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Mulheres: principais vítimas da longa estiagem

Por Vera Lúcia Barbosa

Mulheres: principais vítimas da longa estiagem
A situação da longa estiagem na Bahia, que motivou os decretos de situação de emergência em dezenas de municípios, traz importantes e oportunas reflexões. Como tem sido noticiado, esta é uma das piores estiagens enfrentadas pelas comunidades baianas nas últimas décadas. Não é exagero afirmar que as mulheres, segmento com participação cada vez maior nos setores da sociedade e também na agricultura, têm sido fortemente afetadas pelos efeitos da escassez de água.
 
De fato, a análise que trazemos sobre a situação da população rural feminina é pertinente. Estamos falando de uma parcela populacional que tem contribuição significativa na produção de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, atividade fortemente prejudicada com a falta d’água. O cenário desolador a que estamos submetidos, sem previsão de chuvas próximas, animais morrendo, plantação perdida e limitada existência de água para consumo humano, reforça a necessidade de investimentos mais expressivos nas políticas públicas de convivência com o semiárido e nas iniciativas específicas para o meio rural.

Apesar dos esforços empreendidos pelos governos na tentativa de minimizar o sofrimento da população, com medidas emergenciais em curso, a exemplo da contratação de carro pipa, não podemos deixar de lembrar a importância dos processos de implantação de cisternas, por exemplo. Somente entre 2007 e 2011, foram 72,6 mil instaladas, dentro do Programa Água para Todos. A iniciativa, sem dúvidas, impacta no cotidiano das mulheres, melhorando seus níveis de saúde e segurança alimentar, como também de toda a família. Ainda citamos a construção de barragens subterrâneas, limpeza e abertura de aguadas, perfuração de poços, entre outras tecnologias.

Para além disso, é preciso garantir assistência técnica diferenciada para o público feminino, apoio a créditos rurais, suporte para produção e comercialização de produtos da agricultura e derivados, entre tantas outras medidas de inclusão produtiva. Isso significa valorizar a atuação dessas mulheres no meio rural, um dever das esferas públicas. Assim, enfrentamos o grave problema da feminização da pobreza, possibilitando às mulheres condições de aumento da renda para sobrevivência no período de pouca oferta hídrica e queda na produção.

Acreditamos que com sugestões desta natureza, reafirmamos nosso compromisso de propor iniciativas que melhorem a qualidade de vida da mulher rural. Esta é uma das nossas tarefas enquanto organismo estadual responsável pela articulação de políticas para o segmento feminino. Não hesitaremos em fazer as intervenções necessárias, ampliando parcerias que possibilitem uma guinada na perspectiva do povo do campo, sobretudo das mulheres. O que queremos é fortalecer a participação delas nas estratégias de convivência e desenvolvimento do Semiárido e das demais regiões atingidas pela falta de chuva.
 

* Vera Lúcia Barbosa é secretária estadual de Políticas para as Mulheres