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Artigo

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GOTA D'ÁGUA

Antecedida pelo ar, a água é a segunda mais importante preciosidade da natureza. Há greve de fome. De sede, jamais. Oriundo do semiárido, bem sei o quanto ela representa, especialmente para os que habitam rincões mais profundos e que em determinados momentos críticos sofrem com a sua escassez, para não dizer falta. Consciente disso, e de tudo quanto relativo ao palpitante tema, creio da maior relevância a preservação ambiental. Em não cuidando hoje,  amanhã a água será causa de mortes infinitas - objeto de guerras - a exemplo do petróleo e riquezas outras da natureza.

Preso a essa realidade e após ingerir "um copo bem gelado", no  bebedouro de determinada Secretaria Estadual,  refleti sobre  algo extremamente nocivo: o  descartável copo que naquele exato momento se encontrava em meu poder. De que ele é feito? Plástico. O que dele é feito, após o uso? Atirado ao lixo. Em segundo plano, quantos, somente naquela repartição pública, fazem uso daquele utensílio? Quantos milhares deles, somente nas repartições públicas estaduais, são utilizados e descartados por dia? E nas municipais, federais? E contabilizando a soma de instituições outra, a exemplo empresas, escritórios, consultórios etc?
O pior é que apesar de saírem de vários endereços, ao final esbarram  em um ponto só: degradar o meio ambiente, agredir a natureza, secar as águas, matar as plantas, acabar o pão.

De forma geral, cada servidor usa, em média, seis copos diariamente, o que resulta 30 por semana de trabalho. E onde trabalham duzentos?  O montante acumulado ao final do mês chega a 24 mil unidades, sem contar os que se prendem e os  do cafezinho, habito de parcela, contudo bem frequente para os apreciadores da deliciosa e tradicional bebida.

Junto a tudo isso, deve-se levar em conta que ele provém do petróleo,  uma fonte não-renovável, e que implica grande impacto ambiental em sua extração. Ante tal realidade, não seria possível, de forma democrática,  discutir-se a sua substituição? E após chegar-se a um denominador comum, fazer-se, por um período,  um trabalho de conscientização do público alvo?

Uma  vez sedimentada a ideia, de início, a substituição poderia acontecer nas unidades estaduais centrais e, posteriormente, nos demais seguimentos. Bem verdade, uma medida delicada, até porque envolvendo significativo percentual da sociedade.

Se cada um de nós, servidor público,  individualizar o seu copo, caneca, taça ou o que seja, analogicamente seríamos milhares de beija-flores transpondo gota d'água para conter a avassaladora agressão ambiental e, com isto, legando vida saudável para gerações futuras. Há quem diga que no Canadá as pessoas andam com suas "mugs" (canecas). Há, por outro lado, quem diz sobre reciclagem, que por seu turno gasta energia e água.

Por outro lado, outra alternativa menos transformadora, contudo bem interessante, seria o uso do copo de papel descartável, de mais fácil reciclagem e rápida absorção pela natureza. Parece-me oportuna uma reflexão quanto a um copo d'água. Com a palavra a bem gerida Secretaria de Administração do Estado.

*Gilberto Brito  é delegado de Polícia e ex-deputado estadual