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Energia Solar, uma Opção

Por Marcus V. Americano da Costa Filho

Energia Solar, uma Opção
Os atuais problemas ambientais são atribuídos ao crescente impacto das ações humanas na Terra. Isto ocorre devido a diversos fatores, tais como aumento da população mundial, dos setores de transporte, das atividades industriais e, consequentemente, do consumo de energia.

O assunto foi discutido pela primeira vez no final da década de 80 e irá se estender por tempo indeterminado, haja vista o difícil acordo internacional na tentativa de diminuir a emissão dos gases causadores do efeito estufa. Embora tenha havido avanço nas questões ambientais desde a assinatura do Protocolo de Kyoto, no Japão, em 1997, é notória a má vontade dos principais poluidores do planeta, China, Índia e Estados Unidos quando se trata de redução das emissões. A razão é muito simples: os índices de produção e consumo de energia refletem a atividade econômica de um país e, portanto, o seu desenvolvimento. Hoje, acontece novamente a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-17), em Durban, África do Sul, onde se procuram estabelecer medidas que renovam o Protocolo, cujas metas perderão sua validade em 2012. Contudo, a comunidade científica converge num ponto. Se o aquecimento global permanecer, as mudanças climáticas podem ser catastróficas nos próximos anos.

Neste contexto, surge a idéia de desenvolvimento sustentável e o uso da energia renovável é vista como uma alternativa para reduzir a dependência das fontes de energia convencionais poluentes. Por este motivo, deve-se haver uma mudança de paradigma em relação ao modelo de energia mundial, na qual estima-se uma redução significativa na emissão de carbono mediante o uso da energia limpa. Ademais, a tendência de mercado é que o custo de desenvolvimento da energia renovável se tornará mais acessível e próximo ao da energia padrão.

Certamente, os rumos das crises americana e européia nos próximos anos impactarão negativamente sobre os investimentos das alternativas aos combustíveis fósseis. Com toda a consciência do problema, ainda é muito mais barato ter como opção imediata jogar CO2 na atmosfera. Entretanto, o Brasil, por meio de suas bem sucedidas experiências como produção de biodiesel e etanol, vem atraindo a atenção dos capitalistas de risco, dada sua larga extensão territorial, biodiversidade e economia favoráveis.

Decisões políticas à parte, deve-se entender que investir em novas tecnologias energéticas faz com que a cadeia produtiva de uma nação seja mais robusta e competitiva. À medida que as soluções mais modernas são conhecidas, torna-se mais claro a viabilidade ou não de suas aplicações. Desta forma, o Brasil começa a dar os primeiros sinais de investimento em larga escala no que concerne à energia solar, apesar de ainda ser pequeno se comparado com Alemanha, Estados Unidos ou Espanha. Curiosamente, o nordeste brasileiro, região onde se tem maior incidência de irradiação, não possui um centro de pesquisa em energia solar.

O sol, que já foi considerado um Deus por tribos pré-históricas, é a única estrela localizada no centro do nosso sistema onde a Terra e outros planetas percorrem suas trajetórias elípticas. Há manuscritos da antiguidade egípcia que dizem que a Grande Pirâmide, uma das maiores obras da humanidade, foi construída a fim de se ter um caminho que levasse ao sol. A temperatura da superfície do sol atinge cerca de 5500 ºC em que a energia é emitida para a Terra em forma de radiação solar, possibilitando a manutenção da vida. A radiação térmica viaja uma distância de aproximadamente 150 milhões de quilômetros a velocidade da luz no vácuo (300.000 km/s) e dura 8 minutos e 20 segundos até chegar ao nosso planeta. Apesar de ser uma minúscula parcela do total que o sol produz, 84 minutos da radiação solar captada pela Terra é equivalente a demanda de energia mundial por um ano. Basicamente, toda a forma de energia que nós conhecemos tem origem no sol. Manipulá-la e aproveitá-la, eis o desafio.

Para extrair a energia solar podem ser utilizados dois tipos de equipamentos: o painel fotovoltaico e o painel termosolar. O primeiro converte diretamente a luz em eletricidade e o segundo, como o próprio nome já sugere, é aplicado para geração de energia térmica, possibilitando encontrar projetos que envolvem desde a climatização de acomodações até a dessalinização da água do mar. No caso de refrigeração de ambientes, tem-se uma situação interessante. Quanto mais elevada a irradiação, mais calor se faz e maior a quantidade de energia consumida pelos sistemas de climatização. Porém, maior a potência produzida pelas placas.

Ainda, vale destacar a substituição de um grande vilão do consumo de energia. Basta dizer que para cada chuveiro instalado, o setor elétrico precisa investir em média R$ 2 mil e em nenhum outro país o produto é tão disseminado como no Brasil. Isto pode ser facilmente solucionado com o uso da tecnologia solar. Em uma cidade como Salvador, por exemplo, com menos de 90 m² de painel solar, garante-se água quente suficiente para um edifício de 24 apartamentos, considerando o pior caso que é o período de inverno, quando a incidência de radiação é menor.

É claro que o Brasil dispõe de diversas maneiras de gerar energia. No entanto, o país continua dando seu exemplo no que diz respeito ao desenvolvimento sustentável. A preocupação no uso das energias limpas é evidente, principalmente, quando as delegações brasileiras expõem nas conferências realizadas pelo mundo as novas ações executadas nos setores estratégicos. Em particular, a energia proveniente do sol nos traz uma ótima perspectiva e que o sucesso de sua implementação é uma questão de tempo, fazendo jus à idéia aristotélica de que “a natureza não faz nada em vão”.


Marcus V. Americano da Costa Filho
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Engenheiro Eletricista-UFBA, Mestre, Doutorando e Pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina.