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Que as luzes não se apaguem

Por José Paes Landim

Que as luzes não se apaguem
Com a tomada, pelo Supremo Tribunal Federal, da bandeira pela moralidade, de que nos dá conta o julgamento do Mensalão do PT, vê-se em festa a consciência ética nacional, tamanha a ansiedade de todos quantos desejam uma sociedade mais justa, livre da corrupção, para que o país, pavimentado na ética,  possa  alcançar sua emancipação socioeconômica.    
 
Não se há de conceber o desenvolvimento pleno de um país, desprezando-se  os fundamentos éticos, especialmente no que toca aos  homens públicos, que vão dos  políticos  aos  responsáveis  maiores pelos  três Poderes da República, com destaque o judiciário, nas pessoas dos juízes e  ministros que compõem as Cortes de Justiça.
 
O judiciário, a nosso ver, é o que mais se impõe ao nosso respeito, pelas suas funções judicantes, tendo, nesse particular,  a pesar-lhe os ombros, missões de maior responsabilidade, a exemplo do presente julgamento do Mensalão.
 
Ao acompanharmos atentamente tão histórico momento, em que se vislumbra um  Brasil melhor, queremos não apenas parabenizar, mas agradecer ao Supremo Tribunal Federal pelos seus propósitos de nos brindar com a leitura de uma nova página da história do judiciário, nela gravando  uma mensagem de esperança ao povo brasileiro. 
 
Aos nossos parabéns, se juntam votos sinceros para que nossa mais alta Corte de Justiça,  com o mesmo denodo  e altruísmo,  não permita que as luzes, que ora se acendem tão esperançosamente, se apaguem, mas que, reforçando  tão elogiável trabalho, dê continuidade  à nobre missão  com o julgamento  de outros ilícitos, que não são poucos, recomeçando pelo  Mensalão do PSDB de Minas – embrião do Mensalão do PT -- operado pelo mesmo Marcos Valério, e, como beneficiário, o ex-governador Eduardo Azeredo.
 
No  enquadramento jurídico dos mensalões petista  e tucano, ter-se-á um bom começo, porém, a nosso ver, somente com a apuração e  punição  de quaisquer outros atos  de corrupção,  não importando os agentes, a origem ou a conotação política, poderemos vislumbrar um Brasil dos nossos sonhos, a propósito do que, quão bom se pudéssemos ver,  na pauta de prioridades,   o julgamento dos responsáveis pela evasão de divisas de que nos dá conta a CPI do BANESTADO, criada para apurar referida evasão para Paraísos Fiscais, entre 1996 e 2002, quando se apurou que  foram retirados do país, fraudulentamente,  cerca de US$ 30 bilhões, por conta do desvirtuamento das contas CC-5 naquele Banco.
 
Pelo que nos informam  outras fontes, a remessa de recursos financeiros  para o exterior,  através das  contas CC-5, em 10 anos, a partir de 1990, atingiu US$124 bilhões, segundo Relatório da Operação Macuco, com a cumplicidade, na época, de autoridades monetárias.  
 
Nessas e noutras sangrias de nossa economia, como sonegação fiscal, suborno, privatizações indecorosas  etc., etc., temos  uma das razões  do desmonte do patrimônio nacional,  levando o país a viver, em anos recentes, momentos difíceis, quer  internamente, quer junto aos credores externos, ao que se inclui nossa  vergonhosa  submissão ao monitoramento de nossas contas,  imposto pelo Fundo Monetário Internacional.
 
Que novos ares de esperança, passem realmente a soprar na direção de um Brasil melhor, digno do seu destino, porém, vale ressaltar,  para que se alcance esse desiderato,  esperamos que os Tribunais de Justiça, especialmente o Supremo, conduzam novos julgamentos de ilícitos, com a mesma veemência com que  tem sido conduzido  o julgamento do Mensalão do PT, sem o que não teríamos como mensurar nossa frustração.