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Notícia

'Vamos ser palco, gente?', questiona artista plástico Leonel Mattos sobre Bienal de Arte da Bahia

Por Marília Moreira

'Vamos ser palco, gente?', questiona artista plástico Leonel Mattos sobre Bienal de Arte da Bahia
Marcelo Rezende, diretor do MAM-BA | Foto:Lara Carvalho/Divulgação
O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) iniciou, nesta sexta-feira (15), o ciclo de debates quinzenais “MAM Discute Bienal”. O projeto tem como objetivo reunir artistas, pesquisadores, estudantes e interessados para discutir propostas de formatos e conteúdos da Bienal da Bahia, prevista para acontecer em 2014. A estreia, no entanto, não agradou muito o artista plástico baiano Leonel Mattos, que além de reclamar do atraso e da baixa participação de artistas baianos, critica a forma com que o assunto tem sido tratado. Em sua página pessoal no Facebook, o artista diz que havia “meia dúzia de gatos pingados” e que a palestra demorou mais de meia hora para começar, justamente para “esperar o povo chegar”.


Foto: Reprodução/Facebook

Com o tema “Bienais, para quê e para quem?” a discussão foi conduzida pelo diretor da instituição, Marcelo Rezende. Paulista, Marcelo Rezende já participou de diversas curadorias e trabalhou diretamente na Bienal de São Paulo e assumiu a diretoria do MAM – após a demissão de Stella Carrozzo, em dezembro passado – com a missão de conduzir a produção e a realização da Bienal Internacional de Arte da Bahia, junto a um conselho curatorial. “Quando [Marcelo Rezende] iniciou sua conversa citou as Bienais e a vida de São Paulo por mais de uma hora. Resultado: fui embora porque tenho mais o que fazer e o deixei falando sobre Sampa, afinal o cara é paulista!”, escreveu Mattos. Em entrevista ao Bahia Notícias, Leonel Mattos disse que não quer ser mal-interpretado e que não tem nada contra paulistas. “Colocaram um diretor de fora, não tenho nada contra, mas bote pessoas que entendam o que a Bahia precisa. Fui para aplaudir, ver o que é interessante, sou artista de somar e não de criticar por criticar”, afirmou.  

Segundo o artista, não há como se pensar em uma bienal sem estrutura física que possa receber as obras. “O MAM não tem acervo nem espaço para receber uma bienal. É um espaço que não deveria ser mais museu. Se a bienal acontecer, ela deverá ser repartida em vários espaços – que também não têm estrutura. A Copa vem para cá e tiveram de construir a nova Fonte Nova para recebê-la. Deveria funcionar do mesmo modo com a arte”, sugeriu. Para Mattos, o próprio formato da Bienal está em defasagem. “Apesar de as bienais terem crescido, elas têm se mostrado ineficientes, pois têm caído na moda da arte conceitual e deixado os artistas que não se encaixam neste rótulo de fora. Não tem sido e não será feito nada em prol do resgate e da revelação de artistas baianos. Nós estamos desacreditados no MAM. Vamos ser palco, gente?”, questionou.

Em nota, a assessoria do museu afirma que o projeto contará com uma sequência de encontros com a participação de artistas atuantes no cenário baiano, que abordarão temas diferentes e complementares, a fim de proporcionar um entendimento completo sobre o funcionamento de um evento deste porte; os próximos temas a serem discutidos são:

Horário - 9h às 12h
Local- Cinema do MAM
05/04– Bienais da Bahia 66-68
19/04Bienal de São Paulo/Bienal do Mercosul – Diferenças e repetições
03/05 Dos Salões à Bienal – Um caso baiano, um caso universal
17/05 Documenta 4 e Documenta 5 – Do fracasso ao sucesso
31/05 24ª, 27ª e 28ª Bienais de São Paulo – Tentativas de atualização
14/06Globalizados e pervertidos – 3ª Bienal de Havana e 6ª Bienal do Caribe
28/06Em busca de novos modelos – Berlim e Bahia / Ponto final, momento de início: Bienal, faça você mesmo