AS NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO
“Se olharmos nesses últimos 15 anos, graças à informática,
mudou radicalmente a cara dos bancos, dos consultórios
médicos, das agências de viagens, dos escritórios, mas, não
mudou a cara da escola brasileira”.
(Cristovam Buarque, senador)

Edvalda Bomfim
Em recente artigo, publicado na edição do dia 15 de janeiro último, neste site, o senador Cristovam Buarque, comenta o fato do Presidente Lula, no seu discurso de posse, ter prometido informatizar todas as escolas brasileiras, dizendo que: “se, entretanto, ele (o Presidente) acertou na promessa, nada indica que vai acertar no caminho”. Como teórico do assunto, o senador sabe e foi claro quando disse que não é com a chegada do computador à escola que se efetiva a inclusão digital na educação brasileira. Ela passa, na verdade, por questões mais complexas, como a capacitação do professor, pelo redirecionamento dos projetos pedagógicos e pela reformulação das grades curriculares, adequando-os à realidade da sociedade contemporânea, ainda, pela criação de laboratórios com instrutores qualificados e outras medidas estratégicas e até de ordem estrutural.
Nos últimos anos, muito tem sido falado no Brasil sobre a necessidade de se fazer a inclusão digital, principalmente para aquelas pessoas que não têm acesso às tecnologias de informação e comunicação ou simplesmente TIC, como são comumente conhecidas. A própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em vigor desde 1996, já preconiza a necessidade da “alfabetização digital” em todos os níveis, do ensino fundamental ao superior. Contudo, esta ainda é uma realidade muito distante no cenário brasileiro, principalmente se considerarmos o universo de crianças e jovens, público que compõe a próxima geração e que, pelas suas próprias circunstâncias sócio-econômicas, estão excluídos deste processo.
Não resta dúvida que o acesso ao conhecimento, via ferramentas de informática e da Internet, é imprescindível para esses milhões de jovens brasileiros que precisam estar preparados para ingressar no mercado de trabalho. Não basta reduzir a pobreza; os jovens necessitam com urgência de uma educação que lhes permita se tornar competitivos na vida profissional. Este desafio passa pela educação e por uma mudança de paradigma nos papéis de professor, de aluno e no próprio conhecimento. Neste novo cenário, no lugar da adoção de programas fechados, pré-estabelecidos, onde o professor se posiciona como detentor absoluto do saber, passa-se a trabalhar com estratégias que permitam uma maior participação do aluno, a fim de aumentar o seu potencial, o prazer e a motivação na construção do seu aprendizado. E tudo isso pode perfeitamente ser mediado pela interatividade com a tecnologia.
Do sonho à realidade, o Brasil tem ainda um longo caminho a percorrer. Não podemos ignorar a existência de algumas iniciativas pontuais neste sentido, empreendidas por instituições privadas, associações, ONGs e até pelo poder público. Mas é muito pouco. É preciso muito mais que simplesmente a chegada do computador à escola. A juventude, os adultos que necessitam de uma educação continuada, a terceira idade, os portadores de necessidades especiais, enfim, os cidadãos contemporâneos não podem ficar à margem deste link (laço em português). É iminente que se tornem protagonistas desta navegação no mundo, que estabeleçam teias entre conhecimentos e pessoas e que, por intermédio dos links, hipertextos, fóruns, chats e redes, possam se expressar e acalentar o desejo de serem plenamente pessoas, com toda humanidade que lhes foi destinada neste novo mundo.
Tudo isso, me faz lembrar o poema abaixo:
Um galo sozinho não tece uma manhã.
Ele precisa sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele lançou
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que amanhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
(João Cabral de Melo Neto, “Tecendo a manhã”).
Edvalda Bomfim é graduada em História com especialização em Administração de Eventos Públicos e Privados, Cerimonial e Protocolo e pós graduanda em Educação a Distância.