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Pré-candidaturas esquentam a briga pela sucessão na Bahia

Por Deninha Fernandes

Pré-candidaturas esquentam a briga pela sucessão na Bahia
A disputa pela sucessão ao governador Jaques Wagner promete ser quente entre os partidos que compõem a base “aliada”. Isto porque a executiva estadual do PT reconheceu oficialmente quatro nomes como pré-candidatos da legenda ao Palácio de Ondina em 2014. Os pré-candidatos seriam o ex-prefeito Luiz Caetano, o senador Walter Pinheiro, o secretário da Casa Civil do governo estadual, Rui Costa, e o secretário estadual de Planejamento, José Sérgio Gabrielli. Somam-se a estes quatro, os nomes do vice-governador Ottto Alencar (PSD) e o da senadora Lídice da Mata (PSB), e, mais recentemente, surgiu com grande força na Chapada Diamantina o nome do presidente da Assembleia Legislativa do Estado, o deputado Marcelo Nilo (PDT).
 
Por outro lado, a oposição baiana permanece calada. Tirando uma manifestação tímida do PMDB com o nome do ex-deputado federal e atual diretor da Caixa Econômica, Geddel Vieira Lima, e do DEM com uma possível candidatura do novo prefeito da capital, ACM Neto, ninguém sabe ao certo o que vai acontecer com a oposição. Será que vão marchar unidos? Será que vão apresentar vários candidatos pensando em um segundo turno? Não se sabe, o fato é que, enquanto os partidos da base governista estão trabalhando seus indicados à governadoria, a oposição segue murcha, alheia ao processo eleitoral.
 
Neste caso, falemos então dos nomes que estão na mídia, movimentando o processo sucessório.
 
Em primeiro lugar, é bom registrar que, em recente matéria publicada pela Agência Estado, Jaques Wagner afirmou que o partido dos trabalhadores tem três nomes para a sucessão: Gabrielli, Rui Costa e Pinheiro. Questionado sobre quem iria apoiar, Wagner desconversou: “ah, aí você quer me complicar”. O governador não respondeu, mas todo mundo sabe que o nome da sua preferência é o do secretário da Casa Civil, o deputado federal licenciado, Rui Costa. A frase do governador serviu ao menos para excluir do rol dos seus preferidos o nome do ex-prefeito de Camaçari e ex-presidente da UPB, Luiz Caetano. Ao que parece, Caetano não tem o aval de chefe do executivo baiano e, no meu entender, ficou sem força política para tamanha aventura.
 
Dos três que sobraram, há quem afirme que o candidato do PT será o secretário estadual do planejamento e deputado federal, Sérgio Gabrielli. Aliás, um passarinho me contou que Gabrielli é o nome da preferência do ex-presidente Lula, o “Deus do PT”, o que faz com que o deputado largue na frente da disputa. Se tal fato se confirmar, não duvido inclusive que o mesmo seja eleito em 2014, afinal, terá ele o apoio de Lula e das máquinas estadual e federal.
 
Nesta seara, cumpre ressaltar que, embora o PT esteja um pouco desgastado na capital do estado e nas grandes cidades do interior, por causa de derrotas recentes nas urnas, quem dita as regras do jogo na maioria dos municípios do interior ainda é Lula, força que só aumenta com a permanência da política assistencialista iniciada em seu governo. Quer saber como anda o prestígio do PT em vários municípios da Chapada Diamantina? Chega lá falando mal de Dilma e Lula!
 
Mas, não são só os nomes do PT que disputam a sucessão em 2014. Há outros três nomes que compõem a base governista brigando pela cadeira.
 
Em nossa região, por exemplo, quem liderava a preferência entre os prefeitos municipais era o vice-governador, que também é secretário de Infraestrutura, Otto Alencar (PSD). Eu disse liderava, porque ultimamente o nome dele deu uma estacionada, primeiro por causa do PT tê-lo lançado como pré-candidato ao Senado e, como se não bastasse este desvio de foco, o secretário viu seu sonho de ser governador escorrer entre os dedos quando uma operação da Polícia Federal ocupou a Prefeitura de Simões Filho, município da Região Metropolitana de Salvador (RMS) e que é há muito tempo administrada por Eduardo Alencar, que além de ser do PSD de Otto, é também seu irmão.
 
O escândalo ecoou em todo país, obrigando o prefeito Eduardo Alencar a se pronunciar afirmando que a operação foi uma manobra (não citou de quem) de cunho político para atingir seu irmão. O pior é que atingiu mesmo, pois, depois dos noticiários, repito, o nome de Otto Alencar deu uma arrefecida na nossa região.
 
Outro nome da base “aliada” que deu uma esfriada na Chapada foi o da senadora Lídice da Mata. O que não foi surpresa pra ninguém, afinal, a senadora é uma política séria e comprometida com a Bahia, porém, na minha opinião, ainda está verde para concorrer ao Governo do Estado. Primeiro por que vai sempre carregar a marca da administração que fez na capital; e, segundo, por ter despertado algumas mágoas em prefeitos e lideranças regionais, com o remanejamento de comando de diretórios do seu partido no interior do estado.
 
Na minha opinião, não foi uma boa idéia Lídice eleger o prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, como cabo-eleitoral do PSB na Chapada Diamantina. Sem experiência política, Cardoso saiu distribuindo a legenda entre muitos oportunistas, que, na verdade, só queriam ficar próximos aos governos estadual e federal, minando a força do partido no interior.
 
E, por fim, cabe informar que o nome da moda hoje na Chapada é o do presidente da Assembléia Legislativa do Estado, o parlamentar Marcelo Nilo. A pré-candidatura de Nilo na Chapada é o assunto do momento. Articulado em todo o estado, com prestígio entre prefeitos, vereadores e muitas lideranças na capital e no interior, o pedetista diz, pra quem quiser ouvir, que nasceu para ser governador do Estado.
 
Embora reconheça o seu potencial e articulação, não aposto muito em uma eleição de Nilo. O que preciso descobrir é o que está por trás desta suposta pré-candidatura dele. Vice-governador ele já me disse que não quer ser. Também, só se for louco para deixar de administrar a segunda maior receita do estado para ser vice ou senador.
 
No meio de toda essa corrida maluca, é bom lembrar que a eleição na Bahia, a exemplo de outros estados, vai depender das conjunturas nacionais. Não por acaso, foi Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, que oficializou o nome de Nilo e Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, que lançou o nome de Otto Alencar. Junte-se a isso as recentes declarações do ex-presidente Lula, no sentido de que o PT deve ter a reeleição de Dilma Rousseff como “prioridade” em 2014 e que o partido pode abrir mão de candidaturas a governador para apoiar chapas de partidos aliados. Outra nota publicada em um blog de Salvador diz a mesma coisa, ou seja, que a orientação do PT para eleições em 2014 nos estados é abrir mão de candidatura própria para apoiar aliados. Sendo assim, Otto Alencar e Marcelo Nilo têm chances, apesar de duvidar que o nome indicado do PT vá abrir mão da candidatura em detrimento de algum deles.
 
Sempre de olho na sucessão!
 
*Deninha Fernandes é jornalista e editora chefe do Jornal da Chapada