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Vencer a apatia e encarar os reais desafios de nossa cidade

Por Gustavo Figueiredo

Vencer a apatia e encarar os reais desafios de nossa cidade
Depois do entusiasmo estudantil em torno de uma estrela vermelha e ao mergulhar desnorteado em uma nova aposta partidária que se perdeu em um esquerdismo, encontrei na crise ideológica atual a oportunidade de repensar a política institucional neste período pessoal de relativa autonomia, podendo apresentar propostas a candidaturas, sem o controle das agremiações, pelo menos por esse momento em que não defini o meu rumo político.

Se inegavelmente no sangue corre a militância partidária, é no colapso de opções atuais onde encontro o refúgio necessário e sadio para melhor acompanhar a conjuntura política atual e a confrontação de forças que se colocarão para governar nossa cidade.

Cenário este sem muitas novidades e com os mesmos desafios de sempre. A disputa municipal não pode mais se limitar em uma falsa polaridade envolvendo carlistas e anti-carlistas, visto que a mutabilidade conjuntural colocou antigos adversários no mesmo palanque sem nenhum constrangimento ideológico. E não há nada de absurdo nisso, afinal o campo político é dinâmico e suscetível a alterações táticas. O problema é a ausência de solidez nos projetos, principalmente naqueles de longo prazo.

É visível a fragilidade geral dos partidos na consolidação de uma identidade ideológica sólida capaz de oferecer aos eleitores a segurança no que estão realmente votando. Parece que somente uma reforma política poderá nos oferecer a salvação da, já vegetativa, estrutura partidária.

Se historicamente a política partidária brasileira foi pautada muito mais em indivíduos do que em idéias, o marketing pessoal já não mais consegue forjar líderes em estúdios capazes de motivar militâncias e seduzir eleitores para o debate necessário sobre os rumos de nossas vidas. O resultado é a conformação de forças e interesses distintos no controle das casas legislativas e no Executivo. Não é fruto apenas da ignorância política ou descompromisso do povo com o futuro, mas sim o reflexo de incoerência nas posturas/discursos e inconsistência das propostas, afinal ninguém mais cai no “tudo pelo social, ou eu prometo Saúde, Educação, Segurança e lá lá lá”.


O próximo pleito pode ser uma ótima oportunidade para rediscutir a viabilidade de governos de coalizão formados por partidos que se aliam até a eleição para assegurar lotes de um próximo governo sem um projeto político sólido. O resultado da tal governabilidade é a constante chantagem política e a troca de favores e cargos que impedem a conformação de uma direção política consistente capaz de efetivar projetos apresentados durante as campanhas.

Para efervescer a arena política, os partidos precisam abandonar a desesperada e desastrosa política de agressão aos adversários e se preocupar em debater possíveis saídas para os principais dilemas de nosso povo. Falta, até agora, densidade nos debates e consistência nos projetos e propostas para uma cidade com profunda desigualdade social e às portas de receber grandes eventos internacionais. Ainda há tempo. Há, sobretudo, uma expectativa da população em obter melhorias na qualidade de vida nessa capital cheia de problemas sociais, onde todas as forças políticas e gestões anteriores têm parcela nisso. É hora de olhar para frente e a coragem de assumir o risco de ser diferente e não se submeter aos interesses particulares, mesmo que isso represente redução no financiamento privado das campanhas. As últimas experiências têm mostrado que não basta se eleger, é necessário ter real autonomia e poder para governar.

* Gustavo Figueiredo é comunicólogo, servidor público, militou no movimento estudantil, onde atuou pelo PT, foi dirigente sindical e um dos fundadores do PSOL, atualmente está sem partido.