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Não me canso de ser “eco-chato”

Por Marcell Moraes

Não me canso de ser “eco-chato”
Antigamente se dizia assim: ‘Gente, é necessário a mobilização de todos para proteger o planeta, controlar os efeitos atmosféricos que provocam alterações climáticas nas diversas regiões do mundo. Vamos fazer um apelo para que haja mais sensibilidade sobre a questão do aquecimento global, caso contrário, os nossos netos, bisnetos e tetranetos sofrerão as consequências’.
 
 Quando uma pessoa conseguia entender essa mensagem, ela resmungava exatamente assim: “Xiii, lá vem o eco-chato que gosta de falar difícil. Lá vem o discurso do politicamente correto. Que saco, é a erva!”. Mas a grande maioria enrugava a testa e olhava com aquela expressão de quem estivesse ouvindo o pior dos xingamentos.
 
 Mas nem precisou eu virar pai ou avô para sentir os efeitos ambientais provocados por tudo aquilo que falávamos outrora. Agora, pode observar que quase ninguém, nem mesmo os ambientalistas mais xiitas, falam assim. E não é porque estão cansados. Hoje está tudo aí debaixo da “fuça”. Basta olhar a boiada no pasto morrendo de fome e sede por causa do açude que secou, por causa da chuva que não cai, nem sob a reza mais forte de uma tribo indígena. Basta olhar o câncer de pele corroendo e matando as pessoas por causa do sol cada vez mais escaldante. Basta observar o nível do mar subindo sem controle. Enfim, basta olhar a nossa volta.
 
 Já está mudando. Estudos dizem que as pessoas estão mais ecologicamente corretas. E estão mesmo, justiça seja feita, tanto que uma pesquisa do Ibope apontou que 94% dos brasileiros se dizem preocupados com o meio ambiente. Ótimo. Mas eu costumo dizer que muita gente está mesmo empenhada por uma vida fantástica, porém esquecem da vida fantástica da natureza, que pode oferecer uma vida fantasticamente saudável.
 
 Espero estar sendo claro, afinal não interpretem esse artigo que vos escrevo como uma lição de moral, tampouco o objetivo é fazer um texto do tipo autoajuda. Não mesmo. Quero sim fazer um apelo para que as pessoas incorporem essa causa, porque essa não é uma causa dos ambientalistas. É uma causa de todos, pois os ambientalistas também morrem de sede e sofrem com o câncer.
 
 E se, para alguns, a luta ambiental é um discurso chato, imagine inserir esse assunto na política, outro ramo ainda mais aporrinhador. Mas é impossível separar uma coisa da outra, aliás não há como extrair a política de qualquer que seja o tema.
 
 Como militante e fundador de uma agremiação partidária em Salvador, não poderia deixar de abordá-la nesse momento. Eu sou do Partido Verde, que, sem meio-termo, é uma das poucas legendas que hoje em dia ainda levantam uma bandeira, que ainda pena na sociedade bradando um discurso sobre um tema que é do futuro, mas poucos caíram na real, inclusive certos correligionários. Não digo que nunca tenha existido um partido assim, pois teve. Basta lembrar do velho MDB, aquele que lutou, sangrou e conquistou a democracia para nós. Vejam o PT, que comeu o pão que o diabo amassou na luta pelo direito dos trabalhadores. Ambos chegaram ao poder maior, e... Procurem vestígios de bandeira neles dois. Agora chegou a nossa vez, chegou a hora do planeta ficar mais verde.
 
 * Marcell Moraes é presidente do Grupo Ecológico Amigos da Onça (GEAMO) e vice presidente do PV de Salvador.