Acelino "Popó" Freitas fala do desafio de ser secretário de João Henrique - 25/07/2007
Foto: Daniel Pinto
A gente já está se mobilizando e nos próximos meses vocês vão ver os resultados de nossa secretaria.
Por Daniel Pinto
Secretário, posso chamá-lo de Popó?
Popó – Pode sim!
Me diz uma coisa, você ainda luta?
Popó – Não. Eu já me aposentei. Minha última luta foi há três meses atrás. Pendurei as luvas no boxe.
Mas, você continua empresariando atletas?
Popó – Olha, eu tenho algumas coisas pessoais ligadas ao esporte. Tenho o “Boxe Brasil”. Inclusive, recentemente tivemos uma edição lá em Paulo Afonso, que foi muito legal. Colocamos quase três mil pessoas no ginásio e as pessoas ficaram com um gostinho de quero mais.
Você também esteve no Rio de Janeiro acompanhado a delegação de boxe do Brasil?
Popó – Estive sim. Na verdade, eu sou chefe de equipe do boxe.
Temos atletas baianos na delegação?
Popó – Temos seis. Cinco moram em Salvador, mas um é radicado em São Paulo. A Bahia realmente tem um material humano muito bom, principalmente no boxe.
Algum atleta da sua academia?
Popó – Tem um menino, o Paulo Carvalho, 48 kg. Mas, apesar de ter meu nome, a academia é de meu irmão.
Você expressou, há um tempo atrás, a vontade de ingressar na política. Mas, como surgiu o convite do prefeito João Henrique?
Popó – Olha, eu não entrei como político. Não tenho partido, não sou partidário. Entrei como um ex-atleta, um cidadão. Já venho fazendo trabalhos sociais, inclusive tenho um instituto. O prefeito JH falou, “ô Popó, eu já tinha vontade de te convidar, porque esta secretaria é minha, eu pedi pra tomar conta. Eu sempre via você lutar. Via sua determinação e força. E quando você falou que não ia mais lutar, então percebi que agora era o momento de você tomar conta desta pasta”. Então, eu vim dar minha contribuição.
Já deu tempo de se inteirar nas questões relativas à Secretaria de Esporte e Lazer?
Popó – Já deu sim. Já tenho minha equipe. O sub-secretário Josefá Santos também tem me dado a maior força. Algumas pessoas da antiga gestão foram mantidas porque desempenhavam um papel bom desde a época do antigo secretário. A gente já está se mobilizando e nos próximos meses vocês vão ver os resultados de nossa secretaria.
Então, até agora está tudo tranqüilo?
Popó – Está tudo muito tranqüilo. Estou gostando do trabalho. A única coisa que ainda não me adaptei é que tenho de usar paletó todos os dias. Não é um trabalho difícil, até porque eu sempre falo que para fazer esporte não é muito caro. Até porque você pega uma bola que custa R$ 40,00 e bota 22 crianças pra praticar esporte. Eles vão ocupar o tempo jogando bola e ficam longe das drogas, das ruas, da criminalidade de uma forma geral. Então, estou bem à vontade. Não tenho compromisso com nenhum partido. Realmente estou aqui por minha experiência no esporte. E como ex-atleta eu sei pelo que as pessoas passam até chegar num patamar igual ao que eu cheguei.
Agora, uma questão política: você sabe qual foi o orçamento reservado para a Smel este ano?
Popó – Este ano? Acho que R$ 3,5 milhões. O orçamento é o segundo mais baixo.
E quanto há em caixa?
Popó – R$ 2,8.
E quais são os projetos em andamento?
Popó – Temos a pista internacional de skate, na Lapa, que estava meio parada, mas agora vai. Vamos retomar a obra. Também temos o projeto “Ruas de Lazer”, que acontece todos os domingos. Também tem algumas quadras de esporte espalhadas pela cidade que nós vamos fazer melhorias, inclusive a quadra de tênis, na Boca do Rio. Tem a ciclovia da orla. Mas, por enquanto, tudo está voltado para o Pan-Americano.
Popó, durante a sua cerimônia de posse, o prefeito JH disse que – devido ao seu prestígio internacional – você é a pessoal ideal para angariar fundos, atrair patrocínios para os programas, firmar parcerias. Mas, me diz uma coisa, como um ex-atleta que também sofreu com a falta de patrocínio – numa época, inclusive, você trocou a Bahia por Goiás – pode conseguir atrair investimentos?
Popó – Mas, veja bem. Na minha carreira como lutador, os patrocinadores não queriam conciliar a imagem delas à luta. O boxe, por ser violento, ainda é um esporte marginalizado. Mas, aqui é diferente. Você mexe com comunidades, com gente, com pessoas carentes. Você mexe com esportes diferentes. No meu caso especificamente era luta, o boxe, que é um esporte de contato total, que tem soco, essas coisas todas. Muitas vezes, as empresas não queriam patrocinar porque não queriam conciliar o boxe, um esporte tão agressivo, com a marca da empresa. As empresas não enxergam que o boxe pode mudar a vida das pessoas.
Então, você acha que vai ter apoio nessa sua nova empreitada?
Popó – Tanto das empresas privadas, como das estatais. Tive agora, na semana passada, com o ministro dos Esportes, que me disse, “vá lá me procurar para ver em que posso ajudar”. O nosso superintendente da Sudesb, o Bobô, vais nos dar apoio. A Secretaria da Educação, o governador Jaques Wagner também.
Por falar em educação, é a Smel quem administra o programa “Segundo Tempo”, onde crianças são incentivadas a praticar esportes nas escolas?
Popó – Não. Se não me engano o “Segundo Tempo” está na Sudesb.
E quanto aos boatos de que você faria participação em novelas?
Popó – A novela “Sete Pecados”, da rede Globo, tem uma parte que tem boxe. Então, o pessoal me convidou para fazer uma participação. Eu vou chegar lá e desafiar um cara.
Qual a nossa perspectiva de medalhas no boxe neste Pan-Americano?
Popó – Ótima! Eu sempre falo que nós temos esperança de 11 medalhas, só não sei quantas de ouro, prata ou bronze. Mas, a expectativa é de ganhar 11 medalhas.