Marcelino Galo lança Valmir Assunção como candidato a prefeito de Salvador - 24/05/2010
Fotos: David Mendes/BN

"Ele (Valmir Assunção) é uma pessoa que pode sim concorrer a prefeitura em 2012"
Por Gusmão Neto
Bahia Noticias: Como surgiu a ideia de Marcelino Galo disputar as eleições para deputado estadual?
Marcelino Galo: Na verdade essa não foi uma ideia exclusivamente minha. Ela é fruto de um projeto em conjunto de companheiros do Partido dos Trabalhadores e por conta da nossa trajetória e do nosso apoio político, que há quase 30 anos são dedicados à questão agrária, decidimos concorrer este ano. Também pelo fato da militância do partido, o qual eu sou fundador. A ideia é a mesma da época em que disputei as eleições internas para presidente do PT, quando os companheiros sugeriram o meu nome. Então são forças sociais dentro do partido que querem a candidatura de Marcelino Galo.
BN: O deputado estadual Valmir Assunção, que também representa o movimento agrário, disputará as eleições para federal. Isso te deixa o caminho mais aberto com os eleitores do Movimento Sem Terra?
MG: Eu tenho uma parceria histórica com o companheiro Valmir nessa trajetória da construção do MST. Nesses 26 anos de MST na Bahia, eu sempre acompanhei, estive junto, apoiando a construção desse movimento importante para cidadania brasileira. Ao mesmo tempo ficará na Assembleia Legislativa um vazio, porque a representação que nós tínhamos da reforma agrária era de Valmir Assunção e também de Edson Pimenta (PCdoB), que sairão para deputado federal. Então eu penso que com a saída desses companheiros, o espaço não pode ficar vago, ele tem que ser preenchido porque o estado da Bahia tem uma população rural de mais de 5 milhões de pessoas que precisam do parlamento.

"Se o partido ganhou na Bahia é porque teve a sabedoria de fazer alianças, com setores historicamente da esquerda mas também de avançar e chegar até partidos originários do centro"
BN: Hoje o PT é um partido de alianças e esse trabalho de costuras partidárias se deu na sua gestão enquanto presidente da legenda. Como foi esse trabalho inicial para deixar de lado o radicalismo e abrir o raio de aliados?
MG: Esse foi um período de vitórias. Nós reelegemos o presidente Lula, nós elegemos o primeiro petista para governador da Bahia, além de elegermos o deputado estadual mais votado da história do PT, que é ligado à luta pela terra e ao MST (se refere a Valmir Assunção, eleito em 2006 com 68.302 votos). O povo também deixou de ser espectador e passou a ser protagonista da história. É claro que para conseguirmos tudo isso precisávamos buscar aliados. Se o partido ganhou na Bahia é porque teve a sabedoria de fazer alianças, com setores historicamente da esquerda mas também soube avançar e chegar até partidos originários do centro. Então esse trabalho fez com que o partido tanto em nível nacional quanto estadual ganhasse uma dimensão maior, porém sem perder a identidade e mantendo os seus princípios.
BN: Como o senhor avalia a gestão do atual presidente estadual do PT, Jonas Paulo?
MG: (Silêncio) Bem, o PT tem o seu estatuto e direito de tendências, ele é um partido democrático e nós crescemos por causa disso, abrigando todas as opiniões políticas. Quanto à direção nós temos críticas. Como você deve se lembrar, nós concorremos o PED (Processo de Eleições Diretas), onde foi uma das maiores disputas no Brasil. Foram três turnos. Vencemos o primeiro, vencemos o segundo e fomos ao terceiro. Nós não concordamos com a forma de dirigir o partido e por isso lançamos uma chapa e concorremos. Mas hoje temos que nos preocupar com a reeleição do governador Jaques Wagner e a vitória da ministra Dilma Rousseff. Então, entendo que a questão partidária nesse momento é secundária, apesar das críticas que nós temos.
BN: Alguns críticos dizem que o PT na Bahia é um partido domesticado, que se submete a interesses do governo. O senhor concorda com isso?
MG: Olha, isso é uma tendência. Acho que isso ocorre em todos os lugares em que o partido se transforma em governo e há, de uma certa forma, legitimidade de os governos buscarem influência na direção partidária. Mas eu acho também que cabe ao partido preservar a sua autonomia e não deixar de ser um protagonista, com capacidade de opinar e discutir.
BN: Chapa Majoritária. Quem porta de um nome mais adequado para compor a vaga de senador na chapa do PT, Walter Pinheiro ou Waldir Pires?
MG: Nós temos claro, o partido tem claro, a importância, não só para a sociedade brasileira, como para a esquerda, para a América Latina, para os governos progressistas e o processo de construção do mundo, de nós vencermos as eleições no sentido de continuar esse projeto vitorioso para o povo brasileiro. Então a centralidade, toda a nossa energia, todo o nosso esforço deve se dar à continuidade desse projeto. O Senado, ele é importante? É, mas ele tem que estar nessa perspectiva, no conjunto, na obra como um todo, e a obra como um todo é reeleger o governador e eleger a Dilma.

"O problema que temos hoje é o que gostaríamos e que precisávamos de ter na nossa trajetória"
BN: Mas vamos voltar o assunto para a vaga de senador na chapa do PT?
MG: No Senado nós poderíamos dizer que o problema que temos hoje é o que gostaríamos e que precisávamos ter na nossa trajetória. São dois grandes companheiros, dois quadros do partido, reconhecidamente como companheiros que construíram não só o partido como a luta democrática desse país, que tem uma importância muito grande, e que o partido agora tem que resolver. Foi aprovado um projeto de resolução no congresso do partido, que nesses próximos dias vai privilegiar o consenso progressivo e será escolhido o nome.
BN: O senhor é a favor de que o escolhido cumpra todo o mandato de senador (oito anos), ou entende que ele possa voltar em 2012 para concorrer as eleições municipais? Como por exemplo, Pinheiro deixar o caminho aberto para Nelson Pelegrino disputar a Prefeitura de Salvador, que sempre foi o sonho dele.
MG: Eu acho que sonho ou legitimidade todo militante tem, na medida em que a gente carrega a bandeira, constrói o partido, desde a resistência democrática na luta contra a ditadura. Mas temos que trabalhar pela unidade partidária, e aí nem sempre são sonhos individuais que permitem isso. É preciso isso caber no sonho coletivo. Em momento a momento nós sempre vamos ter aquele companheiro que se coloca e sempre aquele que chamamos de a bola da vez, aquele que reúne as condições necessárias para concorrer esse ou aquele cargo.
BN: Eticamente falando, o senhor não acha que a vaga no PT para concorrer as eleições municipais em Salvador não seria de Pelegrino?
MG: Não. Eu não diria isso, mesmo porque 2012 não se restringe a esses nomes (Pinheiro e Pelegrino). Nós também temos nomes.

"Eu acho que sonho ou legitimidade todo militante tem, na medida que a gente carrega a bandeira, constrói o partido desde a resistência democrática na luta contra a ditadura"
BN: Quem seriam esses nomes?
MG: Nós temos um quadro importantíssimo que é o Valmir Assunção. Nós poderíamos muito bem colocar Valmir como senador, mas deixamos a discussão. Então ele é uma pessoa que pode sim concorrer a prefeitura em 2012, mas não estamos preocupados com isso agora.
BN: Sobre o resultado das eleições para governador, o senhor arrisca um palpite em um possível segundo turno?
MG: A Bahia passa por uma experiência fundamental e inusitada no ponto de vista histórico dos últimos 50 anos. Antes disso vivíamos com a oligarquia dominando, com a concentração perversa de riqueza, com a miséria e a pobreza. Então essa experiência que estamos vivendo agora, do ponto de vista democrático, onde há uma participação do povo, programas como Água para Todos, Universidades Públicas, temos que preservar. E vai ser vitorioso o condutor desse projeto, que é o governador Jaques Wagner.
BN: Mas responda o que perguntei. Havendo segundo turno, quem estará presente?
MG: O segundo turno eu não poderia prever se vai ser este ou aquele, mesmo porque eles são muito parecidos (se refere a Geddel Vieira Lima e Paulo Souto). Eles não se diferenciam. Então, nós do Partido dos Trabalhadores, nós do governo, estamos muito bem preparados para enfrentar um ou outro.