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Questão de educação

Por Adilson Fonseca

Questão de educação
Muito se fala que o problema do trânsito em Salvador decorrer da falta de vias adequadas ao grande fluxo de veículos que circulam diariamente nas ruas, vias exclusivas para ônibus, sinalização eficiente, etc., etc.
 
Correto. Mas um componente tem sido deixado de lado nas inúmeras abordagens feitas sobre o assunto e nos inúmeros estudos feitos por especialistas: a educação no trânsito. Educação dos motoristas e dos pedestres. Se observadas as regras mínimas de trânsito, que incluem desde o cidadão que resolve com o seu carro invadir um sinal vermelho ao pedestre que ignora a passarela e arriscar a vida numa travessia de uma via de intenso tráfego, pelo menos num terço dos transtornos seria eliminado. E isto é uma questão de educação.
 
Têm sido comuns os travamentos do trânsito em locais como a entrada da Estação Pirajá, acesso ao bairro de Águas Claras, na final do Acesso Norte em direção ao Bonocô e na bifurcação do Iguatemi, em direção à Avenida ACM. E quando se buscam as razões desses transtornos verifica-se que são motoristas que fecham cruzamentos, que trafegam pelo acostamento (no caso da BR-324), que ocupam a faixa da direita, e de repente resolvem ir para a esquerda (ou vice versa). Enfim, questão de indisciplina.
 
E por detrás de toda essa indisciplina e deseducação, está a impaciência. Buzina-se por tudo e por todos. Invade-se sinal (principalmente os motociclistas) porque não se quer esperar 30 segundos. Ultrapassa-se pela direita porque não se pode esperar que o veículo à frente retome a sua faixa de média ou baixa velocidade. Trafega-se “empurrando” o veículo à frente, sem obedecer ao limite mínimo de segurança.
 
E os pedestres?. Estes se comportam como se suas vidas não valessem nada. E de nada parece adiantar as passarelas, porque se teima em atravessar as pistas em meio aos veículos em alta velocidade, tanto na BR-324 (velocidade máxima por lei entre 80 a 100 Km/h), na Paralela (I80 km/h), só para citar dois exemplos de alto risco. Defronte ao Shopping Iguatemi, na pista interna, colocou-se um semáforo. Poucos são os que obedecem, pedestres e motoristas.
 
É preciso que ao tempo em que se desenvolvam as estruturas necessárias a uma boa mobilidade urbana (novas vias, sinalização, metrôs, trens, etc.) sejam desencadeadas uma ampla campanha de educação no trânsito, para motoristas e pedestres. Cartazes luminosos, por exemplo, orientando os pedestres sobre a importância de se atravessar nos sinais, do uso das passarelas. E aos motoristas sobre como dirigir com segurança e respeito, para si e para os demais. São medidas que não trarão resultados imediatistas, mas sim estruturantes.
 
De nada adianta apenas se pensar no sistema de trânsito apenas como uma ferramenta (veículos, vias), esquecendo-se do elemento que é a sua própria razão de existir: o cidadão. E se este não for preparado para usar as ferramentas do trânsito, com espírito de cidadania, teremos cada vez mais uma sociedade mecanizada, sem qualquer respeito com o próximo, quer seja este um motorista ou um pedestre.


* Adilson Fonseca é jornalista