10 DE DEZEMBRO: CULTURA DE PAZ
Na Assembléia Geral das Nações Unidas do dia 10 de dezembro de 1948 foi elaborada a Declaração do Direitos Humanos, em cujo preâmbulo está escrito que “o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo”. Já o artigo I traz a célebre frase que norteia os princípios de diversas Cartas Magnas, inclusive a Constituição Brasileira: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”. Na Bahia, dez de dezembro é também o Dia Estadual da Cultura de Paz com Justiça Social.
Como esta data não pode e não deve passar em branco na luta intermitente contra as arbitrariedades e violências (física, moral e psicológica), o Instituto Iapaz (Instituto de Estudo e Ação pela Paz com Justiça Social) e o Grupo Tortura Nuca Mais promovem uma programação com o tema Direitos Humanos e Construção da Paz. No dia 09, será realizado um seminário sobre o tema em questão, a partir de 13h30, no Auditório do Ministério Público, em Nazaré. E no dia 10, realizaremos a 8ª Caminhada pela Paz, com saída do Campo Grande, às 10 horas.
Um dos palestrantes do seminário será o jornalista Caco Barcellos, autor de obras como Rota 66. Este livro-reportagem foi escrito após oito anos de pesquisa e divulgou as atrocidades que eram cometidas por alguns membros da polícia paulista, identificando nada menos do que 4.200 vítimas. O autor, após o lançamento da obra, teve que passar, inclusive, um período fora do país. As vítimas desta vertente da polícia que mata tinham um traço em comum: eram jovens e pobres. O livro ganhou o Prêmio Jabuti na Categoria Reportagem em 1993.
Pois duas décadas depois as estatísticas demonstram que os jovens pobres ainda são as maiores vítimas de violência policial. Assim como das balas perdidas nas disputas por poder e território relacionadas ao tráfico de drogas.
Isto ocorre porque a paz só ocorre com justiça social. Mesmo com as políticas sociais implantadas pelos governos do presidente Luís Inácio Lula da Silva e que já tiraram quase 20 milhões de pessoas da linha da pobreza, temos um histórico de séculos de consolidação de um enorme fosso social entre os desfavorecidos e as classes abastadas.
A quase totalidade dos homicídios no Brasil têm uma raiz econômica, como observamos no tráfico de drogas. Os assassinatos cometidos por motivos patológicos são ínfimos nas diversas estatísticas. Portanto, para reduzir a violência é necessário a construção de uma sociedade que assegure os direitos humanos como trabalho decente, saúde, educação, moradia, lazer e a implementação da cultura da paz marcada pela solidariedade .
A luta pelos direitos humanos passa essencialmente pela construção de uma sociedade menos competitiva, menos individualista, mais solidária, mais justa, sem
opressão e sem exploração. A busca de uma vida com dignidade para toda a população.
Construir este caminho é combater o mal (a violência) pela raiz.
Álvaro Gomes – Presidente do IAPAZ e deputado estadual.