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Entrevista

Antonio Imbassahy: Na vida pública, o movimento político não pode significar ruptura das relações pessoais e familiares - 28/05/2007

Por Daniel Pinto

Foto: Daniel Pinto

Na vida pública, o movimento político não pode significar ruptura das relações pessoais e familiares.

Por Daniel Pinto

O Sr. se filou ao PSDB no final de 2005, disputou uma eleição em 2006 e esse ano se tornou presidente do partido na Bahia. A que o sr. atribui essa ascensão meteórica? O modelo Jutahy estava esgotado ou houve uma grande identificação entre o Sr. e o partido?
Antonio Imbassahy –
Houve uma identificação expressiva entre minha conduta, minha forma de agir, meus pensamentos e os valores defendidos pelo PSDB. Depois que as últimas eleições foram encerradas, como não obtive êxito, fiquei disponível. Então, houve uma movimentação da direção nacional, inclusive com o apoio do deputado Jutahy Magalhães Jr. – que era presidente da legenda aqui na Bahia – e de todos os demais membros para que eu pudesse dar continuidade a um projeto de crescimento do partido aqui no Estado.

Quais são os principais desafios dessa nova fase do PSDB baiano?
AI –
A Bahia é o quarto colégio eleitoral do Brasil. Vamos ter em 2010 uma sucessão presidencial. E queremos que a Bahia possa ter uma performance bem expressiva no que diz respeito à nossa legenda. Queremos ampliar nossa estrutura partidária, dando mais densidade popular, tanto no interior do Estado como na capital. Associando personalidades ao nosso quadro político que possam contribuir com o desenvolvimento de cada região.

O PSDB tem força e apoio político para disputar as eleições municipais? Quais são os principais aliados do partido?
AI –
Olha, a sucessão municipal está um pouco distante. Ainda falta um ano e meio aproximadamente. É muito cedo para fazer qualquer tipo de prognóstico ou definição de candidaturas.

O que o Sr. considera de mais urgente a ser feito em prol da capital e de seus habitantes?
AI –
Acredito que seja de suma importância a conclusão das obras do metrô. Mas, Salvador tem graves necessidades, não apenas no que diz respeito à infra-estrutura, como também os serviços públicos de uma maneira geral. Estamos vendo que ao invés de a cidade avançar, como aconteceu durante minhas duas administrações, ela está dando sinais de dificuldades e até retrocesso em alguns pontos. Existe uma grande dificuldade da gestão financeira e também um claro problema em manter a qualidade dos serviços públicos prestados. A limpeza urbana não vai bem, a conservação da cidade não tem a mesma performance de antes. Isso é algo que preocupa todos nós que amamos essa cidade, que trabalhamos durante oito anos para fazer o melhor por ela e pelas pessoas que aqui vivem. Ficamos, até certo ponto, entristecidos com o que está acontecendo, mas torcemos para que de agora por diante, o prefeito João Henrique possa encontrar os rumos e que a cidade reverta essa tendência. 

Quais foram os erros e acertos de sua experiência como prefeito de Salvador? Havia muita gente, principalmente da cúpula do PFL, querendo dar palpite em sua administração?
AI –
Olha, eu fui, durante cinco anos consecutivos, avaliado pelo Datafolha como o melhor prefeito entre as grandes capitais do país. Não é uma tarefa simples, principalmente para um prefeito reeleito, porque a cobrança sempre é maior. Fizemos uma grande mobilização na cidade. Não o prefeito Imbassahy, mas a excelente equipe que tivemos. Foi a capacidade de articulação, tanto com o Governo do Estado quanto com a União. Houve uma convergência de interesses pelo bem da cidade. Outra coisa importante é que tivemos bons projetos. Quanto ao palpite do PFL, sempre vinham sugestões que eram avaliadas, mas sempre tive – com muita serenidade, muito equilíbrio – minha autonomia.

Tomando por base a decisão do TSE, recentemente o PRP, antigo partido do vereador Alan Sanches, hoje no PSDB, reclamou a vaga na Câmara. Como o Sr. encara a possibilidade do PSDB, que além de Alan tem apenas mais três vereadores na Casa, perder uma vaga no legislativo municipal? O Sr. acredita que a governabilidade só é sustentada com a maioria no legislativo?
AI –
A maioria se faz quando o Executivo opera bem. Se o Executivo tem dignidade, se tem um bom projeto para a cidade, a maioria, o apoio, vem naturalmente. Foi isso que aconteceu durante meus dois mandatos, de 1997 a 2004. Essa manifestação do TSE veio em resposta a uma consulta do PSDB juntamente com outros partidos. Essa ainda não é uma decisão que está tendo a funcionalidade que deveria. Mas, no bojo, em profundidade trata-se de uma decisão correta.

Depois dos últimos acontecimentos (morte de Neylton e indícios de irregularidades), a Câmara Municipal de Salvador pretendia investigar a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) desde 2000, quando o Sr. ainda era prefeito. Durante seus dois mandatos (1997-2004), a SMS deu alguma dor de cabeça?
AI –
Eu diria que há problemas em todas as secretarias, Administração, Saúde, Transportes. Há problemas em todas as áreas que você está manejando, enquanto administrador. Mas, o sistema de saúde de Salvador é muito aquém da necessidade da população. Fizemos muita coisa nessa área, inclusive o aumento de equipes de saúde da família e implantamos postos 24 horas. Muita coisa foi feita, mas claro que tudo que foi feito não deu para suprir a demanda, que é da capital e também do interior.

Por que, mesmo envolvida em tantos escândalos, a ex-secretária de saúde Aldely Rocha ficou até o final de sua gestão?
AI –
Não houve nada que desabonasse a conduta dela, do ponto de vista da honestidade. Isso nós examinamos com profundidade, não apenas internamente na SMS, mas com a participação de auditorias realizadas pela Controladoria Geral do Município. Houve a contratação de parentes, mas foram afastados.

Ainda resta sangue pefelista em suas veias? Afinal, pela própria denominação, os tucanos também não são democratas?
AI –
Verdade, o PSDB é um democrata. Partido da Social Democracia Brasileira (risos). Fiquei muitos anos no PFL (hoje, Democratas), não posso negar que tenho boas recordações.

Esse é um episódio que teve várias interpretações, mas, definitivamente, por que o Sr. rompeu com o antigo PFL? Ficaram mágoas entre o Sr. e o senador ACM (DEM-BA)?
AI –
O que me fez sair do PFL foi exatamente um pensamento distinto. Vim para um partido proporcionalmente pequeno aqui no Estado, se comparado à dimensão nacional que ele tem. Vim para o PSDB e fui muito bem recebido. Não guardo mágoas de ninguém. Isso faz mal! Acaba corroendo sua vida! Não trago mágoas nem ódio no meu coração. Na vida pública, o movimento político não pode significar ruptura das relações pessoais e familiares. Estou muito feliz e satisfeito. O PSDB não me limita em nada. Tenho liberdade para colocar minhas idéias. Tenho conversado com vários partidos numa boa. Graças a Deus! Tem que ser assim. Você sabe que ter diferenças não é crime. Quando existe diferenças você constrói soluções melhores.

E quanto à Operação Navalha, o que o Sr. achou das ações da Polícia Federal?
AI –
Foi uma coisa relativamente surpreendente devido à dimensão dos primeiros passos, as primeiras sinalizações. Foi uma boa operação e a PF está agindo de maneira clara. Mas, temos que aguardar para ver o que mais vai surgir. Certamente existem muitas coisas que ainda não vieram à tona e que não foram devidamente colocadas e esclarecidas.