Curtas do Poder - Zeca de Aphonso - 26/11/2013
*Depois que o comandante-geral da PM foi assaltado na Orla, descobri que Mauryssão (Maurício Barbosa), como é conhecido na Bodytech, não se expõe. Paga estacionamento privativo e malha na academia mais segura da Bahia. Veja aqui e aqui.
*Aliás, coronel Alfredo Castro, volta pra Orla! A sua presença é bem-vinda, os frequentadores me prometeram cuidar do Sr.
*Depois de contratar uma empresa para o planejamento da prefeitura, o Soberano (ACM Neto) mandou contratar uma empresa para administrar o trânsito de Salvador. Acho que foi só para não demitir o Exu Tranca Rua (Fabrizzio Muller).
*Como não tenho muito o que fazer aqui na ilha, fiquei imaginando como vai ser o depoimento do Romano (Mauro Ricardo) em São Paulo.
Corregedor: O senhor, Mauro Ricardo, foi secretário de Finanças do governo Kassab?
Mauro Ricardo: Fui sim, senhor.
C: O senhor teve conhecimento de que seus assessores roubaram R$ 500 milhões da sua secretaria?
MR: Soube quando li no Bahia Notícias. Decepção maior do mundo. Fique espantado com a monta.
C: O senhor nunca desconfiou que eles eram corruptos?
MR: Recebi a denúncia, senhor. Mas, como acredito no ser humano, perguntei ao Ronilson e ele negou. Aí mandei arquivar.
C: O senhor foi indicado por quem para a Funasa?
MR: Pelo Dr. Serra, senhor.
C: O Ministério Público acusou o senhor de superfaturamento nessa mesma empresa, Sr. Mauro?
MR: Denunciou sim, senhor. Mas me tirou do processo porque eu não sabia de nada.
C: O senhor presidiu a Copasa?
MR: Presidi sim, senhor. O Dr. Serra me indicou para Aécio Neves.
C: O senhor respondeu uma ação de improbidade administrativa?
MR: Respondi sim, senhor. Mas fui inocentado, pois nada sabia
C: O senhor está atualmente na Secretaria da Fazenda de Salvador?
MR: Estou sim, senhor. Dr. Jutahy me indicou.
C: É verdade que não existia cobrança de ISS nessa capital e o senhor implantou?
MR: Sim, senhor.
C: O senhor está dispensado, Mauro Ricardo
*Sou simpático à chapa de Lídice da Mata e Eliana Calmon. Só acho, na minha ignorância, que vai faltar voto e dinheiro.
*Veja a preocupação do Galego (Jaques Wagner) com o seu sucessor. Em meio a um corte de gastos anunciado por ele mesmo, publicou hoje no Diário Oficial uma verba de R$ 220 mil para reforma do seu gabinete.
*Ainda sobre Judiciário, por onde andava o TCE, que nunca viu ou se pronunciou sobre o escândalo dos precatórios, responsável pelo afastamento de Mário Alberto Hirs e Telma Britto do TJ?
*Definitivamente, essa briga pela reitoria da Universidade Católica de Salvador não é coisa de Deus.
*Dr. Otto não anda em boa fase. Primeiro, surgiu possibilidade de Paulo Souto sair candidato a senador. Agora, Eliana Calmon. Com certeza, isso tiraria voto do nobre secretário na capital.
*Por sinal, a situação de Dr. Otto se complicou ao comprar ferries caros que não entram no atracadouro. Mas o problema maior é o justamente o aumento do mesmo, pois necessita de licenças ambientais de todas as ordens, fora o tempo de construção. Tenho uma dica: bota Reynaldo Loureiro, dono da Marina, para tocar isso. Pense em um cara que sabe agilizar construção no mar.
*E acreditem: hoje, ao ouvir entrevista do nobre vice-governador na Tudo FM, ele revelou que um lobista da empresa que o denunciou é ninguém mais ninguém menos que Timóteo Brito, deputado do seu partido.
*Fiquei surpreso ao ver o lançamento do livro do poodle toy do Soberano, Aloprates (Léo Prates). Vou sugerir ao meu amigo Samuca a sua indicação a uma cadeira na Academia Baiana de Letras. Com certeza, constará no livro um capítulo especial sobre o seu maior projeto: o Dia da Medida Certa.
*Uma sobrinha de Salvador me contou que tem vereador melhor avaliado em aplicativo de paquera do que na Câmara (veja aqui e aqui). Se bem que as categorias Ambição e Compromisso do Lulu podem ser mais abrangentes...
*Vieira Lima, que não é o Geddel, tenta a todo custo manter o atual presidente da Fieb. Não é por menos, já que é a federação é o seu maior cliente e parceiro.
*Outro Vieira Lima andou batendo um baba um dia desses. Foi o confronto do Chilavert da Caixa com o bonsai de Cristiano Ronaldo. Clique aqui e confira.
* Aviso: um filho de um grande empresário do setor imobiliário acaba de receber uma bolada com a venda de um terreno em Camaçari. Os credores se habilitem pois o menino é escoregadio e não é dado a cumprir compromissos.
*O espírito de Geraldo Brindeiro, o engavetador-mor da República no governo Fernando Henrique, baixou de vez em Camaçari. Pois não é que o senhor Gerson Dantas, atual procurador do Município, a pretexto de garantir a moral da coisa pública, passou a engavetar todos os processos sob sua tutela. O paradeiro é geral. Para não dizer que o homem é preguiçoso, sabe-se que ele passa o dia fazendo as contas dos meses que faltam para se aposentar. O resto que se dane!
Eu e o Cabeça Branca
O calvário de Memeu
Passei a conhecer – à distância – todos os amigos do Cabeça Branca, mas deles não me aproximava. Preferia estar somente com ACM porque ele era uma aula de conhecimentos e fofocas políticas da Bahia e do País. Prestava atenção e chegava a discordar dele, mas parece que, nesse aspecto, ele não me dava nenhuma atenção. Porque iria dar atenção a Zeca, que morava em Mar Grande e cujo tempo era gasto pescando quatinga na velha ponte do Duro? Assim eu soube, através de Orlando Garcia coisas de Barbosa Romeu, também amicíssimo dele. Contou-me que Memeu tinha pavor a ACM. Ficava nervoso com qualquer reclamação, na verdade dava esporros, quando passava a ter tics nervosos, como levantar o ombro direito para cima e puxar a cabeça para frente com se estivesse sendo estrangulado com a gravata. Além de ficar com péssimo humor. Nessas horas, era prudente não encostar nem falar nada. Memeu, depois da Casa Civil, foi deputado estadual, do que ele não gostava. Dizia sempre: “O que quero mesmo é ser um homem livre, livre, viver em Roma (era descendente de italianos), e não ser deputado. Gosto do povo, mas meu lema é do povo, para o povo, mas longe do povo”. Num dos mandatos, numa época em que o Cabeça se tornou o manda-chuva da Bahia e brigava até com general, o velho mandou que ele se candidatasse a presidente da Assembleia. Memeu ficou louco. “Não! Não quero!”. Respondeu o Cabeça: “Você vai ser presidente, sim! Preciso de você lá para orientar o Luís Eduardo, e está decidido!” Memeu, no iniciozinho da tarde, antes de ir para a Assembleia presidi-la, para ficar calmo, tomava quatro doses, quase duplas, de whisky, acompanhado de um prozac. Às 16h30 da tarde, a sessão estava embalada e o efeito da bebida e do prozac começava a diminuir. Memeu ficava tenso, todos notavam porque movia os ombros, espichava a cabeça. Chamava, então, Luís Eduardo à Mesa Diretora e dizia: “Não vá mais à tribuna e não peça apartes a ninguém, porque seu pai vai me degolar. O que você fizer aqui quem paga sou eu”. Dudu Brilhantina, como Luís era conhecido, não tomava conhecimento. Pintava e bordava. Quando Memeu chegava em casa, na Pituba, ia direto para cama, mas não dormia. Esperava o telefonema porque o Cabeça invariavelmente já sabia de tudo. “O que aconteceu?”. Tome-lhe esporro em Barbosa Romeu. E ele, desvairado, saía a gritar da janela para a rua sem se dirigir a ninguém. “Não vou mais, não vou mais para aquela merda!”. No outro dia, Memeu, silenciosamente, tomava suas quatro doses de whisky, o seu prozac e seguia para o seu calvário, pensando no Cabeça Branca e xingando baixinho.
*Se você tem alguma sugestão, pode mandar para [email protected] ou, se preferir, vá ao Facebook de Zeca de Aphonso e conte.
