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Entrevista

João Leão: “Trilho é o melhor para a Paralela? É o melhor. Nós éramos e somos ainda favoráveis ao BRT” - 11/07/2011

Por Evilásio Júnior

Fotos: Tiago Melo/BN

“Trilho é o melhor para a Paralela? É o melhor. Agora, no primeiro momento, nós éramos e somos ainda favoráveis ao BRT.”

Por Evilásio Júnior

Bahia Notícias – Quando eu cheguei aqui (escritório do secretário, no Edifício Thomé de Souza – Av. ACM, Salvador) o senhor estava reunido com o secretário municipal de Saúde, Gilberto José.  Quais são as novidades que nós teremos desse encontro?

João Leão – Eu estava conversando com o secretário Gilberto José sobre as questões do pagamento de alta complexidade, ou seja, das filantrópicas. Houve um erro do Ministério da Saúde que, em vez de transferir os recursos das filantrópicas para o Município este mês, mandou para o Estado. Então, eu marquei uma reunião com o secretário Solla (Saúde do Estado) para nós dirimirmos este erro, que é muito grave. Então, eu acredito que nós vamos consertar essa história. Essa história de dizer que o Município está devendo às filantrópicas, estamos devendo, realmente. Estamos com um déficit mensal de R$ 5 milhões, mas com as questões que nós conversamos já com o ministro (Alexandre Padilha) e com toda a equipe da Saúde em Brasília, nós estamos resolvendo isso de uma vez por todas. Vamos zerar tudo o que estamos devendo às filantrópicas.

BN – Vamos voltar à polêmica com o secretário de Planejamento do Estado, Zezéu Ribeiro, ficou patente que houve uma certa frustração da prefeitura...

JL (interrompe) – Não houve...

BN – ... em relação à implantação do sistema sobre trilhos, em virtude do prazo...

JL (interrompe de novo) – Não houve...

BN – Não houve nenhum tipo de frustração?

JL – Não houve. A prefeitura prefere o trilho, como o Estado também prefere. O que é que nós achamos? Nós temos uma série de intervenções na cidade, por exemplo, aqui do lado nós precisamos fazer um viaduto para acabar com esse engarrafamento na Avenida Antonio Carlos Magalhães. Nós precisamos construir uma passarela aqui ligando à igreja Assembleia de Deus. Nós precisamos construir outra passarela ligando a Madeireira Brotas ao outro lado, para acabar com esse fluxo de tráfego, com esses célebres engarrafamentos que nós temos, desde o início da Paralela até aqui (região do Iguatemi). O BRT dava essas condições, de uma série de intervenções na cidade. Conversamos com o governo do Estado, tive uma conversa hoje (sexta-feira, 8) com o doutor Cícero Monteiro, da Sedur (Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano), e ele me prometeu que essas intervenções serão feitas e nós vamos começar agora a estudar, prefeitura de governo do Estado casadinhos. O nosso objetivo não é a prefeitura puxar a corda para um lado e o governo para o outro não. É puxarmos a corda juntos, agora pelo melhor para Salvador. Trilho é o melhor para a Paralela? É o melhor. Agora, no primeiro momento, nós éramos e somos ainda favoráveis ao BRT. No primeiro momento. Na medida em que se construir a base, a sub-base, tudo, aí nós colocaríamos o BRT para rodar e iríamos conquistando o metrô: primeira ligação até o Imbuí; segunda ligação até o Centro Administrativo, Shopping Paralela – Centro Administrativo, Parque de Exposições e Lauro de Freitas.

BN – Mas o Estado parece que resiste a essa ideia...

JL – Já começa a entender a minha proposta.

BN – O senhor acredita que isso vai vingar?

JL – Eu acredito que vai vingar porque é o melhor para Salvador. Nós rodamos 600 ônibus por dia, de ida e vinda, na Paralela. Então, se você tiver 600 ônibus e colocar o metrô ali no meio é o ideal. Agora, nós precisamos botar isso com lógica, com calma. O metrô da (Avenida) Bonocô levou não foram 11 anos, foram 30 anos, porque vem desde a época do governo Mário Kertész. Desde a época do governo Mário Kertész vem se falando do transporte de massa de Salvador, que não sai. Agora, nós queremos resolver de uma vez por todas.


“Eu também podia dizer que no Estado tem lobby das empreiteiras, no entanto não estou dizendo isso.”

BN – O secretário Zezéu Ribeiro falou, e o senador Walter Pinheiro já tinha denunciado isso, de que haveria lobby das empresas de ônibus na prefeitura de Salvador, o que pressionaria a prefeitura a colocar o BRT. O senhor admite que houve pressão ou isso é uma falácia?

JL – Eu também podia dizer que no Estado tem lobby das empreiteiras, no entanto não estou dizendo isso. Eu acho que isso é uma inconsequência. Eu acho que você tem que ser sério, você não pode dizer ‘eu sou sério e fulano é ladrão, fulano é isso e fulano é aquilo’. Eu acho que o interesse da prefeitura é o melhor para Salvador e eu não digo que teve lobby das empreiteiras com o governo do Estado. Eu não digo isso.

BN – O senhor falou, recentemente, que o metrô vai funcionar em dezembro deste ano e que a tarifa vai ser gratuita nos primeiros meses. Como é que vai ser isso?

JL – Olhe, nós vamos fazer o comissionamento do metrô. Assim foi no Rio de Janeiro, assim foi em São Paulo. Se leva um determinado espaço de tempo para que a população aprenda a andar. Você aprender pagando é um negócio muito complicado. Então, eu acredito que nós vamos levar aí uns 90 dias gratuitos para a população a andar e ver que é bom andar de metrô.

BN – Mas vai funcionar em dezembro?

JL – Deverá funcionar com certeza em dezembro.


“Nós vamos pegar o trem (do Subúrbio) e fazer dele um VLT lindo e maravilhoso, com a pista toda gramada de uma ponta a outra, segregada, tudo bonitinho."

BN – E o aeromóvel que foi anunciado para a Calçada, como é que vai ser e quando fica pronto?

JL – O aeromóvel é um projeto que tem lá em Porto Alegre (RS). É um projeto que vai ligar o aeroporto de Porto Alegre até a estação do metrô. Nós queríamos e queremos instalar o aeromóvel ligando o trem do Subúrbio até o Comércio. Nós estamos estudando isso, doutor Chico Ulisses (chefe do setor de projetos da Secretaria Municipal de Transportes e Infraestrutura) já está vendo isso e vai ao Rio Grande do Sul. Eu, inclusive, quero ir junto, porque eu já fui lá, mas quero ir novamente. O aeromóvel, na minha ótica, porque eu tenho uma experiência razoável em obras e urbanismo – eu passei uma vida fazendo isso, construindo sistemas de esgotamento sanitário, avenidas, como empresário e como político –, é algo excepcional Salvador.

BN – Mas o custo não é muito alto?

JL – Não. Não é alto. Você imagine, quanto é o custo de um ônibus?

BN – Não faço ideia...

JL – Você vai comprar um ônibus, um BRT aí, e é algo em torno de R$ 1 milhão.

BN – Um BRT, R$ 1 milhão? E a durabilidade?

JL – Isso. Ele dura dez anos. No aeromóvel, você gasta R$ 90 milhões e ele vai durar a vida inteira.

BN – E a manutenção?

JL – É a coisa mais baixa que existe. É mais baixa do que a do ônibus.

BN – Então, por que não colocar esse aeromóvel na Paralela, por exemplo?

JL – Porque ele é de baixa densidade. Ele não é de alta capacidade. Ele serve para você ligar um determinado ponto ao outro, para, aproximadamente, 15 mil passageiros por dia. Nós vamos fazer um estudo também da ligação do aeromóvel, com o metrô da estação Acesso Norte até a estação da Calçada, porque aí nós completaríamos o VLT e o BRT. E mais uma notícia em relação aos trens do Subúrbio: eu entreguei sexta-feira ao doutor Cícero, da Sedur, para ele passar ao governador, a remodelação toda dos trens do Subúrbio. Nós vamos pegar o trem e fazer dele um VLT lindo e maravilhoso, com a pista toda gramada de uma ponta a outra, segregada, tudo bonitinho. O projeto está pronto. Será uma parceria entre o governo do estado, a prefeitura e o governo federal.

BN – Para quando?

JL – A minha ideia é a de que ficasse pronto ontem. Já deveriam ter feito isso, né? No passado, há dez, quinze anos. No entanto, a prefeitura de Salvador pegou um mantozinho, que é um trem do Subúrbio que não passava, com a ponte de São João acabada, que só andava seis quilômetros. A ponte de São João já está praticamente pronta, ficará pronta em dezembro, e vamos botar isso para funcionar. Estamos ganhando. Estive quinta no Rio de Janeiro, olhando a questão da restauração dos trens, depois fui a Brasília, para uma reunião com o presidente da CBTU, doutor (Francisco) Colombo, para ver toda a remodelação dos trens do Subúrbio, a segregação da pista e a sinalização toda. Nós vamos deixar o trem do Subúrbio tão bom quanto o metrô de Salvador.


“O povo de Salvador vai ficar com saudade de João Henrique.”

BN – Se fala muito que, aqui em Salvador, se promete muita coisa, que nada se concretiza, que a prefeitura seria uma fábrica de factóides, sobretudo na gestão de João Henrique. O senhor chegou para acrescentar mais factóides ou para concretizar as promessas que não foram cumpridas?

JL – Fábrica de factóides não. O prefeito de Salvador foi eleito no primeiro mandato e reeleito no segundo. Então, foi reeleito por quê? Porque a população de Salvador achava que ele estava sendo um bom prefeito. Confiava no trabalho dele e continua confiando. Agora, administração é isso. Você vai e circula. Em um determinado momento não está muito bem, mas agora João Henrique voltou novamente a estar bem. E vai ficar melhor. O povo de Salvador vai ficar com saudade de João Henrique.

BN – O que é que o senhor acha quando algumas pessoas falam que o prefeito de Salvador era Geddel Vieira Lima e agora é João Leão?

JL – O prefeito de Salvador antes era João Henrique e agora continua sendo João Henrique. Ele teve a colaboração do ex-ministro Geddel e está tendo agora a colaboração do deputado João leão, hoje chefe da Casa Civil, do ministro Mário Negromonte e de toda a nossa equipe.

BN – O senhor tem o seu reduto eleitoral focado principalmente em Lauro de Freitas, mas, com essa entrada na prefeitura de Salvador, acabou por expandir. Como integrante do PP, qual é o projeto do partido para as eleições de 2012? O senhor pode ser prefeiturável?

JL – Todo o projeto de todo o partido político é chegar no poder. O sujeito quando funda um partido, quando um grupo se reúne e funda um partido, o objetivo é chegar ao poder. É transmitir as ideias daquele grupo e transformá-las em realidade. A mesma coisa nós pensamos no PP. Eu vim primeiro para o PP, depois veio o deputado Mário Negromonte, hoje ministro, presidente do partido na Bahia. Temos uma afinidade muito grande, eu e Mário. Para você ter uma ideia, nós moramos na mesma casa em Brasília há 16 anos e disputamos o mesmo cargo. Para você ver a nossa amizade, a nossa coerência e o nosso companheirismo. Então, nós temos um partido político em que queremos chegar ao poder. Mário Negromonte não quer chegar a ser governador? Leão não quer ser governador, não quer ser isso ou ser aquilo? Agora, por enquanto, eu só trato de políticas públicas.


“Bolsonaro é uma figura maravilhosa. No dia que você conhecer Bolsonaro pessoalmente, ele é um grande amigo, um grande companheiro.”

BN – O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que já causou polêmica por ser contra a lei anti-homofobia, semana passada disse que o país não viveu uma ditadura militar entre 1964 e 1985. O senhor é do mesmo partido que ele e trouxe o Exército a Salvador para auxiliar na conclusão das obras do metrô. Qual é a sua visão sobre o regime militar?

JL – Olhe, bicho, eu fui preso (risos). Como é que não houve? Tiveram milhares de ditaduras militares por aí e teve repressão mesmo. A minha presidenta Dilma foi para o pau-de-arara, pô. Como é que não houve ditadura militar?

BN – O senhor tem vergonha de ser colega de partido de Bolsonaro?

JL – Não, não. Eu perdoo Bolsonaro. Bolsonaro é uma figura maravilhosa. No dia que você conhecer Bolsonaro pessoalmente, ele é um grande amigo, um grande companheiro. Agora, ele tem as ideias dele, que são as ideias de Bolsonaro, né? As ideias de Leão são as ideias de Leão. Nem por isso eu deixo de ter um bom diálogo, de conversar com ele, discutir com ele, como converso com todos os colegas da Casa (Câmara). 


“O Leão é manso. Senta, que o Leão é manso.”

BN – A prefeitura prepara o novo projeto de ordenamento e uso do solo do município, que será enviado à Câmara nos próximos dias. Vai precisar, novamente, o Leão rugir mais alto com os vereadores?

JL – Ao contrário. O Leão nunca rugiu alto com os vereadores. Nunca tive nenhum problema com os vereadores. Só tenho tido um ótimo relacionamento com todos os vereadores.

BN – Então, o senhor nega a pecha de que Leão ruge alto e é linha dura?

JL – Ao contrário, o Leão é manso. Senta, que o Leão é manso.

BN – Só é fazer um afago na juba?

JL – Não. Os vereadores é que vão fazer o afago na juba do Leão (Risos).