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Só a educação constrói pacto pela vida

Por Gel Varela

Só a educação constrói pacto pela vida
Gostariamos de entender por que o Pacto Pela Vida do Governo, que corre na mídia, é uma campanha focada somente na Secretaria de Segurança. Afinal, não é a educação que instrui, orienta e conduz a sociedade?
 
No meu entender, esse foco fechado na segurança termina sendo uma ação ineficaz, sem consistência, pois esse investimento todo na Secretaria de Segurança parece demonstrar um erro estratégico de se combater os efeitos e não as causas; é o mesmo que o sujeito com febre que acha que tem que tomar remédio para febre, sem se ocupar da causa da febre. Já é sabido por todos que a origem de todo caos social vem da crise de educação. Não estou com isso dizendo que não se deve investir em segurança. 
 
A educação não é o fim de ação, mas um meio. E como meio não é um fim; porquanto ela, ainda que considerada como um meio de ação, é um fim em processo, e é esse processo que precisa de investimentos, aperfeiçoamento e condições perenes de sustentabilidade. Como processo contínuo, precisamos urgente promover o aperfeiçoamento e adequação às exigências dos dramas, traumas e tragédias da sociedade, esta que vem se acostumando com a violência gratuita.
 
A educação é, por exemplo, um expediente inevitável para o gênero humano, considerando a razão de sua existência; porquanto, ele está fadado à evolução, enfim, à libertação. Quando ela, a educação, só se dedica à nossa parte externa e unicamente centrada no processo de traduções, medidas e cálculos não nos inicia na senda do SABER PENSAR por nós mesmos. Tal processo, inclusive, nos impede de sermos favorecidos pelo que indica a noção exata de alma, consciência e Lei Natural para a evolução voluntária do gênero humano; e com isso, enfraquece o nosso senso de decência, elegância e decorosidade; nos inclina a desprezar o valor do zelo, principalmente para com o que é frágil; bem como impede o nosso impulso de ousar, de forma paciente, persistente e inteligente, na busca do que é considerado como difícil, improvável e/ou impossível, embora necessário para o bem viver humano em harmonia social.
 
Evidentemente que a crise social, é, também, um reflexo da crise individual do ser humano, caracterizado por suas inseguranças e incertezas. E assim, emerge a imperiosa necessidade de ser dada atenção ao ser humano, tanto em sua dimensão individual, quanto social, pois só assim poderemos minimizar, conter e até mesmo, quiçá um dia, alcançar o fim razoável da existência humana, a ponto de nos tornarmos hábeis em extinguir a crise social, a partir de nós mesmos.
Já é evidente que o início da formação da personalidade humana, bem como do despertamento da sua consciência, está aliada à educação recebida por pais e educadores. Portanto, há a necessidade de se repensar a postura acadêmica e a postura de vida das pessoas, pois é factualmente verificável o fato de que o ser humano não atingiu um nível de consciência suficiente que o possibilite viver num estágio duradouro de não violência que produza estabilidade social.
 
Somente um ser humano educado pela consciência dos valores e princípios éticos-morais de não violência é que pode servir de pedra fundamental da harmonia social e da paz mundial. Quando a ciência, principalmente a ciência da educação, se integrar totalmente à consciência da não violência, haverá então uma grande possibilidade da sociedade ter ordem universal.
 
A finalidade da educação é também a virtude. E dentre as capitais incluem-se: fortaleza, temperança, prudência, perseverança, esperança, caridade e fé; esta que é a última delas; nem maior nem menor; mas é a que reúne todas as outras.
 
A educação deve primar por instruir, orientar e conduzir o Ser Humano.  Quem cultiva a virtude vive uma vida bem vivida; quem cultiva, por exemplo, fortaleza, temperança, prudência, perseverança, esperança, caridade e fé, implementam a humanidade; a fortaleza é compreensiva, portanto, evita os desencontros, desconfortos e sofrimentos; a temperança é equilibrada, portanto, evita a agitação, a precipitação e o descontrole; a prudência é moderada, portanto, evita as decepções, frustrações e os excessos; a perseverança é determinada, portanto, evita os fracassos, as lamentações e os desalentos; a esperança é motivadora, portanto, evita o ostracismo, a indolência e a irreflexão; a caridade é alentadora, portanto, evita a omissão, a preguiça e a irresponsabilidade; e a fé é reveladora, portanto, evita o fanatismo, a superstição e a ignorância.
 
O PACTO PELA VIDA deve ser, em primeiro lugar, um pacto com a educação, pois a crise de violência, no fundo, é fruto do descaso histórico com a educação.
 
Na atual conjuntura, é importante que algo aconteça de bom para o sistema de educação; contudo, os professores tem uma missão muito desafiadora. Além de lutar por melhores condições de trabalho e salários dignos, devem também produzir uma melhor relação de ensino-aprendizagem para a população, porquanto só sensibilizando as mentes futuras seremos capazes de transformar o futuro desse país, que começa na nossa cidade. 
 
Toda crise exige um bode expiatório. O que não devemos é oportunizar que, diante dessa crise, os professores virem esse bode expiatório. A sociedade precisa compreender que o educador não é um parente, mas um profissional de educação que detém o conhecimento, o qual se propõe a ensinar e que tem o dever de conhecer o sujeito que busca o conhecimento, bem como ser criativo o suficiente para fazer isso acontecer, o mais breve e factualmente possível. Eis o desafio constante desse profissional, que vem sendo vilipendiado pelos governos.
 
Porém, quando o governante falha com a EDUCAÇÃO, a desordem se instala, a educação deixa de ser mantida como instrumento de integração para ser instrumento de instrução; o educador deixa de propor para impor; o conhecimento deixa de ter utilidade prática para ser uma mera informação esporádica, casual e irresponsável; a escola deixa de ser um ambiente propício ao autoconhecimento, à autorrealização, para ser um mero depósito de conhecimento e de entes humanos, onde uns fingem ensinar e outros fingem aprender; o educando deixa de ser a atividade-fim da escola para ser atividade-meio; e o currículo escolar não passa de uma estúpida mistura de impropriedades, irrelevâncias e fraudes, enfim, de puro tédio; mas, é nessa hora que os verdadeiros educadores precisam se mostrar, pois já está muito claro a falta de clareza e propósitos dos governantes para com a educação.
 
A crise é tanta, que nos últimos 13 anos, o acelerado conflito social parece sem precedentes na história. Dados do IBGE dizem que estados, que no início da década ostentavam níveis moderados ou baixos de violência para o contexto nacional, apresentam crescimento severo, como Alagoas, Pará ou Bahia, que de 11º, 21º e 23º lugar passam para o 1º, 3º e 7º no posto nacional, respectivamente, com crescimento que triplica ou quadriplica os quantitativos nesses 10 anos; especialistas afirmam que, enquanto em outros Países morrem 10 civis para cada um militar e/ou policial, aqui morrem 25 civis para cada um militar e/ou policial; sendo que aqui, essas mortes têm classe social e cor. Precisamos de Paz, mas pela cidadania e não pela repressão.
 
A educação em nossa capital também vem com problemas, e nos parece que o pacote que tentam programar como tábua de salvação é um despropósito que coloca mais uma vez a credibilidade dos nossos dirigentes em cheque. Porquanto, com a aplicação do programa Alfa e Beto, fica provado que o governo municipal, responsável pela pasta da educação, perdeu a noção exata de alma, consciência e Lei Natural que regem o Ser humano em sua singularidade, pois pensam os dirigentes que o aluno é um objeto de programação e o professor um programador de consciência. Uma visão distorcida de Humanidade, onde a educação passa a ser adestramento sem compromisso com o desenvolvimento das potências latentes da alma humana.

Nessa concepção, o aluno, digo aluno, pois o governo municipal, com essa proposta, reconhece o Ser humano como ser sem luz, onde o mesmo não chega a ser tratado nem como individuo, e sim como um objeto, como um papel em branco que será preenchido com os códigos do Alfa e Beto. Uma completa violência ao espirito criativo do ente humano, propiciando um analfabetismo emocional, espiritual e artístico, por isso é preocupante o desdobramento disto para as gerações futuras.
 
Sociedade pacifista é sociedade educada, e não reprimida. Sendo que educação significa tirar de dentro e não empurrar pra dentro.
 
Vamos seguir em frente, comprometidos com o verdadeiro PACTO PELA VIDA, afinal as crises despertam em nós, educadores, aquelas capacidades que, sem as tais crises, continuariam adormecidas. Tenho dito!