Batista Neves: "Seinfra vai garantir energia elétrica para todos os assentamentos do MST, através do ‘luz para todos’" - 23/04/2007
Foto: assessoria de imprensa Seinfra

“A Seinfra vai garantir energia elétrica para todos os assentamentos do MST, através do ‘luz para todos’”.
Por Daniel Pinto
A missão institucional da Secretaria de Infra-Estrutura do Estado (Seinfra) é executar as políticas públicas relativas a energia, transportes, comunicação, bem como regular, controlar e fiscalizar a qualidade dos serviços concedidos, permitidos e autorizados pelo executivo estadual. Não são muitas atribuições para uma secretaria apenas? Dá para fazer tudo isso sem comprometer a qualidade dos serviços?
Batista Neves – Não, meu caro, não compromete em nada. A Seinfra possui uma extensa gama de atribuições, mas com vontade, profissionalismo, organização e um esforço conjunto com todas as outras secretarias (uma sinergia constante) conseguimos dar conta do recado. Estamos garantindo a uniformidade.
Quais são os principais programas do governo Wagner na área de infra-estrutura?
BN – Temos projetos em três vertentes: Transporte, Comunicação e Energia.
Transportes: A área de transportes compreende rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Encontramos 90% das estradas baianas em estado ruim ou péssimo. Estamos executando um programa emergencial para intervenção em 15 BA’s. Faremos também o anel da soja na região de Luis Eduardo Magalhães para escoamento da produção. O governo fará a recuperação da capa asfáltica em mais de 1.200km, com verba prevista de R$ 195 milhões.
Com apoio da Anac e da Infraero, vamos recuperar os aeroportos de Conquista, Barreiras, Jequié, Canavieiras e Bom Jesus da Lapa. Ilhéus e Porto Seguro, duas importantes localidades turísticas, vão ganhar novos aeroportos. No aeroporto internacional de Salvador já temos estudos avançados para fazer o trevo rodoviário para melhorar a infra-estrutura de acesso e dar uma boa trafegabilidade ao local.
Quanto aos portos, vamos aumentar a bacia de evolução dos portos de Salvador e Aratu para melhorar a área de manobra. Vamos montar um novo terminal de contêineres em Salvador. Para essas obras contamos com recursos do PAC. Estamos de braços dados com o governo federal.
As ferrovias estavam completamente abandonadas. Inicialmente vamos construir uma linha férrea de Camaçari para o porto de Aratu com o objetivo de escoar a produção industrial do pólo petroquímico. Também vamos implementar a tão sonhada ferrovia do oeste, com 675km de extensão.
Energia: R$ 40 milhões serão investidos para produção de energia industrial, automotiva e residencial. Também estamos fazendo estudos para produção de energia solar e eólica, já existem até algumas empresas interessadas. Temos convênios com a Eletrobrás e a Coelba.
Comunicação: Até o início do ano, 170 cidades não tinham sinal da TVE. Até agora, 23% desse total já foram recuperados. Ao que parece, a TVE nunca tinha sido encarada como uma empresa de utilidade social, uma TV realmente pública. Temos que mudar isso! A previsão é que o sistema de comunicação esteja disponível para oito milhões de pessoas.
Recentemente a Seinfra conseguiu a redução da participação do Estado de 20% para 10% no financiamento do programa federal "Luz para Todos". O que isso representa para os cofres públicos? Essa medida não compromete a viabilidade do programa? Ainda há casas na Bahia sem luz elétrica?
BN – Não compromete em nada, pelo contrário. A distribuição de luz é um programa casado com o governo federal. O que acontece é que os parceiros, a União e a Eletrobrás aumentaram sua participação. O governo anterior não se empenhava nisso.
Pretendemos fazer 120 mil ligações inicialmente. A intenção, como garantiu o presidente Lula, é universalizar o fornecimento de luz até 2010. Com essa redução da participação do Estado, faremos uma economia de R$ 213 milhões até 2010.
O MST levou ao governador uma série de reivindicações. Entre elas, a construção de três mil casas e a reforma de outras cinco mil ainda este ano; a recuperação de mil quilômetros de estradas vicinais e a liberação de R$ 3 milhões para a compra de sementes. Qual será a participação da Seinfra na execução deste acordo?
BN – Como disse o governador Wagner, “o grito dos trabalhadores precisa ser ouvido”. O MST é uma turma que tem vontade de trabalhar. A Seinfra vai garantir energia elétrica para todos os assentamentos do MST, através do “luz para todos”. A recuperação das estradas vicinais já está na pauta do governo. Essas estradas são importantes porque fazem a ligação entre fazendas e estradas estruturantes.
É verdade que o governo do Estado pretende atrair investimentos estrangeiros, sobretudo norte-americanos, para produção de biodiesel? A Bahia tem potencial para a bioenergia?
BN – Isso é verdade. A Bahia tem vocação e potencialidade para bioenergia. Seja para produzir os insumos, como a mamona e também para o escoamento da produção. O biodiesel é viável e o nosso Estado pode se consolidar como um grande produtor.
Como o governo Wagner vai ajudar na transposição do rio São Francisco? Existe alguma resistência ao formato do projeto apresentado pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima?
BN – Olha, isso não compete à Seinfra, mas, como engenheiro, acredito que o projeto é importante e o ministro Geddel fará um bom trabalho.
Há pouco tempo, devido o tráfego sobrecarregado da região do Iguatemi, o "Bahia Notícias" levantou a discussão de que a Rodoviária de Salvador, com suas 540 linhas de ônibus, podia ser transferida de lugar. O que o sr. acha disso?
BN – Uma coisa é certa: Salvador precisa de um plano de mobilidade. Temos um projeto para essa área junto com a Prefeitura e o Ministério das Cidades. As oito principais avenidas da cidade possuem muitas sinaleiras, o que é um erro. Nas grandes cidades o tráfego deve ser contínuo. Temos que retirar as sinaleiras e colocar passarelas. Para resolver essa questão só um sistema intermodal de tráfego contínuo.
Como anda a exploração de gás natural no Estado? Por falar nisso, por que o último concurso da Bahiagás foi cancelado? Houve alguma fraude?
BN – A produção de gás na Bahia vai muito bem, obrigado. Só o poço de Manati produz três milhões de metros cúbicos por dia. Quanto ao concurso da “Bahiagás”, realmente não houve fraude. As investigações não apontaram isso. Alguns candidatos já foram até chamados. Aos poucos, vamos substituir todos os funcionários do regime Reda. A indicação do governo é usar o Reda só em casos extremamente necessários.
A empresa TWB, que ganhou a concessão para explorar o Ferry Boat por 25 anos, não goza de boa reputação junto à população. Existem muitas reclamações sobre atrasos, má qualidade dos serviços, falta de segurança e de um posto de primeiros socorros no terminal hidroviário. A quem cabe fiscalizar e regular a concessionária?
BN – Cabe à Agerba fiscalizar e regular a TWB. Mas, deixa eu te falar uma coisa. No início do governo encontramos uma dívida na ordem de R$ 120 milhões, incluindo restos a pagar e despesas da gestão anterior. Também percebemos uma falta de comprometimento das empresas prestadoras de serviços. No caso da TWB, fizemos uma reunião e dissemos: olha, a situação é grave. Ou vocês resolvem os problemas ou o Estado fará uma forte intervenção. Eles entenderam o ultimato. Na época, apenas três ferrys faziam a travessia Salvador – Bom Despacho. Agora, são seis, sendo que dois dos equipamentos antigos tiveram o motor substituído, o que reduz o tempo de travessia. Também foram incluídas duas lanchas rápidas e um catamarã. Implementamos o serviço de bilhetagem eletrônica, o que resolveu a questão dos atrasos. Melhoramos a infra-estrutura dos postos de embarques, instalamos câmeras de segurança. Outra coisa importante foi o cadastramento e organização do transporte clandestino. A junção dessas ações melhorou significativamente a qualidade dos serviços prestados. Vou adiantar uma coisa: vamos trazer mais dois ferrys novos com o dobro da capacidade de passageiros. Um agora em dezembro, outro no final do próximo ano.