul. Não foi na Alemanha, porque é na Europa e o deslocamento é como se estivesse saindo de Sergipe para a Bahia, ou menos até, por trem. A expectativa nossa é de que nós tivéssemos comercialização de ingressos que fosse à altura da nossa expectativa, e isso está acontecendo. O que mostra a paixão do torcedor brasileiro e baiano, que compraram 98% dos ingressos que estão sendo comercializados. Já se vendeu, segundo declaração do presidente da Fifa, três vezes mais do que se vendeu na África do Sul.
BN – Mas para a partida de Nigéria e Uruguai houve até campanhas, em algumas lojas, em que se comprava algum produto e ganhava-se o ingresso.
NC – Já tem mais de 65% de ingressos vendidos de Nigéria e Uruguai e mais de 65% para a disputa do terceiro e quarto lugar, que não se sabe sequer quem vai jogar. É fato que o sucesso de ingressos existe. Não sei se vai superar a Alemanha, que é o que se está esperando. Mas acho que é um case de sucesso a Copa no Brasil em termo de ocupação de público. Não é de público estrangeiro. Com relação à mobilidade, sim. Aí eu acho que há uma distância daquilo que nós desejamos, do que nós projetávamos, que se deu, principalmente, em função da dificuldade do acordo institucional entre o governo do Estado e a prefeitura. Foi corretíssima a decisão do governador de não optar pelo BRT [vias exclusivas de ônibus], o que foi assinado na matriz em janeiro de 2010. Foi corretíssimo, porque viabilizou o sistema metroviário, mas havia a resistência do governo anterior [do ex-prefeito João Henrique] de se fazer o metrô. O que a administração anterior queria era o BRT, eles lutaram por isso e não andava a negociação se não fosse o sistema sobre pneus. Com o acordo institucional, nós perdemos na Copa das Confederações a possibilidade de oferecer [o transporte], mas ganhamos na Copa do Mundo, porque há possibilidades reais de que pelo menos 12 km da linha 1 estejam em operação. Já há o processo em curso da licitação do sistema. Apesar do que eu chamo de distância entre o que nós projetamos e realizamos em termos de mobilidade urbana, é inegável que a Copa tenha ajudado no sentido de equacionar esse maior desafio da cidade. Seja no metrô, que foi fechado, seja nas obras de duplicação da Avenida Pinto de Aguiar, da Gal Costa e 29 de Março, já autorizadas pelo governo do Estado, como no conjunto de viadutos do Imbuí. São obras que vêm com o rastro desse plano de mobilidade para a Copa. Quando você falou da interdição, eu queria ter a oportunidade de esclarecer para a sociedade. Há uma ideia de que a gente tivesse, deliberadamente, ocupado um espaço da via. Não é isso. Uma Copa do Mundo, uma competição como essa, diferente de um Campeonato Brasileiro ou outra, exige um conjunto de funcionalidades que não são exigidas em outras. Vou dar exemplos para vocês. Vamos ter 400 jornalistas e não temos mais porque não foi possível viabilizar mais do que isso no estádio. E nós não temos isso em um jogo de Campeonato Brasileiro. Precisou de um centro de mídia para os jornalistas. Nós temos lá 28 conjuntos de geradores, 162 contêineres, 30 km de cabos, 8 km de cerco. Setenta por centro das estruturas temporárias estão dentro da arena e 30% por fora. Nas outras, 80% das estruturas estão fora e 20% dentro. Essa é a razão de ocupação de parte daquela via. Não há como não ocorrer nenhum transtorno. O que faltou foi uma política de comunicação com a cidade sobre essa interdição. Nisso eu acho que nós falhamos. Eu falo “nós” porque eu não quero apontar, apesar de que é uma competência da prefeitura, mas acho que isso é um plano nosso e nós falhamos no sentido de que era preciso antecipar essa comunicação.
BN – No balanço que saiu na Revista Veja sobre as copas do Mundo e das Confederações foi feito um ranking. Colocaram Salvador com a obra do aeroporto apenas iniciada e com expectativa para ficar pronta só na Copa do Mundo. A Arena Fonte Nova foi classificada como “nível 2” de elefante branco e um dado me chamou à atenção: a mobilidade urbana “concluída para o entorno”. Essa foi uma comunicação passada pelo governo para a Veja ou foi um equívoco? Ou o senhor acredita que a obra de entorno da arena está pronta?
NC – Desse ranqueamento eu não posso dizer, porque não sei os critérios que a Veja usou para um ranqueamento dessa natureza. A Arena Fonte Nova é um equipamento com absoluta capacidade de viabilizar-se do ponto de vista econômico. Os dois clubes [Bahia e Vitória] na primeira divisão, hoje situados entre os 10 primeiros na atual fase da tabela. Há torcedores apaixonados pelo futebol, do Bahia, principalmente, e do Vitória também. Eu acho que não temos porque pensar na Arena Fonte Nova como um elefante branco, absolutamente. Então, desconsidero esse ranqueamento porque não tem coerência nenhuma com a realidade. Com a questão do entorno, não. O que nós temos é microacessibilidade, que são os dois viadutos que se concluem no dia 20, não são usados nem para a Copa das Confederações nem para a do Mundo, porque o estacionamento é um local de venda, onde vão estar as baianas do acarajé. Então, não tem funcionalidade, mas vão ser entregues como legado. E as quatro rotas só em 2014. Então a informação não foi do governo do Estado, porque não foram concluídas. Não sei se eles só consideraram os dois viadutos, mas não são só eles, porque ainda têm as quatro rotas. Igual à comparação da Arena com elefante branco. Deu um tiro no pé direito e outro no pé esquerdo. Uma coisa é meia verdade e a outra é mentira.
BN – Houve um problema com um dos viadutos em que apareceu uma rachadura. Isso já foi resolvido ou não? Há risco de interdição?
NC – Absolutamente nenhum e não há esse negócio de trincar. Assim como o fake da baiana do acarajé, há o fake do viaduto também. Porque, se você joga uma notícia, ela ganha uma repercussão viral e isso vira verdade. Efetivamente, houve uma falha na compreensão do uso dos viadutos. A Conder, quando projetou os viadutos, considerou que seriam para carros leves, que chegariam ao estacionamento. Depois, no curso da execução, tomando conhecimento de que ali em cima vamos ter circulação de veículos pesados, carretas, porque ali vai ser lugar também de show. Não vai ser só para carros individuais e torcedores. Com isso, resolveram fazer um reforço de estrutura, ou seja, novas vigas, novos pilares. Não trincou nada, não houve nenhum tipo de risco. Mas houve uma necessidade de se reprogramar essa fundação por conta da circulação.
BN – Houve erro da Conder?
NC – Não considero erro individual, não foi falha nossa. Se, por acaso, a Conder não projetou considerando os veículos pesados, por outro lado tivemos erro de comunicação da arena, do operador, do governo do Estado, da Secretaria da Copa, de não ter combinado melhor essa informação. Para não precisar que fosse feita [a divulgação] ao final e gerar um ruído desnecessário. Porque não há risco, mas há ruído, provocado desnecessariamente.
BN – A presidente da Associação das Baianas de Acarajé, Rita dos Santos, deu entrevista para o Bahia Notícias e criticou a Fifa, porque foi permitida a entrada de apenas seis baianas no estádio e as demais têm que estar a 2 km de raio de distância. Ainda há possibilidade de isso se expandir pelo menos até a Copa do Mundo ou vai ser isso mesmo e acabou?
NC – Dois quilômetros é o perímetro total, isso não significa que o comércio vai funcionar fora dos 2 km. Funciona, dentro dos 2 km, dentro da Arena, em condições diferenciadas. Ou seja, no entorno imediato à arena, a central de logística, os geradores e tal. Um pouco depois, o comércio todo vai estar liberado. Não vai ter nenhuma proibição do comércio formal. E ali mesmo no Dique do Tororó, portanto muito menos do que 2 km, vão ser instalados em torno de 600 ambulantes. É geração de trabalho e renda. Isso é feito através da prefeitura de Salvador. Aquele lugar onde era Sucab, distante uns 700 m da arena, ali haverá ambulantes. É até por onde o torcedor entra. Ele entra a pé, não pode entrar de carro. As baianas têm que comemorar muito o resultado, porque conseguiram vender perto da arena. As outras dez nós ainda estamos negociando, não tem ainda a decisão.
BN – Como foram escolhidas essas seis baianas?
NC – Pela Abam [Associação das Baianas de Acarajé]. Três já trabalhavam na arena e outras três, Rita Santos fez o convite. Ela própria vai comercializar, Elane, filha de Dinha, e mais Solange, do Farol da Barra. Segundo ela, todas estavam envolvidas nessa luta. O que nós exigimos foi qualificação. Concluiu-se na última quinta o curso de qualificação das baianas: vão ser dados os tecidos e a Secretaria de Justiça está comprando tudo novo para elas. E eu já negociei com a Fonte Nova e posso afirmar a vocês que, passada a Copa, nós teremos possibilidade de incorporá-las.
BN – Esta semana a Câmara aprovou o projeto de lei que barra a atuação de ambulantes. O senhor falou que os ambulantes vão estar autorizados. Como será isso?
NC – Quem tem o número exato de ambulantes é a prefeitura, mas a perspectiva é de em torno de 600 ambulantes ao longo dos 2 km. Isso foi o que Isaac Edington, do Escritório Municipal da Copa, que me passou. Eles serão cadastrados e comercializarão lá. A proibição é para quem não tem cadastro.
BN – A gente sabe que há uma cultura que não é só do baiano, é do brasileiro, de tentar dar carteirada, de ser penetra. E o esquema da Fifa é muito mais profissional do que a gente está acostumado aqui. Se chegar algum assessor de vereador, de deputado, secretário querendo chegar lá e dar uma carteirada na frente da Arena Fonte Nova, como vai ser isso?
NC – Simplesmente não vai acontecer. O esquema de segurança é muito rigoroso, pesado. E não haverá esse tipo de coisa. Nem cambista. Os ingressos têm nome e não vai ter carteirada. E o cara que chegar lá, fora do perímetro de menos de 2 km, também não vai conseguir.
BN – E se ele resistir e disser que é prefeito de “não sei onde”?
NC – Vai ter que se retirar.
BN – A gente tem uma movimentação agora de ameaças de greve. Caso alguma manifestação seja realizada em dia de jogos da Copa das Confederações, em alguma via próxima ao estádio ou que influencie a chegada até lá, o senhor concorda com a proposição do governador Jaques Wagner, de que a polícia deve ser acionada para desobstruir a via?
NC – É claro. Se existir alguma ação que impeça, a polícia tem que entrar. Agora a gente espera negociação, que não haja manifestação.
BN – E a greve de ônibus vai afetar alguma coisa? Vocês têm pensado nisso?
NC – Eu acho que não. O sindicato vai ter bom senso e vai chegar a um acordo antes disso.
BN – Dê um palpite. Quem vence o torneio?
NC – O Brasil, sem dúvida. Eu sou um otimista resistente a qualquer outra ideia. Nós vamos ganhar a Copa das Confederações. Depois que ganhamos da França, agora estou mais ainda.
BN – Como conselheiro do Vitória, o senhor deve estar em uma sinuca de bico, porque o Vitória não aceitou o acordo com a Arena Fonte Nova e disse que não era vantajoso. O senhor é o defensor da arena como o grande empreendimento de Salvador para o torneio. Em sua opinião, o Vitória tinha que usar a Arena Fonte Nova ou não?
NC – Acho que sim e está usando. Fez um acordo de uso de seis jogos e agora vai para nove. E acho que o Vitória tem um estádio, então não pode também se precipitar. Eu defendo, como conselheiro, que o Vitória faça o que é melhor para o clube. Tem que analisar melhor, acompanhar os entendimentos. Eu espero que, dentro de um prazo médio, o Vitória jogue lá.
BN – Com a visibilidade que ganhou com a organização das copas das Confederações e do Mundo, seu nome começou a pintar como um possível candidato em 2014. Com o trabalho que tem feito à frente da Secopa, o senhor pode ser candidato a deputado federal ou estadual?
NC – Em política, a gente nunca diz “nunca”, então não fecho as portas para um projeto político meu, mas não estou trabalhando nesse projeto com essa pretensão. E nem é meu projeto pessoal o projeto parlamentar. Eu quero fazer uma boa entrega. É uma expectativa minha como cidadão e também como agente público. Vamos ver em 2014 o cenário que se define. Eu tenho mais afinidade com o projeto do Executivo do que Legislativo hoje. Já fui vereador, foi uma boa experiência, mas hoje eu me inclino mais para um projeto do Executivo.
BN – Onde há probabilidade maior?
NC – Eu teria que saber quem vai ganhar as eleições no estado, para saber se o novo governador teria o interesse na minha colaboração. Eu estou à disposição como quadro da administração pública. Ou em uma prefeitura, enfim. Agora mesmo estou me aproximando mais do PCdoB em Lauro de Freitas. A gente quer fazer um trabalho lá vislumbrando as próximas eleições. Eu sou muito de portas abertas. Eu fico feliz de ter o nome lembrado, agora separo um pouco essa minha contribuição como secretário da Copa do meu projeto político e pessoal. No fundo, se eu puder em 2014 fazer exatamente o que eu quero, é ir para a sala de aula, que é o que eu gosto de fazer. Eu sou professor e me atende plenamente a ideia de encerrar a Copa e voltar para universidade.
BN – Mas você tem uma facilidade. A Secopa acaba no mesmo período de desincompatibilização dos gestores. Você vai ficar livre para decidir, mas se o PCdoB chegar e disser: “Estamos com poucos nomes para deputado estadual, a gente quer ampliar”. Se entrarem em contato com você, você é soldado para isso?
NC – Sou. Para deputado federal não, porque já temos três candidatos: Davidson Magalhães, Alice Portugal e Daniel Almeida, mas para estadual é uma hipótese a se discutir. Volto a dizer: não é projeto próprio mesmo. Não trabalho nesta direção, mas sou um quadro do partido, portanto, à disposição para discutir essa alternativa.
BN – Eduardo Campos (PSB) ou Dilma Rousseff (PT)?
NC – Dilma na cabeça. Dilma, Wagner e o candidato dele.
