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Os 25 anos do MST na Bahia

Por Valmir Assunção

Os 25 anos do MST na Bahia
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi formalmente fundado por 100 dirigentes de lutas camponesas de 13 estados do Brasil, durante a realização do Primeiro Encontro Nacional, realizado entre os dias 21 e 24 de Janeiro de 1984, na cidade de Cascavel, Estado do Paraná. Começava ali uma trajetória de luta que hoje se espalha por 23 estados brasileiros. A reforma agrária, mas que uma bandeira, é a razão de viver desse movimento, que reúne em seu bojo, trabalhadores e trabalhadoras que querem justiça social e soberania alimentar.
 
Três anos depois do encontro em Cascavel, surgia na Bahia, no município de Prado, a 826 quilômetros de Salvador, na Região do Extremo Sul, a primeira ocupação do MST. Em seis de setembro de 1987, 600 famílias iniciaram a ocupação de uma área da empresa multinacional Floriba. Era a primeira de uma série de lutas dos trabalhadores rurais pela Reforma Agrária. E o início de uma trajetória de lutas que perduram até hoje na busca por melhorias no campo e contra as desigualdades sociais.
 
Hoje o local, oficialmente registrado como Assentamento 40/45 tem 148 famílias de assentados, que cultivam a agricultura familiar, tem escola de Ensino Médio e está incluído na cadeia produtiva de leite da região. O Assentamento 40/45 foi o batismo da luta pela reforma agrária na Bahia. Uma luta que se estende até hoje. Que mobiliza não mais dezenas, mas milhares de famílias de trabalhadores rurais. Que desafiam o agronegócio, o latifúndio, e lutam pelo desenvolvimento no campo. Agora esse assentamento, como o próprio MST na Bahia, completa 25 anos.
 
Das famílias que ocuparam as primeiras terras da reforma agrária na Bahia, muitas não puderam ficar e foram para uma nova área, onde hoje está o assentamento Riacho das Ostras, em Prado, que se tornou a segunda ocupação do MST na Bahia. De lá para cá o MST cresceu e se tornou referência da luta no campo. Mais de 45 mil famílias já foram assentadas nesses 25 anos na Bahia. Contudo, existem pelo menos outras 25 mil famílias que vivem sob a lona preta dos barracos dos sem terras, à espera da reforma agrária.
 
Se hoje existem fortes motivos para se comemorar os 25 anos do MST na Bahia, a partir do seu ponto de partida, o Assentamento 40/45, ainda há muito que lutar. Não só na Região do Extremo Sul da Bahia, mas em várias outras partes do estado. Em todas essas regiões, os trabalhadores rurais continuam sendo oprimidos pela força do latifúndio e do agronegócio, mas não perdem as esperanças na luta e na organização do povo.
 
Lutar não é crime. E a luta pela reforma agrária é um direito de todo trabalhador do campo por um Brasil cada vez mais justo, onde a igualdade dos direitos seja respeitada, e as pessoas tenham o mínimo de condições e oportunidades para crescerem.
 
* Valmir Assunção é deputado federal baiano pelo PT e militante-fundador do MST na Bahia