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PENSAR A BAHIA 2023

Como vamos viver no ano de 2023, quando a Bahia comemorará o bicentenário de sua independência? Para responder esta pergunta adotarei uma atitude prospectiva, ou seja, a construção de cenários factíveis com o propósito de transportar o leitor até a data de 2 de julho de 2023. Boa viagem!

O futuro chegou e a Bahia é hoje um centro de integração nacional, com destaque para a Ferrovia Oeste-Leste e toda sua plataforma logística multimodal, incluindo o Porto Sul, a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e o novo aeroporto de Ilhéus. A ponte Salvador-Itaparica, que impulsionou o crescimento econômico das Ilhas, reintegrou o recôncavo à RMS e incrementou as economias do Baixo Sul e do Oeste Baiano, juntamente com os pólos logísticos e a revitalização da hidrovia do Rio São Francisco, foram outras obras estruturantes deste período.

A privilegiada situação geográfica - rica em energia, solo e clima – e a implantação do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), permitiram que nos tornássemos hoje uma referencia de sustentabilidade ambiental com um forte impacto na qualidade de vida da população e consolidou nossa terra como o destino preferencial de turistas. Para isso foi preciso investir em infraestrutura e na capacitação de agentes turísticos.

Nosso atual estágio de desenvolvimento está ancorado em uma exitosa rede de proteção social com um sistema público de saúde eficiente e humanizado, uma polícia cidadã que protege e respeita a população e a formação de grandes atletas, um dos legados deixados pela Copa 2014 e pelas Olimpíadas 2016. Iniciativas como a valorização do professor, a modernização dos equipamentos escolares, a inclusão digital e a adoção em grande escala da escola em tempo integral foram fundamentais para a melhoria da qualidade da educação.

O déficit de moradia que em 2011 era de aproximadamente 500 mil unidades habitacionais foi reduzido com políticas criativas, baratas e mais efetivas. Ao longo destes 12 anos, a Bahia erradicou a miséria absoluta e universalizou a renda mínima, demonstrando a capacidade baiana de superação das dificuldades.

A Bahia é modelo de desconcentração regional, com uma matriz econômica diversificada e bem distribuída por todos os territórios de identidade. Destaque para o semi-árido, o sertão, que antes era visto como uma terra sem futuro, não virou mar, mas hoje vive um processo de desenvolvimento com cadeias produtivas da agricultura familiar exportando para os EUA e para a Europa, além da instalação de indústrias e outros empreendimentos.

A democracia participava se consolidou, o orçamento público passou a ser discutido por toda a sociedade que elabora as políticas publicas e monitora sua execução. As comunidades tradicionais (pescadores, índios, quilombolas, terreiros de candomblé, etc.) são respeitadas, valorizadas e, o que é melhor, não sofrem mais discriminações.

A Bahia reafirmou seu papel de vanguarda com o surgimento de novas manifestações culturais protagonizadas pela força vinda das periferias e do interior do Estado. O Pelourinho é referencia internacional de preservação do patrimônio histórico com um modelo que une seus aspectos materiais e imateriais.

Puxando o desenvolvimento nacional, todos os setores de atividade econômica cresceram e se expandiram nestes 12 anos, colocando nosso Estado como a terceira economia na participação do produto interno bruto (PIB) do Brasil. Este circulo virtuoso de desenvolvimento gerou mais de 1,5 milhões de empregos formais.

Estas conquistas só foram possíveis por causa de uma concertação estadual construída através de uma rede de mobilização com todos os segmentos sociais (poder público, empresários, movimentos sociais e todos partidos políticos, inclusive os de oposição), onde, sem abrir mão de suas particularidades e suas diferenças, houve um alinhamento estratégico em torno de um objetivo comum: construir uma Bahia feliz de se viver.

Todos estes cenários não são meros exercícios de adivinhação. A retomada do planejamento estratégico de longo prazo com o projeto Pensar a Bahia está formatando este horizonte através do Plano de Desenvolvimento Bahia 2023, realizado pelo governo Wagner. E como vamos participar? O futuro já começou!

Edson Neves Valadares
Sociólogo e pós-graduando em Planejamento Urbano e Gestão de Cidades
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