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NÓS PODEMOS PONTO ORG PONTO BR


Marta Castro Luzbel

Há seis anos, o mundo se uniu em torno de oito desafios para tentar reverter a situação de miséria, pobreza e desigualdade no mundo e trabalhar pela sustentabilidade do Planeta. A despeito dos esforços feitos por alguns atores verdadeiramente comprometidos com essa causa, estes desafios continuam extremamente atuais, preocupantes e distantes de serem superados.
Em setembro de 2000, 192 países membros da ONU – Organização das Nações Unidades, dentre eles o Brasil, assinaram um conjunto de oito macro-objetivos, a serem atingidos pelos países até o ano de 2015: (1) erradicar a extrema pobreza e a fome; (2) atingir o ensino básico universal; (3) promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres; (4) reduzir a mortalidade infantil; (5) melhorar a saúde materna; (6) combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças; (7) garantir a sustentabilidade ambiental; e (8) estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.
Essa iniciativa tinha (e ainda tem) tudo para dar certo. Primeiro, porque a ONU tem o poder de convocar e articular uma grande quantidade de lideranças governamentais. Segundo, porque a Organização tem também a capacidade de influenciar as agendas de empresas e da sociedade civil. E terceiro, seus técnicos tiveram a competência de desenhar um processo de mobilização com estratégias, etapas e resultados bem definidos. Os Objetivos do Milênio se desdobram em 18 metas (com possibilidade de expansão, segundo proposta recentemente apresentada por Kofi Annan, Secretário Geral da ONU) a serem superadas por meio de ações concretas dos governos e da sociedade. Para acompanhá-las, foram definidos 48 indicadores de impacto.
O Relatório 2006 do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, aponta avanços e retrocessos nas diversas regiões do globo:
- Ouve uma redução de quase 10% da população mundial que vivia na extrema pobreza, mas essa diminuição não se deu de maneira igual para todos os países. A pobreza decresceu rapidamente na Ásia, mas o mesmo não aconteceu na América Latina e Caribe. Já na África, os percentuais permanecem praticamente inalterados.
- O acesso de crianças à educação primária cresceu 8% nos países em desenvolvimento, liderados pela América Latina e Caribe. Já na África esse número não passou de 1%. As zonas rurais merecem especial atenção, pois a pobreza limita a oportunidade de acesso à educação, devido ao trabalho infantil, a baixa escolarização das famílias e a má qualidade do ensino.
- É crescente o envolvimento da mulher nos processos de participação política e na força de trabalho. No entanto, a mulher continua dominando o mercado informal e de subsistência, enfrentando altos índices de desemprego e em desvantagem no mercado formal, onde enfrentam segregação ocupacional.
- A mortalidade infantil diminuiu em todas as regiões do planeta. A vacinação em massa, uma das mais efetivas políticas públicas já criadas, contribuiu para isso. Na América Latina e Caribe estão os maiores avanços no campo da saúde e nutrição de crianças.
- Mais de 200 milhões de mulheres que desejam limitar sua fertilidade não têm acesso a métodos contraceptivos. Serviços adequados no campo do planejamento familiar e da saúde reprodutiva, a exemplo da assistência ao parto, são essenciais para garantir a saúde materna e reduzir a mortalidade de gestantes.
- Muitos países relatam sucesso na redução da contaminação pelo vírus HIV, por meio do estímulo a mudanças de hábitos. No entanto, o número de pessoas vivendo com o vírus aumentou e o número de mortes também, apesar da evolução no tratamento.
- Cresceu a preocupação com relação à malaria, que mereceu investimentos na ação inseticida e no acesso aos remédios e tratamento. O crescimento da tuberculose estabilizou-se, mas esta doença ainda mata 1,7 milhões de pessoas todos os anos.
- Todos os anos, cerca de um milhão de hectares de florestas são destruídos para dar lugar à agricultura. A emissão de gases químicos e de CO2 foi reduzida, mas não o suficiente para evitar a diminuição da camada de ozônio e o aquecimento global, causa dos milhares de casos de catarata, melanoma e outros tipos de câncer diagnosticados.
- O número de jovens e sua participação na população cresceram dramaticamente nos países em desenvolvimento, que apesar de terem ganhando acesso a diferentes mercados, continuam enfrentando pesadas taxações em setores estratégicos e intensivos em mão de obra, como os setores agrícola e têxtil. Também cresceu o desemprego nesta faixa etária. Hoje, os jovens representam quase a metade dos desempregados.
É importante lembrar que, contribuir para o alcance e superação das metas não é atribuição exclusiva dos governos ou das grandes empresas. Todo cidadão pode e deve fazer a sua parte. Por exemplo, é comum vermos meninas serem trazidas do interior para a capital para trabalharem como empregadas domésticas em casas de família. Muitas vezes elas cuidam de crianças, sem que tenham tido o mínimo preparo para cuidar de si mesmas. E, ao contrário das crianças que cuidam, não têm acesso à educação e ao lazer. Não explorar mão de obra infantil (e denunciar quem explora) é uma forma de contribuir com os objetivos do milênio.
Outro exemplo refere-se à mortalidade infantil, que não está apenas relacionada à nutrição. O relatório Situação da Infância no Brasil, publicado no início do ano pelo Unicef, aponta a negligência como a maior causa de morte de bebês e crianças. Dar amor, atenção e educação a esses pequenos seres é uma forma de contribuir com os objetivos do milênio.
Fazer uma ação voluntária, lutar pela melhoria da educação, brigar pelo acesso a medicamentos seguros e baratos, denunciar o preconceito contra negros e homossexuais, conscientizar sobre os riscos da Aids e alertar para as doenças decorrentes do desequilíbrio ecológico, todas essas são formas de ajudar. E nós podemos ajudar. Nós podemos!
Maiores informações: www.nospodemos.org.br

Marta Castro Luzbel é administradora de empresas e especialista em Marketing, responsável por Relações Institucionais na Fundação Odebrecht, professora universitária e voluntária em diversas instituições sociais.