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Entrevistas

Entrevista

Luiz Caetano fala sobre ter sido inocentado após prisão pela PF - 23/06/2010

Por Redação

Foto: David Mendes/ BN
 
Bahia Notícias: O Senhor chegou a ser preso pela Polícia Federal com o suposto envolvimento em fraudes de licitações e agora foi inocentado. Como foi essa experiência?
 
Luiz Caetano - Foi horrível. Tenho uma postura muito ética e muito séria em relação ao erário público. Eu tinha contratos assinados pelo meu antecessor. Ele tinha um parecer Tribunal de Contas e da Justiça, favorável à ordem de serviço, não deu a ordem de serviço. Não dei nenhum dinheiro federal para fazer uma obra nem municipal, nem estadual, e eu fui preso ilegalmente, fui preso de forma incorreta, sem cometer nenhum crime. Graças a Deus, tempo depois eu estou provando minha inocência. Tive minha imagem no Brasil inteiro, em televisão, rádio e jornal, colocando que eu estava envolvido em fraude de licitação, coisa que eu não fiz.
 
BN: Depois desse problema, o senhor foi inocentado pela Justiça. Como se sente agora? Está mais aliviado?
 
LC – Foi uma coisa que foi corrigida. Me deixou aliviado e tranqüilo e até comentei com o governador sobre isso. Graças a Deus estou mantendo a confiança do meu partido, com o governador, porque provei que nada tinha a ver com aquele episódio. 
 
BN - Qual a lição que fica depois de tudo isso?
 
LC - Quem é gestor público tem que estar sempre muito atento, ter muita responsabilidade, tem que ter muita atenção ao que está fazendo e estar por dentro dos processos, além de estar sempre se cercando de bons assessores. Meu cuidado com a coisa pública foi o que me livrou de ter cometido um erro, porque se eu aceito o parecer do Tribunal de Contas e não faço aquela ordem de serviço, hoje, mesmo não sendo ilegal, seria difícil provar a minha inocência, não é verdade?
 
BN - O senhor é um dos coordenadores da campanha do governador Jaques Wagner (PT). Quais são os principais desafios?
 
LC - O principal é garantir que a campanha seja de alto nível. Vamos trabalhar uma campanha propositiva. Eu acho que a população merece respeito, e, em função disso, é importante que os candidatos discutam proposições, projetos para a Bahia, porque a oposição tenta abaixar o nível da campanha. E também apresentar um bom projeto, nisso também estamos trabalhando, apresentar um programa de governo à população, conversar mais e garantir a eleição de Wagner no primeiro turno.
 
Foto: Max Haack/ BN
 
BN - Acredita em uma vitória no 1º turno?
 
LC - Acho que temos as condições apropriadas para isso. Eu acho que o fato do governo Lula ser um governo consolidado, e Wagner faz parte desse projeto desde o início. Faz um bom governo na Bahia, pelo fato de ter descentralizado o governo, de feito realizações em cerca de 400 municípios, de ser autor de vários acordos com prefeitos da Bahia. Enfim, eu acho que a gente tem todas as condições de ganhar no primeiro turno.
 
BN - Essa estratégia de utilizar o governo Lula também vai ser do Geddel. Como o PT vai fazer para diferenciar que o PMDB faz parte do governo federal, mas aqui localmente ele não é tão parceiro assim do PT?
 
LC - Nós não estamos preocupados com Geddel. Primeiro: o PMDB estava no governo, eu um governo petista. O PMDB rompe com o governo do PT na Bahia e busca um guarda-chuvas no PT nacional. Isso já é de cara uma contradição. Como é que briga com o PT aqui e busca um guarda-chuvas com o próprio PT para tentar linkar a sua campanha ao nosso partido, ao nosso projeto a nível federal? Segundo: a campanha do PMDB é muito provocativa, mas não trouxe nada de novo até agora. Não estamos preocupados com isso. Qual a preocupação central nossa? Nós somos do projeto de Lula desde o início. Fazemos parte desse projeto nacional e não temos essa necessidade de ficar explicando para o povo, porque isso já está no inconsciente coletivo. O povo sabe que Wagner foi ministro de Lula, que é do PT, que Dilma é do PT. Então vamos estar preocupados em cada vez mais mostrar que é essa parceria que dá certo para a Bahia e foi a parceria que mais conseguiu recursos para a Bahia: Wagner-Lula e Wagner-Dilma. 
 
BN - Agora, de qualquer forma, o PMDB com essa campanha provocativa conseguiu algumas vitórias diante do PT, como na eleição da UPB, e na própria eleição para a Prefeitura de Salvador. Como evitar uma nova derrota?
 
LC - Mas ele não consegue crescer nas pesquisas. Do início das pesquisas até agora, mantém-se atolado naqueles 8 ou 7%. Por que nós vamos nos preocupar, se o povo não está aprovando esta proposta? Vários prefeitos do PMDB migraram para a base do governo por causa disso, então por que é que vamos nos preocupar com o PMDB?
 
BN - Então o grande adversário desta disputa seria o Paulo Souto, do DEM?
 
LC - Na minha opinião, a campanha vai se dar nacionalmente. Não dá para preocupar se o Paulo Souto cresce um ou dois pontos. O governo Paulo Souto que mais passou mais de 30 anos na Bahia, o grupo deles, o carlismo. Wagner só governou 10% do tempo que eles governaram a Bahia. Então temos condições de sobra para mostrar quem tava a 30 anos e não resolveu os problemas da Bahia, e quem tem 10% de tempo e está conseguindo fazer a construção de uma nova Bahia. Então por que vamos ficar com nosso discurso atrelado ao de Paulo Souto e de Geddel? Muito pelo ao contrário. Vamos mostrar para a sociedade o que fizemos e o que temos condições de consolidar na Bahia. Consolidar o projeto nacional aqui no nosso estado também.
 
Foto: Max Haack/ BN
 
BN - Agora vai haver ataques na campanha. Quais são os pontos considerados mais perigosos estrategicamente na campanha?
 
LC - Vamos pegar os ataques que forem feitos na campanha, vamos matar no peito, botar no chão e devolver em forma de gol. Toda campanha tem ataques, mas nossa preocupação não vai ser ficar tecendo ataques a quem quer que seja. 
 
BN - Um dos pontos que deve ser abordado na campanha é a questão da Segurança Pública. Camaçari, tanto na sede quanto nos distritos, tem sido alvo da ação de bandidos, e uma dessas ações culminou na morte do delegado Cleyton Leão. Existe alguma medida estudada em conjunto com o estado para coibir a violência na região?
 
LC - Sempre teve. Mas se você pegar as estatísticas de segurança na região de Camaçari, no primeiro semestre deste ano, nós reduzimos em todos os setores XXX de Camaçari. Uma ação conjunta da prefeitura com o Governo do Estado para solucionar. Obviamente que o fato que aconteceu com Cleyton, você teve uma grande repercussão, então isso se sobrepõe às estatísticas, do ponto de vista da mídia. Mas eu tive uma reunião com todos os comandantes da polícia, para avaliar o trabalho que foi feito no plano de segurança para Camaçari que era comandado por ele (Cleyton Leão) e estava em pleno funcionamento, e acontece esse fato, que contamina a estatística. Vamos montar essa semana o conselho municipal de segurança pública, para ajudar no combate à violência e na busca da paz em nosso município.
 
BN - Agora vamos falar de São João. Camaçari é uma das cidades que mais investiu para a festa. Qual foi o volume de recursos utilizados para o São João deste ano?
 
LC - Eu não tenho ainda somado o total dos recursos. Não temos o São João na sede, mas também em vários povoados de Camaçari. A estrutura é muito grande. Temos hoje, praticamente 70 atrações para os povoados e para a cidade e temos o Camaforró, o mais bem estruturado da Bahia. Ou seja, temos uma estrutura muito boa, que é mais um teatro do que uma festa. Vai ser o melhor São João da Bahia. Temos experiência nisso. Todo ano a gente avalia os erros que cometeu, portanto vamos ter um grande espetáculo para a população.
 
BN - Quais são as principais atrações?
 
LC - Aviões do Forró, Forro do Muído, Aldemário Coelho... Tem banda nacional, regional e estadual, para que todas as tribos do forró sejam contempladas. Só tem banda boa. 
 
BN - Tem expectativa de incremento no turismo?
 
LC - Nós temos no Camaforró 180 ambulantes. São 90 barracas dentro do espaço. É coisa pra 100 mil pessoas por dia. Isso movimenta todo um comércio. Neste ano, pegamos o centro da cidade e ornamentamos por causa da Copa, e está bonito, todo dia de noite tem um forrozinho pé de serra no centro da cidade. Temos o festival de sanfoneiro da cidade. Tem 54 pequenas bandas tocando nos povoados durante o Carnaforró.