A minha menor idade, rapaz!
Foto: Paula Fróes
“Cala a boca vagabundo” é uma frase comum para muitas crianças que vivem em comunidades socioeconomicamente vulneráveis. Outra frase conhecida por lá é: “vem que eu te enfio a mão na cara!”. Isso dito com raiva e direcionado para uma criança, apenas por ter acertado uma bolada na vidraça ou por qualquer outro motivo banal. Certo e errado é também um difícil entendimento na sociedade atual. E é por esse motivou que me dispus a escrever sobre a redução da maioridade penal no Brasil.
De início, parto para uma frase do sociólogo brasileiro Herbert de Souza, conhecido por Betinho, que diz assim: “se não vejo, na criança, uma criança, é porque alguém a violentou antes; e o que vejo é o que sobrou de tudo o que lhe foi tirado”. É bem dessa forma que declaro o voto contrário à redução da maioridade penal. Com ou sem confusão, com ou sem preconceito, chutando o balde e “esfaqueando o filtro”, para mostrar quem manda é preciso dizer que isso não resolve o problema do nosso país! Agora foi que deu, sem brincadeiras.
Voltando à realidade, quero comentar o quão ridículas são as manifestações a favor da redução da maioridade penal, que têm ocorrido de forma simplista e reducionista, essa é que é a verdade, não abrangendo a sua real complexidade. Posso até dizer que foi difícil demais iniciar esse texto sem ser redundante. Não se sabe por onde começar o assunto, ou o debate. É inegável que muitos avanços foram alcançados no Brasil com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e com o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, mas algumas questões devem ser problematizadas e analisadas pela sociedade.
Por exemplo: É preciso questionar se os direitos fundamentais de crianças e adolescentes vêm sendo garantidos. Será que alguém acredita que o ECA e o sistema funcionam como deveriam? As políticas públicas, em especial as relacionadas à educação e profissionalização para os adolescentes, têm alcançado êxito? As medidas socioeducativas têm sido efetivadas e em consonância com os direitos humanos? O Estado tem assumido a sua responsabilidade quando se analisam os índices de violência envolvendo adolescentes, sejam vítimas ou autores? A sociedade se preocupa com a violação dos direitos de crianças e adolescentes ou se apresenta apenas para protestar pela punição exacerbada dos “menores”? As prisões são lugares de socialização e educação?
O que eu observo é que em nome da “justiça” se individualiza, criminaliza e se culpa as condutas dos adolescentes, especialmente os pobres e negros, em uma manifestação de preconceitos, de violação dos direitos humanos e de exclusão. Reduzir a maioridade penal isenta o Estado do compromisso com a construção de políticas educativas e de atenção para com a juventude. É tratar o efeito, e não a causa. É encarcerar mais cedo a população pobre jovem, apostando que ela não tem outro destino ou outra possibilidade.
De início, parto para uma frase do sociólogo brasileiro Herbert de Souza, conhecido por Betinho, que diz assim: “se não vejo, na criança, uma criança, é porque alguém a violentou antes; e o que vejo é o que sobrou de tudo o que lhe foi tirado”. É bem dessa forma que declaro o voto contrário à redução da maioridade penal. Com ou sem confusão, com ou sem preconceito, chutando o balde e “esfaqueando o filtro”, para mostrar quem manda é preciso dizer que isso não resolve o problema do nosso país! Agora foi que deu, sem brincadeiras.
Voltando à realidade, quero comentar o quão ridículas são as manifestações a favor da redução da maioridade penal, que têm ocorrido de forma simplista e reducionista, essa é que é a verdade, não abrangendo a sua real complexidade. Posso até dizer que foi difícil demais iniciar esse texto sem ser redundante. Não se sabe por onde começar o assunto, ou o debate. É inegável que muitos avanços foram alcançados no Brasil com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e com o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, mas algumas questões devem ser problematizadas e analisadas pela sociedade.
Por exemplo: É preciso questionar se os direitos fundamentais de crianças e adolescentes vêm sendo garantidos. Será que alguém acredita que o ECA e o sistema funcionam como deveriam? As políticas públicas, em especial as relacionadas à educação e profissionalização para os adolescentes, têm alcançado êxito? As medidas socioeducativas têm sido efetivadas e em consonância com os direitos humanos? O Estado tem assumido a sua responsabilidade quando se analisam os índices de violência envolvendo adolescentes, sejam vítimas ou autores? A sociedade se preocupa com a violação dos direitos de crianças e adolescentes ou se apresenta apenas para protestar pela punição exacerbada dos “menores”? As prisões são lugares de socialização e educação?
O que eu observo é que em nome da “justiça” se individualiza, criminaliza e se culpa as condutas dos adolescentes, especialmente os pobres e negros, em uma manifestação de preconceitos, de violação dos direitos humanos e de exclusão. Reduzir a maioridade penal isenta o Estado do compromisso com a construção de políticas educativas e de atenção para com a juventude. É tratar o efeito, e não a causa. É encarcerar mais cedo a população pobre jovem, apostando que ela não tem outro destino ou outra possibilidade.
Sempre no costume da punição, o Estado continua a agir punindo, sem se preocupar com as causas reais que produzem e mantêm a violência, e isso tem como efeito o aumento da própria violência. Sabemos que uma das causas da violência [e repito pela terceira vez a palavra] é a imensa desigualdade social. O debate sobre a redução da maioridade penal é um recorte dos problemas sociais brasileiros que reduz e simplifica a questão. Isso sem falar das nossas políticas antidrogas, que já falei faz tempo.
Esse debate da maioridade penal também expressa como a sociedade lida com os conflitos e questões que caracterizam a juventude, que implica na escolha de uma lógica que pode ser repressiva ou educativa. Me preocupa quando a opção é pela repressão, pois acredito que esta não seja a maneira adequada de conduta para a constituição de sujeitos sadios. E isso eu vou carregar até que alguém me aponte o contrário!
É adequado uma sociedade buscar corrigir o comportamento dos seus cidadãos a partir de uma perspectiva educacional, principalmente em se tratando de adolescentes. E o ECA segue justamente esta linha, propondo a responsabilização do adolescente que comete ato infracional com aplicação de medidas socioeducativas. Na teoria é tudo muito lindo, mas na prática nada funciona. Quando funciona atende uma parcela mínima dos infratores.
Já que estamos em período de campanha eleitoral, é bom lembrar que, dos políticos, poucos estão debatendo temas de interesses do social. Basta acompanhar as notícias. Quando não é economia, é picuinha e acusações de corrupção, dentre tantos outros assuntos que não mudam em nada a vida do brasileiro. Até a mídia tem atuado para desmoralizar o eleitorado, onde o papel deveria ser o contrário. Teve um baiano que falou algo parecido com o que vou escrever: já estou me sentido mal por ser honesto! Não vejo assuntos como a legalização das drogas, aborto, saúde e segurança, até a redução da maioridade penal seguem fora da pauta.
O grande desafio da sociedade e do Estado brasileiro é de educar seus jovens, permitindo um desenvolvimento adequado do ponto de vista emocional, social e físico. Acredito e defendo que um projeto de vida não se constrói com segregação e, sim, pela orientação escolar e profissional ao longo da vida, no sistema de educação e de trabalho. E eu não sou candidato de um único tema, sou candidato dos debates que devem ser feitos. Se achou ruim é só me enviar um e-mail!
Esse debate da maioridade penal também expressa como a sociedade lida com os conflitos e questões que caracterizam a juventude, que implica na escolha de uma lógica que pode ser repressiva ou educativa. Me preocupa quando a opção é pela repressão, pois acredito que esta não seja a maneira adequada de conduta para a constituição de sujeitos sadios. E isso eu vou carregar até que alguém me aponte o contrário!
É adequado uma sociedade buscar corrigir o comportamento dos seus cidadãos a partir de uma perspectiva educacional, principalmente em se tratando de adolescentes. E o ECA segue justamente esta linha, propondo a responsabilização do adolescente que comete ato infracional com aplicação de medidas socioeducativas. Na teoria é tudo muito lindo, mas na prática nada funciona. Quando funciona atende uma parcela mínima dos infratores.
Já que estamos em período de campanha eleitoral, é bom lembrar que, dos políticos, poucos estão debatendo temas de interesses do social. Basta acompanhar as notícias. Quando não é economia, é picuinha e acusações de corrupção, dentre tantos outros assuntos que não mudam em nada a vida do brasileiro. Até a mídia tem atuado para desmoralizar o eleitorado, onde o papel deveria ser o contrário. Teve um baiano que falou algo parecido com o que vou escrever: já estou me sentido mal por ser honesto! Não vejo assuntos como a legalização das drogas, aborto, saúde e segurança, até a redução da maioridade penal seguem fora da pauta.
O grande desafio da sociedade e do Estado brasileiro é de educar seus jovens, permitindo um desenvolvimento adequado do ponto de vista emocional, social e físico. Acredito e defendo que um projeto de vida não se constrói com segregação e, sim, pela orientação escolar e profissional ao longo da vida, no sistema de educação e de trabalho. E eu não sou candidato de um único tema, sou candidato dos debates que devem ser feitos. Se achou ruim é só me enviar um e-mail!
*Vitor Fernandes é jornalista e assessor de comunicação
Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias.
