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Curtas do poder

Curtas do Poder

Curtas do Poder - Zeca de Aphonso - 15/10/2013

Por Zeca de Aphonso

Curtas do Poder - Zeca de Aphonso - 15/10/2013

* A Bahia realmente é um estado de vanguarda. Soube que a Secretaria de Educação do Estado contratou por inexigibilidade de licitação, por 17 meses, a empresa Sol Linhas Aéreas para prestar um curso de simulação de voo. O valor é de R$ 89,6 mil. Ninguém vai poder mais reclamar de aluno aéreo.

* Depois do Topa (Todos pela Alfabetização) é a vez do Tapa (Turma de Alunos Pilotos de Avião).

* Como sei que muita gente não prestou atenção e eu sou uma pessoa muito observadora, vejam o sinal que Jonas Paulo faz na Charge do Borega para os partidos aliados.

* Por falar em partidos aliados, Negromonte também  acredita em tudo. Acreditou em João Henrique, em Márcio Paiva (Lauro de Freitas) e acredita agora que a vaga de vice na chapa do Galeguinho ( J.  Wagner) está garantida para o seu partido.

* O PP na vice da chapa é coisa que não duvido. Até porque o PP é mais unido que o PDT de Marcelo Nilo, além de mais “profissional”.

* Na semana passada, cobrei do Gago (Domingos Leonelli) onde ele aplicou os R$ 170 milhões do Prodetur para a Baía de Todos-os-Santos. Até agora, não tive resposta.

* Aliás, ele anda festejando novos voos internacionais para a Bahia. Gostaria que informasse “quantos vai e quantos vem”, a famosa conta de padaria, ou como dizem os economistas, a balança comercial. Tenho certeza que exportamos mais do que importamos.

* Ainda sobre turismo: o litoral baiano está em alta. A prestigiada revista Condé Nast Traveler, uma das mais conceituadas do mundo, publicou três matérias de 12 páginas sobre o litoral da Bahia. Sem ouvir nenhum órgão estadual. Graças a Deus.

* Durante a ocupação da Câmara, Duda Sanches era apelidado pelo MPL como vereador Gagau, por causa da sua cara de menino. Diante disso, decidiu aderir a um estilo bad boy e deixou uma barba meia-boca para ficar com cara de mau. Clique aqui e veja.

* Falando ainda sobre a Câmara, como é forte a bancada do buzu. Eu sei que nem todo mundo conhece isso, mas o Setps tem uma bancada no Legislativo de Salvador e não tem nenhum interesse na celeridade da implantação do metrô, pois com certeza seu faturamento cairia. Dizem também que a galera aguarda o famoso “faz-me rir”.

* Há quem diga que o problema maior foi a greve dos bancos, coisa que não acredito.

* Tomei um susto esta semana ao ler no jornal A Tarde minha amiga, a professora Ana Fernandes, titular da Faculdade de Arquitetura da Ufba, criticar a Linha Viva em um artigo, alegando que a construção da via retiraria espaço urbano da cidade. Desinformação, né, Aninha? A Linha Viva ocupará um espaço onde não é permitido construir.

* Aliás, soube através de uma prima da colega de minha tia que panfletos, cartazes, carro de som e transporte para a mobilização contra a Linha Viva vem dos moradores de Alphaville 2. Para quem não sabe, os ricos também choram.

* Tomei outro susto ao saber que o ilustre advogado Ademir Ismerim filiou-se ao DEM e pretende disputar uma vaga no Congresso Nacional. Lembro dos tempos em que conheci o nobre causídico, na Faculdade de Direito, indo para a Rússia tomar curso de mobilização e agitação, financiado pelo velho MDB.

Pesadelo

Sabia quando o Cabeça Branca estava na Penha. Era logo avisado. E sabia a hora em que mergulhava para o banho de mar, sempre com água na cintura e o peito de urso branco. Lá conheci um amigo dele. Que, sem demora, me chamou ao lado e disse : “Cuidado”. Quando  o “homem” tomar conta de você, acabou a pesca de quatinga”. Então, sem maiores razões, me contou: “Sou amigo dele de há muito. Mas tenho medo. Eu venho aqui sob ordens”. Fiquei atônito. Então, completou: “Você sabe que não durmo? Que desligo o telefone para não tocar porque imagino ser ele?”. Arregalei os olhos e disse: “Mas eu gosto dele”. “Você não sabe do pior”, retrucou. “Quando durmo tenho pesadelos terríveis. Acordo gritando  imaginando que ele está me garguelando”. Me benzi três vezes, sai da água, mas gritei de volta: “Mas eu gosto dele!”.

O Cabeça e os militares

A minha amizade com ACM cresceu. Até o chamava de Cabeça Branca e ele não dava importância. Só eu o chamava assim. Talvez pela minha simplicidade. Ninguém mais. Entre seus amigos o tratamento deles era reverencial, só faltavam lamber o homem. Um dia, perguntei a ele como chegou ao governo da Bahia, criou um grupo e mandava em todo mundo. Respondeu: “Mandar é fácil, eles aceitam porque eu também agrado. E os cargos estão em minhas mãos.Todos querem empregar a família. Difícil foi ser governador pela primeira vez”. Aí contou uma história que me deixou atônito. Disse que seu candidato a presidente, lá pelos anos 70, era o general Albuquerque Lima. “Era amigo dele e até me pedia conselhos. Acho que não era tão inteligente como eu imaginava. Só que o diabo do general só tinha três estrelas e aí o Estado Maior das Forças Armadas decidiu que só ocuparia o cargo presidencial general de quatro estrelas e escolheu Garrastazu Médici, que era general lá do exército da fronteira do Rio Grande. Eu  não o conhecia. O Albuquerque tinha a simpatia dos quartéis. Fiquei perdido com a escolha inesperada. Então imaginei: se conseguir chegar perto deste Médici três vezes sairei governador da Bahia. Quando eu quero agradar não conheço igual. Só encostei duas vezes e Médici, escolhido presidente, me chamou e me nomeou. Minha força ficou maior na Bahia”. Sai do mar, deixando o Cabeça lá, pensando em quatingas e naquele Cabeça Branca endemoniado. Fiquei pensando, pensando. Então não me contive. Quando já estava longe, gritei para ele: “Você é um danado”. Ele riu, acenou e gritou: “Volte amanhã porque estou cheio desses puxa-saco”.

* Adepto às novas mídias, devo dizer que acabei de entrar no Facebook. Se você tem alguma sugestão, pode mandar para [email protected] ou, se preferir, vá ao Facebook de Zeca de Aphonso e conte.

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