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Entrevista

Sérgio Passos aposta que Imbassahy vai participar da campanha de ACM Neto - 06/08/2012

Por Evilásio Júnior / David Mendes / Rodrigo Aguiar

Sérgio Passos aposta que Imbassahy vai participar da campanha de ACM Neto - 06/08/2012
Fotos Tiago Melo / Bahia Notícias

Bahia Notícias - Como está o planejamento do PSDB para a campanha deste ano?

Sérgio Passos - O PSDB está procurando participar, ou procurou participar, o máximo possível das eleições municipais, seja tendo candidato a prefeito, vice-prefeito ou vereador. Nós estamos presentes em aproximadamente 300 municípios e acredito que, em todos eles, nós estejamos participando da chapa proporcional ou majoritária.

BN - São quantos candidatos a prefeito?

SP - Em torno de 20 candidatos a prefeito e mais 10 a 15 a vice-prefeito. Vereadores, inúmeros.

BN - Atualmente, quantos prefeitos o partido tem?

SP - São 15. Estamos torcendo para que a gente mantenha pelo menos esse número, já que, queira ou não queira, nesse instante fazer oposição na Bahia está muito difícil.

BN - O PSDB está na maioria desses municípios com o Democratas, com o PMDB, com a oposição?

SP - Nós procuramos dar essa orientação, porém não acredito que estejamos em 100%, até porque é muito difícil ter esse controle. Às vezes, no interior, você não tem partido; você tem lado. No interior, a política é muito baseada no lado. Não é na questão ideológica, partidária. Então, é possível que tenha algumas composições de vice-prefeito, de vereadores, em chapas onde o PT seja o puxador de voto.

BN - Teve alguns casos recentes, como Lauro de Freitas e Juazeiro, onde foi preciso uma intervenção nacional. Como é que ficou?

SP - Existe uma norma, de que, onde houvesse televisão, rádios ou mais de 60 mil eleitores, era necessário obedecer à determinação nacional, para que os partidos de oposição estivessem juntos e não houvesse alinhamento entre PSDB e PT. Procuramos implantar isso aqui na Bahia. Tivemos sucesso em Juazeiro, porque lá a TV São Francisco alcança em torno de 130 municípios baianos. Em Lauro de Freitas, há uma questão judicial. Nós intervimos. O PSDB local conseguiu uma liminar na Justiça que autorizava a eles fazerem a composição com o PT, como eles pretendiam. Isso está na Justiça. Fora isso, há apenas Jaguarari – uma questão intrapartidária e não de orientação política – onde a presidente do partido não queria apoiar o nosso candidato, que estava muito bem situado nas pesquisas eleitorais, com grandes chances de eleição.

BN - Esses dois casos aí mexeriam com a liderança do ex-deputado João Almeida nesses municípios. Houve algum mal-estar interno entre o PSDB e João Almeida por causa disso?

SP - Não. Ele, inclusive, é vice-presidente nacional. Tinha ciência dessa orientação. Em Juazeiro, nós orientamos e conseguimos que o PSDB fizesse a composição com o PV. E em Lauro, a irmã dele é presidente. Claro que, aparentemente, fica parecendo que ele está envolvido pessoalmente, mas não foi nada disso. Ela entrou na Justiça, está com a liminar e fez do jeito que ela achou mais adequado.
 

 
BN - Em Salvador, Imbassahy tentou emplacar a candidatura dele no início. Depois, houve o comunicado de Jutahy, via Facebook, de que o acordo com o Democratas seria anunciado. E Imbassahy sumiu dos holofotes. Precisou se distanciar, passou também por um procedimento cirúrgico e não voltou mais à ativa em relação à eleição. O senhor acredita que, até o final do período eleitoral, ele aparecerá junto com ACM Neto para fazer campanha em Salvador?

SP - Em primeiro lugar, tudo isso que aconteceu aqui na Bahia foi discutido internamente pelo partido, que tinha uma visão de que era bom Imbassahy ser candidato a prefeito. Com isso, tentou-se uma composição com o PMDB, de Mário Kertész, e o DEM, representado por ACM Neto. Nós tínhamos um entendimento, que foi o mesmo da eleição passada, de que o espectro eleitoral de Neto e Imbassahy se confundem em determinado ponto. Claro que existem diferenças, mas há uma confluência em determinado momento. Tanto é que, na eleição passada, Imbassahy começou muito bem, com 20 pontos percentuais, e no dia da eleição terminou em torno de 8% a 10%. ACM Neto acabou com 27%, mais ou menos, e deixou de ir ao segundo turno por meio ponto. Nós não podíamos permitir que um espectro tão importante do eleitorado em Salvador corresse novamente esse risco, de não se ver representado no segundo turno. O que houve? Conversamos, reunimos a executiva do partido e fizemos um entendimento. Se Neto ou Mário Kertész compusessem com Imbassahy, ele seria o nosso candidato. Não acontecendo isso, nós procuraríamos o candidato mais forte de acordo com as pesquisas internas, no caso, Neto, para apoiar a alavancar a candidatura dele, garantir o segundo turno e possivelmente a vitória. Nós julgamos importante ter um município grande, como Salvador e até Feira de Santana, para que não tenha uma hegemonia do PT e seus satélites. Imbassahy se propôs a ter uma conversa com o PMDB, mas não houve sucesso. E nós fizemos cumprir o que foi acordado em reunião. Quando Jutahy fez o anúncio, já era fruto dessa decisão da executiva estadual. Isso foi pacificamente discutido e acordado pela grande maioria, ou unanimidade, do partido. Não foi novidade para Imbassahy nem para a gente. Eu acredito que Imbassahy, com toda a representatividade e experiência que tem, sabe que não poderá ficar alijado do processo eleitoral. E que o espaço dele é junto da gente, onde ele tem toda a voz, vez e força de opinião junto ao partido. Acredito que ele irá se engajar em algum instante, já que o PSDB municipal está na campanha.

BN - Há um temor de uma possível desfiliação de Imbassahy do partido?

SP - Acho que foram muito mais elucubrações. Imbassahy nunca fez nenhum gesto nem disse uma palavra nesse sentido. Tanto é que ele participou da convenção em São Paulo, com José Serra. É um homem de partido. Ele sabe que nós o respeitamos e gostamos muito dele. E que sempre será respeitado no partido. Acho que foram muito mais suposições, coisas da política, do que algo gestado por ele.

BN - Nesse tempo em que se afastou dos holofotes, ele tem mantido conversas com o senhor? Já falou com ele depois que ele se mostrou chateado por ser retirado da campanha?

SP - A nossa conversa foi mais logo depois do processo da doença. Apesar de participar de alguns eventos no interior, neste instante ele está meio recolhido.

BN - E aquele movimento de tentativa de revolta de alguns vereadores e do presidente municipal José Carlos Fernandes, que inicialmente disseram que não marchariam com ACM Neto e depois foram para a convenção? Agora, tem outro grupo de candidatos do PSDB Jovem que disseram que marchariam com Mário Kertész. Isso já foi equacionado dentro do PSDB?

SP - Já. Legitimamente, por seguirem a orientação política de Imbassahy, claro que a vontade de Zé Carlos e Paulo Câmara era que Imbassahy fosse o nosso candidato. Nós respeitamos os motivos e razões deles. Mas isso foi rapidamente contornado diante das evidências de que era necessária a composição com o Democratas. Tanto é que Paulo Câmara está engajado na campanha e Zé Carlos é o coordenador dos candidatos do PSDB junto à coordenação de ACM Neto. Em relação à segunda etapa, aquilo foi um pouco fruto da ansiedade de alguns candidatos diante da necessidade de se organizar o partido. Eu brinco ao dizer que é muito mais fácil pedir voto hoje do que ser candidato, porque é tanta certidão, documento, tanta coisa...Veja que as convenções foram realizadas há quase um mês e não sei se oficialmente já foram homologadas as candidaturas. Há um espaço muito grande entre as convenções e as homologações de candidatura, a retirada do CPF, do CNPJ, dos comitês etc. Às vezes, quem participa pela primeira vez – ou participou e não conhece o processo burocrático – fica ansioso. Aquilo foi um pouco de cobrança, de imaturidade, de ansiedade – o que foi compreensível. Tudo foi apaziguado (risos). Disseram que não estavam fazendo os santinhos. Não é assim. Primeiro, porque é um volume imenso. São 84 candidatos na proporcional do PSDB e DEM. Quem está coordenado a parte judicial, legal, é o escritório de [Ademir] Ismerim. Eles ficaram muito ansiosos, realmente, querendo ir para a rua. Não era uma posição contrária à candidatura. Era uma vontade de ir para a rua.
 

BN - Lembro que, uma vez, o ministro Aldo Rebelo disse que, quando um partido se organiza, ele tem uma intenção, que é chegar ao poder. Como o senhor vê episódios como esse, com a participação da executiva nacional aqui e a falta de um candidato a prefeito? O PSDB tem um nome, uma liderança, que possa disputar o governo da Bahia ou tentar chegar ao poder de alguma forma no estado?

SP - Chegar ao poder não significa que você precise ser o cabeça da chapa majoritária. Chegar ao poder é estar junto ao governante implementando suas ideias e políticas. É uma forma de fazer política através do Executivo. Isso não quer dizer que você precise ser obrigatoriamente o prefeito ou o presidente. Às vezes, você está no poder através de programas partidários. Nós fizemos pactos administrativos para Salvador. Uma carta de intenções para que, chegando ao poder – e com fé em Deus vamos chegar –, se implementem políticas ambientais, viárias, educacionais e de saúde. Chegar ao poder não é meramente ser dono do mandato. Claro que, quando você é o dono, talvez implemente com mais força. Mas quando você contribui para um programa de governo, é sinal de que suas ideias foram acolhidas. A ideia é essa.

BN - Existe a liderança que pode disputar um cargo majoritário, como governador?

SP - Na eleição passada, nós tivemos Imbassahy como prefeito. Tivemos ele como senador, que é uma representação importante. A gente não pode elucubrar muito sobre o que virá no futuro. Acho que nós temos um nome forte, como Jutahy. Em política, majoritária é um pouco de destino também. Você tem que estar bem posicionado, ser respeitado pelo eleitor, colocar suas ideias para a imprensa, pautar a sua forma de ver a política e esperar que as oportunidades cheguem. Você não pode forçar. Quem é candidato de si próprio dificilmente chega a algum lugar.

BN - O senhor acha que, neste momento, a maior figura de oposição ao governo do PT na Bahia é o deputado ACM Neto?

SP - Neste instante, acho que ele, como candidato a prefeito de Salvador, encerra esse bastão. É a cidade mais importante da Bahia. Acho que, neste momento, ele é o mais representativo líder das oposições na Bahia.

BN - Na imprensa nacional, comentou-se muito sobre a situação de Salvador. E Rodrigo Maia, que é ex-presidente do Democratas, chegou a dizer que o que houve aqui foi uma 'barganha'. Como o PSDB recebeu essa declaração?

SP - Com a devida tranquilidade daqueles que sabem que estão sendo justos (risos). Porque nós sabíamos que existia o interesse da composição em São Paulo, mas se Imbassahy tivesse feito a composição com o PMDB, seria candidato. Nós dizíamos toda hora: três candidaturas é suicídio. Duas candidaturas é aceitável, porque podemos ir para o segundo turno. Imbassahy teve toda a oportunidade de se articular, de buscar apoio junto a Neto e Mário Kertész. Não deu. Paciência; é da política. Vamos respeitar a legitimidade de cada postulante. Só que nós pensamos uma orientação diferente em relação à cidade do Salvador. 
 

BN - E sobre o que disse depois o PMDB, de que a campanha de Neto seria para salvar o DEM e não salvar Salvador?

SP - Faz parte da política. As afirmações podem ser ditas. Cada partido pensa e emite a sua opinião. E nós respeitamos. Eu não acredito nisso. Acho que nós estamos aqui para salvar e defender, como diz o nosso slogan, Salvador do estado de coisas que aí está. Não está bem. É engarrafamento, é a saúde, a educação até que melhorou com João Bacelar. Tanto é que, diante dessa inacreditável greve estadual, o município de Salvador não está. É sinal de que houve um tratamento diferenciado. Não acredito que os professores de Salvador sejam diferentes dos da Bahia. A nossa ideia não é para salvar nenhum partido; é para melhorar a condição de vida do povo de Salvador. 

BN - Fala-se que, a depender do resultado das eleições, a gente pode ter novos partidos sendo criados. O senhor, como dirigente do PSDB, defende que os tucanos continuem “puros”, digamos assim, ou que façam fusões com outros partidos?

SP - Em primeiro lugar, eu sou contra a reeleição. Acho que oito anos de mandato para qualquer governante, em um estado democrático, é muito puxado e tende ao desgaste pessoal e na relação social e política. Segundo: entendo que essa quantidade de partidos que temos é um absurdo. Isso é fruto de uma imaturidade democrática e precisa ser olhado de uma maneira maios real e dura por parte do eleitor. Nós não temos espaço ideológico para tantos partidos. Se for por fusão ou por uma reforma partidária, eu defendo que haja uma contração, uma diminuição, do número de partidos. Claro que, se no bojo da articulação de um movimento como esse, o PSDB procurar acolher outros partidos, claro que é aceitável. Contanto que eles defendam o nosso ideário, respeitem o nosso estatuto e aquilo que nós pregamos e se enquadrem. Ou que contribuam de forma democrática, tragam ideias que a gente aprove e que o partido cresça. Hoje, o mundo e o Brasil não estão mais divididos em esquerda e direita. Hoje, a política está mais para moderno, pós-moderno... (risos). Ora, enquanto Obama implanta o SUS... Na minha época, tudo que vinha da América era de direita. Ser presidente americano significava defender os ideais de direita. Ser do bloco socialista era ser de esquerda. Agora, o cara que chega e expande, ao modo dele, a questão da assistência médica é de direita? Acho que hoje é mais moderno, pós-moderno e conservador. Conservador não no sentido de atraso, mas de que as ideias se implantem mais lentamente. Foi o que nós fizemos aqui em Salvador: demos uma guinada para o pós-moderno, que é o PV.

BN - Há um fato inusitado, que é o PSDB ter apenas um vereador: Paulo Câmara. Jambeiro foi para o PP e o PSDB ficou apenas com um. E parece que desponta como um dos nomes do PSDB o principal líder da greve dos policiais, que é Marco Prisco. Como está essa situação internamente? O PSDB chegou a discutir se expulsaria ele?

SP - Isso aconteceu no mesmo período em que estávamos discutindo a questão do apoio ou não ao Democratas. O que é que nós entendemos? A greve dos policiais é proibida por lei, mas não depende de nós, enquanto partido, principalmente de oposição, proibir ou não. Nós não concordamos que o policial deva fazer greve. É justa a reivindicação salarial e por melhores condições de trabalho, melhores equipamentos etc. A reivindicação é justa; não a maneira como foi feita. Se nós quisermos nos abrir e nos enquadrar como moderno e pós-moderno, Prisco é um sindicalista. É um homem de representação sindical. Claro que nós temos que acolher. Nós não podemos nos dar ao direito de, ditatorialmente, impedi-lo de ser candidato. Eu defendi isso na executiva, apesar de a liberação ser municipal. Defendi sempre que ele fosse candidato. É uma forma de a gente mostrar que estamos abertos aos anseios da sociedade. O policial é parte da sociedade. Ele se sentiu prejudicado. Nós não concordamos com a maneira, como a Constituição não concorda. Somos constitucionalistas, mas não podemos proibir.

 
 

 
BN - Mas ele é o segundo nome no qual o PSDB aposta para esta eleição?

SP - Nós temos três, quatro ou cinco bons candidatos. Eu digo o seguinte: em cada eleição, há as zebras. É ruim a gente nominar, porque fica parecendo que você está desqualificando os demais. Mas, dentro da teoria política, quem tem maior chance de eleição? Aquele que teve visibilidade, teoricamente tem uma classe por trás apoiando – 2 mil, 3 mil policiais e suas famílias. E o vereador que já se elegeu uma, duas vezes, e que tem uma estrutura política montada na cidade. Falo estrutura política no sentido de relações, de contatos. De serviços prestados à comunidade, como esta lei dos postos de gasolina, do Paulo [Câmara]. Então, a gente acredita que este candidato tenha chance. Agora, sempre há surpresas na eleição aqui em Salvador. Temos bons candidatos, como Chico Lopes – que milita há muito tempo com João Almeida – e Raimundo Caires – que foi secretário e deputado estadual. Eu acredito que a coligação faça cinco ou seis vereadores.

BN - Nessa coligação com o DEM, o PSDB não corre o risco de perder a única representação que tem na Câmara?

SP - Eu acho que não. Tudo é possível, mas acho que não. Acredito que vamos ampliar.

BN - Caso ACM Neto vença, qual seria a contribuição do PSDB para a administração de Salvador?

SP - Aí fica a cargo do prefeito. Já contribuímos com ideias e apoio político. Mas caberá a ele montar a equipe. Se ele julgar que existe alguém do PSDB com qualificações para formar a sua equipe e convidar, avaliaremos e aprovaremos.

BN - O senhor será candidato a deputado estadual novamente, em 2014?

SP - Se Deus permitir e as coisas andarem, eu poderei ser candidato a deputado estadual. É a minha vontade. Acho que ainda teria a contribuir um pouquinho com a Bahia.