Mais impostos, menos investimentos, mais desemprego
Em frangalhos, com direito a comércio fechando em áreas nobres como a Barra e o Rio Vermelho, a economia de Salvador terminará de quebrar com os aumentos propostos pela prefeitura de Salvador, e aprovados na última semana pela base governista na Câmara Municipal.
Um dos setores mais produtivos da capital, o mercado imobiliário sofrerá um baque ainda maior com o reajuste inflacionário aplicado no Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbano (IPTU), que está sub judice no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), pelos aumentos exorbitantes praticados pelo município na última majoração do tributo, em 2014.
Outros impostos, como as taxas de lixo e de iluminação pública, também tiveram aumento real aprovados pelo legislativo soteropolitano, o que incidirá com força justamente nas contas do setor do comércio, afetando diretamente a economia local, que, por não ser industrial, está fincada basicamente sobre esse setor e o de serviços.
As taxações, que o prefeito de Salvador diz ser essencial para a manutenção da saúde fiscal da cidade, contrasta, entretanto, com o superávit de R$ 1,5 bilhão nos cofres municipais.
Pergunto-me para que serve a economia desse valor em caixa, se a solução encontrada pela prefeitura é jogar sobre as costas do setor produtivo, tão importante para a geração de empregos, a conta pela ânsia arrecadatória da gestão inexperiente do prefeito?
Nitidamente gestadas por um administrador pouco afeito a uma máquina pública do tamanho de Salvador, as ações do prefeito surgem em meio a uma grave crise econômica sem precedentes, aprofundada no governo atual e que afeta duramente toda região Nordeste.
Até mesmo os mobiliários urbanos, a exemplo dos outdoors, foram tributados pelo município. Terão, agora, que pagar alíquota de 2% de ISS (Imposto sobre Serviços).
Com atitudes desse tipo, a gestão municipal conclui o processo de afugentamento dos investimentos privados na capital baiana – o que, sabemos, influencia diretamente a vida das pessoas, por meio da falta de vagas de trabalho, longos períodos de desemprego e a volta do ciclo da fome.
Não falo sem bases. Os números são claros. O último balanço divulgado pela Associação de Dirigentes do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-Ba) aponta que, das 3.108 unidades habitacionais lançadas em 2017, 3.044 foram relativas ao Programa “Minha Casa, Minha Vida”, subsidiados pelo governo federal. Isso significa que, por conta própria, o sofrido mercado imobiliário lançou irrisórias 64 unidades este ano. Os dados, assustadores, chegam a provocar saudade da gestão João Henrique, quando se chegava a registrar 17 mil lançamentos no ano.
O impacto desta queda também pode ser visto através das estatísticas de empregabilidade. Salvador figura entre as capitais brasileiras campeãs em desemprego.
A cidade, a maior capital do Nordeste, sequer passa por uma recuperação nesta gestão, pois não apareceu na lista dos 50 municípios que mais criaram empregos no primeiro semestre do ano, de acordo com pesquisa divulgada pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
Ou seja, além de não investir em ações que mudem a vida de quem mais precisa, a gestão do atual prefeito de Salvador faz questão de atrapalhar qualquer esperança de retomada econômica que possa existir, taxando os setores que produzem riqueza na capital baiana.
Se já não era raso, agora o poço passará a ficar cada vez mais fundo.
A economia de Salvador precisa de resgate!
*José Trindade é vereador na cidade de Salvador, líder da oposição na Câmara Municipal, engenheiro civil, administrador de empresas e pós-graduado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FVG)
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