Casa França-Brasil e governo do Rio vetam áudio de Bolsonaro em instalação artística
Foto: Divulgação

O diretor da Casa França-Brasil, Jesus Chediak, e o secretário estadual de Cultura do Rio de Janeiro, Leandro Monteiro, proibiram que um áudio com declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro fosse usado em uma instalação artística que integraria a mostra "Literatura Exposta". De acordo com informações do jornal O Globo, a obra, criada pelo coletivo És uma Maluca e batizada de “A voz do ralo é a voz de Deus”, é composta de 6 mil baratas de plástico em volta de uma tampa de bueiro, pelo qual são transmitidos discursos de Bolsonaro.


Segundo a publicação, cada artista havia sido provocado a criar algum trabalho a partir da releitura de um texto de um escritor considerado periférico. O grupo que realizou a instalação se inspirou então no conto "Baratária", do escritor Rodrigo Santos, sobre uma mulher torturada com baratas introduzidas em sua vagina durante a ditadura militar.


“Não nos interessa, no momento, envolver um presidente eleito, que ainda nem tomou posse. O artista é dono de sua obra, mas nós temos responsabilidade pelo espaço, que é público”, declarou Chediak ao jornal, acrescentando que irá conversar com os artistas para que a referência a Bolsonaro seja retirada. “Isso eu não vou permitir. O presidente foi eleito pela maioria dos brasileiros e merece respeito”, acrescentou, dizendo ainda que se considera traído pela curadoria da mostra, por não saber o conteúdo da instalação previamente.


O secretário de Cultura do Rio, por sua vez, defendeu a decisão do diretor do espaço. “Não considero censura. Eu só tenho que preservar a imagem de um presidente eleito. Não vou permitir que isso aconteça em um equipamento público do estado”, disse.


Após o incidente, os artistas do coletivo decidiram protestar usando um recurso emblemático comum na época da ditadura no Brasil, substituindo o discurso de Bolsonaro por uma receita de bolo.

Histórico de Conteúdo