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Marca Bahia Notícias

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Resenha BN: Chico Buarque faz show impecável e morno em Salvador

Por Camilla Brito

Resenha BN: Chico Buarque faz show impecável e morno em Salvador
Depois de cinco anos, Chico Buarque voltou a Salvador para a estreia da sua turnê "Chico", nesta quarta-feira (9), na Sala Principal do Teatro Castro Alves, onde – ele mesmo fez questão de relembrar ao público – cantou "há 40 anos atrás" (com errinho de português e tudo) com Caetano Veloso. Vestido com calça jeans e camisa preta de gola alta, "a la" Steve Jobs, o carioca insistiu na fama de tímido para manter distância do público – a maioria, na faixa etária do cantor.
 
Pontual, Chico entrou sorridente cantando "O Velho Francisco", um gracejo sutil com a sua própria trajetória, para só na segunda música cumprimentar a plateia com um contido "Boa noite, Bahia". Impecável, a banda composta por oito integrantes (uma única mulher) deu uma aula de música, com cada instrumento e musicista em harmonia com a voz da estrela da noite, que pouco circulou pelo palco de cenário sóbrio, elegante, na medida para se ter a impressão de que Chico estava ali, só para você, na sua sala de visitas.
 
Passada a euforia inicial, o músico conduziu o público por canções românticas sob luzes azuis e fumaças. A temática dos amores passados passou para os amores vivos, atuais, apaixonados, agora com iluminação alaranjada e uma banda mais animada. O ponto alto foi quando o convidado Wilson das Neves entrou no palco dançando e, provocativo, conseguiu até uma hipótese de dancinha de Chico Buarque. Após cantarem juntos "Tereza da Praia", Das Neves (baterista que acompanha o cantor desde a década de 1960 e atualmente integra a Orquestra Imperial) deixou seu chapéu no palco, abrindo brecha para o único momento de espontaneidade do show, quando Chico o procura para devolver e recebe um "pode usar!"; obediente e rindo, veste o acessório.
 
Sucessos como "Geni e o Zepelim", "Anos dourados" e "Desalento" fizeram o público cantar em voz alta, o que o estimulou a voltar para dois bis. O saldo do show só poderia ser positivo. Para o bolso, são outros quinhentos (ou R$ 320, mais especificamente, valor do ingresso nas fileiras de A a Y do TCA). Ao contrário de outro ícone da música, Sir Paul McCartney, que fez questão de interagir com o público adequando até o sotaque das falas às cidades por onde passou em sua última turnê no Brasil, Chico foi simpático, mas não encantou. Apesar de correr pelo palco tocando a mão dos fãs como um rock star, como diria o gaúcho Wander Wildner nos tempos de Replicantes, talvez Chico fosse mesmo velho antes de nascer.