Carlos Lupi minimiza rusgas com herdeiros de Brizola e reclama ser perseguido pela imprensa - 13/08/2012
Fotos: Tiago Melo / Bahia Notícias

Bahia Notícias – Como o senhor avalia a situação do PDT na Bahia?
Carlos Lupi – Está muito positiva. É um dos melhores momentos da história do nosso partido. Nós temos 180 candidatos, entre prefeitos e vice-prefeitos. A reunião [de prefeituráveis] foi muito prestigiada e o pessoal está muito para cima, muito otimista. Eu penso que, tanto na vida quanto na política, o primeiro passo para a vitória é você acreditar nela. E eu vi o pessoal acreditando. Eu vi o pessoal muito enraizado, muito organizado e eu tenho muita esperança de conseguir um dos melhores resultados na história do PDT na Bahia.
BN – Mas houve alguns problemas, como no caso de Salvador, onde o PDT queria ou uma vice-candidatura ou lançar candidato próprio, e não conseguiu nem um nem outro...
CL – Olha, não conseguiu porque a política tem os seus momentos. Diz um ditado: 'a política é um nome e o seu momento'. Realmente, nós queríamos ser vice, mas criou-se uma situação que não era apenas a nossa vaidade que ia atrapalhar essa unidade das oposições em torno do nome de Nelson Pelegrino. Nós ponderamos, avaliamos e tentamos até o último momento. Mas não vamos romper uma aliança com o governador Jaques Wagner, que já temos há muito tempo, apenas por vaidade pessoal. Então nós preferimos caminhar junto com ele, temos certeza que a candidatura vai avançar muito, vai crescer, principalmente com o horário de televisão.
BN – Contou muito a posição do deputado federal Marcos Medrado, que disse que ia junto com Pelegrino mesmo que o partido lançasse candidato?
CL – Não. Para mim ele sempre falou que iria seguir a orientação do partido. Mas sempre, em um ambiente democrático, temos que ouvir todos. Eu ouvi todos os deputados federais, os cinco deputados estaduais, o presidente da Assembleia [Legislativa, Marcelo Nilo] e principalmente o presidente [estadual Alexandre] Brust, que é a maior liderança partidária que eu tenho aqui. Isso foi tirado de consenso, a maioria decidiu por esse apoio de forma democrática, para a vontade da Bahia.

BN – E em relação a Feira de Santana também há um problema que é o [senador] João Durval, que não está apoiando o candidato do PDT, Tarcízio Pimenta...
CL – Olha, eu acho que o Tarcízio Pimenta está muito bem na rua. A população está vendo um bom trabalho, ele é muito bem avaliado. É claro que ele tem um adversário forte, que foi o seu antecessor [José Ronaldo, do DEM], mas eu acho que está na hora de a gente manter uma administração que está dando certo, que não tem aquele ranço do coronelismo antigo, que quer olhar para o futuro, que vai ter o apoio da presidente Dilma [Rousseff], que vai ter o apoio do governador Wagner, porque nós somos da base aliada e não inimigos. Porque a gente também não pode dar para trás na política, assim como na vida. Isso não é bom. Eu acho que Tarcízio Pimenta significa avançar. Tarcízio Pimenta tem feito um bom trabalho e eu tenho certeza que ele vai ter um excelente resultado nas eleições.
BN – Fora Feira, quais são as prioridades do PDT na Bahia?
CL – Tem muitas. Estamos muito bem em Alagoinhas, vamos ganhar lá, estamos muito bem em Paulo Afonso, Itaparica, Bom Jesus da Lapa... nós temos vários municípios onde o partido está crescendo bem. Jequié, Vitória da Conquista... eu estou muito otimista, acho que o PDT vai ter um dos melhores resultados da sua história.
BN – Mudando de assunto, o PDT tem Leonel Brizola como a principal referência. Em seus discursos, o senhor sempre o cita muito, mas há divergências entre os netos de Brizola [Juliana, deputada estadual no Rio Grande do Sul, Carlos Daudt Brizola, atual ministro do Trabalho, e Leonel Brizola Neto, vereador no Rio de Janeiro] e o senhor...
CL – Da minha parte, não. Eu acho que, quando você tem divergências dentro do partido, você trata dentro do partido. O que tiver, eu trato dentro do partido. Eu tenho muito carinho pelos três.
BN – Mas eles já se posicionaram publicamente contra o senhor.
CL – Aí você tem que perguntar para eles, não para mim.
BN – Eles afirmam que a sua manutenção como presidente do partido é antidemocrática.
CL – É só ir em uma convenção, que eu sempre fui eleito. E a democracia é respeitar a vontade da maioria, se a maioria não me quiser, eu tenho que respeitar. Por enquanto, eu acho que ainda estão me preferindo.

BN – Quando o senhor saiu do Ministério do Trabalho, divulgou uma carta em que disse que a imprensa o perseguia. O senhor mantém essa posição?
CL – Cadê os fatos? O que é que aconteceu? Cadê as acusações? Cadê o processo? Não tem absolutamente nada [contra mim]. Absolutamente nada.
BN – E a questão de o senhor estar na folha de pagamento da Câmara dos Deputados enquanto já estava na liderança do PDT?
CL – Não, não, não. Isso aí era apoiado pela legislação. Eu desempenhava uma função pela liderança do partido, que até hoje eu desempenho, e era deslocada. Eu viajava o Brasil todo. Inclusive, algumas funções da liderança ficavam à disposição do partido, como até hoje, com o PMDB, o PSDB e o PT. Eu não tenho nenhuma acusação, amigo. Nenhuma. Então, eu não tenho o que temer.
