Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Artigo

Artigo

Salão de Chocolate da Mata Atlântica

Por Eduardo Athayde

Salão de Chocolate da Mata Atlântica
O Brasil produz cerca de 4% do cacau do mundo. Na região cacaueira da Mata Atlântica da Bahia, onde 70% do cacau brasileiro é produzido, foi registrado recorde de concentração de biodiversidade no Planeta pelo New York Botanical Garden, 476 diferentes espécies vegetais por hectare. Quanto pode valer para a economia verde que floresce no mundo? Como políticas públicas podem atuar nesse cenário?
 
Governos estão investindo em programas de incentivo à rotulagem ambiental com inovação, ciência e tecnologia. O governo alemão lançou o programa Blue Engel para estimular a ecoeficiência nas empresas; o Canadá lançou o Environmental Choice, seguido pelo Japão, com o Ecomark; pela Noruega, Suécia e Finlândia, com o Nordic Swan, e pelos EUA, com o Green Seal. Hoje, mais de duas dezenas de países conduzem programas de rotulagem ambiental, formando o GEN (Global Ecolabelling Network). Como Chanel, Dior, Nike e Vuitton, Mata Atlântica é grife internacional na era da economia verde.
 
O Chocolate da Mata Atlântica é um gostoso convite e uma porta de entrada para outros negócios sustentáveis. Produzido com alto teor de cacau, ecorrotulado, é um veículo para exibir a vocação para a biotecnologia, o turismo e a preservação da biodiversidade. Através do projeto Fazenda de Chocolate, desenvolvido a partir do ano 2000 com apoio do WWI-Worldwatch Institute, a região cacaueira da Bahia passou a ser conhecida internacionalmente como "Floresta de Chocolate". A economia do chocolate que movimenta um PIB global de cerca de US$ 1 tri, foi tema do livro "Venture Capitalism for a Tropical Forest, the case of the Chocolate Forest of Bahia", publicado pelo WWI, lançado na embaixada brasileira em Washington e divulgado pelo The New York Times e The Washington Post. A Kyodo News, maior agência de notícias da Ásia, divulgou o Chocolate da Mata Atlântica na China e por todo o Continente Asiático.
 
Abrangendo uma área de 90 mil km2, com 3 milhões de habitantes (3 vezes o tamanho da Bélgica), a região chocolateira da Bahia, com 300 quilômetros de costa oceânica, praias virgens, rica bacia hidrográfica, clima tropical - conhecida no mundo pela obra de Jorge Amado que volta as telas da Globo com Gabriela - infra-estrutura rodoviária, porto e aeroporto, começa a atrair os interesses das indústrias imobiliária e turística. A biodiversidade preservada é o novo luxo cobiçado, quando tem cheiro e sabor de chocolate, vale mais ainda.
 
O cacau é como a uva para o vinho, pode atender ao sabor popular e ao sofisticado. Cacau fino, com origem controlada, permite identificar, via Google Earth e GPS, a fazenda onde o cacau é cultivado. Esses novos ecoempresários do chocolate sabem que a velha cultura econômica que comercializa o cacau em velhas sacas, recheadas de riqueza e ignorância, vendidas a cerca de 4 reais o quilo, enquanto o mesmo quilo de chocolate caseiro de Ilhéus é vendido a 120 reais - agoniza.
 
Cacauicultores inovadores, atraídos pelos saborosos negócios do Chocolate da Mata Atlântica, participaram do Salon du Chocolate de Paris com stand intitulado "Floresta de Chocolate". O chocolate da Bahia foi destaque entre chocolateiros e a imprensa internacional. Descobrindo o verdadeiro ouro guardado pelo fruto do cacau trazem o Salon du Chocolate, com 17 anos de existência e mais de 90 edições ao redor do mundo, de Paris para a Bahia.
 
Num país com as desigualdades sociais do Brasil, preservar através de econegócios, gerando ocupação e renda, é uma das saídas para a inclusão social. Ambientalistas e empresários já descobriram que adicionalidades como a preservação, clima e cultura local fazem com que o m² da região ex-cacaueira valha ouro, e que, juntos, podem gerar lucro social, econômico e ecológico de forma integrada. 
 
Fundos de investimentos internacionais, por sua vez, sabem que Disney tem em ficção o que a Bahia tem in natura, e começam a desovar recursos apostando neste potencial. Quanto pode valer o m² preservado da única "Floresta de Chocolate" do mundo?
 
* Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil