Márcio Marinho fala sobre propostas de governo caso eleito prefeito de Salvador - 03/09/2012
Foto: Max Haack / Ag Haack / Bahia Noticias
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Bahia Notícias – Pergunta do internauta Jorge Henrique Mendonça: Em que programa você colocaria os recursos arrecadados além do previsto pela prefeitura, o chamado excesso de arrecadação, recursos não previstos no orçamento de um ano?
Márcio Marinho - Jorge Henrique, eu colocaria esse recurso na ação social da nossa cidade. Hoje a gente percebe uma ineficiência muito grande da secretaria de ação social [Setad] diante da desiguldade social que a nossa cidade vive. É só andar pelo Centro Histórico, pelo Pelourinho, por toda a cidade do Salvador, que a gente observa uma quantidade enorme de pessoas, andarilhos, e a prefeitura não faz absolutamente nada. Eu acredito que essa responsabilidade é do prefeito e da pasta do secretário de ação social. A gente tem várias instituições que fazem um trabalho de recuperação de drogados. A gente tem vários lugares como centro de recuperação, centros espíritas, igrejas católicas, evangélicas, que fazem um trabalho de ressocialização e também de inclusão social muito grande. Mas que fazem de forma muito precária, porque não têm por parte da prefeitura, que tem que ser a responsável por essas pessoas, um apoio, uma parceria na manutenção desses projetos na recuperação e na dignidade dessas pessoas. Então, o recurso extra, certamente que nós iríamos colocar para atender a essa população carente e crescente a cada dia de assistência da prefeitura.
BN – A pergunta agora vem do Rafael Ribeiro: Vivemos há algum tempo um período de caos no trânsito soteropolitano, entretanto, a questão não está apenas na grande quantidade de carros nas vias. São sinaleiras que abrem e fecham em momentos equivocados, caminhões de carga e descarga que não obedecem ao horário determinado para tal serviço, agentes de tráfego extremamente despreparados, ausência da fiscalização das ações no trânsito, estacionamento em locais indevidos, veículos parados em fila dupla, ações de flanelinhas, entre outros muitos fatores. O que você, caso eleito, tem como ação imediata para solucionar esses problemas?
MM – Primeiro, a gente tem que dizer para o nosso amigo Rafael, e a todos, que o problema de trânsito em Salvador é antigo. A gente sabe que a imobilidade urbana em Salvador já tem maioridade. Isso é uma realidade. Como podemos pensar mobilidade urbana, se não pensarmos na requalificação das calçadas, para as pessoas que têm alguma deficiência visual ou física possam transitar com facilidade? A proposta nossa de governo é requalificar as calçadas da nossa cidade, proposta também de colocar uma pista seletiva para o transporte coletivo de massa, como o BRT principalmente, e os ônibus também. Colocar as câmeras para poder acompanhar isso e organizar o trânsito. Falta isso em Salvador, e a gente precisa, até porque boa parte das pessoas em Salvador depende do transporte coletivo e, por conta de falta de organização no trânsito, a trafegabilidade é horrível e acaba prejudicando quem tem que chegar no horário no trabalho. A gente quer fazer isso, uma pista seletiva para atender aos ônibus. Queremos também colocar ciclovias nas principais avenidas para que aquelas pessoas que dependem de chegar em determinado lugar e não precisam pegar ônibus, um transporte motorizado, podem fazer esse percurso de bicicleta: faz bem para a saúde e chega fácil onde ela quer. Hoje as calçadas e as ciclovias que existem estão todas acabadas. A gente quer recuperar e criar mais outras para que as pessoas possam utilizarem. A gente sabe que a cidade de Salvador tem uma carência de uma engenharia de tráfego. Não há a possibilidade de a gente resolver o problema de trânsito da cidade se nós não pensarmos nele dia e noite, e quem faz isso é a engenharia de tráfego. Não tendo, então vai ficar em arrumadinho, como a gente tem visto. A gente precisa, sim, que a engenharia diga onde merece uma sinaleira inteligente para que não venha prejudicar o trânsito, precisa de uma engenharia que possa ditar aquela avenida que possa ser aberta. Nós precisamos, sim, a partir do estudo dessa engenharia, a ampliação da nossa Avenida Aliomar Baleeiro, ampliar também a Avenida Regional, que não existe. Precisamos abrir aquela pista que hoje só está no papel, a 29 de Março. Precisamos ainda fazer que este metrô, que hoje é o maior problema e as pessoas não sabem para onde foi tanto dinheiro, circule. O prefeito que se preze, que sentar naquela cadeira, tem que pedir na primeira semana uma auditoria naquele metrô. Esse metrô tem que ser entregue à população. [Tem que definir] Se vai ser responsabilidade da prefeitura ou do Estado, porque, segundo o que me dizem, as empresas privadas têm dificuldade para poder assumir a administração do metrô por conta do percurso e do custo da passagem, que vai ficar muito caro para quem vai precisar usar, o cidadão. Alguém tem que entrar com a contrapartida para poder fazer esse metrô funcionar, levá-lo da Rótula do Abacaxi até Campinas de Pirajá, Pau da Lima e Cajazeiras, complementando essa primeira linha. E fazer a segunda linha também até Lauro de Freitas, mas nós sabemos que esse metrô não vai atender à população de massa. O que vai atender serão as avenidas, as pistas ampliadas e as novas avenidas para poder atender a nossa população. Você passa, por exemplo, na subida de Águas Claras, na Via Regional, é um absurdo! Há condições, sim, de fazer uma outra pista. Tem que ter vontade e estudo, tem que planejar. É o que falta hoje na nossa cidade do Salvador. O metrô tem que ser entregue, mas não só isso. O trem do Subúrbio está uma lástima. As pessoas que moram lá precisam ter dignidade e respeito, a partir de um transporte público eficiente que é o trem, coisa que não tem. E nós precisamos também requalificar aquele trem, que por fora, aparentemente está bonitinho, mas eu entrei nele e está todo acabado, detonado por dentro. A gente precisa, sim, fazer a mobilidade urbana pensando da calçada do pedestre até o metrô.
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BN – Candidato, Salvador ainda não possui um hospital municipal. Os postos de saúde estão sempre cheios e a população reclama dos serviços prestados nestas unidades. Uma das suas propostas é a implantação de policlínicas em diversos bairros da cidade. Como o candidato espera realizar este projeto e o que, além disso, a sociedade pode esperar da sua possível administração no campo da saúde?
MM – Nós temos hoje 12 distritos sanitários em Salvador. Nós precisamos construir 12 policlínicas nos 12 distritos sanitários. Essas policlínicas eu já estudei e vi que há viabilidade para a construção das mesmas. Cada uma custa, em média, R$ 5 milhões. Para construir 12, R$ 60 milhões. Nessa policlínica, nós queremos ter pelo menos 12 especialidades médicas entre mastologista, urologistas, pediatria, cardiologista, otorrinolaringologista e também um geriatra para atender aos idosos. Queremos ter também um antendimento ambulatorial para fazer pequenas intervenções na saúde das pessoas, como pequenas operações. Por quê? Porque, hoje, com a ineficiência do posto de saúde, as pessoas não têm onde bater, ou quando recebem uma requisição para um exame também não sabem onde fazer, ou vão para a rede privada ou não fazem absolutamente nada. É uma proposta nossa de construção de 12 policlínicas com atendimento das 7h até às 22h, hoje me parece que é das 6h até às 18h. Nós queremos ampliar até às 22h para atender à população que mais precisa. Queremos colocar, sim, para funcionar o posto de saúde onde as pessoas batem de primeira mão, com clínico, enfermeiro e também remédio para atender à população. Isso não é caro, não, isso é responsabilidade e boa vontade que o prefeito tem que ter para atender essa população. Isso se dá como? Através de uma fiscalização para saber onde ele vai centralizar mais e centralizar menos, hoje não há essa preocupação por parte da prefeitura, um acompanhamento da prestação de serviço para a população. Então, queremos fazer isso acontecer. Queremos ampliar também a estrutura, porque, às vezes, você tem o profissional, mas você não tem o equipamento adequado: às vezes está quebrado e o profissional não consegue fazer ou prestar o atendimento que deveria fazer. Então, a gente quer fazer essa fiscalização e esse acompanhamento. Há uma proposta nossa também de construir, para minimizar o sofrimento que as pessoas passam no HGE, no Roberto Santos, no Caribé, o Hospital Geral Municipal, para atender às pessoas que precisam com pelo menos 20 leitos de UTI. É possível fazer isso? É possível, só fazer o projeto e ir em busca desse recurso, porque recurso tem, só faltam bons projetos.
BN – Tem um projeto seu interessante no plano de governo sobre a revitalização do Centro Histórico, e a gente viu, muitas vezes, o prefeito João Henrique, na atual administração, dizer que não tinha como fazer determinadas intervenções porque tem muito patrimônio tombado e o Iphan ou Ipac muitas vezes impediam que houvesse algumas ações. Como é que o candidao Márcio Marinho, caso seja eleito, pretende se articular com o governo federal e com estes institutos para poder fazer, realmente, intervenções no Centro Histórico?
MM – Veja, o interesse de revitalização do Centro Histórico, do Pelourinho, é um desejo da cidade do Salvador, que tem que ser primeiro lugar. Não que a gente queira infringir a lei, mas nós temos que conversar para flexibilizar determinadas leis para que a cidade não se prejudique. E, hoje, nós temos patrimônios tombados, mas que estão tombando mesmo nas cabeças das pessoas, prejudicando a cidade, o crescimento e o andamento da cidade. É evidente que vamos chamar o Iphan, o governo federal, e vamos ver o que é possível resolver, a partir da lei, modificá-lá para que a gente possa revitalizar o Centro Histórico. Do jeito que está, não pode ficar. O Centro Histórico está abandonado. Essa semana mesmo eu estive visitando o Centro Histórico e estava conversando com Alaíde do Feijão, onde ela está tendo uma dificuldade grande com o Iphan, não só ela, mas todos que ali estão, até pelas taxas e impostos altos que são cobrados para estabelecimentos no local. É importante que a gente coloque os interesses da cidade em primeiro lugar e, sim, conversar a partir de uma Procuradoria-Geral do Município, que são os advogados que defendem o interesse da cidade, mudar algumas ações, flexibilizar algumas leis para que a gente possa revitalizar o nosso Centro Histórico.
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BN – Nelson Pelegrino (PT) se afastou do mandato de deputado federal para disputar a eleição. Por que Márcio Marinho, que também é deputado federal, preferiu não se afastar no momento da campanha?
MM – Porque não vi nenhuma necessidade de me afastar do mandato. Estou tendo condições de tocar as duas coisas. Estou presente em Brasília e fazendo a minha campanha em Salvador. Não tem necessidade de abrir mão. Não foi só eu, teve outro candidato [ACM Neto] que não abriu mão do mandato por entender que não há necessidade de abrir mão pela campanha.
BN – A gente viu uma queda no Ibope, entre o seu porcentual da última pesquisa para a atual, de quatro pontos. O que Márcio Marinho pretende fazer de estratégia para tentar alavancar os votos, ou não acredita em pesquisa?
MM – A gente sabe que hoje existe uma indústria muito grande de pesquisa. Quem paga tem a pesquisa favorável a si próprio. Eu tenho dito que, na eleição de 2010, eu não aparecia na pesquisa para deputado federal. Em Salvador eu fui o terceiro mais votado e, no estado, dos 39, eu fui o sétimo mais votado. Imagine se eu fosse me teleguiar por pesquisa? Certamente, eu ficaria desmotivado. E digo mais, existem pessoas que estão concorrendo à eleição agora que, em 2008, estava liderando a pesquisa e nem para o segundo turno foi. A gente não pode se fiar à pesquisa. O que eu continuo fazendo e intensificando é ir para a rua, conversar com o eleitor que está muito revoltado e chateado. E o sentimento da rua não corresponde com o resultado da pesquisa, portanto, eu não me preocupo com pesquisa e tampouco me animo ou desanimo com o resultado que ela dá. Estou na rua trabalhando, acreditando que vou para o segundo turno.
BN – Exatamente sobre isso, vamos considerar a hipótese de que Márcio Marinho não vá para o segundo turno e ele tenha que apoiar um dos postulantes que estão à sua frente nas pesquisas, ou seja Mário Kertész (PMDB), Pelegrino (PT) e ACM Neto (DEM). Quem o candidato apoiaria nesse cenário?
MM – O dono da minha candidatura é o povo. Existiam algumas pré-candidaturas que se lançaram e foram demovidas, a de Márcio Marinho não. A minha candidatura é uma candidatura para valer, é com o povo, e o PRB confiou em mim essa missão de concorrer à prefeitura por entender que nós podemos dar a nossa parcela de contribuição na administração municipal. Agora, se eu não for para o segundo turno, eu nao morro de amores por ninguém e tenho a liberdade de tomar minha decisão que for. Então, se eu não for para o segundo turno, certamente, eu estou livre para tomar minha decisão com quem quer que seja.
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BN – Nos debates, a gente percebeu que Nelson Pelegrino e ACM Neto, como sabem que o bispo Márcio Marinho não entra muito em polêmica, fizeram perguntas direcionadas para tentar se safar de alguma controvérsia. A partir do próximo, Márcio Marinho pretende adotar uma estratégia um pouco mais agressiva?
MM – Eu montei uma estratégia para os debates e vou continuar nela. As pessoas na rua têm me falado: ‘continue assim’. Agora, os outros, certamente, vão se engalfinhar. Vai ser uma batalha de titãs, mas não vou entrar nessa, vou continuar naquilo que eu acredito, fortalecendo as minhas propostas para a população entender que nenhum deles, isso vou deixar claro, nenhum deles representa a renovação. Um é o retorno ao passado, o outro é o retorno de uma administração de 50 anos: é neto, mas representa um grupo velho, e outro representa um governo de oito anos na cidade. Será que nós só temos esses três grupos, ou não teremos que dar oportunidade às pessoas que querem o melhor da cidade?
BN – Agora, o bispo Márcio Márinho, deputado federal, tem o seu espaço para pedir o voto do eleitor.
MM – Eu sempre digo às pessoas que sou um cara batalhador ‘pra caramba’. Cheguei aqui com muita dificuldade, a minha campanha é com muita dificuldade na rua, é pé no chão mesmo, conversando com as pessoas. Não sou um político profissional, não sou intelectual, não sou erudito, mas sou um cara batalhador ‘pra caramba’. E eu peço, de coração mesmo, uma oportunidade ao povo soteropolitano, à minha gente, que me dê essa oportunidade de sentar naquela cadeira e fazer uma administração perto das pessoas, administrando para as pessoas. As pessoas que mais precisam de um serviço de qualidade da prefeitura, na saúde, na educação. Não é demagogia. Demagogia é quando a gente fala para aquelas pessoas que nunca passaram por aquilo que eu passei, que dependia de estudar em escola pública e dependia também de saúde pública. Então, para mim, não é demagogia. Quero chegar na prefeitura e peço o voto para mim, para o 10. Me dê o seu voto, da sua casa, da sua família para que nós possamos fazer uma administração com uma gestão voltada para o social e uma atenção toda especial que a população de Salvador precisa. E que, a partir daí, essa gente possa voltar a ter autoestima, coisa que não tem mais. Agradeço a vocês. Bote fé e vote 10!
