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PREVALÊNCIA DO TABAGISMO NA ADOLESCÊNCIA

Dr. Adelmo Souza Machado Neto

Estudar o tabagismo entre adolescentes é importante, pois a adolescência é uma fase do desenvolvimento pessoal que se caracteriza por mudanças e conflitos internos, propiciando o aparecimento de comportamentos e hábitos anti-sociais, que o indivíduo poderá levar por toda vida. Nesta fase há um aumento dos comportamentos de risco, dentre eles o consumo de substâncias psicoativas, sendo o tabaco uma das mais consumidas.
O hábito de fumar leva à dependência à nicotina, sendo de 9% entre os brasileiros e 2,2% na faixa etária de 12 a 17 anos, atingindo seu pico nas idades superiores a 35 anos. Esta dependência perpetua a continuidade deste consumo, causando as doenças vastamente conhecidas, incapacitações e óbitos precocemente. Os jovens que fumam podem ser acometidos, com maior freqüência, por problemas de saúde bucal, alterações funcionais respiratórias obstrutivas, sintomas e infecções respiratórias e redução da capacidade física.
Os rapazes tendem a consumir mais que as moças, e o consumo mundial de tabaco, entre jovens, varia segundo o país. Nos EUA a faixa de consumo encontra-se entre 20 a 29%, atingindo taxas superiores a 30% na Rússia. Na União Européia esta freqüência varia segundo o país – com as prevalências superiores para a França – e segundo o gênero – de 13% a 33% para o feminino e 17% a 35% para o masculino.
O uso de tabaco por adolescentes varia na América Latina, segundo país, gênero e ano de levantamento, sendo que os meninos tendem a fumar mais que as meninas. A prevalência variou no Chile de 10 a 64%, sendo a média de idade de início de 13,6 anos. Na Costa Rica (1987) foi de 28,4% de prevalência e na Ilha de Páscoa (1994) foi de 50%.
Em um levantamento populacional recentemente realizado no Brasil, foi observado que 15,7% das pessoas com 12 a 17 anos já haviam consumido tabaco na vida, variando segundo gênero e região, sendo esta diferença marcante para a região norte (24% do masculino e 5% do feminino). Na região nordeste 14,3% dos jovens abaixo de 18 anos fumava, sendo 16,2% dos rapazes e 12,6% das moças.
Dados do Brasil, obtidos através do VIGIESCOLA (Brasil, 2005), mostraram que a taxa de experimentação do tabaco variou de 31% (em Vitória) a 55% (em Porto Alegre), sendo que as meninas em Porto Alegre e Curitiba fumaram mais que os meninos, diferentemente do que ocorreu em outros estados. O consumo atual variou de 11% até 24%, com a mesma tendência para aqueles estados da Região Sul. A maioria experimentou o tabaco entre as idades 12 a 13 anos, porém o percentual que experimentou abaixo desta faixa etária foi significativo, mostrando a gravidade do problema. Em Salvador (BA) 29,3% dos escolares consumiu tabaco na vida, 8,3% faz uso atual, com pouca diferença entre os gêneros. Existe evidência de uma tendência a estabilização do consumo desta substância.
Um levantamento realizado em Salvador (BA) observou que 46% dos adolescentes experimentaram o cigarro e que 9,5% deles fumavam, sendo que o sexo masculino experimentou mais e fumou mais que o feminino. Outros estudos mostram que a prevalência deste consumo varia muito segundo os estados da Federação, de 11% a 37,7%, sendo que a diferença entre os gêneros não foi observada em alguns estudos, inferindo-se que estas diferenças se devem às diversidades sócio-culturais.
Vale ressaltar que o tabaco é uma droga “doméstica”. Um estudo realizado entre adolescentes, antes e após a situação de rua, observou que o consumo de tabaco iniciou com maior freqüência antes desta situação, mesmo se considerando que esta é uma população com característica própria, possivelmente com conflitos familiares e sociais prévios.
As determinantes para a iniciação e manutenção do consumo do tabaco são multifatoriais, sendo que o experimento é o principal determinante. Outras variáveis que influenciam são: ação da nicotina, idade, idade de experimentação e iniciação do tabagismo, atitude dos pais, consumo de tabaco pelos pais, prevalência do tabagismo no meio, atitudes anti-sociais do adolescente (quebra de mobiliário escolar, falta às aulas sem justificativa e envolvimentos em brigas) e influência dos pares.
Pode-se considerar que o uso de tabaco por adolescentes é incoerente, pois grande parte não o acha bonito ou elegante (mesmo entre aqueles que fumam), sabem e estão esclarecidos sobre os males do tabaco, mas mesmo assim se arriscam a fumar. Isto reforça que outras variáveis podem estar determinando este consumo.
Conclui-se que: existe uma variação muito grande da freqüência do tabagismo entre adolescentes; os determinantes deste consumo é multifatorial e possivelmente com interação entre eles. Habitualmente o jovem tem conhecimento dos problemas relacionados ao tabaco, porém este consumo ainda vem sendo mantido por eles. Portanto, medidas preventivas devem ser tomadas considerando, além dos procedimentos educacionais, promover uma mudança de atitudes desses jovens, buscar o aumento da rejeição a este produto entre seus pares e conscientizar os seus pais a não fumar, pois reduz o risco do filho consumir esta substância.

Dr. Adelmo Souza Machado Neto é mestre e doutorando em Medicina pelo Programa de Pós-graduação em Medicina e Saúde – Departamento de Medicina da Faculdade de Medicina – UFBA.