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Quem tem coragem em subir em arranha-céus?

Por Capitão Tadeu Fernandes

Quem tem coragem em subir em arranha-céus?
A situação na Bahia em termos de prevenção de incêndio e tragédias está péssima!
 
Muitas boates e casas de espetáculos na Bahia não passariam em nenhuma inspeção técnica de segurança pelo Corpo de Bombeiros.
 
Aliás, os bombeiros sabem quais são os estabelecimentos que não têm condições de segurança para funcionar, mas não possuem autoridade, poder de polícia, autorização legal para exigir desses estabelecimentos as condições certas de segurança e prevenção contra pânico.
 
Sobre isso, tramita na Casa Civil do Governo estadual um ante- projeto de lei Sobre Segurança e Prevenção contra Incêndio e Pânico, que resolverá parte dos problemas de proteção da sociedade.
 
Esperamos que não demore e não seja igual ao Corpo de Bombeiros de São Paulo, que só recebeu investimentos após as tragédias dos edifícios Joelma e Andrauss, na década de 70, do século passado, onde morreram centenas de pessoas.
 
Aqui em Salvador, toda vez que entro em um edifício alto, por conhecer a falta de estrutura dos bombeiros e a falta de fiscalização das normas de segurança, fico tenso em imaginar o que faria se ocorresse uma tragédia.
 
Por isso que dizem que quem ignora as coisas, é mais feliz.
 
Como posso ser feliz dentro de um prédio alto, sabendo que as normas de segurança não são respeitadas, que não existe fiscalização e que os heróis dos bombeiros não conseguirão chegar aonde eu estiver?!
 
Entro nesses prédios altos sabendo que estou totalmente desprotegido e que serei abandonado em caso de incêndio.
 
O Salvar do Corpo de Bombeiros está sucateado! O quartel do Corpo de Bombeiros da Ladeira da Praça, na Barroquinha, está a anos prestes a desabar na cabeça dos bombeiros.
 
No quartel do Comando Geral dos Bombeiros, no Iguatemi, galpões velhos de madeira, altamente combustível, servem de escritórios para os homens e mulheres do fogo.
 
Bem que os próprios bombeiros poderiam interditar seus quartéis por falta de segurança, mas não possuem autoridade para isso.
 
Os bombeiros estão há anos gritando por socorro, mas ninguém os ouve.
 
Até os irritantes congestionamentos conspiram contra os bombeiros. Com os poucos quartéis, mal localizados, tendo que enfrentar congestionamentos que nem a sirene consegue abrir o caminho, é impossível ao bombeiro chegar a tempo de salvar alguém.
 
Se não bastasse tudo isso, o Corpo de Bombeiros ainda é discriminado. É visto como refugo na Secretária de Segurança Pública. A estima dos “heróis do fogo”, dos profissionais mais queridos do Brasil, está lá embaixo. O desencanto é visível!
 
Você pode estar pensando que estou exagerando. Digo que não estou. Aliás, falei muito pouco. Os problemas são mais graves. Conheço-os por dentro. Sou um deles, com muito orgulho, mas frustração.
 
No Brasil, só três Estados brasileiros mantêm os Corpos de Bombeiro “aprisionados” à Polícia Militar: Rio Grande do Sul, São Paulo e claro, a Bahia.
 
Isso é ruim para a Polícia Militar, para o Corpo de Bombeiros e, principalmente para a população.
 
A Polícia Militar cuida de Segurança Pública. O Bombeiros Militar da Defesa Civil. São coisas distintas para se misturar.
 
Muitos policiais militares trabalham no bombeiro, são empregados em incêndios e tragédias como bombeiros, sem terem noção de como funciona um Auto Bomba Tanque.
 
Um risco para o PM, para, os bombeiros e para as vítimas!
 
O Corpo de Bombeiros jamais estará em condições de proteger a sociedade e salvar vidas, com eficiência, enquanto for tratado como refugo na Secretaria de Segurança Pública.
 
Mas como disse o simpático Papa Francisco: “Papa é argentino, mas Deus é brasileiro”.
 
O problema é que estão achando que “Deus é baiano” e vai nos proteger sempre contra incêndios e tragédias coletivas.
 
* Capitão Tadeu Fernandes é deputado estadual pelo PSB da Bahia.