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Entrevista

Lúcio Vieira Lima diz que Kertész é "o novo" e único capaz de tomar "medidas antipáticas" - 30/07/2012

Por Evilásio Júnior / Rodrigo Aguiar / José Marques

Lúcio Vieira Lima diz que Kertész é "o novo" e único capaz de tomar "medidas antipáticas" - 30/07/2012
Fotos: Tiago Melo / Bahia Notícias
Presidente do PMDB na Bahia e deputado federal, Lúcio Vieira Lima conversou com o Bahia Notícias sobre prioridades e estratégias para a campanha eleitoral da legenda na capital e no interior. Segundo ele, em Salvador, Mário Kertész representa “o novo”, apesar de ter administrado a cidade por duas vezes, e é o único que pode tomar “medidas antipáticas” para melhorar a capital, por não estar aliado a tantos partidos quanto Nelson Pelegrino (PT) e ACM Neto (DEM). Lúcio revelou que, para rebater possíveis ataques contra as administrações anteriores de MK, poderá usar as gravações da Rádio Metrópole em que os atuais candidatos a prefeitos elogiam o trabalho do (então apenas) comunicador à frente do paço soteropolitano. “Eu sempre ouvia os que são hoje adversários de Mário ligarem para a rádio e elogiarem aquele espaço democrático. Eles diziam que Mário era o único que dava espaço para eles, elogiavam o trabalho de Mário, a competência de Mário como gestor à frente da prefeitura. Tudo isso está gravado e nós mostraremos no momento adequado”, assegurou. O parlamentar também comentou sobre o possível flerte com o PT no segundo turno, sobre dieta Ravenna e o misterioso sumiço dos quitutes do gabinete de Michel Temer. 
 
Bahia Notícias – Quantas prefeituras o PMDB tem hoje na Bahia depois de tantas migrações de legendas dos prefeitos?
 
Lúcio Vieira Lima – Cerca de 70. Na verdade, esse é um balanço difícil de fazer, porque entra e sai prefeito, mas no último balanço do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) tínhamos 70 prefeituras. 
 
BN – Em 2008, o PMDB saiu das urnas como o partido com mais prefeituras na Bahia. Houve essa perda por causa de fusões e criações de partidos novos. E para 2012, qual é a meta?
 
LVL – A meta é trabalhar e ver se o povo aceita o nosso proselitismo e as nossas ideias. O povo é que vai dizer quantas prefeituras nós vamos fazer. Com essa história de ficarem dizendo que vão fazer 'x' prefeituras, 'y' prefeituras, eu estou vendo que a Bahia já deve estar que nem Minas Gerais, com cerca de 800 municípios. Porque um partido diz que vai fazer 200 prefeituras, outro vai fazer cento e tantas, na hora que soma [dá mais municípios do que o estado tem]... Então eu prefiro aguardar as urnas para ver os resultados.
 
BN – Quais são os municípios que têm prioridade?
 
LVL – Os municípios que têm prioridade são os que têm candidato do PMDB. Todos os candidatos do PMDB são prioritários, uma vez que a prioridade do PMDB não é pelo tamanho do município, mas pela baianidade. Todos os municípios têm baianos e são preocupação do PMDB, do menor ao maior. Se você perguntar qual o maior município em que a gente pretende vencer a eleição, eu lhe digo que é Salvador.
 

"Todos os candidatos do PMDB são prioritários, uma vez que a prioridade do PMDB não é pelo tamanho do município, mas pela baianidade" 
 
BN – Mas são quantos candidatos a prefeito na Bahia?
 
LVL – Cerca de 120 candidatos.
 
BN – E a vereadores?
 
LVL – Esse número eu ainda não tenho, porque ainda estão acontecendo as impugnações. Nem o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] tem no Brasil todo, nem nós temos aqui na Bahia. Os prefeitos a gente acompanha mais amiúde e, no último levantamento que eu fiz, tinham sido liberadas 114 candidaturas. Eu quero crer que vão ter mais algumas, então devem ter cerca de 120 candidaturas.
 
BN – Já que a prioridade é Salvador, qual é a estratégia de campanha de Mário Kertész?
 
LVL – Mostrar como Mário é. Mário é verdadeiramente novo. Eu acho que o novo não é sinônimo de pouca idade. Novo é quem pode acrescentar a Salvador. Então, Mário, com a sua experiência de quem já vivenciou a administração e certamente cometeu erros, vai usar esses erros como aprendizado para fazer uma administração melhor. A estratégia é mostrar à população que Mário é aquele que tem condições de tirar Salvador da situação que se encontra, porque ele tem experiência administrativa, porque não tem projeto político – ou seja, não tem perigo para Mário assumir e querer ser candidato daqui a dois anos a governador –, Mário já declarou que não é candidato à reeleição – ou seja, ele poderá tomar medidas mesmo que antipáticas para resgatar Salvador, para colocar Salvador nos trilhos, porque ele não terá preocupação de estar desagradando esta ou aquela pessoa e trazer prejuízo eleitoral para uma eventual candidatura dele a governo ou uma eventual continuação na carreira política. Outra vantagem muito grande é que ele não dividiu e não loteou a prefeitura, porque uma coligação om 15 partidos [a de Nelson Pelegrino, do PT] e outra com cinco partidos [a de ACM Neto, do DEM] logicamente assumem compromissos para ser cumpridos depois de vitoriosos. E é isso que a presidenta Dilma se queixa e tem tentado fazer diferente, de não ficar refém dos partidos políticos. Então Mário fará uma administração independente, sem esse tutelamento dos demais partidos e você vê que a própria direção do DEM nacional, através do deputado Rodrigo Maia (RJ), declarou que para se compor as alianças foram feitos escambos. Então, podemos mostrar à população que o PMDB não pensou nesses escambos, que nós pensamos somente em Salvador e não na questão de vantagem para partidos ou candidatos. 
 
BN – Você poderia dar um exemplo de possível “medida antipática” que Mário poderia tomar como prefeito?
 
LVL – Olha, não estou dizendo que ele vai tomar essa ou outra medida, estou falando de medida genérica administrativa. Um gestor, quando assume uma prefeitura ou um governo, se for necessário fazer uma reforma administrativa que implique em diminuição de cargos de secretarias, se você tem 15 partidos políticos todos para atender, você vai ser pressionado a não fazê-la. Mas isso implicaria em diminuição de custos da máquina pública e maior sobra de dinheiro para investimentos em saúde e educação. Mário poderá fazer isso sem desagradar ou sofrer qualquer tipo de pressão de partidos atrás da manutenção da estrutura inchada por questão de cargos para esse ou aquele vereador.
 

"Mário poderá tomar medidas mesmo que antipáticas para resgatar Salvador, porque ele não terá preocupação de estar desagradando"
 
BN – A gente sabe que nas gestões de Mário Kertész, principalmente na segunda, quando ele foi eleito e não indicado, havia denúncias de irregularidades, como empresas fantasmas e transformação de projetos de mobilidade urbana. Você disse que os erros feitos no passado servirão de aprendizado. Como o PMDB tem se preparado para responder a essas denúncias?
 
LVL – Primeiro, Mário não vai ter que se defender de nada, ele vai ter que mostrar a realidade. Você disse que essas denúncias estão aparecendo agora, no momento eleitoral, e eu acho graça porque já tem 18 ou 20 anos que Mário deixou a prefeitura. Ele foi condenado a alguma coisa? Ele já sofreu qualquer tipo de processo? A imprensa vem batendo em Mário? Nada. Isso é logicamente do processo eleitoral. Quem está na política sofre esse tipo de denúncia dos adversários. Mário está há 12 anos na Rádio Metrópole e eu sempre ouvia os que são hoje adversários dele ligarem para a rádio e elogiarem aquele espaço democrático. Eles diziam que Mário era o único que dava espaço para eles, elogiavam o trabalho de Mário, a competência de Mário como gestor à frente da prefeitura. Tudo isso está gravado. Então, aqueles que hoje, por questão eleitoreira, tentam atacar Mário são os mesmo que usavam o espaço de Mário para fazer elogios e se destacar. E isso nós mostraremos no momento adequado. Agora não tem nada efetivamente contra Mário. Se existe a Lei da Ficha Limpa e Mário é candidato, qual é a condenação que Mário teve? Qual o processo que Mário respondeu? Nenhum. O que tem são adversários tentando inocular isso na opinião pública. Aí você pergunta como vamos nos defender: nós vamos mostrar o trabalho de Mário. Vamos mostrar o Mário que fez 17 passarelas enquanto o governo do Estado não consegue tirar uma sequer ali de Pituaçu. Nós vamos mostrar o Mário que fez efetivamente planejamento para a cidade de Salvador, o Mário empreendedor, o Mário que tem a capacidade não apenas de anunciar grandes obras – como os outros candidatos –, porque Mário é capaz de fazer grandes obras, mas também de cuidar das pequenas necessidades de Salvador, que são importantes e o povo da cidade precisa disso. Mário terá condição de tratar não só da cidade, mas do povo de Salvador. E pela experiência que ele tem, inclusive na rádio, ouvindo as queixas da população, faz com que ele seja, dos candidatos, quem mais conhece e entende de Salvador e pode, com maior agilidade, apresentar soluções para a nossa cidade. 
 
BN – Há um consenso de que Salvador é uma cidade quebrada. Um município que arrecada pouco e tem problema para conseguir financiamento – levou um tempo no “SPC das gestões públicas” – e, aqui ao Bahia Notícias, Mário Kertész admitiu que ele contribuiu com essa dívida lá atrás com financiamentos que foram feitos. Como é que vai ser administrar sem recursos suficientes para gerir a cidade?
 
LVL – Olhe, todos os ex-gestores contribuíram para o endividamento da cidade, porque faz parte da gestão, assim como faz parte da iniciativa privada ou qualquer atividade, tomar empréstimo para fazer intervenções. O governo do Estado por exemplo, o governo do PT, vive tomando empréstimo na Assembleia e isso, obviamente, quem vai pagar não é o atual governo. Isso fica, porque esses empréstimos são tomados para o Estado, não para aquele governo. Então, assim como Mário ou o [Antônio] Imbassahy, todos os outros prefeitos contribuíram com o que é normal. O que tem que se fazer é os sucessores administrarem essas dívidas. Não sei se vocês se recordam que, no período em que o PMDB esteve à frente da prefeitura, quando teve o comprometimento com a cidade, com o projeto para Salvador, com toda a dificuldade, fez obras para Salvador, equalizou as finanças da prefeitura, os funcionários tinham dia marcado para receber o dinheiro. Agora, recursos são poucos? São. Mas se você administrar com correção, cortar os raios da corrupção, diminuir a burocracia, fazer parcerias com a iniciativa privada, com certeza terá condições de levantar recursos do próprio município e, logicamente, Mário vai ter o apoio do PMDB. O PMDB que tem o vice-presidente Michel Temer, que tem cinco ministros de Estado, que tem a maior bancada do Senado e a segunda maior bancada de deputados federais. Ou seja, toda essa estrutura facilita também, ou facilitará o acesso de Mário a recursos federais, ao contrário de certos candidatos que são de oposição a tudo. Então, Mário consegue agregar o que tem de bom no PT com o que tem de bom no carlismo. Por isso é o candidato ideal. O candidato do PT vive que tem dizendo apoio nacional. Mário também tem, através do seu partido, através do vice-presidente da República. O candidato do DEM vive a dizer que é de uma escola que faz, que executa, que ama a Bahia. Mário também é isso. Já deu demonstração de amor à sua terra, já deu demonstração de que tira obra do papel e que é um grande executivo. Quer maior demonstração de amor à sua terra que, com suas empresas estabilizadas e aos 67 anos, se dispor a contribuir com Salvador para retribuir a tudo o que Salvador fez por ele e por nós? Isso é uma demonstração clara de amor à sua terra e um compromisso muito grande que ele tem de não falhar com Salvador. 
 
BN – E qual é a estratégia de Mário em relação, especificamente, ao PT? Vai falar mal, vai partir para o ataque? 
 
LVL – Não, veja bem, a campanha se desenrola ao longo dela. Ninguém pode chegar no início da campanha e dizer: "minha estratégia é essa". Eu acho que nenhum candidato de bom senso terá uma estratégia dessas. Primeiro, que o povo já não tolera mais a política de sair atacando, como se isso fosse suficiente. O povo quer ouvir propostas. O povo quer ouvir quem é o mais capacitado. O povo quer ouvir quem terá condição de resolver seus problemas, desde os menores até os maiores. É isso que Mário irá demonstrar. Ele irá demonstrar que ele é o que tem condição de chegar na prefeitura, por já conhecer a máquina pública e já começar a trabalhar e resolver. Enquanto os outros que se apresentam vão ter que fazer estágio. Quem não se lembra do atual governador quando assumiu dizer que os primeiros dois anos eram para conhecer a máquina pública, para montar uma estrutura. Mário não. Mário já sabe, já foi duas vezes prefeito de Salvador, já sabe os atalhos para vencer a burocracia, isso dá vantagens enormes para ele implementar uma plano de governo, um projeto administrativo. Os outros dois ainda terão que tatear, aprender, e isso é perder tempo. E Salvador não tem condição de esperar. Salvador é chegar e resolver. E, como diz Mário, Salvador tem jeito. 
 

"Eu não estou preocupado se vem a presidenta Dilma, se vem o presidente Lula, se vem Maluf, eu não estou preocupado em quem vem apoiar Pelegrino"
 
BN – Sobre o PT ainda: você é vice-líder do governo no Congresso, já tem alguma indicação de que a presidente Dilma Rousseff vem aqui para Salvador ajudar Mário?
 
LVL – Olhe, eu não estou preocupado com isso. Eu acho que o PT é o PT e o PMDB é o PMDB, nós vamos tocar nossa campanha. Eu sei que Michel Temer estará aqui com Mário. Nossas lideranças nacionais estarão aqui com Mário, mostrando que Mário não está sozinho e que terá apoio para ganhar a eleição e o apoio para governar. O PT traga os quadros dele. Eu não estou preocupado se vem a presidenta Dilma, se vem o presidente Lula, se vem Maluf, eu não estou preocupado em quem vem apoiar Pelegrino. Eu sei que o PMDB está unido com Mário Kertész para ganhar a eleição e governar, para depois de Mário eleito trazer toda a ajuda necessária. 
 
BN – Mas não é contraditório o PMDB se construir como uma força de oposição ao governo estadual e tentar, durante todo esse tempo de pré-campanha, conversar com o DEM e o PSDB para formar uma frente de oposição e, ao mesmo tempo, marchar com o PT em 60 municípios? 
 
LVL – Isso não é contraditório. Se explica pela estrutura política brasileira, onde nós temos 30 partidos políticos e o que se menos tem é bandeira. Então, na Bahia você respeita as peculiaridades locais. Em certas cidades você tem um tio brigando com o sobrinho na política. Não posso obrigar um a apoiar o outro. Você tem um prefeito que está muito mal avaliado, roubando, maltratando funcionários, maltratando a cidade, e as oposições daquele município se une para tomar o mal maior. Mas, em termos programáticos, o PMDB é oposição. Nós vamos ao palanque para mostrar que somos oposição. O PMDB está onde as urnas o colocaram. Nisso, o PMDB da Bahia é muito coerente. Não há contradição nenhuma. Você pode fazer a pergunta que sempre fazem: 'como apoia o PT nacional e na Bahia é oposição?' Ora, porque o PT daqui não está prestando para a Bahia. O de lá está prestando para o Brasil. Eu não sou obrigado a achar que no PT de lá [nacional] tudo presta. Tem o que presta e o que não presta. Assim como no PMDB deve ter o que o que presta e o que não presta. Como em todos os partidos. Então, aqui na Bahia eu não apoio o PT porque não está sendo bom para o nosso estado. Nós o apoiamos em 2006 para fazer um projeto de mudança e esse projeto não foi implementado, foi isso que levou o rompimento do PMDB. Nós nunca imaginávamos que aquele governo que nós ajudamos a eleger em 2006 se negaria a sentar em uma mesa de negociação com os professores. Passar pela cabeça de alguém que nós teríamos 100 dias de greve pelo descumprimento de um acordo e pela intransigência? Não posso concordar com isso. Não posso concordar com um governo que nós elegemos para acabar com a farra da publicidade, que faz obras fantasiosas, porque a Bahia está se transformando em uma grande pedreira. Daqui a pouco vamos exportar pedras, porque é só pedra fundamental. A obra não sai. Mas sai pedra fundamental. Se for contar o que tem de pedra fundamental aí, nós podemos ser os maiores exportadores de pedra do Brasil. Então não podemos concordar com isso. Por isso somos oposição. Nós apresentamos um projeto alternativo em 2010 e o povo achou que não era a hora do PMDB, mas agora o povo está demonstrando que se arrependeu. Vamos ver em 2014. 
 

"Daqui a pouco a Bahia vai exportar pedras, porque é só pedra fundamental. A obra não sai. Mas sai pedra fundamental" 
 
BN – Você já fez analogia sobre o código canônico em uma resposta ao presidente estadual do PT, Jonas Paulo, sobre uma possível aliança PT-PMDB (veja aqui), mas Mário Kertész já deu o indicativo de que apoiaria Pelegrino se não conseguir chegar ao segundo turno das eleições. PMDB pode voltar a compor com o PT em Salvador? Em que condições? Qual seria a penitência que o PT teria que cumprir para o PMDB voltar a fazer parte da base aqui na Bahia?
 
LVL – A penitência eu não seria capaz de dar. Porque são tantos os pecados do PT da Bahia que seria uma penitência muito grande. Uma penitência enorme. Agora, o Mário Kertész é um homem de partido. Ele não tomará nenhuma decisão isolada. E até porque, diante do quadro que está aí,  eu tenho certeza de que Mário estará no segundo turno. Tanto é que o próprio Pelegrino, em um jornal local, já admitiu a hipótese de apoiar Mário Kertész. Desde o início que eu digo que a nossa grande aliança é com o povo de Salvador. O povo está muito pouco preocupado com partido político, em fulano 'a', que está apoiando fulano 'b', que está apoiando fulano 'c'. O povo está preocupado, nas eleições majoritárias, tomando sua decisão independente do apoio de a, de b ou de c. No legislativo não. Ele ainda quer agradar o vereador ou o deputado que lhe ajuda ali de alguma forma, através de algum emprego que dá para a família ou algo assim. E, no segundo turno, continuaremos a grande aliança com o povo de Salvador. Logicamente, quem vier nos apoiar será muito bem-vindo. Mas o apoio que nós queremos é o apoio do povo. 
 
BN – Mas se a gente voltar no tempo, em 2008, esse namoro do PMDB com o DEM que acabou não sendo efetivado para a eleição de 2012, começou no momento em que João Henrique recebeu o apoio de ACM Neto. Então, vamos para as duas situações da equação: ACM Neto passando para o segundo turno com Mário Kertész ou Pelegrino, pelo que a gente tem visto pelas declarações tanto de um como do outro, vamos ter PMDB e PT juntos. Isso não é o indicativo de um revival em 2012? Não vai ser reatado o romance?
 
LVL – Não, porque um partido do tamanho do PMDB tem que estar sempre apresentando candidatura. Aqui na Bahia, ao contrário de outros partidos que dizem que têm candidatos e depois, chega na hora, retiram a candidatura aos 45 minutos do segundo tempo, o PMDB sempre teve essa tradição. Quando Geddel [Vieira Lima] dizia que ia ser candidato, todo mundo disse que não ia ser, que não teria coragem de romper [com o PT], que não teria coragem de abrir mão de cargos. Geddel saiu candidato. Dissemos que o PMDB teria candidato à prefeitura, que Mário Kertész iria ser candidato, todo mundo estava dizendo que não ia ser. Mário Kertész é candidato. Em 2014, o PMDB tem candidato a governador. Um candidato de oposição a esse projeto que aí está. Como eu defendo, inclusive, que tenha candidato a presidente da República. Eu sou um que dos que, internamente no partido, defendem que para o partido crescer, para prestar serviço à população, tem que apresentar candidatura, tem que ganhar as eleições e tem que governar. Não tem outra maneira de colocar em prática os seus projetos, as suas políticas públicas, a maneira que você quer que o seu estado, seu país, sua cidade funcione. Só através do exercício do poder. Pode ficar tranquilo que não teremos revival não.
 
BN – Já que Mário Kertész disse que não vai ser candidato a reeleição, é Lúcio o candidato à prefeitura de Salvador nas próximas eleições municipais?
 
LVL – [risos] O Lúcio é filiado ao PMDB. Como todo filiado que está em dia com as suas obrigações eleitorais e com a sociedade, pode ser convidado. Nós temos quadro de deputados estaduais, vereadores, quadro empresariais. Agora mesmo, fomos buscar alguém que não estava no meio político. Enquanto todo mundo foi buscar candidatos nos meios tradicionais, nós não. Nós buscamos o novo. Em 2016, quem sabe não venha aí uma inovação. Mário Kertész com a capacidade que tem de revelar talentos, de dar oportunidades ao jovem, ao novo, quem sabe ele não consegue revelar um novo quadro de gestão? Eu acho que hoje se precisa de gestão. Não é questão de técnico, eu falo de gestão. Porque esse papo de que tem que ser técnico, você pode ser político e ser um bom técnico, você pode ser técnico e ser um bom político, agora gestor você pode ser político quanto ser técnico. 
 
BN – Houve algumas especulações nas últimas semanas sobre a possibilidade de fusão do Democratas com o PMDB, e não mais com o PSDB como se cogitava. O que você acha disso?
 
LVL – Eu acho que o Democratas tem que tomar alguma providência. Porque como está é que não pode ficar. Veja que o próprio presidente do partido, senador Agripino Maia, quando esteve aqui em  Salvador para lançamento da candidatura do Democratas, o discurso dele foi que precisava ganhar a prefeitura de Salvador para salvar o partido, porque seria a única prefeitura que teria chance de vitória. Isso rendeu até uma piada por parte de Geddel que era SalvaDEM, não Salvador. Então, eles não estão preocupados com projeto para Salvador, e sim com um projeto partidário. Logicamente, o ciclo do Democratas está se esvaindo. Eles vão ter que tomar uma providência. Assim como fizeram quando mudou de Arena para PFL para Democratas e não conseguiram soerguer o partido, e essa tendência continua da mesma forma, terão que tomar providências. Ou fundir com outro partido, ou os parlamentares migrarem sem fusão. Mas aí não é problema do PMDB. Aí eu tenho respeito pelo Democratas, eu tenho amigos no Democratas, e o que eu posso dizer é que  eu desejo que a atitude que eles vão tomar contará com a minha torcida para que salve o partido e os quadros partidários, porque tenho muitos amigos lá e lá tem gente competente e sábia. 
 

"Como é que eu ia estar de dieta? Estou comendo biscoito desde que cheguei aqui"
 
BN – Pra terminar: está fazendo dieta Ravenna ainda?
 
LVL – Eu, não. Como é que eu ia estar? Estou comendo biscoito desde que cheguei aqui. [risos]
 
BN – De zero a dez, quantos quilos você perdeu na dieta?
 
LVL – Inicialmente, 16 quilos, aí depois acabei a dieta, estou me cuidando com seis quilos a menos. Ou seja: voltei os 16 e perdi seis. 
 
BN – E sobre a história que saiu no Radar On-line, da Veja, de que alguns prefeitos do PMDB da Bahia foram visitar Michel Temer e acabaram com o estoque de quitutes lá, é verdade?
 
LVL – É verdade. A gente marcou com ele às 12h e às 2h ele não tinha ainda nos atendido. Aí um prefeito começou a pegar os potes de sequilho, de doces e de chocolates. Tinham três potes. E eu, para não dizer que não comi nada, comi uma barrinha de chocolate que me ofereceram. Mas uma barrinha somente. Na saída, a secretária dele pegou os três potes para recarregar, aí disseram: “ih, rapaz, o presidente vai ficar chateado”. E eu disse: “não, é bom para ele ver o que a gente sofre na Bahia, com a seca [risos]. Na hora que ele ver isso vai pensar que os baianos estão passando fome e vai ajudar a liberar recursos”. Foi verdade. A mais pura verdade. Aquilo mesmo ali.