Agora somos obrigados a concordar com o rouba, mas faz?
As críticas em relação à administração do prefeito de Itaberaba, João Almeida Mascarenhas Filho (PP), têm aumentado. A cada dia cresce o número de manifestações do povo por meios das rádios da cidade. Eu, particularmente, não estranho, afinal, o prefeito, com a cara de bom moço, tem também demonstrado o que diz um amigo advogado: “A relação histórica do homem com o poder demonstra inexoravelmente a necessidade de preparo pessoal, psicológico e moral, para que ele não seja corrompido pelas vaidades e interesses individuais”.
E ele está certo, pois nestes 14 anos de jornalismo já assisti a derrocadas de vários líderes políticos por conta da vaidade e dos interesses individuais. Na minha opinião, estes líderes não foram humildes o suficiente para entender que o poder é efêmero e que a esperança de um povo não pode ser sucumbida diante de seus devaneios e pretensões políticas. Para se ter uma idéia do que digo, basta lembrarmos da ditadura militar que foi implantada a partir do momento em que o político perdeu a noção dos limites do seu poder e colocou sua vontade acima do interesse do povo, reagiu às críticas e tentou suprimir a independência tanto do Poder Legislativo quanto da Imprensa.
Eu mesmo, sempre que posso, estou criticando os malfeitos de João Filho e não fico acanhada por isso, afinal sou e sempre serei uma defensora das causas sociais, objetivo maior de quem se põe a fazer comunicação social. Por conta disso, estamos sempre mostrando o lado podre do governo João Filho.
Como formadora de opinião, por excelência, não vou acreditar nunca na administração de João Filho. E vou dizer por quê. Prá mim, João Filho será sempre o prefeito que foi eleito num esquema de corrupção (claro que não conseguiram provar no judiciário). Quanto à sua administração, não observo diferenças, continuo vislumbrando o quadro de abandono municipal. Basta mencionar as entulhadas de lixo pelas ruas da cidade, os esgotos que correm a céu aberto, o descaso com o matadouro público municipal, o uso da máquina pública em benefício de interesses particulares e outras coisas que a população também tem observado.
Vejo que nestes quase três anos da administração do prefeito de Itaberaba, ele colocou por diversas vezes seus interesses pessoais e financeiros acima do interesse do público, como, por exemplo, na tentativa de implantar o Ifet nas proximidades de terrenos de sua propriedade, na compra superfaturada do terreno do cemitério, mediante negociata ilegal com sua irmã, uma prática imoral do nepotismo (graças ao seu poder, agora legalizado no município). Sem falar na utilização de maquinários da prefeitura para beneficiar um terreno de um condomínio particular, fechamento de escolas e postos de saúde para receber o governador do Estado, utilização de rádios e outros meios de comunicação pagos com o dinheiro público para fazer sua promoção pessoal, ameaça à liberdade de impressa com ações orquestradas na justiça.
As ações maléficas não param por aí. Ainda teve a submissão do Poder Legislativo, concessão suspeita de alvarás de construção para empreendimentos imobiliários, inclusive em perímetro rural, tentativa de venda de imóveis públicos à revelia da população, por meio de um suspeito leilão, contratação suspeita de empresa que administra o transporte escolar, gastos excessivos e suspeitos de combustíveis e outras irregularidades que já foram denunciadas ao Ministério Público Estadual.
Mas, de todos estes descalabros cometidos pelo prefeito João Filho, o que mais me estarrece é a utilização da estrutura pública municipal para promoção pessoal com fins eleitoreiros, mascarada através do que eles chamam de “Prefeitura Itinerante”. Alguém para explicar?
Na minha modesta opinião, o administrador público deve implementar um modelo de gestão que priorize o lado humano, especialmente em atendimento à saúde (não preciso mencionar aqui as constantes reclamações da população neste setor), à educação, além de buscar soluções para vários problemas que atingem hoje as pessoas, tanto na sede, quanto na zona rural do município.
Por falar em zona rural, por lá se comenta que João Filho está sendo o pior prefeito para o homem do campo. Criaram até uma meta para ele: “enganar a cidade e comprar o homem do campo na hora H”. Se esta meta é verdadeira, cabe ao homem do campo ter vergonha na cara e dar a resposta ao gestor na tal “hora H”.
Seria muito útil para a democracia se todos os que têm uma visão praxiológica da política investigassem, cada um a seu modo, os atos dos poderes Executivo e Legislativo. Dessa forma entenderíamos as causas da descrença do povo nos políticos, além de servir para refletirmos sobre o modo de recuperarmos a adesão à participação na Res Pública, na justa medida em que a política deve ser participada por todos, porque “o homem é um animal político” (Aristóteles).
Ao fazer críticas à parte institucional da administração, mostro para a população que a gestão de João Filho é maquiada, por meio de eventos culturais visando elevar seu nome a todo custo como elemento de perpetuação desse domínio. Dentro desse contexto ideológico para montagem dessa farsa, está a construção também da idéia de desenvolvimentismo programático com difusão de obras superfaturadas e outras que nada mais são do que o fruto de convênios celebrados entre o município, o estado e a união.
Ora, senhores! Qualquer município brasileiro está passando pelo mesmo processo de desenvolvimento com obras do estado e da União, por vários aspectos. Os recursos financeiros constitucionais e obrigatórios aumentaram para todos eles, além de uma intensa fiscalização estatal que inibe uma parte das fraudes (principalmente envolvendo licitações que fazem tremer os alicerces da atual gestão municipal). As obras de João Filho são em 80% convênios federais, o que muda tão somente é o enfoque ideológico que é dado a estas obras em termos de marketing de divulgação política.
O fato é que em qualquer sistema democrático vigente existem os prós e os contra. Os prós procuram enaltecer a administração em vigor como forma de manter o domínio do seu grupo político e os contra tentam mostrar o outro lado, apontando as falhas. Isso acontece em todas as partes do mundo e não seria diferente aqui em Itaberaba. Não podemos é deixar de mostrar ao povo os defeitos (como se eles não mais existissem). Neste contexto, o espírito democrático, veículo que conduz ao exercício da democracia, pressupõe a admissão da opinião diferente em determinada circunstância. É assim numa democracia, e é preciso que os responsáveis políticos nunca esqueçam esta verdade indiscutível.
* Deninha Fernandes é jornalista e editora chefe do Jornal da Chapada
