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Em 22 anos, apenas 21 filmes baianos estrearam no cinema

Por Lucas Arraz

Em 22 anos, apenas 21 filmes baianos estrearam no cinema
Foto: Divulgação / XIII Panorama Coisa de Cinema

Todos os anos o setor audiovisual brasileiro levanta parte considerável do Produto Interno Bruto (PIB) do país, mas a Bahia está ficando de fora dessa conta. Segundo dados disponibilizados pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual, nos últimos 22 anos, dos 1.391 longas brasileiros que estrearam no circuito comercial, apenas 21 filmes eram baianos. Uma participação inferior a 2% e 20 vezes menor que a de São Paulo, um dos maiores polos nacionais, no mesmo período de tempo. Isso significa menor fatia no montante que, em 2014, resultou em cerca de R$ 25 bilhões para o PIB, contra R$ 22 bilhões levantados pela indústria automobilística, por exemplo. No cenário geral, só em 2014, dos 114 filmes brasileiros registrados pela Ancine que estrearam no circuito comercial, apenas 2 produções eram baianas. Em 2016, o cinema nacional viveu um bom momento nos grandes circuitos. 140 longas brasileiros estrearam no ano, um aumento de 22% em número de filmes. Mas apenas 1 produção estreante era baiana: O documentário “A Loucura entre nós” da diretora Fernanda Vareille. São consideradas baianas produções dirigidas e produzidas por nomes locais.

 

 

 

Quanto menor a participação da Bahia no grandes circuitos, menor é a participação nos lucros do cinema que, para Cláudio Marques, diretor de “Depois da Chuva” (2015), são os mais bem distribuídos da economia. “Você termina de ver um filme e sobe aquele tanto de nome nos créditos”, diz. “Se um filme fatura R$ 1 milhão, significa que pelo menos 100 pessoas vão dividir esse dinheiro”, completa Marques. Para além dos ganhos com bilheteria, o orçamento atraído por editais para produções cinematográficas da Ancine também ajuda a estimular a economia de um estado. “Atraímos R$ 14 milhões em um edital da Ancine. Isso significa trazer esse dinheiro para a Bahia. É irrigar todo um segmento, como uma floricultura onde uma assistente de produção compra as flores para uma cena”, argumenta Cláudio Marques. “Quando se fala de R$ 14 milhões estamos falando que, pelo menos, 3 mil pessoas vão ganhar esse dinheiro diretamente”, defende o diretor, que também é curador do festival Panorama Coisa de Cinema.

 


A Bahia até aparece no cinema, mas não com filmes daqui. Nesse sentido, o estado é retratado na tela mais do que produz o que está nela. A exemplo de “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (2017), que está atualmente em cartaz e foi rodado no Pelourinho pelo carioca Pedro Vasconcelos. “Vocês têm tudo o que precisam para produzir cinema aqui. Além de pessoas talentosas, a Bahia conta com cenários naturais exuberantes”, defendeu o diretor, que optou em ir para Belo Horizonte para gravar as cenas internas do filme. Um dos motivos que dificultam as gravações locais é o alto custo de maquinário. “Trazer máquinas de última geração de São Paulo custa em torno de R$ 30 mil e não é toda produção que terá essa quantia”, destacou Cláudio Marques. A solução para que a Bahia deixe de ser apenas cenário e passe a ser polo produtor consumidor daquela fatia do PIB está nos investimentos, segundo o cineasta Ramon Coutinho. “A gente precisa  investir nos aparelhos, em escolas, em novas salas de cinema baratas. Não adianta atrair produção externa para cá, elas fazem poucas cenas aqui e só servem para reafirmar estereótipos”, declarou.

 


Estimular um local como cenário cinematográfico como forma de fomentar o cinema foi a estratégia adotada pelo atual Ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão, que entregou verba para produções hollywoodianas como “Crepúsculo” e “Velozes e Furiosos” gravarem no Rio de Janeiro. Para Cláudio Marques, essa estratégia não funciona. “Os R$ 10 milhões que deram para Crepúsculo gravar uma noite no Rio de Janeiro e reforçar estereótipos poderia fazer mil diretores cariocas viverem de cinema por pelo menos 6 meses”, aponta Marques. “ Com R$ 1 milhão na produção do Filipe Bragança, o filme foi para um festival de cinema em Berlim. Não é importante ter um filme que se fale português, que as pessoas possam saber realmente o que é o Brasil rodando internacionalmente?”


Na luta por espaço, o cinema baiano do estado pode não estar nas grandes salas de cinema com frequência, mas está trilhando seu caminho. Recentemente o baiano “Café com Canela”, de Glenda Nicácio e Ary Rosa, foi contemplado com o Prêmio Especial pelo júri formado por Anne Fryszman, Jorge Forero e Antônio Olavo no XIII Panorama Coisa de Cinema, realizado na última semana. O longa foi gravado nas cidades de Cachoeira e São Félix e mostra a transformação de duas mulheres através da amizade. A produção também foi considerada o Melhor Longa Nacional para a Associação de Produtores e Cineastas da Bahia (APC Bahia).