Que as luzes não se apaguem
Com a tomada, pelo Supremo Tribunal Federal, da bandeira pela moralidade, de que nos dá conta o julgamento do Mensalão do PT, vê-se em festa a consciência ética nacional, tamanha a ansiedade de todos quantos desejam uma sociedade mais justa, livre da corrupção, para que o país, pavimentado na ética, possa alcançar sua emancipação socioeconômica.
Não se há de conceber o desenvolvimento pleno de um país, desprezando-se os fundamentos éticos, especialmente no que toca aos homens públicos, que vão dos políticos aos responsáveis maiores pelos três Poderes da República, com destaque o judiciário, nas pessoas dos juízes e ministros que compõem as Cortes de Justiça.
O judiciário, a nosso ver, é o que mais se impõe ao nosso respeito, pelas suas funções judicantes, tendo, nesse particular, a pesar-lhe os ombros, missões de maior responsabilidade, a exemplo do presente julgamento do Mensalão.
Ao acompanharmos atentamente tão histórico momento, em que se vislumbra um Brasil melhor, queremos não apenas parabenizar, mas agradecer ao Supremo Tribunal Federal pelos seus propósitos de nos brindar com a leitura de uma nova página da história do judiciário, nela gravando uma mensagem de esperança ao povo brasileiro.
Aos nossos parabéns, se juntam votos sinceros para que nossa mais alta Corte de Justiça, com o mesmo denodo e altruísmo, não permita que as luzes, que ora se acendem tão esperançosamente, se apaguem, mas que, reforçando tão elogiável trabalho, dê continuidade à nobre missão com o julgamento de outros ilícitos, que não são poucos, recomeçando pelo Mensalão do PSDB de Minas – embrião do Mensalão do PT -- operado pelo mesmo Marcos Valério, e, como beneficiário, o ex-governador Eduardo Azeredo.
No enquadramento jurídico dos mensalões petista e tucano, ter-se-á um bom começo, porém, a nosso ver, somente com a apuração e punição de quaisquer outros atos de corrupção, não importando os agentes, a origem ou a conotação política, poderemos vislumbrar um Brasil dos nossos sonhos, a propósito do que, quão bom se pudéssemos ver, na pauta de prioridades, o julgamento dos responsáveis pela evasão de divisas de que nos dá conta a CPI do BANESTADO, criada para apurar referida evasão para Paraísos Fiscais, entre 1996 e 2002, quando se apurou que foram retirados do país, fraudulentamente, cerca de US$ 30 bilhões, por conta do desvirtuamento das contas CC-5 naquele Banco.
Pelo que nos informam outras fontes, a remessa de recursos financeiros para o exterior, através das contas CC-5, em 10 anos, a partir de 1990, atingiu US$124 bilhões, segundo Relatório da Operação Macuco, com a cumplicidade, na época, de autoridades monetárias.
Nessas e noutras sangrias de nossa economia, como sonegação fiscal, suborno, privatizações indecorosas etc., etc., temos uma das razões do desmonte do patrimônio nacional, levando o país a viver, em anos recentes, momentos difíceis, quer internamente, quer junto aos credores externos, ao que se inclui nossa vergonhosa submissão ao monitoramento de nossas contas, imposto pelo Fundo Monetário Internacional.
Que novos ares de esperança, passem realmente a soprar na direção de um Brasil melhor, digno do seu destino, porém, vale ressaltar, para que se alcance esse desiderato, esperamos que os Tribunais de Justiça, especialmente o Supremo, conduzam novos julgamentos de ilícitos, com a mesma veemência com que tem sido conduzido o julgamento do Mensalão do PT, sem o que não teríamos como mensurar nossa frustração.
