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O PODER DA ESCOLHA


Marta Castro Luzbel

Uma das melhores formas que nós consumidores temos de praticar a responsabilidade social é optando por produtos e serviços de empresas socialmente responsáveis. Infelizmente, muitos ainda não se deram conta dessa possibilidade; outros têm essa consciência, mas ainda não a praticam. Em que grupo você se encaixa?
Nestas eleições, o discurso dominante é o da responsabilidade do voto. Ao escolhermos nossos representantes no Executivo e Legislativo, estamos sendo co-responsáveis pelo que acontece com o nosso estado e com o nosso país. Escolhas erradas implicam em burocracia, corrupção, falta de compromisso. Escolhas certas resultam num estado eficiente, eficaz e efetivo. O mesmo poder que temos de contribuir para a construção de um mundo mais justo e eqüitativo por meio do voto, pode ser exercido por meio do consumo.
O consumidor consciente tem condição de premiar ou punir empresas com base na sua conduta: cuidado com o meio ambiente; ação social na comunidade; relacionamento com o governo; e postura junto a funcionários, fornecedores, prestadores de serviços e clientes. A empresa, por sua vez, tem a oportunidade de qualificar sua clientela, orientando e estimulando o consumidor a exigir a nota fiscal, a optar por produtos de baixo consumo de energia, a reaproveitar embalagens ou a encaminhar o lixo para reciclagem. Com isso, é possível criar uma cumplicidade entre empresa e cliente que é saudável, rentável e sustentável.

Uma pesquisa do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente revelou que, cada vez mais, os consumidores acreditam que as empresas devem contribuir para a construção de uma sociedade melhor. A pesquisa, realizada em 2005, ouviu mil pessoas, entre 18 e 74 anos, em 11 capitais do país. Cerca de 44% delas acreditam que as empresas devem ir além do que é determinado na lei, para atingir padrões éticos mais elevados e realizar plenamente seu papel da sociedade.

O próprio Instituto Akatu, no entanto, reconhece que existe um gap entre a capacidade de refletir sobre o assunto e o ato de comprar. Essa distância é em grande parte causada por fatores econômicos. Muitos consumidores fazem a opção de compra pelo preço e não pela qualidade ou pelos valores éticos das organizações que estão por trás dos produtos e serviços. Isso quando não consomem produtos falsificados, pirateados, contrabandeados ou mesmo roubados.

O mais triste é que a maioria da nossa população não tem condições sequer de discernir sobre o tema. Sem acesso a uma educação de qualidade, que permita desenvolver o raciocínio crítico, esses consumidores jamais saberão avaliar se a propaganda é enganosa, se a embalagem é reciclável ou se a empresa é idônea. Eles dificilmente terão acesso à opinião da imprensa qualificada ou às discussões inflamadas a partir de denúncias postadas em blogs. Para nosso desespero, essa grande massa de consumidores é a mesma massa de eleitores que certamente também não tem condição de selecionar os melhores candidatos, muito menos de monitorar seu desempenho.

Mas você, leitor, tem condição de conhecer as ações das empresas na sociedade e estar apto a associar as marcas e produtos às empresas responsáveis por eles. Você tem a capacidade de avaliar e a liberdade de decidir. Você tem o poder. E mais, você tem a possibilidade de ajudar quem não o tem. Oriente sua secretária do lar, o porteiro do seu prédio e o boy da sua empresa. Oriente-os a consumir de forma correta e, principalmente, a votar de forma correta. O Brasil agradece!
Para se informar e fazer as escolhas certas, consulte www.akatu.org.br e www.trasparenciabrasil.org.br.

Marta Castro Luzbel é administradora de empresas e especialista em Marketing, responsável por Relações Institucionais na Fundação Odebrecht, professora universitária e voluntária em diversas instituições sociais.