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Entrevista

César Borges nega pretensão de disputar eleições de 2014 - 22/04/2013

Por Evilásio Júnior / Juliana Almirante

César Borges nega pretensão de disputar eleições de 2014 - 22/04/2013
Fotos: Edsom Leite/ MT/ Bahia Notícias
Nomeado recentemente para comandar o Ministério dos Transportes, César Borges (PR) nega ter qualquer pretensão de disputar um cargo eletivo nas eleições de 2014. "Não tenho pretensão de candidatura a cargos eletivos em 2014", definiu. De acordo com o ex-senador, que informou ter deixado a presidência do partido na Bahia para assumir o posto federal, a tendência da sigla é apoiar uma chapa apoiada pelo governador Jaques Wagner na sucessão ao governo do Estado. No entanto, Borges acredita ser “prematuro” determinar com exatidão a quem a legenda deve se aliar. Ele descartou insatisfação interna na legenda com a escolha do seu nome para a pasta. “Pelo menos para mim, nunca ninguém colocou que houvesse qualquer resistência ao meu nome. (...) O que eu posso aceitar é que todos têm pretensão”, avaliou. Para o novo ministro, as denúncias de suposto tráfico de influência nos Transportes, sob a chefia do senador Alfredo Nascimento (AM), já foram superadas. “O que eu pretendo fazer é manter o ministério longe desse tipo de situação. Dar total transparência na gestão aos negócios públicos e fazer do ministério um instrumento que possa levar o Brasil da forma mais correta possível na logística de competitividade internacional”, prometeu. César Borges também deu detalhes sobre as principais obras do setor que devem ser concluídas até 2016 no estado, como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e a duplicação de trechos da BR-116 e 101.
 

Bahia Notícias –  Vamos começar logo pela questão da posse no ministério. Foi comentado na imprensa que a presidente Dilma Rousseff escolheu seu nome porque seria o único nome confiável dentro do PR. Foi exatamente assim que aconteceu?
 
César Borges – Eu não posso falar pela presidenta, claro. Não tenho como avaliar os critérios em que ela me escolheu. Só sei que ela me escolheu. Eu acho que não é bem por aí. Eu acho que o PR tem nomes qualificados, tanto de deputados quanto de senador, nomes que conhecem o sistema de transportes brasileiro, entretanto, ela recaiu sobre o meu nome porque é o critério que deve ter passado por ela e mesmo pela própria direção do PR. Essas coisas são assim mesmo. Você escolhe um e não outro, não porque haja demérito para ninguém. É um critério que só a pessoa que escolhe poderá explicar. 
 
BN –  Teve uma reação de alguns membros do PR, como o senador Blairo Maggi (PR-MT) e o deputado Anthony Garotinho, o líder do PR na Câmara, de insatisfação com a indicação do seu nome para o ministério. Inclusive Garotinho chegou a falar em debandada do partido para um projeto do governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB). O impasse interno já foi contornado?
 
CB –  Para mim, nunca houve problema, porque durante todo esse processo, eu sempre conversei com o partido e com o próprio Garotinho. Pelo menos para mim, nunca ninguém colocou que houvesse qualquer resistência ao meu nome. Todos entendiam perfeitamente que o processo passava pela palavra final da presidente. Então, eu, conversando com os membros do partido, Garotinho e Blairo Maggi, nunca passou nenhuma resistência ao meu nome. O que eu posso aceitar é que todos têm pretensão. É direito de cada um, mas não houve esse tipo de situação, estresse dentro do partido, uma resistência... No entanto, eu não posso dizer que eu superei isso, porque não existiu. Todos já estiveram comigo, aqui no ministério, e considero que a posição do PR é muito tranquila em relação à participação no governo federal, da presidenta Dilma. 
 
BN – A gente conversou na Fonte Nova e o senhor falava que, para a Bahia, o principal desafio hoje da pasta que assume é a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol). A gente sabe que o edital foi lançado em março de 2010, a previsão inicial de conclusão das obras era o final de 2012 e hoje a imprensa noticia que apenas 7% do projeto foi executado. Como fazer para a Fiol realmente sair e esses gargalos que têm entravado a obra ser superados?
 
CB –  Infelizmente, obra pública no Brasil é uma via cheia de obstáculos. Você passa por necessidade de licenciamento ambiental. Acho que a Fiol passou por isso, isso demanda tempo e é obrigatório. Você tem que ter projeto. No caso da Fiol, começou com o projeto básico, depois a própria Valec achou por bem que era necessário ter um projeto executivo, foi reformular o projeto, demandou também mais tempo. Às vezes, você tem problemas durante a licitação e a adjudicação das obras. São coisas que poderiam ser evitadas e ter o tempo encurtado, mas vamos caminhar para isso, para um momento de mais eficiência, ganho de tempo. Infelizmente, nós tivemos esse tipo de problema. Quanto à Fiol, eu assumi sabendo dos problemas, mas muitos deles já foram solucionados. O momento agora é de dar ritmo, de acelerar o processo da Fiol, dentro de etapas. Claro que você não pode imaginar que se faça uma obra da complexidade de uma ferrovia de 1,5 mil km de uma hora para outra. Demanda tempo, obra pública é assim mesmo. E nós vamos tentar reduzir. Isso é o que nós podemos fazer, reduzir o tempo ao máximo possível. O primeiro trecho que é para escoar o minério de Caetité seria para o final do próximo ano. Uma meta ambiciosa, mas vamos persegui-la, e iniciar o trecho de Caetité para Barreiras que é muito importante para a Bahia. Esse trecho se pretende concluir pelos meados de 2016. Depois o trecho de Barreiras a Figueirópolis (TO), fazendo a ligação com a Norte-Sul.
 

 
BN –  Agora tem um entrave com o Ibama, não é? O instituto manteve a posição de não ser explorada a área das cavernas, principalmente do trecho Ilhéus-Caetité...
 
CB –  Você vê que já está dando resposta para o porquê de algumas coisas atrasarem. Teve esses problemas com o Ibama, mas o trecho chamado lote 6, não é Caetité, é após a ponte do Rio São Francisco indo em direção a Correntina e São Félix do Coribe. Nesse trecho, o projeto já foi adaptado para resolver esses problemas com o Ibama, com os possíveis danos a essas cavernas. Agora nós estamos tentando também liberar o trecho 5 que vai de Caetité até Guanambi, até o São Francisco, o [trecho] 6, que vai até São Félix do Coribe e depois o 7, que vai até o centro de escoamento dos grãos, de São Desidério, Luís Eduardo Magalhães e Barreiras. Então, nós estaremos praticamente com o centro de carga podendo escoar pela Ferrovia Oeste-Leste até o Porto de Ilhéus, que também deverá ser feito. 
 
BN –  Diante da mudança do traçado, o senhor espera que já haja trem pelo menos no trecho da Fiol, percorrendo o interior da Bahia, no final de 2014?
 
CB –  Isso, no final de 2014 e 2015. Esse é o prazo dado pela Valec e nós vamos perseguir esse prazo. Mas também esses prazos dependem de uma série de condicionantes próprias de uma obra complexa. 
 
BN –  O valor inicial da obra estava estimado em cerca de R$ 7 bilhões e essas mudanças todas também acarretam em alteração de preço. O senhor já pode precisar o custo que vai ser a Fiol até 2016, que é quando deve ser concluído o projeto?
 
CB –  Não, não vou precisar esse número, porque não tenho e passa por alguns ajustes de contrato. Por exemplo, tem necessidade de uma licitação que vamos fazer agora, do túnel em Jequié. A travessia de Jequié é complicada e a solução de engenharia vai requerer um fundo de aproximadamente mil metros de inscrição. [Isso] vai ser motivo de uma licitação específica. Vai custar mais de R$ 50 milhões. Então, o importante é fazer a obra pelo menor custo possível.
 
BN – Parece que outra a questão aqui da Bahia que envolve o Ministério dos Transportes, a duplicação das BRs-101 e 116, tem menos entraves. O senhor acredita que esses projetos serão concluídos quando? Qual é o andamento?
 
CB –  A BR-116 está concessionada à Via Bahia e aí é exigir que a Via Bahia cumpra os prazos do contrato e possa atender à duplicação do trecho mais importante da BR-116. Há um atraso do trecho de Feira de Santana até o Rio Paraguaçu. Nós queremos que entregue o mais rapidamente possível, mas acho que demandará mais um ano para esse trecho ser duplicado. Assim como o contorno sul de Feira de Santana e já há trechos onde o tráfego já exige a duplicação após o Paraguaçu. Nós vamos exigir que a concessionária cumpra aquele compromisso de duplicar 90 km a cada ano desse trecho, que vai do Paraguaçu até a divisa com Minas Gerais. Com relação à BR-116, nós temos duas notícias: uma é que queremos licitar o quanto antes e temos também que vencer esses obstáculos de licenças ambientais. Para a duplicação da BR-101, da divisa de Sergipe até Feira de Santana, da BR-324 e do Espírito Santo até a cidade de Eunápolis já há recurso disponível no PAC. Com relação ao restante da BR-101, será motivo de uma licitação para concessão, que será feita ainda esse ano. Para a concessão que irá da BR-324, em Feira, até a divisa com o Espírito Santo e o trecho que nós duplicarmos, será incorporado nessa concessão. 
 

 
BN – Agora a gente tem uma expectativa muito grande em relação ao metrô de Salvador. O senhor já disse que não é responsabilidade do Ministério dos Transportes, está com o das Cidades, pois o projeto faz parte do PAC da Copa do Mundo, mas como envolve uma questão de mobilidade e de transportes, o senhor não pretende se envolver na obra de alguma forma? Nem que seja consultiva, ministro?
 
CB –  Nós faremos esforços para ajudar a Bahia no que for demandado. O que for demandado no Ministério dos Transportes, nós vamos atender à Bahia. Vou dar exemplos. Para concluir a BR-235 na Bahia da divisa de Sergipe até a divisa com o Piauí. Isso é um compromisso. Tem um trecho que já foi feito, de Jeremoabo a Uauá. Nós queremos que esteja pronta desde Sergipe até o Piauí, passando por Juazeiro. 
 
BN –  Quais são os outros projetos que envolvem o estado?
 
CB –  A BR-135, que fica no oeste da Bahia, é a ligação que vai de São Desidério, passando até a Correntina, chegando até a divisa com Minas Gerais, na cidade de Cocos. Queremos também estender a BR-030, que hoje está em Carinhanha e tem feito uma ponte sobre o rio São Francisco, uma ponte muito bonita por sinal, com a participação dos governos federal e do Estado. Nós queremos estender essa BR-030 até Cocos. Com isso, você vai atender a Feira da Mata, uma sede municipal que não tem pavimentação, e levar uma estrada pavimentada nessa região. Fora isso, nós temos a BR-116 Norte, porque a que está concessionada é a via Sul, de Feira de Santana até Minas Gerais, então a Norte nós queremos requalificar desde o contorno norte e oeste de Feira de Santana, que não está na licitação da BR-324. Depois duplicar até Serrinha e requalificar a de Serrinha até a travessia do São Francisco na localidade de Ibó, que é um distrito do município de Abaré. Queremos resolver a travessia de Serrinha e a de Euclides da Cunha, fazendo um anel. Então, é esse trecho. Com relação à BR-242, que vai em direção ao oeste, queremos reestruturar, adequar, melhorar o pavimento. Não será duplicação, mas melhorias, através de programas de recuperação e manutenção pelo Dnit. E concluir o trecho que falta da BR-242: são 40 km da cidade de Luís Eduardo até o estado de Tocantins.
 
BN – São boas notícias para a Bahia. Mas agora nós vamos entrar na parte da política no estado. A gente sabe que o partido vive um momento de certo conflito de ideologias. Na Assembleia Legislativa, há dois deputados, Elmar Nascimento e Sandro Régis, que discorda do alinhamento com o governo. Tem também o secretário da Promoção da Igualdade de Salvador, Maurício Trindade, que anunciou que ia sair do partido. Isso já tem um ano que tem acontecido e não houve nada de concreto se eles vão sair ou continuar. Como é que está a orientação partidária, com relação a esses integrantes?
 
CB –  Eu não sou mais presidente do PR. Na medida em que assumi o ministério, até do ponto de vista legal, eu tive que me desincompatibilizar do cargo e passei para o primeiro vice-presidente, que é o deputado federal José Rocha. Eu acho que o PR difere de muitos partidos, porque é onde há dissidências, há posições divergentes, mas no fundo você vai tentando compreender os companheiros, conversar e, através do convencimento, chegar a uma posição de consenso. Pode não ser unânime, mas de consenso. O que eu puder fazer, eu farei. Nós temos hoje a melhor relação com o governo estadual. Como ministro, trabalharei com o governo estadual. Porque uma coisa para mim é importante: a minha indicação para o ministério teve o apoio de toda a política baiana. Ninguém foi contra a minha presença, ao contrário. Eu quero agradecer a todos que reconheceram que meu nome faria com que a Bahia estivesse bem representada no primeiro escalão do governo federal. Entre esses nomes, eu tenho que destacar o do governador Jaques Wagner, porque ele, como governador da Bahia e aliado de primeira hora do partido da presidente, com certeza foi consultado e não colocou nenhuma objeção para o meu nome. Então, eu tenho que fazer essa parceria como faria com qualquer dirigente político, prefeito, do nosso estado. A gente estava falando de metrô, não é? Depois parou. Metrô realmente não é nossa questão, isso realmente é Ministério das Cidades. Eu parabenizo pelo bom senso de fazer esse acordo entre prefeitura e governo do Estado. Acho que agora pode ter uma solução para o metrô de Salvador. Botar em funcionamento esse primeito trecho que vai até a Rótula do Abacaxi, que é importante para a mobilidade em relação à Arena que foi inaugurada. Depois, concluir. Eu tive informações do governo da Bahia, que será até Pirajá, até a estação de transbordo. E depois levar o metrô adiante, até Cajazeiras, Águas Claras e aí conectar com o sistema viário da Região Metropolitana de Salvador, onde se tem grandes projetos. Eu quero até voltar à parte técnica. Não falamos de ferrovias, falamos da Fiol, mas tem outros projetos de ferrovia para Bahia.
 
BN –  Quais são?
 
CB –  Tem a ferrovia Centro-Atlântica, importantíssima, porque é a ligação do Sudeste com o Nordeste, com a Bahia.
 
BN E vai ser de passageiro ou só carga?
 
CB –  A tendência não é passageiro. Essa questão de trem de passageiro é só quando há grandes centros que têm realmente uma grande demanda de fluxo, porque ninguém vai viajar de trem de Vitória da Conquista até Salvador, quando se tem avião. Tem que se construir um aeroporto bom em Vitória da Conquista, para transportar passageiros com o custo mais barato e acessível. Modernamente, se fala mais hoje em trem de carga. Quando se fala em trem para passageiro, eu defendo assim, que haja um trem de passageiros rápido de Feira de Santana até Salvador. Eu acho que Feira de Santana também deve ter um grande aeroporto, que pode ser de carga, em uma alternativa para Salvador, passando por Camaçari, de um trem rápido.
 
BN –  O senhor vai tentar viabilizar esse projeto no ministério?
 
CB –  Eu conversei com o governo do Estado. Acho que é um grande projeto que deve se pensar para o futuro da Bahia. A ferrovia Centro-Atlântica, que é a que vem do Sudeste... O nome é da empresa que opera hoje. Será devolvida ao governo federal a concessão e será licitada a construção. Não será com dinheiro público. Será uma concessão com o setor privado. Queremos fazer ainda esse ano. Para fazer uma nova rodovia de bitola larga, de 1,60 m, que venha de Minas Gerais até Salvador. Não que chegue a Salvador diretamente, mas pode chegar a Feira de Santana e aí se fazer uma ligação até Salvador. Está ainda em laboratório, sendo concebida, mas a ideia é essa. A outra, que a presidenta anunciou recentemente, quando ela visitava a Ferrovia Transnordestina, em Parnamirim, cidade de Pernambuco, e que nós já estamos aqui trabalhando, era a Ferrovia Centro-Atlântica, que não terá esse nome, mas que virá da Transnordestina, passando por Petrolina e Juazeiro e pela proximidade de Salvador, pode ser Feira de Santana, pelo centro logístico de Feira. E Salvador, como está em uma península, teria um acesso, uma linha rápida de carga e, aí sim, de passageiros. Ainda tem uma terceira, que seria você ir de Salvador ou do centro logístico de Feira até Salvador. Seria esse trecho, ou fazer a ligação com Recife via litoral.
 

 
BN –  Seria só carga ou entraria passageiro?
 
CB –  A ideia principalmente é carga, porque passageiro tem que ter demanda. Tem que fazer um estudo de demanda. Não pode fazer se não tem passageiro. Mas se não houver demanda, não adianta fazer.
 
BN  É porque a gente vê, na Europa, várias cidades interligadas por trem. É inclusive mais barato do que o ônibus ou o avião, muitas vezes.
 
CB –  Agora veja o tamanho da Europa e o do Brasil. Veja quantos países tem a Europa e quantos 'países' tem dentro do Brasil. O Brasil é um país de dimensão continental. Às vezes, para ir de Salvador para o interior, tem a distância de 1 mil km em algumas regiões. O trem não me parece ser a melhor condição. Na Europa, você faz viagens de trem relativamente curtas. Quando você vai de Paris a Marselle, você vai rápido. Que é um transporte supermoderno e talvez no Brasil só demande o eixo Rio-São Paulo. Mas se você for transportar passageiro do Rio para Salvador, a uma velocidade de 100 km/h, hoje é de 20 km/h, quem é que vai viajar? É complicado. O transporte de massa tende a ser aeroviário. Se você vir como anda nossos aeroportos hoje e as pessoas simples que utilizam esse transporte, isso é maravilhoso. Antigamente, para entrar no aeroporto, você tinha que entrar bem trajado. Hoje não. As pessoas entram de bermuda. Pessoas que vão ver seus familiares, trabalhadores, isso é muito bom. Não é porque na Europa tem trem. Lá é outra tradição, outra história. Nos EUA, por exemplo, o trem é muito pouco usado porque é um país de dimensão continental. Ninguém imagine atravessar de Nova York para Los Angeles de trem.
 
BN –  É, vai sempre de ponte aérea. Ministro, em relação à própria pasta e ao PR, houve um problema, um tempo atrás, quando Alfredo Nascimento estava no ministério e foi o que culminou na saída dele. Houve a verificação, segundo as investigações, de tráfego de influência no ministério. Quais medidas o senhor pretende aplicar na pasta para evitar que haja novamente qualquer tipo de problema ético dentro do ministério?
 
CB –  Acho que isso já foi superado. Acho que houve, na época, muitas notícias de denúncias que não foram comprovadas. Muitos fatos que não foram demonstrados, apenas foram notícia na época. O que eu pretendo fazer é manter o ministério longe desse tipo de situação. Dar total transparência na gestão, aos negócios públicos e fazer do ministério um instrumento que possa levar o Brasil da forma mais correta possível na logística de competitividade internacional. Eu tenho uma vida pública que todos os baianos conhecem. Fui desde presidente da Junta Comercial, secretário do Estado, a vice-governador, governador, senador da República e passei pela vice-presidência do Banco do Brasil. Graças a Deus e à minha atuação, eu não tenho risco na minha imagem, na minha condução, na ética da condução das coisas públicas. Então, eu quero colocar essa minha trajetória a serviço do Brasil.
 
BN –  O senhor, como ministro do governo Dilma, garante que vai ficar no ministério até dezembro de 2014, quando encerra o mandato da presidente Dilma, ou o senhor vai pedir a desincompatibilização seis meses antes para disputar a eleição?
 
CB –  Eu não posso garantir absolutamente o tempo que eu vou ficar, porque depende da presidente da República. São aqueles cargos que a qualquer hora você pode ser demitido ou não. Se a presidenta precisar do meu concurso, eu estarei disponível para ela. Não tenho pretensão de candidatura a cargos eletivos em 2014. Então essa é a posição que estou tendo hoje. Estou aqui querendo trabalhar pelo Brasil. Agora quanto tempo eu vou ficar aqui, vai depender da presidente Dilma.
 
BN –  Então o senhor acha que não sai candidato ano que vem?
 
CB –  Não, eu não pretendo, não está no meu radar ser candidato em 2014. Mas o futuro a Deus pertence.
 
BN –  Mas sobre o futuro, como membro do PR, o senhor acha que o melhor caminho é marchar em uma chapa liderada pelo governador Jaques Wagner, quem ele indicar?
 
CB –  Essa tentativa de verificar 2014 é prematura. Estamos com o governo da presidenta Dilma, temos o melhor relacionamento com o governo Wagner, apoiamos o candidato a prefeito dele [Nelson Pelegrino]. É uma tendência natural, mas é claro que tudo isso se confirma no momento exato. 

BN –  Para finalizar, vou fazer uma brincadeira que foi sugestão da repórter Bárbara Souza.  João Leão, quando foi secretário de Infraestrutura, o senhor acompanhou bastante, falava em buraco zero nas estradas. Como ministro, o senhor pensa em algo nessa linha nas BRs do Brasil?
 
CB –  Não falaria em buraco zero, porque é mais um nome fantasia. Apenas 12% da malha viária brasileira pavimentada, que é em torno de seus 60 mil km, foi avaliada pelo Dnit como em má situação. O resto é bom ou regular. Então, o desafio é: por que não zerar os 12%, nessas condições? Essa é minha proposta, esse é o programa: zerar qualquer rodovia federal em má condição.
 
BN –  A grande promessa então de César Borges, nesse período de ministério, o senhor pode definir com que frase?
 
CB –  A grande promessa é me empenhar fortemente para conseguir atingir os objetivos do Brasil, de ter uma logística competitiva. Os objetivos da presidente Dilma passam a ser do ministério e os meus objetivos.