Paquerismo: O jeitinho moderno de encontrar um amor
Faz algum tempo que venho investigando, através de pesquisa científica, as formas usadas pelos seres humanos para encontrar a alma gêmea, que vamos combinar: não existe. A esses novos métodos de caça instantânea pelas redes sociais e aplicativos, denominei de paquerismo. O termo foi criado durante os estudos acadêmicos para relacionar a busca incansável por uma campainha, associado à doença. O processo de pesquisa ainda está em andamento, portanto sem comprovações diretas. Mas o interessante é descobrir que estamos vivendo numa sociedade de mulheres neuróticas para usufruir da tal “liberdade sexual” a qual lhe foi furtada durante séculos e de homens extremamente carentes e, infelizmente, ainda machistas. Podemos concluir que estamos na crise do afeto.
Mulheres podem propor sexo sem serem desvalorizadas por isso? Sim. Queridos homens, podem esperar um convite, viu! E moças, ninguém precisa esconder o desejo. Fazer doce está fora de moda. A confirmação está mais do que explícita nesses aplicativos para namoro.
O que dá fundamento então a explosão deles? Nada. Apenas a análise no campo das representações. O ideal da “mulher” e do “homem” perfeitos, a desconstrução do amor romântico e a comprovação de que esse amor é uma invenção social. Ou seja: Farsa. Ele Muda conforme mudam os meios pelos quais se estabelece uma relação com o corpo do outro. Afinal, a busca por alguém nada mais é do que a busca pelo corpo idealizado por nós, e não, como ele é na realidade.
Na era digital o coração partido não abre espaço para sutilezas. No Grindr, usado pelo público gay, se o localizador identificar a possível vítima, a troca de mensagem é imediata e o encontro furtivo está marcado com palavras bem diretas: Quero lhe comer. Pode vir aqui em casa agora?
Mulheres podem propor sexo sem serem desvalorizadas por isso? Sim. Queridos homens, podem esperar um convite, viu! E moças, ninguém precisa esconder o desejo. Fazer doce está fora de moda. A confirmação está mais do que explícita nesses aplicativos para namoro.
O que dá fundamento então a explosão deles? Nada. Apenas a análise no campo das representações. O ideal da “mulher” e do “homem” perfeitos, a desconstrução do amor romântico e a comprovação de que esse amor é uma invenção social. Ou seja: Farsa. Ele Muda conforme mudam os meios pelos quais se estabelece uma relação com o corpo do outro. Afinal, a busca por alguém nada mais é do que a busca pelo corpo idealizado por nós, e não, como ele é na realidade.
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O Bang With Friends significa, literalmente, "Trepe com Amigos", para os medrosos que nutrem amor platônico por um conhecido e não tem coragem de falar. No Tinder uma pessoa pode levar até um mês para sair com a outra. Basta acertar nas combinações. Hoje, no entanto, além de procurar e conhecer alguém pelos aplicativos há a necessidade de avaliá-lo. No auge estão o Lulu (mulheres aprovam e desaprovam os dotes do ex-parceiro) e Tubby a versão masculina do Lulu. Simbolicamente representa a guerra dos sexos. Quem se dá melhor?
Fazer parte de uma tribo virtual seria a lógica para tantos corpos e mentes a beira do abismo sentimental que saem disparando flechas num mar de possibilidades sem fim. O pior, sem saber direito qual objeto de desejo pretende atingir. No lugar dos olhos ficamos obcecados pelos dedos, uma forma de paquerismo atual.
Na verdade, quando o assunto é relacionamento, não existe vencedor. Somos todos perdedores de sentimentos. Deveríamos manter privado aquilo que é mais sagrado: o respeito ao próximo.
*Aline Castelo Branco é jornalista, escritora, professora e pesquisadora da área de educação sexual.
