OBESIDADE: O MAIOR DESAFIO DA SAÚDE PÚBLICA NO PLANETA

Dr. Marcelo Zollinger
A obesidade e suas graves conseqüências para a saúde têm avançado de forma assustadora e epidêmica em todo o mundo. Nos Estados Unidos, a obesidade é atualmente considerada o maior problema de saúde pública. De acordo com as estatísticas alarmantes, 61% da população adulta têm excesso de peso e 30,4% dos americanos com mais de 20 anos são obesos, sendo que destes, 27,6% são homens e 33,2% mulheres.
Outra surpresa estarrecedora é sabermos que 20 a 25% da população adulta norte-americana apresenta a síndrome plurimetabólica e suas terríveis conseqüências, como resistência a insulina, dislipidemia e hipertensão arterial. Para compreender melhor o impacto socioeconômico da obesidade no mundo ocidental, são gastos 100 bilhões de dólares por ano no tratamento de problemas decorrentes da obesidade, onde 300 a 400 mil americanos falecem anualmente por doenças associadas ao sobrepeso, como infarto do miocárdio, diabetes e insuficiência renal.
O problema tem se disseminado na Europa e até em países asiáticos como a China, onde a porcentagem era muito pequena, em torno de 2%, e agora, com o acelerado crescimento econômico e com o aumento da influência ocidental, ocorreu o impressionante aumento de 14% da incidência de doenças relacionadas.
No final de 2004, o IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde, passou a discutir novas questões a respeito da alimentação dos brasileiros. Assim, o problema a ser enfocado não é mais a falta de comida nas mesas, e sim, a falta de qualidade na alimentação das nossas famílias, observando o aumento pronunciado de pessoas que se encontram acima do peso ideal; hoje em torno de 40% dos brasileiros adultos, chegando ao incrível número de 11 milhões de obesos no nosso país.
No Brasil, a obesidade caminha lado a lado com o incremento da alimentação industrializada ou pronta, rica em açúcares, em sal e pobre em frutas e hortaliças, sendo, todavia, a obesidade, bem mais prevalente no Brasil urbano do que no rural, e entre a população com renda acima de cinco salários mínimos. Salientamos assim, que a saúde pública brasileira que tinha nas mãos um problema crônico para resolver, que é a fome nas nossas mais carentes faixas sociais, agora tem, de forma decidida e como política de governo, que enfrentar a obesidade e todas as suas patologias associadas como diabetes, hipertensão arterial, afecções pulmonares e neurológicas, e até alguns tipos de câncer, que limitam a vida de milhares de brasileiros, interferindo decisivamente na qualidade de vida do nosso povo, com o avassalador impacto sócio econômico para nossa política de saúde pública.
Assim, algumas alternativas clínicas, dietéticas, medicamentosas e cirúrgicas têm sido empregadas, para tentarmos resolver a situação do obeso, melhorando drasticamente a sua qualidade de vida, evitando as desastrosas conseqüências clínicas das comorbidades e, certamente, melhorando a auto-estima e a inclusão social destes pacientes e toda sua complexidade. Existem critérios bem definidos pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, para a indicação cirúrgica para o tratamento da obesidade, baseado no Índice de Massa Corpórea (IMC).
Os critérios definidos para a indicação de procedimento cirúrgico foram determinados pelo Ministério da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica. São: IMC acima de 40 Kg / m2, com tentativas frustradas de emagrecimento com dieta e medicamentos ou IMC igual ou maior que 35 Kg/m2, quando associado a comorbidades comprovadas como hipertensão arterial, diabetes, apnéia do sono, esteatose hepática, artralgias entre outros. O Ministério da Saúde, a partir de 1999, reconheceu o tratamento cirúrgico da obesidade mórbida, incluindo na tabela do SUS, o procedimento gastroplastia, utilizando como critérios e indicação o consenso acima descrito baseado no IMC.
O apoio da equipe multidisciplinar é de fundamental importância para a realização de procedimentos cirúrgicos bariátricos em pacientes tão complexos como os obesos. Esta equipe multidisciplinar é composta por profissionais treinados e experientes, tendo como membros: cirurgiões, nutricionista, psicóloga, fisioterapeuta, endocrinologista e clínico geral. Todos bem orientados e coordenados, atendendo aos pacientes em todos os ciclos e fluxos destes, em pré, intra e pós-operatório, imediato e tardio, oferecendo aos pacientes bariátricos, orientação e apoio incondicional, explicações detalhadas em reuniões específicas, para que o paciente candidato a cirurgia esteja confiante, aderido e comprometido com o processo cirúrgico e seus resultados.
O paciente deve estar bem orientado, no sentido de que a cirurgia bariátrica é um procedimento complexo, comportando riscos cirúrgicos, necessidade de aderência ao programa durante muito tempo, para que os resultados gerais sejam satisfatórios, e as complicações, sejam bem insignificantes e a curva esperada de emagrecimento seja alcançada de forma saudável e progressiva.
O Hospital Espanhol, consciente de sua capacidade e responsabilidade, preparou-se, coerentemente, oferecendo um Núcleo de Tratamento da Obesidade e Cirurgia Bariátrica do mais alto nível, à altura de suas tradições, com uma equipe multidisciplinar treinada e capacitada, com um grande diferencial a seu favor, que é ser totalmente institucional, realizando os mais modernos tratamentos para obesidade, e conscientes da necessidade de comprometer-se com o acompanhamento a longo prazo dos pacientes obesos, buscando tenazmente um cuidadoso pré e intra-operatório, com um pós-operatório bem assistido, com intervenções clínicas e nutricionais freqüentes almejando um emagrecimento progressivo e isento de intercorrências.
Dr. Marcelo Zollinger é cirurgião geral, especialista em cirurgia da obesidade, coordenador médico do Núcleo de Obesidade e superintendente médico do Hospital Espanhol. CRM 6271