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Entrevistas

Entrevista

Gustavo Mercês é um "faz-tudo" da comunicação do PSOL na campanha de Marcos Mendes - 19/07/2010

Por Rafael Rodrigues

Fotos: Tiago Melo / BN

"Queremos aliados, mas não qualquer um. Não queremos setores conservadores, nem a esquerda vendida".

Por Rafael Rodrigues

Bahia Notícias: O Psol se identifica com o rótulo de extrema esquerda?

Gustavo Mercês:
Não, basicamente o histórico do Psol é uma construção que sai de uma ruptura com o PT, que é um partido de esquerda, mas que atua na institucionalidade. Nós saímos do PT para construir uma outra alternativa, mas responsável, consequente e que também disputa a institucionalidade. Não é uma esquerda ortodoxa que faz só o discurso panfletário e que não atua na ordem burguesa nas eleições. Partido que disputa as eleições, não somente os cargos eletivos, mas discutimos o programa. Na verdade, o Psol é uma reivindicação do que foi o PT nas origens. O PT, na ascensão ao espaço institucional teve que abrir mão de algumas bandeiras para formar as alianças. Disputamos as eleições para governar. Com programa, com lideranças, vamos ocupar cargos e vamos eleger. Vamos fazer nossa luta política nos movimentos sociais, mas também no espaço institucional.

BN: Para o grande público, o Psol acaba identificado com esse rótulo, muito porque também não fez alianças que dessem densidade à uma chapa que busca ganhar uma eleição, e porque o seu candidato também nunca ocupou um cargo eletivo, de forma que esse total desconhecimento colabora para a criação desta imagem. Como desvincular o partido desta imagem de extrema esquerda?

GM:
A gente tem algumas referências. Por exemplo, foi apontado que o deputado mais prestigiado e mais bem aprovado do país foi o Chico Alencar (PSOL-RJ). O melhor, que é uma referência no Congresso. Nada melhor também que a senador Heloísa Helena (AL), que teve um papel importante da reforma da previdência. Nós ocupamos um espaço institucional, mas para levar o programa do partido e levar um conjunto de bandeiras históricas para a classe trabalhadora. Mas isso, portanto, faz daquele espaço, um espaço de disputa. Para fazer os enfrentamentos para levar os interesses do povo para o Congresso.

BN: O Psol, quando fundado, era um partido com pretensões de ser grande, com quadros tradicionais ligados à história da esquerda do país. O partido, entretanto, não corre o risco de se tornar apenas mais um nanico, devido também à inexistência de alianças? O partido só conta atualmente com um senador, que é suplente, e três deputados federais no Congresso.

GM:
Só para ter uma comparação. Desde quando a gente fundou o Psol, em 2004, temos três deputados federais, um senador, vamos eleger Heloísa Helena senadora, e aqui há uma oportunidade bem clara de eleger um deputado estadual. Não somos um partido pequeno porque somos organizados em grandes sindicatos do país, inseridos nos movimentos sociais como os sem-terras e o movimento estudantil. É um partido que não vai abrir um leque de alianças que comprometa o seu programa. Avaliamos que qual foi o grande erro do PT: chegou ao poder a partir de concessões em uma aliança com setores burgueses conservadores. Consideramos uma anomalia um partido de esquerda como o PT ter como seu vice um carlista declarado, como é a situação que vive o Jaques Wagner. Não estamos dispostos e ter a tal da governabilidade a qualquer custo. Queremos aliados, mas não qualquer um. Não queremos setores conservadores, nem a esquerda vendida. Queremos partidos que assumam um programa de esquerda socialista e queira governar com os movimentos sociais.

BN: Então, no espectro de partidos da política brasileira hoje, em nenhum interessa aliança?

GM:
Infelizmente, tirando a esquerda oficial que hoje está no governo Lula, que se vendeu, que é financiada pelas grandes empreiteiras, nós só temos dois partidos basicamente na institucionalidade que assumem um programa socialista, que são os camaradas do PSTU e do PCB. Fizemos um esforço para construir uma frente de esquerda socialista, mas os companheiros não quiseram, optaram por caminhos próprios, o que é legitimo.

BN: Falta organização à esquerda? Se, em vez de três candidatos, fosse só um, não seria mais fácil unir três militâncias, unir os esforços financeiros, e até para negociar a participação nos debates?

GM:
Basicamente, a história da esquerda brasileira é contraditória e tem seus grandes dilemas. A maior expressão de construção partidária nos últimos 20 anos foi o PT. Então, a adesão do PT à ordem institucional burguesa e suas alianças com setores conservadores foi uma crise para a própria esquerda, que está se recuperando. Esse é o papel do Psol: reoxigenar os movimentos sociais e possibilitar uma rearticulação desses setores de esquerda, para construir uma nova alternativa.

BN: E por que não aconteceu a aliança com o PSTU e PCB?

GM:
Até os 46 minutos do segundo tempo, conversávamos com os camaradas do PSTU e do PCB, mas eles optaram por caminhos próprios, sob a necessidade de divulgar suas figuras públicas. Achamos que foi um prejuízo para a classe trabalhadora, mas é legítimo que possam lançar.

BN: Se houvesse aliança, não haveria incompatibilidade de projetos? O PSTU tem uma cartilha diferente do Psol. Eles disputam as eleições, mas não o poder. Não acreditam nas instituições democráticas brasileiras, e ainda vêem na revolução do proletariado a única forma de mudar o país.

GM:
Os dois partidos são da esquerda socialista, agora tem estratégias diferenciadas. O Psol visualiza como o PSTU o socialismo, mas percebe a importância de ocupar o espaço institucional, de levar a sério as eleições, de disputar cargos para levar as propostas do povo para o parlamento. O PSTU acredita que o espaço institucional simplesmente é para levar o discurso e o programa. Nós fazemos isso, mas também queremos disputar espaço.

BN: Como se tornar competitivo para atingir o tal objetivo de conquistar espaços na institucionalidade com apenas R$ 200 mil para gastar com a campanha, em que há candidaturas com até R$ 30 milhões?

GM:
É irrisório e graças a Deus que seja assim, porque esse dinheiro vem da contribuição de trabalhadores, de movimentos sociais. A gente não vai ter nenhum vínculo com setores que nós condenamos. Todas as candidaturas colocadas aí são financiadas pelas grandes empreiteiras e pelos grandes grupos econômicos. Como colocar um programa que vai romper com o interesse das grandes elites, se a gente recebe dinheiro delas? Nosso programa defende que as contribuições têm de vir de trabalhadores e daqueles que querem construir esse programa, para a gente ter uma coisa chamada autonomia. Vamos administrar. Ter capacidade de mesmo com o pouco que há, fazer eleições como foi a de Hilton Coelho, que a gente foi com cara, com o programa do partido sendo colocado, com as reivindicações do povo. Buscamos agora não só reeditar o sucesso que foi a última campanha eleitoral, mas queremos surpreender. Agora com outra figura, que tem caráter e perfil próprio, que é o companheiro Marcos Mendes.
 


"O dinheiro sujo investido em um financiamento de campanha para ganhar lá na frente, somos totalmente contrários".

BN: Na campanha de Heloísa Helena à Presidência, ela teve uma quantidade considerável de votos porque foi levada à sério, as pessoas que votaram nela a queriam como presidente. Ela carregava consigo uma credibilidade advinda de sua carreira política. O Hilton Coelho se prevaleceu, entretanto, por causa das estratégias eleitorais dele, que contou com o sucesso do jingle e da sua própria personagem. Não há esse contraponto, a campanha do Psol em 2008 não prevaleceu mais por causa desses fatores do que propriamente por causa dos valores que o Psol defende?

GM:
Nossas candidaturas não são personalistas. Claro que o perfil do candidato aparece muito, o Hilton tem um jeito próprio e o Marcos também tem seu jeito, mas o que fica claro é o programa e a cara do Psol Bahia.

BN: Na campanha de Hilton Coelho, o que prevaleceu foi o programa do partido?

GM:
Foi o programa e a bandeira que o Psol levantou, que repete na candidatura de Marcos. A centralidade da nossa linha de construção da candidatura de Marcos Mendes é fundada na resistência popular, negra. O estado é maciçamente de população negra, que tem uma história de resistência. O Psol reivindica essa resistência popular, negra, feminista, do povo da Bahia. São candidaturas que têm programa e bandeira claros. As pessoas votam mais no 50 pela história, pelo discurso que o Psol leva para as classes mais populares. O Psol tem essa clareza, de dialogar com os setores mais desfavorecidos da sociedade, que sempre foram desfavorecidos pelas grandes elites.

BN: Vai dar para fazer o quê com esses R$ 200 mil?

GM:
Não vamos fazer como as grandes campanhas que investem maciçamente em criar grandes fantoches que aparecem na televisão e que acreditam que possam enganar a população. A população vê que aquilo tudo é artificial, que é movimentado por grandes interesses.

BN: Mas acaba votando...

GM:
Acaba votando, mas a gente conseguiu perceber que a população, principalmente no corpo-a-corpo, tem o desejo de mudança. Se você pegar os grandes projetos colocados pelo governo Wagner, por Paulo Souto e Geddel, eles não apresentam muitas diferenças que possam apontar como candidaturas novas. E as pessoas apostam na mudança, no radicalismo em algumas propostas que candidatos não vão fazer, porque estão comprometidos com seus financiadores. O Psol vai trabalhar, no pouco tempo que tem de TV, mas utilizando do Orkut, que é ferramenta fundamental para o contato com os jovens, vamos explorar bastante o YouTube, que é uma rede gratuita, mas que ajuda a veicular todas as nossas ações, intervenções, porque não dá para trabalhar com o um minuto e pouco da fala no horário eleitoral na TV. Vamos explorar também o Twitter, que atinge os setores de adolescentes, que também votam, e o nosso site. Agora, claro, o corpo-a-corpo é fundamental, o jingle vai surpreender, no mesmo ritmo do de Hilton. Estamos apostando no jingle, pois percebemos que é um instrumento de comunicação que aproxima, que é popular, que chega no ouvido e que tem conteúdo.

BN: Como equilibrar a equação de ser levado à sério pela população, para receber os votos de quem os quer governando o estado, mas saber utilizar desses recursos de publicidade?

GM:
Nós constatamos que a população está cansada do velho formato de fazer eleição, onde aparecem candidatos prometendo propostas que não se diferenciam umas das outras. Diz que vai mudar, que tem propostas, mas que em geral a população que assiste não vê ali representado algo que se identifique. E essa é a nossa cara, identificar a plataforma e reivindicações do povo, incorporadas pelo porta-voz que é o candidato.

BN: Defende o financiamento público de campanha?

GM:
A gente acha que o que faz o sistema político seja corrompido é esse financiamento excuso, formado por caixa 2, que pagaram desde a direita democrata de Brasília como o escândalo do mensalão do PT. O dinheiro sujo investido em um financiamento de campanha para ganhar lá na frente somos totalmente contrários. O eleitor tem que saber de onde o dinheiro está vindo. A forma de financiamento que está colocada corrompe todo o sistema político eleitoral.

BN: Então, para a campanha com limitações financeiras, a internet será fundamental?

GM:
Vamos explorar o Twitter, que está sendo bastante visitado. O candidato do Psol tem Orkut, e a maioria não tem. Ele vai lá, deixa recado, se relaciona com vários outros membros do Orkut. Quem faz é ele próprio, é pessoal dele. Ao contrário dos outros candidatos, que parecem ter medo da população, o nosso candidato veio de origem popular, viveu na Liberdade, e achamos que o corpo-a-corpo é fundamental. O eleitor tem que se sentir identificado com o candidato.

BN: O Psol vai se utilizar dessa autonomia financeira para apontar os comprometimentos dos outros candidatos?

GM:
Isso já está sendo feito. Todos os principais candidatos são financiados pelos mesmos grupos de empreiteiros. Esse grupo, que inclusive se beneficia com a reestruturação da Avenida Paralela, a Via Expressa é o mesmo grupo. As grandes empreiteiras que financiam os três candidatos. Nós queremos dinheiro limpo. Ninguém dá dinheiro de graça. Se dá agora, vai querer cobrar.

BN: Vão tentar arrecadar pela internet?

GM:
Vamos sim. Colocar nossa conta para a doação. Queremos desde R$ 1 até o quanto quiserem contribuir. Apostou no programa de transformação do Psol, está lá para fazer sua doação.

BN: No programa do Psol protocolado no TSE, é possível observar a presença de bandeiras como o feminismo e o fim da homofobia. São setores da sociedade organizados que geralmente se ligam à esquerda política. Queria saber se a presença de Everaldo Oliveira, um líder evangélico, como o vice da chapa, pode neutralizar ou chocar com alguma dessas bandeiras, na busca pelos votos dos evangélicos.

GM:
O Psol é um partido socialista, que tem um programa que foi aprovado em seus congressos, mas é essencialmente um partido que preza pela liberdade. Não há espaço no Psol para intolerância religiosa. Temos setores ligados ao candomblé, inclusive com candidatos e com programas com defesa da resistência e o respeito à sua liberdade religiosa; temos segmentos ligados aos evangélicos, a setores de igreja progressistas. É um partido essencialmente que preza pela liberdade de orientação sexual, de religião, mas claro, nós temos uma defesa clara, por exemplo, não há como negar que nosso estado baiano é historicamente racista, que exclui, que criminaliza, que mata a maioria da população negra. A gente não pode negar que combate ao racismo. Combate também a lógica machista patriarcalista, que sempre colocou as mulheres em uma posição de submissão. São bandeiras históricas da esquerda, não é do Psol. Infelizmente, partidos da esquerda oficial chegaram ao poder esquecendo-se dessas bandeiras.

BN: Então o vice vai ter de renunciar aos dogmas de sua religião...

GM:
O vice do partido é evangélico, e ele pode ter discordância até de alguns pontos do programa do partido, mas o Psol preza pela liberdade individual. Mas ele, como representante do partido, vai ter que representar o programa do partido. Assim vão fazer todos da chapa. Eu sou evangélico, sou batista, e nós somos contra a homofobia, nós amamos os homossexuais. Claro que temos uma orientação heterossexual, optamos pela lógica cristã que é o casamento heterossexual, mas respeitamos o direito dos homossexuais se relacionarem. Agora essas questões do casamento gay e do aborto quem deve fazer o debate é a população. Defendemos a realização de plebiscitos.


"Que modelo de desenvolvimento pensamos para o estado? O marcado pelas usinas nucleares, como estão pensando em trazer?"

BN: Como o senhor mesmo disse, há a chance real de o Psol conseguir fazer um deputado estadual neste ano, enquanto a eleição para o Governo é mais utópica. Então, a propaganda da chapa majoritária vai ajudar a divulgar os candidatos que disputam uma vaga na Assembleia?

GM:
Primeiro, para deixar claro, o Psol não elegeu nenhuma candidatura prioritária na chapa estadual. Todos os candidatos vão ter o mesmo espaço e mesmo incentivo. Agora, sabemos da nossa chance de eleição e é fundamental ir à Assembleia para denunciar o que está sendo feito no Estado.  

BN: Então a chapa proporcional é prioritária, diante esta possibilidade de vitória...

GM:
Nós apostamos em levar um programa que é necessário para polarizar com os grupos estabelecidos. O Psol está levantando uma candidatura a governo para polarizar, apresentar um projeto de transformação e se contrapor às propostas de Geddel, Paulo Souto, Bassuma e Wagner. Agora a gente não desmerece a possibilidade de eleição. As duas estão casadas: usar a majoritária para divulgar e disputar o governo, sem deixar de fazer a campanha proporcional.

BN: O senhor falou das novidades para eleição deste ano...

GM:
Em breve estará nas ruas o jingle, que não vai fugir à regra. É o jingle com todo o swing e tom popular, mas de denúncia, de resistência popular, do povo, com a cara do povo. Não vamos fazer jingle prometendo mudanças. Vamos falar da história de resistência do povo negro, das mulheres, a cara do povão que está na luta construindo este estado e não é reconhecido nesse processo eleitoral.

BN: Apesar de ser positivo esse debate ideológico, de apontar os problemas estruturais da política baiana e brasileira, mas a população quando vota em seu candidato, quer saber o que ele tem a oferecer de projetos para o seu futuro. Na hora de escolher o seu governante, que saber sua capacidade de dar bons rumos ao estado. O Psol pensa em equilibrar estas duas propostas? Fazer o ataque, mas fazer propostas?

GM:
O Psol já tem projeto, que é aprovado, de gestão democrática.

BN: Eu acessei e li o projeto que está protocolado no TSE, e ele ainda está no plano das bandeiras do partido. Não tem ainda os projetos objetivos, para serem aplicados em setores do estado.

GM:
Na Bahia, estamos construindo em conjunto com intelectuais da esquerda socialista, com pessoas que são servidores de carreira do Estado, com um conjunto de pensadores que pensam administrativamente. É lógico que tem reivindicações e mudanças estruturais, que nós vamos mexer e incomodar. Agora há um conjunto que pensa governar o Estado, com políticas para a educação, políticas para a saúde, políticas para a juventude, de segurança, para mostrar à população que não estamos apenas denunciando, mas também nos colocando como alternativa diferenciada para governar.Temos capacidade para fazer isso. Esse é um processo em construção. Ao contrário dos outros que fabricam seus programas baseados em alguns pensadores e simplesmente jogam para a população, nós fazemos do programa de governo proposições em construção e debate com a sociedade. Além da centralidade do candidato Marcos, há a reivindicação por outro modelo de desenvolvimento. O Marcos Mendes tem um histórico de lutas pela questão ambiental. Esse é o grande tema colocado hoje nas eleições. Que modelo de desenvolvimento pensamos para o estado? O marcado pelas usinas nucleares, como estão pensando em trazer? Não. É um desenvolvimento marcado por trazer o Porto Sul, que acaba degradando o meio ambiente? Não. O modelo que queremos é o que não exclua, diferentemente do PDDU de Salvador, mas um modelo democrático, que leve em consideração os problemas ambientais.

BN: Sobre essa questão do PDDU e das licenças ambientais. No programa de vocês há a defesa da suspensão imediata das licenças ambientais das obras da Avenida Paralela, mas os próprios trabalhadores fizeram protestos com o temor de perderem seus empregos. Como fazer para que, para a população, as propostas do partido não apareçam demasiadamente radicais, o que contrapõe os interesses dos próprios trabalhadores?

GM:
É preciso primeiro desmistificar. Quando a gente trabalha com a ideia de radical, as pessoas têm sempre a achar que é extremismo. A ideia de radical vem de resolver o problema desde sua raiz, e é isso que a população quer. Não quer mais paliativo, mas mudanças profundas. Quer se sentir com melhores condições de trabalho, de emprego, com bons salários, com boas habitações, com saúde e boa, com educação que permita ao filho pobre chegar a uma universidade pública. A população quer ver mudanças. O que o discurso oficial diz: "nós somos limitados pela questão orçamentária, temos a questão do superávit que nos impede de fazer determinadas mudanças", e joga o discurso do possível. Nós não, queremos levar o discurso de que o impossível dito por eles é possível. Fazer uma reforma agrária que realmente dê terras e condições para o trabalhador camponês trabalhar. É possível uma educação que funcione, e não essa educação de turnão que é oferecida pelo governo Wagner, mas que leve em consideração as noções de cidadania, mas que permita também chegar à universidade. O PDDU excluiu, verticalizou a cidade, não beneficiou a população, e só beneficiou as empreiteiras, que são as que vão financiar as campanhas eleitorais.