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O CERIMONIAL E O PODER


Edvalda Bomfim

Em matéria publicada na edição do dia 10.12.2007, no Bahia Notícias, o jornalista Samuel Celestino, comentando o incidente ocorrido com o governador Jaques Wagner, durante o show do cantor Roberto Carlos, em Costa de  Sauípe, pontuou algumas falhas. Entre elas, disse que o cerimonial do governo: “teria que estar atento e, antecipadamente, garantido para a comitiva do governador o mínimo de estrutura. Pelo menos é assim que funciona…”
Na verdade, fatos desta natureza revelam não só a importância do cerimonialista, como evidencia que no exercício da função, um dos seus grandes desafios é conseguir com os seus recursos humanos e logísticos, respostas às exigências de um conjunto de expectativas e acontecimentos os quais, sob nenhum pretexto, deve permitir a vulnerabilidade da imagem da autoridade.
Um evento, seja ele de caráter público ou privado, deve, necessariamente, assentar-se em três pilares: protocolo, comunicação e segurança. Quando falha uma destas partes, o todo fica comprometido e o trabalho da equipe de cerimonial perde o seu critério de excelência. Muito pior, a relação da autoridade com a consecução dos objetivos, naquele ato, vai por água abaixo – comprometida.
As atividades de cerimonial, embora existam no Brasil desde remotos tempos da sua formação colonialista, vêm, nos tempos atuais, tornando-se sumamente importantes no contexto da administração dos Municípios, dos Estados e da Federação, envolvendo cada dia mais todos os segmentos da sociedade. Isto porque, de modo geral, as instituições, diante da nova ordem econômica, política e social, vivem  hoje com a firme preocupação de desenvolver suas mensagens no sentido de construção de um verdadeiro território de identidade e personalidade própria.
Ao profissional que exerce esta função, cabe um papel preponderante. Neste novo cenário, contudo, o que temos visto são pessoas totalmente despreparadas exercendo esta difícil missão. Os eventos institucionais, científicos, polítcos, culturais e etc. se sucedem, atraem pessoas em número cada vez maior e ganham sofisticação, inclusive, cenográfica e tecnológica. Contudo, no desenvolvimento e apresentação dos seus roteiros e conteúdos os erros protocolares e de comunicação são elementares e gritantes aos olhos de qualquer leigo. 
Não basta só gostar de estar em  festas, de ser visto ou sempre solicitado (é ao contrário – quem faz cerimonial está sempre na retaguarda e no anonimato). Esta atividade exige do profissional uma gama de conhecimentos específicos que alicerçam o seu desempenho ao limite da responsabilidade pela imagem, bem-estar e  o sucesso, além dele próprio, ou seja do Outro.
Como no Brasil, a exemplo da Espanha, Portugal e outros países, não existem cursos de formação e especialização nesta área, o Conselho Nacional de Cerimonial Público (www.cncp.org.br), com sede em Brasília e vinculado à Organização Internacional de Protocolo, vem suprindo esta carência, congregando e subsidiando os cerimonialistas brasileiros em questões pertinentes à atividade.
O CNCP promove anualmente um Congresso e, em 2008, será realizado em São Paulo, simultaneamente, ao Congresso Internacional de Protocolo que será sediado no Brasil. Ambos têm como objetivo promover a reflexão e uniformização dos procedimentos na área de cerimonial, protocolo e etiqueta. Uma boa oportunidade de aprendizado para os que estão atuando na base do improviso e do amadorismo.

Edvalda Bomfim é graduada em História, pós-graduada em Administração e Organização de Eventos Públicos e Privados e em Educação a Distância. Membro do Conselho Nacional de Cerimonial Público e da Associação Portuguesa de Estudos do Protocolo.
[email protected]