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Marca Bahia Notícias

Notícia

Faixa a Faixa do EP 'Tropical Selvagem'

Por Virgínia Andrade / Lucas Cunha

Faixa a Faixa do EP 'Tropical Selvagem'
Lia Cunha, João Milet Meirelles e Ronei Jorge comentam as músicas do EP
Durante passagem ao Bahia Notícias para entrevista sobre o lançamento do EP da banda baiana Tropical Selvagem, pedimos aos integrantes do grupo, o trio formado pelos músicos Ronei Jorge Martins e João Milet Meirelles e pela artista plástica Lia Cunha, para um faixa a faixa sobre as cinco faixas do primeiro EP autointitulado "Tropical Selvagem". O resultado você confere abaixo:

“Eu não sei de nada”
 
João Milet Meirelles - Foi uma das primeiras músicas que nós trabalhamos desde o início. Foi uma das que eu pensei: 'pra onde é que eu vou?'. Tem uma coisa muito seca no arranjo, no sentido de poucos elementos. Ela também tem um pensamento orquestral que eu fui fazendo intuitivamente, tem a referência dos arranjos que o Rogério Duprat fazia na Tropicália. E foi a música que estimulou a criação do nome do grupo por parte de Lia. A gente já abriu muito show com ela porque permite o improviso, tem vários ambientes dentro dela. 
 
Ronei Jorge - Era uma música que eu tinha tem um tempo, que pra mim era diferente. O começo é meio árabe e depois vem essa parte meio tropicalista, que é quando ele faz essa parte meio orquestral, a harmonia fica mais doce. Acho uma música muito significativa para o trabalho da gente. Porque ela tem uma parte rítmica, a parte meio experimental.
“Encabulando os convidados”
 
João Milet Meirelles - Foi uma música que apareceu mais pra frente. Ela contratava bastante com "Eu Não Sei de Nada" na concepção de som, bem mais pop, dançante, quase de pista. Algo mais animado, uma música que já fechou vários dos nossos shows. 
 
Ronei Jorge - Tem algo bem interessante, porque a letra não é nada alegre. Meio que você canta sem se dar conta do que está sendo dito. É quase um louco que quer se suicidar. A libertação através da morte ou da loucura. As pessoas dançam, é uma pegadinha interessante (risos). O arranjo ficou muito bom, instiga todo mundo.
 
João Milet Meirelles - Essa música é um exemplo de como o ‘ao vivo’ modificou o arranjo dela. Quando começamos a tocar nos shows, era algo mais simples, com poucos elementos. Tocando  nos shows, ela foi ganhando várias nuanças. E (o guitarrista) Juninho tem um papel fundamental nisso.
 
Lia Cunha - É um bom exemplo de como a música na performance complementa com o cenário. Nessa música, Márcio Nonato opera a luz ao vivo e ele interpretou para fazer como se estivesse dançando, faz um pôr-do-sol, é muito visual no show. 
 
 
"Que Amor É Esse?"
 
João Milet Meirelles - As duas primeiras, "Eu Não sei de Nada" e "Encabulando os Convidados", apresentam o que o grupo é capaz. Uma coisa mais experimental e misteriosa, outra mais festiva. E "Que Amor É Esse" completa indo ‘pras cucuias’ (risos). Quando fiz o arranjo, pensei: 'vou chutar o balde mesmo'. Parti desse som mais noise do underground da eletrônica, que cria composições a partir de falhas de som. Pensei muito nisso, usar uns sons mais de ruídos. E é uma canção muito doce, de amor, melodia bonita. E tem esse arranjo mais esquisito que contrasta, mas acho que cabe.
 
Ronei Jorge - Lembro que eu recebi (o arranjo) de noite. Ouvi no computador e fiquei muito feliz. E assustado. Porque nessa música o arranjo de João faz algo bem cinematográfico. Acho fantástico pensar o arranjo de uma maneira imagética, dramatizar o texto e a canção. Tem uma trilha por trás da canção, dizendo outro caminho, tem comentário no arranjo. Acho que nossa música que mais chama atenção.
 
João Milet Meirelles - A letra é repetida duas vezes, mas o arranjo é pensado como um só, como se a narrativa da letra terminasse e fosse contada de novo. E você precisa ouvir a música inteira para entender a narrativa do arranjo. Pensando em um filme, é como se uma cena aparecesse de novo com outra cor.
 
“Hoje” - 
 
João Milet Meirelles - "Hoje" é romance, amor. A gente queria que Pablo cantasse. E que Gilberto Gil cantasse a melodia do sintetizador final. Brincamos com isso, mas ela é assim mesmo, bem "love song". Ronei ficava meio com receio, achava muito confessional.
 
Ronei Jorge - É uma daquelas músicas que você pega o violão e vai cantando. Mas acho que ela ganha outro rumo também. Talvez seja a única que se alguém me falar "toca aí no violão", que falaria que não. Ela é muito casada com o arranjo. Juninho fez uma frase de guitarra que não sai da cabeça. E tem um texto muito direto. E essas coisas muito diretas acho que mexem com a gente. Fiquei sem saber se eu queria cantar ela. Mas hoje eu gosto muito. "Hoje" eu acho que é pop em todos os sentidos. O texto é mais direto, tem cara de rádio. E se Pablo cantasse ficaria mais ainda (risos).

 
“Quem Dera um Dia Fosse” (aka Beijinho Doce)
 
João Milet Meirelles -Também conhecida como Beijinho Doce, foi uma das primeiras que teve esse pensamento mais dançante. Ronei já tocava ela, cheguei a fazer parte de uma formação que ele fez depois (do fim) da Ladrões. Já conhecia ela, com o arranjo que. Quando fiz o arranjo eletrônico, pensei que não queria que ela tivesse nada a ver com a versão anterior. Queria fazer algo dançante, com um pensamento um pouco de samba. Soa um arranjo eletrônico, mas tem essa raiz de samba duro. Mostrei para meu irmão, que não é músico mas que tem uma grande sensibilidade musical. E ele me disse: 'massa, bem Bahia’. Não tinha nem essa noção. Ela é bem eletrônica, mas também bem brasileira.
 
Ronei Jorge - Foi o meu primeiro encontro musical com João foi quando fiz alguns shows solo. Não gosto de dizer que a Ladrões acabou, mas eu acho que sim, porque o guitarrista está em São Paulo. Eu não gosto de dizer que acabou porque a gente não brigou. Mas estamos em recesso indeterminado.